RSS

Arquivo da tag: teologia social

Maria Cândida estreia programa ’12 mulheres’

A jornalista Maria Cândida entrevista 12 mulheres em cada um dos 12 países que está percorrendo. Relatos tocantes, histórias pessoais, cultura e uma pitada de política constroem a série que estreia no sábado, 10 de outubro, na Rede Record

O programa “12 Mulheres” é o mais importante da sua carreira?
Ele é o mais significativo. Em 30 minutos, temos uma visão do país baseada nas mulheres. Já gravei na África do Sul, Filipinas,Vietnã, Tailândia e Holanda. Estou indo ao Canadá e à Venezuela.

O que procura nas personagens?
Suas opiniões, rotinas e a luta que travaram por independência. Fui do gueto ao shopping. Na África do Sul, falei com uma cozinheira violentada que tentou o suicídio; uma médica, PhD em saúde pública, que cuida de pacientes com AIDS; e uma âncora de TV, de 20 anos, que não viveu o apartheid e revela um país moderninho.

Alguma dificuldade para gravar?
Entrevistei uma aviadora militar, nas Filipinas, de quem não arranquei nada. Ela era durona. Em geral, a barreira é a língua. Trabalhei em dois canais americanos e entrevisto em inglês, mas nas tribos precisei de tradutor. Aí não dá para ver direito o sentimento delas.

A emoção é o ponto forte?
Nem sei quantas vezes chorei. Meu diário vai virar um livro. As mulheres me fizeram rever tudo: o que parecia importante acabou ficando pequeno perto de tanta dor e superação. Eu me convenci de que não devemos esperar que as mudanças venham dos governos.

Gisela Blanco
Foto Chris Parente
fonte: Revista Claudia

Fonte: BLOG MARIA CANDIDA

 
Comentários desativados em Maria Cândida estreia programa ’12 mulheres’

Publicado por em 09/10/2009 em POIMENIA

 

Tags: , , ,

A missão de Deus é integral

Ariovaldo Ramos

“Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o Senhor Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? Respondeu-lhe a mulher: do fruto de toda árvore do jardim podemos comer, mas o fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais. Então a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se lhes abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal. Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu, e deu-o ao marido, e ele comeu. Abriram-se então os olhos de ambos, e percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si. Quando ouviram a voz do Senhor Deus, que andava pelo jardim, na viração do dia, esconderam-se do Senhor Deus, o homem e sua mulher, por entre as árvores do jardim. E chamou o Senhor Deus ao homem e lhe perguntou: Onde estás? Ele respondeu: Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi. Perguntou-lhe Deus: Quem te fez saber que estavas nu? Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses? Então, disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi. Disse o Senhor Deus à mulher: Que é isso que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi. Então, o Senhor Deus disse à serpente: Visto que isso fizeste, maldita és entre todos os animais domésticos e o és entre todos os animais selváticos; rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias da tua vida. Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará. E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás. E deu o homem o nome de Eva a sua mulher, por ser a mãe de todos os seres humanos. Fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu. Então, disse o Senhor Deus: Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal; assim, que não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente. O Senhor Deus, por isso, o lançou fora do jardim do Éden, a fim de lavrar a terra de que fora tomado. E, expulso o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden e o refulgir de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da árvore da vida. O versículo 15 diz: Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este lhe ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Gn 3.1-15)

Esse texto fala da Queda humana, e da reação de Deus. Fala que Deus entrou em missão. Quando buscamos entender a missão integral, estamos buscando entender a missão de Deus. Porque, como esse texto diz (e o dizem todos os teólogos, todos os missiólogos), quem está em missão é Deus. E nós somos chamados a participar com Deus como adjutores, cooperadores na missão de Deus. E dizer que a missão é integral significa dizer que a missão de Deus envolve todos os elementos da Criação, da existência, da realidade vivida, da realidade percebida e da realidade construída. E é uma missão nossa, não no sentido de que nós estamos fazendo alguma coisa, mas sim de que nós estamos cooperando com Deus. Quando nos envolvemos com Deus na sua missão como cooperadores, nós nos envolvemos em uma missão que afeta tudo o que foi criado e tudo o que foi gerado, a partir da Criação. De modo que não há nenhum aspecto da interação de qualquer ser criado que não esteja no escopo missiológico de Deus. A missão de Deus é integral, porque abrange toda a sua criação.

Qual é a missão de Deus? Em Gênesis 3, Deus anuncia aos homens qual é a conseqüência da sua queda, diz que a conseqüência é cósmica, porque toda a criação está sob júdice, está sob um peso novo e negativo, que é resultado da decisão humana. E diz que o homem vai ser o primeiro a sofrer as conseqüências da sua escolha, seja no ambiente privado, seja no relacionamento com os demais membros da Criação; porque ele estará num embate com a Criação, porque “com o suor do seu rosto ganhará o seu pão”, de uma criação que se recusa a cooperar com ele espontaneamente, como fazia antes, por causa do peso que ele trouxe para essa atmosfera. Nesse texto há uma declaração de que a decisão humana criou um transtorno na criação, um transtorno de vários níveis e de profundidade extensa. Toda a Criação foi afetada e todos os relacionamentos foram afetados por esse transtorno. E o Senhor anuncia a sua missão, que é derrotar aquele que derrotou o ser humano, e restaurar aquilo que a decisão humana degradou. Portanto, nesse texto, a missão de Deus deixa de ser apenas a missão de salvação do ser humano, e passa a ser a missão de resgate de toda a criação que foi afetada pelo ato humano. Tendo isso em vista, a missão de Deus é integral. Não há elemento da criação que não esteja no escopo da missão de Deus. Não há elemento da criação que Deus não tenha o compromisso de restaurar. Não há elemento da criação que Deus não tenha a decisão de recuperar; e isso passa pelas constituições, mas também passa pelos relacionamentos, pelos objetivos, pelas causas, pelos efeitos, passa por tudo. Por isso que, quando dizemos que a missão é integral, nós não estamos dizendo que ela é a junção do espiritual com o material, do espiritual com o social, do espiritual com o econômico. Não, porque a missão de Deus é uma missão que visa a Criação, então não tem uma escala de prioridades, tudo é prioritário. Ou Deus salva o que criou, ou não salva nada. Ou Deus recupera o que se perdeu, ou não recupera nada.

Outra coisa que a gente percebe nesse texto é que a missão é integral e histórica. Ela acontece dentro da história. Ela não é trans-histórica e nem é pós-histórica, ela acontece na história, porque o Criador anuncia que a semente da mulher triunfará sobre o Inimigo da criação, sobre o Adversário da criação. E fica claro que, pelo transtorno causado pela escolha humana, o Adversário não é adversário da espécie humana, é adversário da Criação. Não é adversário de Deus, porque de Deus não se pode ser adversário. Só há possibilidade de adversão entre iguais, ou entre equivalentes.

A minha filha viu em uma revista a pergunta “A Ciência vai matar Deus?” e quis saber a minha opinião. E eu expliquei que a pergunta trazia uma contradição, porque Deus não se mata; e se se mata, não é Deus. Então, do que eles estão falando? Eles não estão falando de um ser, eles estão falando de uma forma de relacionar-se com esse ser. Então, precisamos ver se eles conseguem mesmo. Para algumas formas de relacionar-se com esse ser, eles precisam morrer, mesmo; e há outras que hão de sobreviver a todas as tentativas de serem demolidas, ou demovidas. Se é Deus, é imortal, se é imortal, não se mata. Então, a frase é só de efeito e não faz o menor sentido do ponto de vista filosófico, porque qualquer filósofo sabe que é a maior besteira tentar provar que Deus não existe. Porque não tem como. Então, a gente precisa perceber que essa Queda que é anunciada em Gênesis não é uma queda de uma espécie criada, é a Queda da Criação. E o Adversário não é adversário da espécie, é adversário da Criação. Logo, a salvação de Deus é salvação da Criação toda, de tudo o que está contemplado na Criação de Deus. A missão é integral e além disso é histórica, porque ele diz que a semente da mulher derrubará, destruirá, vencerá o Adversário da Criação.

Somos seres contingentes, seres presos à história, portanto, qualquer coisa que Deus tenha a fazer conosco, terá de ser feito na história. Se Deus não triunfar na história, não vai triunfar de jeito algum, porque nós sempre estaremos na história. Todo ser criado está na história, não importa se o tempo lhe faça ou não diferença. Ele teve um princípio e pode ter um fim, então ele está na história. A salvação de Deus, o ato de Deus, a ação de Deus, não importa a intensidade que esse ato tenha, não importa o tempo que esse ato demore, será sempre histórico, estará sempre na história; Deus há de triunfar na história. E, portanto, o Deus que salva é um Deus que age na história, porque a história também há de ser salva. Deixará de ser uma história de morte para ser uma história de vida. Tem de ser assim. Algumas pessoas dizem: “Quando chegarem os novos céus e a nova terra, nós vamos entrar na eternidade”. Nós nunca entraremos na eternidade. A eternidade é algo fora do tempo, só um ser não criado fica fora do tempo. Impossível. Nós vamos entrar num novo céu e numa nova terra, onde habita a justiça. O que vai acontecer, na escatologia cristã, é que o tempo não nos afetará mais. Mas isso não significa que nos tornaremos eternos, porque a eternidade é uma qualidade da qual só Deus desfruta. É uma possibilidade que só Deus tem.

Como a ação de Deus é na história, quem se unir a Deus em sua missão, se unirá a Deus numa missão que tem de se desenrolar na história. Então, não pode ser uma missão que leve o sujeito a qualquer tipo de alienação. Às vezes encontro cristãos que não se interessam pela questão ecológica e dizem que, com relação a isso, tudo o que a gente tem de fazer é ficar esperando. Eu digo que essas pessoas não estão em missão. Elas não reagem à queda. E se você não reage à queda, você não está em missão. E mais ainda, você está atribuindo para si uma espera da qual só Deus tem o direito de usufruir. E ele não está usufruindo porque, na verdade, para ele não é espera, é construção. Então você não está em missão, você não é cooperador de Deus, você não entendeu que Deus está em missão e que a missão é de Deus. E que a missão de Deus está acontecendo na história, está se desenrolando na história, inclusive para salvar a própria história.

“A semente da mulher esmagará a cabeça da serpente.” Isso é um ato na história. Então isso acontece na história, portanto todo o engajamento missiológico é o engajamento na história, e só é engajamento missiológico se for uma reação à Queda, na sua abrangência total. Então, não é que a salvação abrange o espiritual, mais o econômico, mais o social, mais o moral, mais o histórico, mais o que eu queira acrescentar. Não. É que a missão envolve tudo o que é Criação, e dela não escapa nada, portanto, não há nenhum elemento presente na Criação que não tenha de ser recuperado à luz da missão de Deus. E isso inclui política, ecologia, economia. Não há elemento dentro do escopo da Criação que escape da missão de Deus, portanto, não há nada que não tenha de ser recuperado. Isso significa que não há coisa alguma sobre a qual Deus não tenha uma palavra a dizer, um propósito a apresentar, um objetivo a propor. E estar em missão é cooperar com Deus na sua missão. Isso significa estar envolvido em todas as dimensões contempladas pela Criação, que são todas! Porque o único ser que não precisa da missão de Deus é Deus. Todos os demais seres precisam da missão de Deus; todos os demais relacionamentos precisam da missão de Deus; todas as implicações da vida, da existência precisam da missão de Deus, precisam que Deus cumpra a sua missão. É exatamente o que o Senhor diz: a semente da mulher vai vencer o adversário da Criação, a Criação vai ser restaurada, tudo vai ser restaurado.

E quando a gente coopera com Deus? Quando a gente vai ao encontro de Deus levando nas mãos aquilo que Deus traz, ao vir ao nosso encontro. Um novo céu e uma nova terra, um novo relacionamento entre a humanidade e os demais seres criados e entre os seres humanos. Ou seja: Deus está trazendo um novo homem? Nós estamos trabalhando para que surja um novo homem. Deus está trazendo um novo céu e uma nova terra? Nós estamos trabalhando para que surjam um novo céu e uma nova terra. Deus está trabalhando um novo nível de relacionamento na Criação? Nós estamos nos esforçando para que haja um novo nível de relacionamento na Criação. Esse é o sentido da frase “venha o teu reino.” Na verdade, nós estamos pedindo para que Ele venha, enquanto nós estamos indo. E é preciso lembrar que a ordem, que é a Grande Comissão de Jesus, que nós traduzimos por “Ide e pregai o Evangelho a toda criatura” tem como melhor tradução a forma: “Indo, pregai as boas novas a todas as criaturas.” O grande equívoco da Igreja foi ter reduzido o termo criatura a humanidade, como se só a humanidade fosse criatura de Deus. Mas Jesus Cristo disse “a toda criatura”. E é óbvio que quando ele disse “quem crer e for batizado”, ele estava se referindo à criatura que pode responder nesse nível. Mas o apóstolo Paulo diz que as demais criaturas também respondem, porque gemem aguardando a revelação dos filhos de Deus. A criatura humana responde de uma forma, e na resposta da criatura humana está a conversão da criatura humana a todas as demais criaturas. De modo que a gente vai carregando nas mãos o novo céu e a nova terra, que Deus vem trazendo, ao vir ao nosso encontro. E a gente sabe que está em concordância com Deus, na medida em que nós estamos fazendo as obras de Deus.

Como a Deus tudo afeta, e a Deus tudo importa, a missão integral é a consciência de que Deus está em missão de salvação de tudo, de todos os relacionamentos, de todas as possibilidades, restaurando todas as condições, restaurando todas as possibilidades. E estar em missão é estar unido a Deus, que quer reverter todos os efeitos da Queda. Estar em missão é estar, necessariamente, lutando para reverter todos os efeitos da Queda. Então, quando você olha para a degradação do planeta, a pergunta é: Era para ser assim? Não. Então, é preciso reverter os efeitos da Queda. Quando você olha para a situação em que se encontram os seres humanos, para a alienação espiritual em que eles vivem, para os relacionamentos econômicos, sociais e de toda ordem. Era para ser assim? Não. Então, tem de reverter os efeitos da Queda. Para isso o filho da mulher se levantou contra a serpente. E eu acho maravilhoso quando Deus diz para aquele casal que acabara de sofrer o dano imediato, que no caso deles foi sentir vergonha um do outro, deixar de ser uma extensão um do outro, e quando o homem é citado por Deus para se explicar, ele acusa a mulher. É extraordinário ver Deus dizendo “a semente da mulher vai livrar vocês disso”. Naquele momento, Deus estava fazendo a primeira restauração, que é: toda a esperança agora estaria na mulher, que fora denunciada pelo macho. Daquele dia em diante, toda mulher que engravidasse seria um sinal de esperança. Toda a Criação olharia para aquele ser humano e perguntaria: Será essa a criança que há de resgatar a Criação?

É interessante perceber que Deus faz o primeiro ato de reversão da Queda logo ali, ao atribuir à mulher o papel mais importante. A semente da mulher haveria de triunfar. E aí, a mulher grávida se tornou a maior de todas as epifanias. Antes da vinda do Cristo, era a epifania da esperança; depois da vinda de Cristo era a epifania da salvação. Porque toda mulher carregando no ventre uma criança é a prova de que Deus resolveu insistir na nossa existência, e aceitou o sacrifício que foi feito em nosso favor e de toda a Criação.

A missão integral aparece nos atos mais corriqueiros e nos mais sublimes. E ela aparece, inclusive, naqueles sublimes que nós tornamos corriqueiros, como a gravidez. Como a capacidade da mulher de carregar no seu ventre um sinal de esperança. Eu me lembro de um amigo que contou uma vez uma história muito bonita. Ele e sua esposa estavam esperando o primeiro filho. Um dia, ele tomou um táxi, então começou a conversar com o taxista sobre a situação do mundo. Era um momento de muita crise no mundo todo, no Brasil em especial. O meu amigo disse para o taxista: “Sabe que nessas horas eu penso se deveríamos ter ou não um filho, em um mundo como esse?”. E o taxista o repreendeu: “Não fala assim, moço, pode ser que o seu filho seja a pessoa que vai fazer toda a diferença”.

A missão é integral e aparece em todos os atos de Deus, dos mais corriqueiros aos mais sublimes, e mesmo nos sublimes (como a gravidez) que nós tornamos corriqueiros, por não entendermos que Deus está em missão. Então, é isso o que nós queremos dizer quando afirmamos que a missão é integral, e estar em missão com Deus é estar integralmente envolvido na recuperação de toda a Criação e de todos os relacionamentos.

Fonte: IRMÃOS

 
Comentários desativados em A missão de Deus é integral

Publicado por em 26/08/2009 em POIMENIA

 

Tags: , , , , ,

Pobres ateus!

Ariovaldo Ramos

Disseram-me que o ateísmo está crescendo.

Fiquei a pensar… Quem quer o mundo oco e solitário dos ateus?

Não eu!

Eu quero o mundo povoado dos cristãos, dos judeus, dos muçulmanos, dos animistas…

Quero um mundo onde a gente não esteja só.

Um mundo com anjos de pé e caídos.

De entidades, de elfos, de mística, de mágica, de mistérios…

Quero o mundo onde os tambores invoquem.

Onde a multidão de línguas estranhas dos pentecostais façam os seres da escuridão retroceder.

Quero o mundo que produziu Beethoven que, surdo, dizia ouvir a música que Deus queria escutar, a quem aplaudiu na nona.

Que produziu Shakespeare, que disse que havia mais entre o céu e a terra, do que supõe a nossa vã filosofia, e que valia morrer por amor.

Que desafiou Mozart a zombar de Deus enquanto, qual o profeta Balaão, só conseguia emitir os sons que boca de Deus entoa!

Quero o encanto catártico de Haendell gritando ALELUIA! de forma arrebatadora!

A beleza de Bach nos fazendo ver a paz da Família Eterna.

Quero mundo das lindas e majestosas catedrais e dos pregadores das praças, das esquinas, dos caminhos…

Da riqueza sonora profunda dos cantos gregorianos e dos vociferantes pregadores: convocando os homens a mudar e o Espírito Santo a se levantar contra o mal.

Quero o mundo que faça um ser humano, diante a pior das borrascas, ver o seu salvador andando sobre o mar, anunciando a possibilidade.

Aquele em que o guerreiro, diante da incerteza, se ajoelha perante o Eterno e se levanta com um brilho nos olhos, certo de que tem uma missão, um motivo para brandir a espada, porque se há de correr o sangue humano, tem de haver uma razão, que dando significado a vida o faça não temer a morte.

Um mundo de poetas e romancistas, que fazem a morte gerar vida, que contam histórias porque, em meio ao mais insano, há algo para contar, e se há o que contar, então significa; e se há como contar, então há um significante anterior, de modo que, por mais que cada leitor possa, de alguma maneira, reinventar, ninguém consegue negar que leu e, se leu, podia ser lido.

Quero a fé que faz uma menina entrar numa das melhores faculdades do pais, sonhando que, um dia, tudo o que sabe ajudará um ser desprovido de tudo, num dos miseráveis cantões do planeta, a sorrir com esperança!

Quero a loucura dos missionários que abandonam tudo no presente, certos de que levarão milhares a viver o futuro.

Quem quer o socialismo frio do ateus?

Eu quero o socialismo dos crentes que, em meio à marcha dos trabalhadores e, diante do impasse do confronto com as forças do estabelecido, grita ao megafone: companheiros, avancemos! Deus está do nosso lado!

Da ciência não quero as equações, quero o grito de “Eureka!”, onde o cálculo se mistura com a revelação.

Da matemática quero a música, a certeza de que há sons no universo, que não só os podemos cantar, mas que há quem nos ouve.

Que ouviremos a grande e última trombeta, que reunirá toda a criação para o canto da redenção.

Eu não quero capitalismo nenhum, mas prefiro o dos seres humanos que acreditavam que o trabalho é um culto ao Criador e que o seu produto tinha de gerar um mercado a serviço do bem.

Quem quer o capitalismo consumista dos ateus, que reduz a vida ao aqui e agora, e transforma todos em desesperados que, pensando que não sobrará para eles, correm para acumular para o nada?

Os ateus dizem que evoluímos, mas que não vamos para lugar nenhum; que a ciência pode tudo; que verdade é a palavra dos vencedores; que os mais fortes sobreviverão, e que é o direito natural deles.

Não! Mil vezes não!

Quero o mundo onde os fracos tenham direito ao Reino; onde os mansos herdarão a terra; onde os que choram serão consolados; onde os que têm fome e sede de justiça serão fartos; onde os que crêem na justiça estejam prontos a morrer por ela; onde os mortos ressuscitarão.

Quem quer um mundo explicado, onde tudo é virtude ou falha de um neuro-transmissor qualquer?

Quero um mundo onde a fé , o amor e a paixão curem, mudem histórias e construam caminhos! Onde os artistas tenham o que registrar!

Um mundo onde o sol nasça e se ponha, onde as estrelas, polvilhando o infinito, apontem um caminho, falem da esperança de uma grande e decisiva família, e que qualquer ser humano ao ver isso, não se envergonhe de falar: maravilha! Um Deus fez isto!

Mas não quero a teologia técnica…

Quero o Deus apaixonado dos cristãos, que abandona sua Glória e se faz gente, trazendo a divindade para a humanidade e, ressuscitado, ao voltar, leva a humanidade para a divindade!

Quero o Deus inquieto de Israel, o pai dos judeus, com quem é possível lutar.

Quero do Deus que se permite ser detido por um Jacó.

Quero o Deus chorão de Jesus de Nazaré, que mesmo a gente tendo brigado com Ele, nunca conseguiu brigar conosco.

O Deus Pai, Mãe e Filho que repartiu conosco o privilégio de ser!

Quero o mundo do medo do desconhecido, e do maravilhar-se com o desconhecido: o mundo do encanto.

Como disse o pai da filosofia moderna, o que se descobre ser ao pensar, precisa de um mundo para aterrissar, precisa que haja alguém que faça pensar valer a pena, alguém que, ao fim, é da onde se pensa, e se ele não existe, então nada existe, porque o que pensa não tem como pensar a partir de si.

Quero o mundo que ri da finitude; que desdenha das limitações; que resiste ao sofrimento; que olha para o infinito sabendo que nossa existência não é determinada pela morte ou por nossas impossibilidades; que não somos frutos de um acidente.

Quero mundo que se sustenta na fé de que ressuscitaremos, de que brilharemos como o sol ao meio dia; de que vale a pena lutar pelo bem; de que vale a pena existir!

Fonte: IRMÃOS

 
Comentários desativados em Pobres ateus!

Publicado por em 25/08/2009 em POIMENIA

 

Tags: , , , , ,

Quem leva a Bíblia a sério obriga-se a levar também a sério a justiça social

Quem leva a Bíblia a sério obriga-se a levar também a sério a justiça social

Afastem de mim o som das suas canções e a música das suas liras. Em vez disso, corra a retidão como um rio, a justiça como um ribeiro perene! (Amós, 5.24, NVI)

As Escrituras Sagradas não nos deixam à vontade no que diz respeito à justiça social. Ao contrário, elas criam incômodos problemas de consciência, elas nos azucrinam, elas nos envergonham, elas nos condenam. De todos os nossos pecados e crimes, a falta de consciência social é o mais coletivo, o menos reconhecido e o causador das maiores tragédias, que vão desde a fome até as guerras. Em nenhum momento, o evangelho nos dispensa da obrigação de elaborar as leis da justiça social no papel e no modo de viver. O chamado à justiça social está no Decálogo, nas leis secundárias, nos Provérbios, nos profetas, no exemplo de Jesus, no segundo grande mandamento, na instituição do diaconato primitivo e na Epístola de Tiago, o servo do Senhor que não tinha papas na língua.

No Decálogo
Enquanto os quatro primeiros mandamentos tratam do nosso relacionamento com Deus, os seis restantes dizem respeito ao nosso relacionamento com os outros. O quinto mandamento diz que não devemos cometer injustiça alguma contra aqueles que nos trouxeram à vida. O sexto mandamento nos proíbe de tirar a vida de quem quer que seja. O sétimo mandamento nos proíbe de adulterar. O oitavo mandamento nos proíbe de diminuir o patrimônio alheio para aumentar o patrimônio próprio. O nono mandamento nos proíbe de prejudicar alguém por meio da mentira, do falso testemunho, da intriga, da calúnia. E o décimo mandamento nos proíbe de dar asas ao desejo incontido e imoral de possuir aquilo que pertence ao próximo. Para tornar esse mandamento mais preciso, poderíamos lê-lo assim: Não cobiçarás a propriedade alheia, o emprego alheio, o trono alheio, os mananciais alheios, as florestas alheias, o petróleo alheio, o mercado alheio, a glória alheia, a mão-de-obra alheia, o poder alheio, o sucesso alheio, a mulher alheia, o marido alheio, a vaga alheia e assim por diante (Êx 20.1-17; Dt 5. 1-21).

Nas leis secundárias
Se qualquer condomínio, qualquer sociedade, qualquer etnia se colocar debaixo da lei de Deus, todo o grupo viverá num paraíso, mesmo terrestre. As leis de Deus protegem a todos. São leis cuidadosas, minuciosas e simpáticas. Entre elas é possível mencionar:

“Se um homem tiver se casado recentemente, não será enviado à guerra, nem assumirá nenhum compromisso público. Durante um ano estará livre para ficar em casa e fazer feliz a mulher com quem se casou” (Dt 24. 5, NVI).

“Não se aproveitem do pobre e necessitado, seja ele um irmão israelita ou um estrangeiro que viva numa das suas cidades. Paguem-lhe o seu salário diariamente, antes do pôr-do-sol, pois ele é necessitado e depende disso” (Dt 24.14,15, NVI).

“Não amaldiçoem o surdo nem ponham pedra de tropeço à frente do cego” (Lv 19.14, NVI).

“Levantem-se na presença dos idosos, honrem os anciãos” (Lv 19.32, NVI).

“Quando um estrangeiro viver na terra de vocês, não o maltratem. O estrangeiro residente que viver com vocês deverá ser tratado como o natural da terra. Amem-no como a si mesmos, pois vocês foram estrangeiros no Egito” (Lv 19.33,34, NVI).

“Não usem medidas desonestas quando medirem comprimento, peso ou quantidade. Usem balança e pesos honestos, tanto para cereais quanto para líquidos” (Lv 19.35,36).

De todas as leis secundárias (em relação ao Decálogo), a mais bonita de todas é a lei da rebusca, que tem muito a ver com o eterno conflito entre os proprietários de terra e os sem-terra. Em benefício dos deserdados da sorte, o proprietário rural era proibido de praticar a sovinice na época da colheita. Ele não deveria colher “até as extremidades da sua lavoura nem ajuntar as espigas caídas da sua colheita”, não deveria depenar por completo as videiras e as oliveiras, não deveria percorrer outra vez a propriedade toda à cata de algum fruto que porventura não tivesse sido colhido nem apanhar algum produto que tivesse caído ao chão. Embora a propriedade fosse própria, os sem-emprego, os sem-terra, os sem-arrimo, isto é, os estrangeiros, as viúvas e os órfãos, tinham todo o direito de entrar em seus terrenos e fazer a segunda colheita (Lv 19.9,10; Dt 24.19-22)!

Nos Provérbios
Embora o rei Salomão tenha feito uso do trabalho forçado na época da construção do templo e dos palácios de Jerusalém (1 Rs 5.13-18; 9.10-22; 12.4), o livro de Provérbios, a ele atribuído, prega insistentemente a justiça social, como se pode ver nos seguintes exemplos:

“Não diga ao seu próximo: ‘Volte amanhã, e eu lhe darei algo’, se pode ajudá-lo hoje” (3.28, NVI).

“Os tesouros de origem desonesta não servem para nada” (10.2, NVI).

“O Senhor repudia balanças desonestas, mas os pesos exatos lhe dão prazer” (11.1, NVI).

“Os pobres são evitados até por seus vizinhos, mas os amigos dos ricos são muitos. Quem despreza o próximo comete pecado, mas como é feliz quem trata com bondade os necessitados!” (14.20,21, NVI.)

“Quem zomba dos pobres mostra desprezo pelo Criador deles” (17.5, NVI).

“O pobre é desprezado por todos os seus parentes, quanto mais por seus amigos! Embora os procure, para pedir-lhes ajuda, não os encontra em lugar nenhum” (19.7, NVI).

“Quem fecha os ouvidos ao clamor dos pobres também clamará e não terá resposta” (21.13, NVI).

“Não esgote suas forças tentando ficar rico; tenha bom senso! As riquezas desaparecem assim que você as contempla; elas criam asas e voam como águias pelo céu” (23.4,5, NVI).

“O pobre que se torna poderoso e oprime os pobres é como a tempestade súbita que destrói toda a plantação” (28.3, NVI).

Nos profetas
A pregação contrária à injustiça social não tem tido a mesma importância nem a mesma freqüência que a pregação contrária ao mundanismo, ao adultério, ao aborto, à heterodoxia, às celeumas internas. Até bem pouco tempo atrás, taxava-se de comunista quem levantava a voz a favor dos miseráveis. Essa grave omissão não faz parte do currículo dos profetas do Antigo Testamento. Basta trazer à memória certas denúncias válidas até hoje, embora tenham sido pronunciadas mais de 600 anos antes de Cristo.

Do profeta Isaías: “Ai de vocês que adquirem casas e mais casas, propriedades e mais propriedades, até não haver mais lugar para ninguém e vocês se tornarem os senhores absolutos da terra!” (Is 5.8, NVI.)

Do profeta Jeremias: “Ai daquele que constrói o seu palácio por meios corruptos, seus aposentos, pela injustiça, fazendo os seus compatriotas trabalharem por nada, sem pagar-lhes o devido salário” (Jr 22.13, NVI).

Do profeta Ezequiel: “Você empresta a juros, visando lucro, e obtém ganhos injustos, extorquindo o próximo… Mas você me verá batendo as minhas mãos uma na outra contra os ganhos injustos que você obteve e contra o sangue que você derramou” (Ez 22.12,13, NVI).

Do profeta Amós: “Vocês estão transformando o direito em amargura e atirando a justiça ao chão… impedem que se faça justiça aos pobres nos tribunais” (Am 5.7, 12).

Do profeta Miquéias: “Ai daqueles que… cobiçam terrenos e se apoderam deles; cobiçam casas e as tomam… Vocês deveriam conhecer a justiça! Mas… arrancam a pele do meu povo e a carne dos seus ossos… Os ricos que vivem entre vocês são violentos” (Mq 2.1,2; 3.1,2; 6.12, NVI).

Do profeta Naum: “Ai da cidade sanguinária, repleta de fraudes e cheia de roubos, sempre fazendo as suas vítimas!” (Na 3.1, NVI).

Do profeta Habacuque: “A destruição e a violência estão diante de mim; há luta e conflito por todo lado. Por isso a lei se enfraquece e a justiça nunca prevalece. Os ímpios prejudicam os justos, e assim a justiça é pervertida… Ai daquele que obtém lucros injustos para a sua casa, para pôr seu ninho no alto e escapar das garras do mal!” (Hc 1.3,4; 2.9, NVI.)

No exemplo de Jesus
O exemplo mais perfeito e mais impressionante de solidariedade com o pobre e miserável é o exemplo de Jesus Cristo. Ninguém é tão alto, majestoso e glorioso quanto Ele, e ninguém desceu de seu pedestal tanto quanto o Senhor. A pessoa mais empolgada com o exemplo de Jesus certamente é o apóstolo Paulo. Aos coríntios, o ex-fariseu escreve: “Vocês conhecem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre por amor de vocês, para que por meio de sua pobreza vocês se tornassem ricos” (2 Co 8.9, NVI). E aos filipenses, o apóstolo propõe a imitação do exemplo de Jesus: “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!” (Fp 2.5-8, NVI.)

A espantosa solidariedade de Jesus com os socialmente marginalizados, com os humildes e com os famintos, e não com os soberbos, com os poderosos e com os ricos (ver o Cântico de Maria, em Lucas 1.46-55), começou com a eleição de Maria para ser a mãe do Salvador e com nascimento de Jesus numa humilde estrebaria — porque não havia lugar para uma mulher grávida de 9 meses na hospedaria — e em Belém-Efrata, “uma das menores cidades de Judá” (Mq 5.2, NTLH).

À semelhança de João Batista, que não se vestia de roupas finas nem transitava pelos palácios (Lc 7.25), Jesus vivia entre pecadores e pescadores, entre famintos de pães e peixes e famintos do Pão da vida, entre pessoas tomadas de alguma enfermidade ou deficiência física e pessoas tomadas ferozmente de espíritos imundos, entre publicanos e meretrizes. Ele não tinha “onde repousar a cabeça” (Mt 8.20, NVI) e recebia apoio material de algumas mulheres da Galiléia, como Maria Madalena, Joana (cujo marido era do alto escalão do governo de Herodes) e Susana (Lc 8.1-3).

De tal modo Jesus desceu ao nível do ser humano que Ele permitiu que uma “mulher pecadora”, conhecida de todos, entrasse na casa de um “homem rigoroso” (Simão, o fariseu), e lhe mostrasse publicamente toda a sua gratidão pelo perdão anteriormente obtido. Dominada por forte emoção, a mulher derramou suas lágrimas sobre os pés de Jesus, cujas pernas estavam estendidas para trás no assoalho, enquanto Ele comia da mesa de Simão, para depois enxugá-los com os próprios cabelos soltos (Lc 7.36-50).

O exemplo de Jesus não deve ser esquecido, jogado fora, desperdiçado. Ele é o nosso padrão de comportamento: “Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz” (Jo 13.15, NVI).

No segundo grande mandamento
Um dos mestres da lei de Moisés perguntou a Jesus qual de todos os mandamentos era o mais importante. De pronto, o Senhor respondeu mais do que havia sido solicitado. Ele mencionou o mais importante (amar a Deus com força total) e o segundo mais importante: “Ame o seu próximo como a si mesmo” (Mc 12.28-34, NVI).

Ora, esse “segundo mais importante mandamento” fecha definitivamente o cerco contra qualquer omissão e qualquer transgressão na área da justiça social. Ele nos obriga a amar o próximo como amamos a nós mesmos. Como o amor com que nos amamos é enorme, ambicioso e constante, então, não vamos tirar vantagem pessoal de ninguém, mas construir nossa sobrevivência e nosso patrimônio juntos!

Na instituição do diaconato primitivo
No tempo dos apóstolos, a igreja era constituída de judeus e gentios ou, melhor, de judeus de fala hebraica, que viviam na Palestina, e de judeus de fala grega, que viviam em países fora da Palestina. No princípio, as necessidades de ambos os grupos eram plenamente supridas pela igreja: “Ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas compartilhavam tudo o que tinham” (At 4.32-35, NVI).

Com o grande crescimento numérico da igreja, o velho problema da discriminação arrebentou: as viúvas dos judeus de fala grega “estavam sendo esquecidas na distribuição diária de alimento” (At 6.1, NVI). Em vez de serem caladas e repreendidas por levantarem suas vozes contra essa desesperadora e injusta situação, as viúvas lesadas obtiveram imediata atenção dos apóstolos. Para não haver acúmulo de trabalho, para não prejudicar nem a pregação da Palavra nem os necessitados, para preservar a unidade até então existente e levada a sério, os apóstolos promoveram a eleição de “sete homens de bom testemunho, cheios do Espírito e de sabedoria” para cuidar do aspecto diaconal da igreja. E todos, os queixosos e os não-queixosos, as viúvas de língua hebraica e as viúvas de língua grega, ficaram satisfeitos (At 6.1-7). Graças à rapidez e ao acerto dessa providência, a primeira tentação de divisão da igreja foi vencida.

Na Epístola de Tiago
Dirigida “às doze tribos dispersas entre as nações” (Tg 1.1, NVI), a Epístola que leva o nome de Tiago muito provavelmente foi escrita pelo irmão do Senhor, a quem Jesus apareceu depois de ressuscitado. Deve ser o mesmo que é chamado de uma das colunas da igreja e o mesmo que presidiu o primeiro concílio cristão em Jerusalém (At 15.13; 1 Co 15.7; Gl 1.19; 2.9). Mais do qualquer outro escritor do Novo Testamento, Tiago é extremamente severo quando trata da discriminação social e opressão econômica, como se pode ver nos textos a seguir:

“Meus irmãos, como crentes em nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, não façam diferença entre as pessoas, tratando-as com parcialidade. Suponham que na reunião de vocês entre um homem com anel de ouro e roupas finas, e também entre um pobre com roupas velhas e sujas. Se vocês derem atenção especial ao homem que está vestido com roupas finas e disserem: ‘Aqui está um lugar apropriado para o senhor’, mas disserem ao pobre: ‘Você, fique em pé ali’, ou ‘Sente-se no chão, junto ao estrado onde ponho os meus pés’, não estarão fazendo discriminação, fazendo julgamentos com critérios errados?” (Tg 2.1-4, NVI.)

“Vocês têm desprezado o pobre. Não são os ricos que oprimem vocês? Não são eles os que os arrastam para os tribunais?” (Tg 2.6, NVI.)

“Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: ‘Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer’, sem porém lhes dar nada, de que adianta isso? Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta” (Tg 2.15-17, NVI).

“Ouçam agora vocês, ricos! Chorem e lamentem-se, tendo em vista a desgraça que lhes sobrevirá… Vejam, o salário dos trabalhadores que ceifaram os seus campos, e que vocês retiveram com fraude, está clamando contra vocês. O lamento dos ceifeiros chegou aos ouvidos do Senhor dos Exércitos… Vocês têm condenado e matado o justo, sem que ele ofereça resistência (Tg 5.1-6).

Segundo historiadores da época (Hegésipo, Josefo e Eusébio), Tiago foi martirizado no ano 62 da era cristã, tendo sido atirado do pináculo do templo.

Precisamos nos convencer de que a justiça social é um compromisso inerente ao cristão. Tanto Isaías quanto Amós mostram que a retidão e a justiça são mais importantes que as cerimônias religiosas. Em vez de ofertas de holocaustos, e muitos outros atos litúrgicos, o Senhor ordena: “Busquem a justiça, acabem com a opressão” (Is 1.17) ou “corra a retidão como um rio, a justiça como um ribeiro perene!” (Am 5.24.)

fonte:www.ultimato.com.br

via: REDE FALE PR

 
Comentários desativados em Quem leva a Bíblia a sério obriga-se a levar também a sério a justiça social

Publicado por em 24/08/2009 em POIMENIA

 

Tags: , , , , , ,