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A oração é ato político

Sostenes Lima, no blog dele

“A oração é ato político, energia social, bem público. Ela molda a vida da nação muito mais do que a legislação. O fato de não termos sido  ainda dominados pela anarquia deve-se muito mais à oração do que à polícia. É um ato permanente e intricado de patriotismo no sentido mais amplo da palavra –  muito mais preciso, amorosa e protetor do que qualquer patriotismo declarado em slogans. A possibilidade de viver na sociedade e o renascimento da esperança se devem à oração e não à prosperidade empresarial ou ao florescimento das artes. O ato mais importante para despertar toda saúde e força que há em nossa terra é a oração” [Eugene Peterson. Onde está o seu tesouro. Niterói: Textus, 2005].

Resta saber que tipo de oração é um ato político. Certamente não é a oração congregacional e alienante que tanto vemos em algumas igrejas evangélicas e nas neopentecostais.

Aqueles recitais de magias disfarçadas de oração são muito mais uma forma de escoamento de neuroses e artefatos discursivos que garantem fidelização de uma clientela religiosa.

A oração como ato político não é ensimesmada, não busca prioritariamente o bem-estar individual, não comunga com os valores de uma sociedade de consumo. A oração como um ato político é o sermão do monte efervescendo na alma.

Recortes de promessas triunfalistas, contidas em alguma parte da bíblia e repetidas como mantras, não podem ser de forma alguma um ato político.

Essas pseudo-orações não passam de fórmulas mágicas, que apenas potencializam o desejo individual de sucesso e poder, sem qualquer ressonância nos aspectos ético-políticos da vida social.

Via: PAVABLOG

 
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Publicado por em 27/02/2012 em POIMENIA

 

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O software vai comer seu emprego

Entre as enormes transformações deste século tecnológico e globalizado, a do emprego talvez seja a mais abrangente.

Com a globalização e as novas tecnologias, o mundo está mudando muito mais rápido do que as leis e as estruturas do antigo regime.

Aqui no Brasil, temos uma legislação trabalhista ultrapassada e custosa, que o Congresso cego recusa-se a reformar, mas isso não impediu que parcela enorme da força de trabalho hoje atue à revelia das leis da Era Vargas e sob novos arranjos, mais ágeis e leves. E as mudanças mal começaram.

Em poucos anos, mais rápido do que esperamos, as relações trabalhistas estarão ainda mais diferentes. Se você estiver do lado certo da nova força de trabalho, um profissional inovador e original, com contribuição única, essas transformações serão muito boas para você.

A revista “Economist” fez um dossiê como sempre presunçoso sobre o futuro do emprego no mundo.

Segundo a revista, o planeta terá neste ano 3,1 bilhões de pessoas empregadas, o maior número da história. Mas o número de desempregados chega a 205 milhões, um número muito maior do que poucos anos atrás.

Uma das conclusões dos estudiosos é que a tecnologia começa a comer empregos de forma consistente, como, aliás, sempre aconteceu na história humana. Mas agora é mais agudo, abrangente e transformador. O emprego commodity, quando se faz aquilo que qualquer um pode fazer, poderá cada vez mais ser feito por máquinas e robôs.

Ou, como disse título de artigo recente no wsj.com de Mark Andressen, um dos maiores gurus e investidores do Vale do Silício, fundador do Netscape: “O software está comendo o mundo”.

Assista AQUI

“Seis anos depois da revolução do computador, quatro décadas depois da invenção do microprocessador e duas décadas depois do surgimento da internet moderna, toda a tecnologia necessária para transformar indústrias através de software finalmente funciona bem e pode ser distribuída em escala global”, escreveu Andressen.

Isso pode ser ótimo para a indústria de software, mas as transformações significam a substituição de empregos commodities por softwares e máquinas, como acontece já nos bancos e nas montadoras de veículos: ou seja, muita gente vai para a rua e os que ficam serão mais educados, especializados e remunerados.

Nos EUA, a grave crise econômica está sendo a justificativa para que empresas percam o temor social que tinham de trocar homens por máquinas (e softwares). Em outros setores, as novas tecnologias simplesmente aniquilaram antigos modelos de negócios.

Veja o que aconteceu com as lojas de disco e grandes livrarias americanas, que viveram seu apogeu até o varejo online matá-las de forma fulminante, levando junto milhares de empregos, embora hoje se consuma mais música e livros no país.

Sempre houve muita especulação filosófica e literária sobre como seria o momento (ao qual chegamos) em que máquinas (e softwares) conseguissem fazer o trabalho dos homens. O suíço Jean Piaget (1896-1980), por exemplo, previa uma “sociedade do ócio”, onde o homem teria muito tempo para lazer e iluminações e menos ou nenhum tempo dedicado ao trabalho.

Piaget pensou isso numa época em que utopias sobre a prevalência da solidariedade e da justiça social nas relações humanas ainda iludiam os pensadores. Para o bem e para o mal, a competição, não a harmonia, parece ser nosso estado natural.

A transformação do emprego é a transformação da atividade mais importante de nossas vidas, o que geralmente determina o que somos e o que temos.

Nos países do hemisfério Norte, em crise econômica e mais plugados às novas tecnologias, as transformações estão muito mais agudas.

No Brasil, essas transformações, como outras, estão sendo amortizadas pelo nosso ciclo virtuoso de crescimento, essa névoa da prosperidade que pode esconder perigos importantes.

A competição pelo emprego é cada vez mais global. E ganhará mais vagas quem tiver mais educação e mais flexibilidade no trabalho, o que não é o caso do trabalhador brasileiro.

No nível pessoal, não se iluda que dará para enrolar no trabalho das 9h às 18s de segunda a sexta fazendo coisas que qualquer um pode fazer. O software vai comer esse emprego.

O Google tomou uma decisão primeiro criticada de liberar 20% do tempo de trabalho de seus funcionários para eles se dedicarem a projetos pessoais e inovadores ligados à empresa, mas fora de sua rotina habitual. Deu certo e já está sendo adotada por outras empresas inovadoras.

Mais do que nunca, será preciso mostrar o que só você pode fazer, usar sua individualidade como seu maior atributo. Apesar dos riscos e das perdas inevitáveis, isso é uma coisa boa. Ser criativo e inventivo tornou-se obrigatório. Como dizia o visionário slogan da visionária Apple no final dos anos 1990: “Think different”.

Sérgio MalbergierSérgio Malbergier é jornalista. Foi editor dos cadernos Dinheiro (2004-2010) e Mundo (2000-2004), correspondente em Londres (1994) e enviado especial da Folha a países como Iraque, Israel e Venezuela, entre outros. Dirigiu dois curta-metragens, “A Árvore” (1986) e “Carô no Inferno” (1987). Escreve para a Folha.com às quintas.

E-mail: smalberg@uol.com.br

Fonte: FOLHA

Será que os pastores estão se preparando para lidar com esta nova situação e as pressões sociais e psicológicas que serão impingidas aos membros de suas igrejas e seus familiares? De que maneiras as igrejas vão lidar com esta dura realidade e com a necessidade de rápida adaptação para sobreviver neste novo cenário empregatício?

 

 

 

 
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Publicado por em 16/09/2011 em POIMENIA

 

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Algo hicimos mal

1131Oscar Arias já foi Presidente da Costa Rica (o país mais avançado da América Central), já foi Premio Nobel da Paz (por ter intercedido e negociado os conflitos entre a Nicarágua e El Salvador), já foi Presidente da OEA e foi eleito, uma vez mais, Presidente da Costa Rica para o período 2006 – 2010. Na última Cúpula das Américas, ele proferiu o discurso abaixo para todos os Presidentes Latino-Americanos.

Discurso proferido na presença do Lula e demais presidentes latinoamericanos, incluído o “manequim” do Equador,  o caloteiro Corrêa, abaixo nominalmente citado.

“ALGO HICIMOS MAL”

Palavras do Presidente Oscar Arias da Costa Rica na Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago, 18 de abril de 2009

“Tenho a impressão de que cada vez que os países caribenhos e latinoamericanos se reúnem com o presidente dos Estados Unidos da América, é para pedir-lhe coisas ou para reclamar coisas. Quase sempre, é para culpar os Estados Unidos de nossos males passados, presentes e futuros. Não creio que isso seja de todo justo.

Não podemos esquecer que a América Latina teve universidades antes de que  os Estados Unidos criassem Harvard e William & Mary, que são as primeiras universidades desse país. Não podemos esquecer que nesse continente, como no mundo inteiro, pelo menos até 1750 todos os americanos eram mais ou menos iguais: todos eram pobres.

Ao aparecer a Revolução Industrial na Inglaterra, outros países sobem nesse vagão: Alemanha, França, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e aqui a Revolução Industrial passou pela América Latina como um cometa, e não nos demos conta. Certamente perdemos a oportunidade.

Há também uma diferença muito grande. Lendo a história da América Latina, comparada com a história dos Estados Unidos, compreende-se que a América Latina não teve um John Winthrop espanhol, nem português, que viesse com a Bíblia em sua mão disposto a construir uma cidade sobre uma colina, uma cidade que brilhasse, como foi a pretensão dos peregrinos que chegaram aos Estados Unidos.

Faz 50 anos, o México era mais rico que Portugal. Em 1950, um país como o Brasil tinha uma renda per capita mais elevada que a da Coréia do Sul. Faz 60 anos, Honduras tinha mais riqueza per capita que Cingapura, e hoje Cingapura em questão de 35 a 40 anos é um país com $40.000 de renda anual por  habitante. Bem, algo nós fizemos mal, os latinoamericanos.

Que fizemos errado? Nem posso enumerar todas as coisas que fizemos mal. Para começar, temos uma escolaridade de 7 anos. Essa é a escolaridade média da América Latina e não é o caso da maioria dos países asiáticos. Certamente não é o caso de países como Estados Unidos e Canadá, com a melhor educação do mundo, similar a dos europeus. De cada 10 estudantes que ingressam no nível secundário na América Latina, em alguns países, só um termina esse nível secundário. Há países que têm uma mortalidade infantil de 50 crianças por cada mil, quando a média nos países asiáticos mais avançados é de 8, 9 ou 10.

Nós temos países onde a carga tributária é de 12% do produto interno bruto e não é responsabilidade de ninguém, exceto nossa, que não cobremos dinheiro das pessoas mais ricas dos nossos países.  Ninguém tem a culpa disso, a não ser nós mesmos.

Em 1950, cada cidadão norteamericano era quatro vezes mais rico que um cidadão latinoamericano. Hoje em dia, um cidadão norteamericano é 10, 15 ou 20 vezes mais rico que um latinoamericano. Isso não é culpa dos Estados Unidos, é culpa nossa.

No meu pronunciamento desta manhã, me referi a um fato que para mim é grotesco e que somente demonstra que o sistema de valores do século XX, que parece ser o que estamos pondo em prática também no século XXI, é um sistema de valores equivocado. Porque não pode ser que o mundo rico dedique 100.000 milhões de dólares para aliviar a pobreza dos 80% da população do mundo “num planeta que tem 2.500 milhões de seres humanos com uma renda de $2 por dia” e que gaste 13 vezes mais ($1.300.000.000.000) em armas e soldados.

*Como disse esta manhã, não pode ser que a América Latina gaste $50.000 milhões em armas e soldados. Eu me pergunto: quem é o nosso inimigo? Nosso inimigo, presidente Correa, desta desigualdade que o Sr. aponta com muita razão, é a falta de educação; é o analfabetismo; é que não gastamos na saúde de nosso povo; que não criamos a infraestrutura necessária, os caminhos, as estradas, os portos, os aeroportos; que não estamos dedicando os recursos necessários para deter a degradação do meio ambiente; é a desigualdade que temos que nos envergonhar realmente; é produto, entre muitas outras coisas, certamente, de que não estamos educando nossos filhos e nossas filhas.

Vá alguém a uma universidade latinoamericana e parece no entanto que estamos nos sessenta, setenta ou oitenta. Parece que nos esquecemos de que em 9 de novembro de 1989 aconteceu algo de muito importante, ao cair o Muro de Berlim, e que o mundo mudou. Temos que aceitar que este é um mundo diferente, e nisso francamente penso que os acadêmicos, que toda gente pensante, que todos os economistas, que todos os historiadores, quase concordam que o século XXI é um século dos asiáticos não dos latinoamericanos. E eu, lamentavelmente, concordo com eles. Porque enquanto nós continuamos discutindo sobre ideologias, continuamos discutindo sobre todos os “ismos” (qual é o melhor? capitalismo, socialismo, comunismo, liberalismo, neoliberalismo, socialcristianismo…) os asiáticos encontraram um “ismo” muito realista para o século XXI e o final do século XX, que é o *pragmatismo*. Para só citar um exemplo, recordemos que quando Deng Xiaoping visitou Cingapura e a Coréia do Sul, depois de ter-se dado conta de que seus próprios  vizinhos estavam enriquecendo de uma maneira muito acelerada, regressou a Pequim e disse aos velhos camaradas maoístas que o haviam acompanhado na Grande Marcha: “Bem, a verdade, queridos camaradas, é que a mim não importa se o gato é branco ou negro, só o que meinteressa é que cace ratos”. E se Mao estivesse vivo, teria morrido de novo quando disse que “a verdade é que enriquecer é glorioso”. E enquanto os chineses fazem isso, e desde 1979 até hoje crescem a 11%, 12% ou 13%, e tiraram 300 milhões de habitantes da pobreza, nós continuamos discutindo sobre ideologias que devíamos ter enterrado há muito tempo atrás.

A boa notícia é que isto Deng Xiaoping o conseguiu quando tinha 74 anos. Olhando em volta, queridos presidentes, não vejo ninguém que esteja perto dos 74 anos. Por isso só lhes peço que não esperemos completá-los para fazer as mudanças que temos que fazer.

Muchas gracias.”

Fonte: PORTAL MEIO AMBIENTE

 
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Publicado por em 07/09/2009 em POIMENIA

 

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