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O papa Francisco revisa a teologia do inferno

infernoA Igreja oficial defende desde o século XV que o castigo do inferno destinado aos pecadores é “eterno”, ideia iniciada no século VI com Santo Agostinho. O papa Francisco acaba de revisar tal doutrina católica ao afirmar que a Igreja “não condena para sempre”.

Sem necessidade de grandes encíclicas, com suas falas habituais, Francisco está realizando uma revisão da Igreja para aproximá-la de suas raízes históricas.

Deu o último golpe de graça em um momento um pouco mais solene do que suas conversas habituais com os jornalistas. Dessa vez aproveitou, dias atrás, seu discurso aos novos cardeais para recordar-lhes que o castigo do inferno com o qual a Igreja atormenta os fiéis não é “eterno”.

Segundo Francisco, no DNA da Igreja de Cristo, não existe um castigo para sempre, sem retorno, inapelável.

O Papa jesuíta é formado em teologia, ainda que não tenha feito o doutorado. Dele, talvez hoje o papa renunciante e doutor em teologia, Bento XVI, possa dizer o que afirmava sobre seu antecessor, o papa polonês João Paulo II: que sabe pouca teologia.

Durante um jantar informal em Roma, na casa de um jornalista alemão seu amigo, Ratzinger confessou, efetivamente, aos poucos comensais presentes, que o papa Wojtyla “era mais poeta que teólogo” e que ele, como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cargo que ocupava na época, precisava revisar seus discursos e documentos papais para que não escapasse “alguma imprecisão teológica”.

Francisco é, entretanto, um fiel seguidor da teologia inspirada no cristianismo original, que era, afirma ele, não o da “exclusão”, mas o da “acolhida” de todos, até mesmo dos maiores pecadores.

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Publicado por em 25/02/2015 em POIMENIA

 

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Igrejas que pregam a teologia da prosperidade são formadas por “crentes descrentes” e “atos patéticos”, afirma blogueira. Leia na íntegra

Igrejas que pregam a teologia da prosperidade são formadas por “crentes descrentes” e “atos patéticos”, afirma blogueira. Leia na íntegra

A blogueira Vera Siqueira, esposa do pastor Paulo Siqueira, líder do movimento “Evangelho Puro e Simples”, publicou artigo traçando paralelo entre a Parábola do Semeador e a teologia da prosperidade.

Vera Siqueira critica a ênfase das igrejas na teologia da prosperidade, pois “os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a Palavra, tornando-a infrutífera”.

A blogueira afirma que nas igrejas que adotam a doutrina que busca enriquecimento, a membresia é formada por “crentes totalmente carnais, infantis, que crêem (sic) cegamente em tudo o que seu mentor espiritual diz, pois uma das leis dessa diabólica teologia é que se deve obedecer sem titubear a todas as instruções do líder ungido, senão Deus não prospera. E isso significa dar trízimos, ofertas de R$ 900,00, tomar banho de óleo, comprar rosa ungida, participar de atosproféticos patéticos etc”.

Em sua crítica, Vera afirma que uma ilustração da ineficácia da teologia da prosperidade é que, apesar de o número de evangélicos ter crescido no país, a sociedade pouco mudou: “Nos últimos dez anos diminuíram as taxas de violência? Houve diminuição na corrupção? O brasileiro está mais honesto? Infelizmente não”.

Vera Siqueira afirma que a tendência é formar “crentes descrentes”, pois apesar de apregoada, a teologia da prosperidade só enriquece os líderes das igrejas: “A prosperidade real, nesse mundo ‘capetalista’, é coisa para poucos – em geral, para os próprios líderes desses ministérios”.

Confira abaixo a íntegra do artigo “Até Jesus já alertava sobre a diabólica Teologia da Prosperidade!”, de Vera Siqueira, no blog “A estrangeira”:

Ontem reli a Parábola do Semeador, e fiquei pasma com o que Jesus disse há mais de dois mil anos e que está se tornando realidade nos dias de hoje. Antes, vamos rever essa passagem:

“Tendo Jesus saído de casa, naquele dia, estava assentado junto ao mar; e ajuntou-se muita gente ao pé dele, de sorte que, entrando num barco, se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia. E falou-lhe de muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear. E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-na; e outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda; Mas, vindo o sol, queimou-se, e secou-se, porque não tinha raiz. E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram-na. E outra caiu em boa terra, e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

E, acercando-se dele os discípulos, disseram-lhe: Por que lhes falas por parábolas? Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado; porque àquele que tem, se dará, e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem. E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, E, vendo, vereis, mas não percebereis. Porque o coração deste povo está endurecido, E ouviram de mau grado com seus ouvidos, E fecharam seus olhos; Para que não vejam com os olhos, E ouçam com os ouvidos, E compreendam com o coração, E se convertam, E eu os cure.

Mas, bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem. Porque em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram. Escutai vós, pois, a parábola do semeador.

Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho. O que foi semeado em pedregais é o que ouve a palavra, e logo a recebe com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca duração; e, chegada a angústia e a perseguição, por causa da palavra, logo se ofende; e o que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo, e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera; mas, o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta.” – Mateus 13:1-23

Vejam bem: os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a Palavra, tornando-a infrutífera. Mas será que isso se refere também à Teologia da Prosperidade, e não apenas àqueles que trocam o Evangelho pelas benesses materiais?

Eu penso que sim. Ora, Jesus disse que a busca pelas riquezas torna a Palavra infrutífera, e o que vemos nas igrejas onde se prega a famigerada Teologia da Prosperidade?

Crentes totalmente carnais, infantis, que crêem cegamente em tudo o que seu mentor espiritual diz, pois uma das leis dessa diabólica teologia é que se deve obedecer sem titubear a todas as instruções do líder ungido, senão Deus não prospera. E isso significa dar trízimos, ofertas de R$ 900,00, tomar banho de óleo, comprar rosa ungida, participar de atos proféticos patéticos etc.

Crentes não transformados. A Palavra de Deus nos diz que em Cristo somos novas criaturas, porém o que vemos é mais do mesmo num Brasil onde os que se dizem cristãos evangélicos crescem exponencialmente. Há cidades onde os evangélicos são maioria, e há bairros e ruas repletos de igrejas (já cheguei a ver, anos atrás, três denominações diferentes bem vizinhas, grudadas umas nas outras, numa importante rua da zona leste de São Paulo). Porém, nos últimos dez anos diminuíram as taxas de violência? Houve diminuição na corrupção? O brasileiro está mais honesto? Infelizmente não, e isso se explica porque não estão ocorrendo conversões verdadeiras no mesmo ritmo em que pessoas estão atendendo ao apelo de muitas dessas igrejas da prosperidade. Quando vemos que, em recente pesquisa, descobriu-se que a maioria dos deputados da bancada evangélica têm pendências judiciais, fica claro que muitas igrejas não estão promovendo a conversão de almas para Cristo, mas apenas amontoando membros para demonstrar poder, uma falsa espiritualidade e aumento de sua arrecadação através dos dízimos e ofertas que esse público paga para ter acesso à carteirinha de membro da instituição.

Crentes “descrentes”. Como a ênfase da grotesca Teologia da Prosperidade não é a busca de Deus por quem Ele é, mas a conquista de vitórias e riquezas através da busca de “deus”, seus fiéis, como bons consumidores deste mundo “capetalista” (ouvi essa expressão do Pr. Maurício, da Igreja Batista Nacional da Vila Paulicéia), se sentem no direito de pesquisar o mercado eclesiástico gospel, até achar a igreja onde as promessas de “deus” cheguem de forma mais rápida e com menores custos. Assim, esse é um dos motivos da grande migração que há entre fiéis nas igrejas: estou na congregação X, mas aí fico sabendo que na Y tem um pastor milagreiro, então vou para lá. Mas o milagre demora para chegar, e vejo na TV a campanha das 70-sextas-feiras-13 da congregação W, que dizem que é tiro e queda, então vou para lá buscar minha bênção. Deixo de crer em Cristo, para crer no ministério onde eu consigo alcançar tudo aquilo que líderes inescrupulosos me ensinaram que é meu direito adquirido, por ter me associado ao mundo gospel. E minha descrença só tende a aumentar, já que a prosperidade real, nesse mundo “capetalista”, é coisa para poucos – em geral, para os próprios líderes desses ministérios.

Esses são alguns dos frutos da obtusa Teologia da Prosperidade. Alguém duvida de que se trata de uma teologia totalmente infrutífera, segundo os desígnios de Deus?

Os grandes artistas gospel (pregadores e “levitas”) que pregam essa monstruosa Teologia da Prosperidade deveriam realmente se converter a Deus (pois estão convertidos a Mamom e seus demônios) e ter mais amor e respeito pela Palavra, já que se dizem adoradores de Cristo. Que Deus lhes abra os olhos enquanto ainda há tempo, e que permita que muitos dos que estão sob seus enganos se voltem para a verdade do Evangelho.

Igreja brasileira, chega de jogar sementes nos espinheiros! A Palavra de Deus, quando pregada em verdade, produz os verdadeiros frutos do Espírito, que se refletem individualmente e na sociedade ao nosso redor.

“E, vendo ele [João Batista] muitos dos fariseus e dos saduceus, que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; e não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão. E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo.

E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo. Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará.” – Mateus 3:7-12

VOLTEMOS AO EVANGELHO PURO E SIMPLES,
O $HOW TEM QUE PARAR!

Fonte: Gospel+

 
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Publicado por em 26/04/2012 em POIMENIA

 

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Batismo por fé em rios de sangue

No dia 21 de janeiro de 1525, um casal de cristãos em Zurique cometeu desobediência civil ao se recusar a batizar seu bebê recém nascido, por entender que o batismo bíblico é aquele que se dá mediante ao arrependimento de pecados e à confissão de fé em Cristo Jesus. Eles também entenderam que o governo não tem o direito de controlar a fé de seus cidadãos. Nascia, assim, o movimento anabatista. A atitude deste casal mudou a história da Igreja e nós, 487 anos depois, nos beneficiamos de sua ousadia.

Enquanto muitos hereges eram executados na fogueira, a punição de muitos anabatistas por se “rebatizarem” era a morte por afogamento.

A Reforma Protestante na Europa havia promovido a restauração de uma prática de fé fiel as Escrituras. Quando os reformadores ascenderam ao controle dos governos, eles substituíram a Igreja Romana pelas igrejas reformadas. De modo geral, todos, incluindo recém-nascidos, tinham que ser batizados para pertencer às recém organizadas igrejas reformadas, assim como outrora fizeram na Igreja Romana. Recém nascidos eram batizados na Igreja Reformada e se tornavam membros simplesmente por nascer na comunidade, assim como alguém se torna um cidadão estadunidense por nascer nos EUA.

A Reforma chegou a Zurique também, impulsionada pelos ensinamentos bíblicos de Ulrich Zwinglio. O conselho municipal de Zurique e a maioria dos cristãos apoiaram suas reformas. Entretanto, quando um grupo zeloso de partidários de Zwinglio consultaram a Bíblia, eles encontraram várias diferenças entre as igrejas primitivas do primeiro século e as igrejas estatais do século XVI.

Eles se convenceram de que a Igreja não deveria incluir a todos. Ao invés disso, ela deveria incluir somente aqueles que realmente conhecessem e seguissem a Cristo. “Como um bebê pode se unir à Igreja quando não sabem nada além de chorar e comer?”, perguntavam eles. Estes cristãos criam que o batismo verdadeiro se dá somente quando o indivíduo já tem idade suficiente para entender o seu significado. Entre estes, estavam Georg Blaurock, Conrad Grebel e Felix Manz.

Quando a esposa de Grebel deu a luz a um bebê, o casal decidiu não batizar a criança como as autoridades de Zurique exigiam. Outras famílias seguiram o exemplo dos Grebel. O concílio municipal de Zurique administrou esta desobediência civil da mesma forma que administraria uma petição para remover lixo da cidade ou a construção de uma nova ponte. No dia 17 de janeiro de 1525, eles organizaram um debate público a respeito do assunto. Os representantes civis ouviram os dois lados e votaram a favor do batismo infantil. O Concílio proibiu os “radicais” de se reunirem ou expressarem suas opiniões a outros, e ordenou que todas as famílias batizassem suas crianças em oito dias ou deixassem Zurique.

O prazo terminava e os anabatistas precisavam tomar uma posição. Enfrentando os ventos e a neve daquela gélida noite de 21 de janeiro de 1525, eles se reuniram na casa de Felix Manz para decidir o que fazer. Obviamente a reunião era “ilegal”, mas o grupo estava certo de uma coisa: governos não têm o direito de ditar crenças religiosas a seus cidadãos. Era uma idéia radical para a época. Entretanto, uma vez que eles enxergaram e entenderam isso, não havia mais volta.

Eles conversaram, lamentaram e, de joelhos, oraram. Quando todos se levantaram, Georg Blaurock já tinha tomado sua decisão. Ele pediu a Conrad Grebel para batizá-lo da maneira apostólica – diante da confissão de fé. Grebel o fez e, então, Blaurock batizou todos os outros que assim desejaram. Por meio daquele ato, nascia o movimento anabatista. “Anabatista” quer dizer “aquele que rebatiza.” Seus inimigos os apelidaram assim, em zombaria.

Os anabatistas acataram as ordens do conselho municipal de Zurique e deixaram a cidade. Eles deram início às suas próprias reuniões, completamente livre dos laços com o governo, e pregavam abertamente a outros. Para Zurique, tal ato se constituiu em rebelião e o concílio decretou a prisão dos envolvidos. Após serem libertos, eles voltaram a pregar.

Com o passar do tempo, Manz, Blaurock e muitos outros anabatistas foram executados. Graças à ousadia destes homens, a história da Igreja foi mudada, mas somente às custas de rios de sangue derramado por governantes que tentavam controlar a fé das pessoas.

Menonitas, huteritas e os Amish são descendentes diretos do movimento anabatista. Os batistas e muitos outros grupos batizam um indivíduo somente se ele tem idade suficiente para entender o significado do ato e confessar a Cristo. Mas todos nós nos beneficiamos da decidão dos Grebel de não batizar seu bebê. Graças a esta atitude, a maioria das igrejas protestantes hoje age sob o princípio da separação entre a Igreja e o Estado, mesmo que muitos governos ao redor do mundo ainda tentam controlar a Igreja.

Extraído de Christianity.com e traduzido por @paoevinho.

Fonte: PÃO E VINHO

 
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Publicado por em 05/03/2012 em POIMENIA

 

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Um caso de milenarismo negro “protestante” no Brasil Império

Robinson Cavalcanti

O período do Primeiro Reinado, Regência e início do Segundo Reinado (“maioridade”) foi bastante conturbado por episódios de revoltas regionais e étnicas ou de caráter liberal e republicano, em destaque, no Nordeste, a Insurreição Pernambucana (1817), a Confederação do Equador (1824) e a Revolução Praieira (1848).

Desde a Colônia que tivemos episódios milenaristas/quiliáticos no catolicismo popular, cuja raiz está no próprio sebastianismo português (o “retorno das águas” de Dom Sebastião, morto na batalha de Alcácer-Quibir), com pretensos messias e instauração de reinos celestiais na terra. Fenômeno que continuou na República com o Canudos de Antônio Conselheiro, e teve até um episódio protestante entre luteranos do sul, com os Muckers de Jacobina Maurer.

Naquele tempo os negros, em sua religiosidade, oscilavam entre a assimilação católica de Irmandades, como a de Nossa Senhora dos Pretos ou São Benedito, e a preservação dos cultos animistas de fundo africano. O protestantismo de imigração ou as capelanias britânicas não ameaçavam o sistema, conquanto o próprio Regente Padre Feijó advogasse para o Brasil um catolicismo reformado nacional, semelhante ao Anglicanismo. É nesse contexto que o Recife conheceu um movimento único, que foi o liderado pelo negro livre Antônio José Pereira, a partir de 1841.

Ele fora alfabetizado pela senhora de sua mãe, uma escrava doméstica, servira na Milícia (força policial auxiliar), inclusive em outras Províncias do Império, alcançando a patente de oficial. Sua Bíblia pode ter sido uma edição católica ou uma edição protestante deixada pelos escassos colportores das Sociedades Bíblicas estrangeiras que passaram brevemente por Pernambuco naquela época.

Vale lembrar que um pastor norte-americano havia distribuído 50 Bíblias em 1823 e um colportor havia deixado um caixote de Bíblias em 1833.  Em 1822, com um batismo realizado pelo Rev. John Penny, foi criada a capelania anglicana do Recife, que inauguraria o seu templo da Rua da Aurora em 1839. Antônio, ao estudá-la, havia sublinhado todas as passagens que falavam da intervenção libertadora de Deus em favor dos oprimidos, e as relacionava com a situação da raça negra, que considerava, no contexto do Brasil, moralmente superior a dos brancos, maculada pela prática da escravidão.

Pregou a dignidade da raça negra, o livre exame da Bíblia por todos os fiéis, inclusive pelas mulheres, que alfabetizou, e que constituíam a maioria dos seus cerca de 300 seguidores (mais um número, não preciso, de simpatizantes).

Antônio, que era tratado por sua comunidade como “Divino Mestre” se considerava um cristão ortodoxo em relação às doutrinas credais, mais denunciava a Igreja Romana, como desviada e o padroado (status de religião oficial tendo o Imperador como Grão-Chanceler da Ordem de Cristo), e atacava a veneração das imagens, centrando a fé em Jesus Cristo.

O historiador Marcus Carvalho (CFCH-UFPE), um dos poucos a pesquisar o tema, o considerava um “pastor negro”, e via, em seu movimento, as marcas do Protestantismo. A dimensão milenarista ficava por conta da crença que a esposa do “Divino Metre” se mantinha grávida por quatro anos, e que o fruto desse ventre teria uma identidade sagrada, e, quando do seu nascimento, instauraria um reino messiânico.

O sistema imperial, tenso com as revoltas regionais, novos quilombos (como o de Catucá), movimentos milenaristas, a celebração a Independência do Haiti, e a memória da “Revolta dos Malês” (negros muçulmanos), na Bahia, hierárquica, patriarcal e escravista, temia e reprimia qualquer movimento autônomo na sociedade civil, especialmente vindo dos negros, e negros que sabiam ler, e de mulheres, que, fossem negras ou brancas não tinham status de cidadania.

Tudo isso se constituía em uma potencial ameaça para a ordem estabelecida. O que não tardou na prisão, em 1846, de Antônio José Pereira, e seis dos seus seguidores. Dada a importância que atribuíam ao potencial de revolta ou abolicionista da seita, os detidos não foram ouvidos pelo juiz de paz, ou pelo juiz de direito, mas, diretamente pela segunda instância formada pelos Desembargadores  do Tribunal de Relação da Província de Pernambuco.

O advogado do “Divino Mestre”, o liberal radical e emancipacionista Borges da Fonseca, editor de um temido jornal local, que defendeu a sua libertação baseado em que sendo um movimento pacífico, que, ao pregar o que consideravam ser “o verdadeiro cristianismo”, ou “a lei de Jesus”, poderia ser apenas acusado de“cismático”, mas que cisma não era crime pelas leis do império, haja vista a presença dos imigrantes e das capelanias inglesas.

Os líderes da seita “protestante negra” foram mantidos presos por cerca de um ano, voltando, depois, a se reunir e a pregar em praça pública, onde a população pobre, inclusive negra (católica ou do candomblé), instigada pelas autoridades, os atacava verbal e fisicamente. Em 1851 correu na cidade a notícia de que um dos seguidores havia morrido e ressuscitado, causando uma polvorosa, e levando as autoridades a decretar a exibição pública de todos os cadáveres antes dos enterros…

Com a consolidação do Segundo Reinado, o sistema se consolidou e se sentiu menos ameaçado, amenizando a repressão, enquanto ia crescendo o movimento abolicionista. Escasseiam os registros sobre a seita, sobre a morte de Antônio José, o que aconteceu com a “gravidez de quatro anos”, e porque ela veio a se dissolver e desaparecer.

Como o pensamento “anglicano” do Padre Feijó, e o posterior nacionalismo republicano e abolicionista dos irmãos maranhenses Vieira Ferreira, que criam a primeira denominação pentecostal (antes que houvesse pentecostalismo no mundo) entre nós, a Igreja Evangélica Brasileira, a seita negra pernambucana constitui parte desse proto-protestantismo (no caso popular) brasileiro, amplamente desconhecido, e que tem muitas similitudes com o cristianismo nativista africano atual, com seus milhões de seguidores, também amplamente desconhecido no Ocidente, com exceção do Kimbanguismo que se filiou ao Conselho Mundial de Igrejas.

Uma grande lição: deixar pobres e negros lendo a Bíblia por conta própria e sublinhando textos libertadores… é sempre um perigo…

Fonte: PAVABLOG

 
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Publicado por em 02/03/2012 em POIMENIA

 

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Ateísmo em discussão

Em muitos aspectos, é fundamental que haja um movimento ateu atuante e forte. Porque eu não tenho nem um tipo de saudade do mundo controlado pela religião. O mundo laico tem suas inúmeras vantagens.

Agora, existem muitos tipos de ateísmo. E certamente é mais do que necessário que os ateus se articulem, porque é inadmissível continuar imaginando um mundo onde pessoas possam ser perseguidas por crença ou descrença religiosa.

Mas acontece que existem algumas vertentes do ateísmo, que ganharam muita expressão polemizando recentemente com o cristianismo fundamentalista. O grande erro é tomar o fundamentalismo como a expressão legítima de fé. Não é não. Passa longe de ser a única, é talvez a que melhor se articula na política institucional, especialmente nos EUA e no Brasil. Mas é o lado do cristianismo mais frágil em questão de argumentação teológica.

Pode-se dizer, na verdade, que o fundamentalismo vive à sombra de um banimento e um interdição da teologia no meio eclesiástico – fenômeno que seria muito estranho na Europa, mas que é bem comum nestes lados mais para o ocidente.

Divulgação / Em O Debate sobre Deus, Eagleton rebate ideias do neodarwinista Richard DawkinsEm O Debate sobre Deus, Eagleton rebate ideias do neodarwinista Richard Dawkins

Esse cara da foto é o historiador Terry Eagleton. Marxista britânico, pode ser considerado membro da chamada Nova Esquerda Inglesa, que tem dado os melhores frutos do marxismo recente. Também pode ser inserido entre os pioneiros dos chamados Estudos Culturais, principalmente por seus trabalhos sobre literatura.

E o que tem ele a ver com o assunto aqui? Porque essa foto?

A foto serviu para ilustrar um texto do Paulo Camargo aqui no Caderno G alguns dias atrás.Uma dupla resenha de um livro do Eagleton e outro do historiador Paul Johnson.

Ambos os historiadores entram no debate com os ateus mais famosos – Richard Dawkins e Cristopher Hitchens. De Eagleton, a editora Nova Fronteira publicou uma série de conferências reunidas no livro O debate sobre Deus. De Johnson, a mesma editora trouxe uma biografia de Jesus. Johnson também é o autor da mais interessante História do Cristianismo disponível em português.

Certamente não são autores que pretendam qualquer apologia da religião. Eles são é muito críticos dela.

Difícil um historiador não ser.

Mas o problema é que simplesmente construir um discurso positivista e “científico” de que Deus não existe é um caminho fácil demais – e muito pobre.

Se os historiadores conhecem muito bem o problema da religião, pois se deparam com ela em muito de suas investigações, é certo que a ciência não oferece certezas melhores, nem uma coisa pode substituir a outra.

Entender como os cientistas fazem ciência e como os religiosos fazem teologia são assuntos muito interessantes para a História Cultural.

E combater o obscurantismo religioso não é só tarefa para ateus. É também para cristãos liberais como este blogueiro. O que não dá é para imaginar que a “verdade” religiosa possa ser substituída pela “verdade” científica. Ambos são discursos ideológicos com suas limitações inerentes.

Aliás, não custa lembrar, Eagleton tem um livro clássico sobre ideologia, publicado pela Boitempo.

Fonte: ANDRE EGG

 
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Publicado por em 13/09/2011 em POIMENIA

 

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‘Igrejas da prosperidade’ crescem na Nigéria

'Igrejas da prosperidade' crescem na Nigéria

BBC Brasil

“Culto em Lagos, na Nigéria (BBC)”

Em uma recente manhã de domingo em Lagos, na Nigéria, os fiéis chegam para a missa, sem perder a chance de usar suas roupas mais elegantes.

Em um país tão religioso, o local onde se reza é considerado cada vez mais importante. E um número crescente dos 70 milhões de cristãos nigerianos está seguindo os chamados ‘ensinamentos da prosperidade’.

Um dos pregadores desses ensinamentos é Chris Okotie, ex-estrela do mundo pop que se tornou pastor da igreja Casa de Deus. Ele defende que o crescimento espiritual pode se traduzir em prosperidade financeira.

Dono de uma fortuna pessoal estimada em US$ 10 milhões, o pastor diz que não há porque se envergonhar da riqueza.

‘A prosperidade é uma parte integral do evangelho, assim como a cura e a salvação’, diz Okotie. Para ele, a pobreza não se inclui nos planos de Deus para o homem.

Mas o fato de alguns pastores figurarem nas listas das pessoas mais ricas da Nigéria tem despertado críticas.

Leo Igwe, do Movimento Humanista da Nigéria, acusa as igrejas de terem se convertido em negócios, atraindo pessoas pobres em situação de desespero.

Tais acusações, porém, não parecem abalar a devoção dos fiéis. Sendo ou não empreendimentos de negócios, as igrejas da prosperidade se tornaram um dos principais produtos de exportação da Nigéria.

BBC Brasil – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Fonte: BBC

Via: MSN

 
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Publicado por em 31/08/2011 em POIMENIA

 

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Terra pode ter oceanos em seu interior

Terra pode ter oceanos em seu interior

BBC Brasil – 21/08/2009

Terra pode ter oceanos em seu interior

Demonstração esquemática das zonas de subducção, que poderiam ser as responsáveis pelo acúmulo de água no interior da Terra.[Imagem: Humboldt Fundation]
Um estudo que mediu a eletrocondutividade no interior do planeta indica que talvez haja imensos oceanos sob a superfície da Terra, muito abaixo do leito dos oceanos superficiais.

Um estudo que mediu a eletrocondutividade no interior do planeta indica que talvez haja imensos oceanos sob a superfície da Terra, muito abaixo do leito dos oceanos superficiais.

Água nas profundezas

A água é um condutor extremamente eficiente de eletricidade. Por isso, cientistas da Universidade do Estado do Oregon, nos Estados Unidos, acreditam que altos níveis de condutividade elétrica em partes do manto terrestre – região espessa situada entre a crosta terrestre e o núcleo – poderiam ser um indício da presença de água.

Os pesquisadores criaram o primeiro mapa global tridimensional de condutividade elétrica do manto. Os resultados do estudo foram publicados nesta semana na revista científica Nature.

Zonas de subducção

As áreas de alta condutividade coincidem com zonas de subducção, regiões onde as placas tectônicas – blocos rígidos que compõem a superfície da Terra – entram em contato e uma, geralmente a mais densa, afunda sob a outra em direção ao manto.

Geólogos acreditam que as zonas de subducção sejam mais frias do que outras áreas do manto e, portanto, deveriam apresentar menor condutividade.

“Nosso estudo claramente mostra uma associação próxima entre zonas de subducção e alta condutividade. A explicação mais simples seria (a presença de) água”, disse o geólogo Adam Schultz, coautor do estudo.

Mistério geológico

“Se a água não estiver sendo empurrada para baixo pelas placas, seria ela primordial? (Estaria) lá embaixo há bilhões de anos? E se foi levada para baixo à medida que as placas lentamente afundam, seria isso um indício de que o planeta já foi muito mais cheio de água em tempos longínquos? Essas são questões fascinantes para as quais ainda não temos respostas,” diz o pesquisador.

Apesar dos avanços tecnológicos, os especialistas não sabem ao certo quanta água existe abaixo do leito oceânico e quanto dessa água chega ao manto.

“Na verdade, não sabemos realmente quanta água existe na Terra”, disse um outro especialista envolvido no estudo, o oceanógrafo Gary Egbert. “Existem alguns indícios de que haveria muitas vezes mais água sob o fundo do mar do que em todos os oceanos do mundo combinados.”

Segundo o pesquisador, o novo estudo pode ajudar a esclarecer essas questões.

Água primordial

A presença de água no interior da Terra teria muitas possíveis implicações.

A água interage com minerais de formas diferentes em profundidades diferentes. Pequenas quantidades de água podem mudar as propriedades físicas das rochas, alterar a viscosidade de materiais presentes no manto, auxiliar na formação de colunas de rocha quente e, finalmente, afetar o que acontece na superfície do planeta.

E se a condutividade revelada pelo estudo for mesmo resultado da presença de água, o próximo passo seria explicar como ela chegou lá.

“Se a água não estiver sendo empurrada para baixo pelas placas, seria ela primordial? (Estaria) lá embaixo há bilhões de anos?”, pergunta Schultz.

“E se foi levada para baixo à medida que as placas lentamente afundam, seria isso um indício de que o planeta já foi muito mais cheio de água em tempos longínquos? Essas são questões fascinantes para as quais ainda não temos respostas”.

Os cientistas esperam, no futuro, poder dizer quanta água estaria presente no manto, presa entre as rochas.

Bibliografia:

Global electromagnetic induction constraints on transition-zone water content variations
Anna Kelbert, Adam Schultz, Gary Egbert
Nature
20 August 2009
Vol.: 460, 1003-1006
DOI: 10.1038/nature08257

Fonte: INOVAÇÃO TECNOLOGICA

 
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Publicado por em 23/10/2009 em POIMENIA

 

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