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Ciência da religião não é teologia

O Professor de Geografia e Ensino Religioso do Ensino Fundamental da cidade de Bocaiúva/MG e Mestrando em Ciência da Religião da PUC/SP – Universidade Católica de São Paulo, Gilmar Gonçalves da Costa, escreveu para a redação de O Norte levantando uma polêmica, segundo ele ciências da religião não é o mesmo que teologia. De acordo com Gilmar especialista na área a população confunde os temas e a maioria vê os temas como um só. Acompanhe o que escreveu sobre o assunto com exclusividade para O Norte.

– Quando comuniquei a minha mãe que eu havia passado no Vestibular da Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), para o Curso de Ciência da Religião, ela disse: “graças a Deus meu filho, assim você ficará mais próximo do Senhor nosso Pai”. Durante o Curso, andando pelo centro da cidade de Montes Claros, algumas pessoas amigas me cumprimentaram pela ótima escolha do Curso. Isso porque, segundo eles, eu estaria estudando com objetivo de levar a palavra de Deus ao irmão, ou seja, evangelizar.  Com isso foi possível deduzir que, várias pessoas procuram o Curso Ciência da Religião acreditando que este é um Curso de Teologia. Uma coisa não tem nada a ver com outra. Em outras palavras, como diria Habermas, saber o que se fala, o que se faz ou o que se procura, sempre ajuda nos avanços intelectuais e até mesmo pessoais no cotidiano. Durante a minha Graduação em Ciência da Religião, muitas pessoas, até mesmo com graduação e mestrado citam que, simpatizam com o Curso Ciência da Religião por acreditarem que este Curso investiga a revelação ou essência do Sagrado. Gostaria de salientar que, a Ciência da Religião examina os processos religiosos e a incidência da religião no modo de vida social, ou seja, analisa os fatos sociais, psicológicos, históricos, geográficos, econômicos, estéticos e fisiológicos aplicados à religião. Enquanto que, a Teologia é o estudo sobre Deus – epifania do Sagrado. Assim, há um enorme distanciamento entre essas duas Disciplinas. Diante disso é importante que, o interessado em Ciência da Religião esteja esclarecido do que aborda este Curso e o método de pesquisa do mesmo. Por natureza, esta é uma Ciência empírica – prática em face às questões teóricas, que devem estar inseridas dentro da dimensão metateórica (análise de teorias) e não a partir de uma simples e ingênua interpretação pessoal confessional. Os processos teológicos marcam os estudos das religiões, sobretudo nos países que foram colonizados por uma política religiosa judáica – cristã, mas o mundo sente essa pressão e chama a atenção de que, é preciso distanciar das meras questões teológicas nos estudos acadêmicos aplicados à religião. Portanto, o estudante ou pesquisador de religião deve estar atento com os objetivos e métodos da Ciência da Religião, e deixar a revelação do sagrado – ou essência da religião, para os Teólogos e seus subjacentes. Ainda, aqueles curiosos ou interessados em cursar a Graduação e, ou a Pós-Graduação em Ciência da Religião é interessante que investigue as ementas e o programa curricular do Curso, objetivando verificar possíveis tendências de práticas religiosas, às quais poderão implicar confessionalmente nos estudos acadêmicos da religião, o que é irrelevante para as análises acadêmicas da Religião. Assim, pois, faz-se necessário que o estudante/pesquisador de religião se preocupe em distinguir estas duas perspectivas de investigação, para que o ensino religioso nas escolas públicas brasileiras supere seus antigos significados e avancem nos dilemas da religião.

Fonte: O NORTE DE MINAS

 
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Publicado por em 20/10/2009 em POIMENIA

 

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O que a Teologia já fez pela ciência?

A pergunta acima é o título de um artigo recente de Denis Alexander, diretor do Faraday Institute for Science and Religion do St. Edmund’s College, na Universidade de Cambridge. O objetivo é responder a uma provocação feita por Daniel Dennett em um evento realizado na universidade.

A observação inicial que Alexander faz é pertinente: a pergunta é esquisita. “É como se alguém da Geografia quisesse saber o que a Bioquímica já fez pela Geografia”, compara. Ainda assim, segundo Alexander, sim, a Teologia fez muita coisa pela ciência. Até mais que isso: de certa forma, pode-se dizer que a ciência é produto da Teologia (embora a Teologia não fosse a única fonte da ciência). Um dos pontos levantados por Alexander para justificar essa afirmação é o mesmo que Thomas Woods citou no segundo vídeo da série que estamos mostrando aqui, aos poucos: devemos à Teologia cristã a noção de que Deus criou um mundo ordenado, cujas leis naturais poderiam ser descobertas. Sem isso a base da ciência simplesmente desabaria. Alexander recorre a filósofos e cientistas como Descartes, Boyle e Newton para comprovar sua afirmação.

Gilberto Yamamoto

Gilberto Yamamoto / Para Francis Bacon, a ciência era um meio de recuperar o conhecimento perdido com o pecado original.Para Francis Bacon, a ciência era um meio de recuperar o conhecimento perdido com o pecado original.

Também é interessante notar, diz Alexander, como o conceito da queda causada pelo pecado original contribuiu para o surgimento de uma mentalidade científica. Como o homem é falho, seria arriscado chegar à verdade sobre a natureza apenas pelo raciocínio puro, sem a ajuda do conhecimento experimental. “Isso estimulou o surgimento do método empírico porque estava claro que a única forma de obter verdades confiáveis era fazer experiências para verificar como a natureza realmente funcionava”, diz Alexander, citando o historiador da ciência Peter Harrison. Um dos que aderiu à visão de que a ciência ajudaria o homem a retomar o conhecimento que Adão tinha (mas perdeu) era Francis Bacon.Alexander ainda menciona a visão mecanicista de filósofos e cientistas para quem o mundo e o homem eram máquinas criadas por Deus, e segue enumerando como certas visões teológicas influenciaram o trabalho de cientistas como Newton e Faraday. Por fim, o autor do artigo responde a outra pergunta: e agora, a ciência ainda precisa da Teologia ou ela pode seguir com as próprias pernas? Alexander menciona o perigo da pós-modernidade, que prega a inexistência de verdades absolutas, tanto para a religião quanto para a ciência, e demonstra que esse pensamento é daninho ao trabalho científico, no longo prazo. O que a Teologia pode fazer pela ciência num cenário desses é, no combate à filosofia pós-moderna, reforçar a convicção em um universo racional e ordenado. Ainda que os cientistas não reconheçam o autor dessa ordem e racionalidade, essa convicção dará à ciência a base de que precisa para continuar seu trabalho.

Fonte: GAZETA DO POVO

 
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Publicado por em 17/10/2009 em POIMENIA

 

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