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Arquivo da tag: teologia política

O pensar reflete no agir

Robinson Cavalcanti

Não é novidade a afirmativa que nós agimos como pensamos; que o pensar se reflete no agir. No campo religioso as ações individuais e sociais dos fiéis são, em muito, um reflexo da teologia por eles adotada, seja consciente ou não, sistematizada ou não. É a velha história que a melhor práxis é uma boa teologia.

Os pioneiros do protestantismo histórico no Brasil (a partir de 1855) possuíam uma missiologia de presença e influência, com uma ideologia de que eram portadores de uma fé superior, da democracia e do progresso. Esse pensar era vinculado a sua opção no campo da escatologia: o pós-milenismo, que tende a um otimismo histórico, e o amilenismo, que tende ao realismo.

Apenas com a chegada do pentecostalismo, da vertente “branca” do primeiro “racha” dos filhos da experiência da Rua Azuza (a partir de 1909) é que passamos a conhecer uma vertente protestante isolacionista. E aí entra a velha teoria: eles eram seguidores de uma escatologia pré-milenista e pré-tribulacionista, marcada pelo pessimismo histórico.

Mesmo com os pentecostais os ultrapassando numericamente, os históricos mantiveram a sua hegemonia no conjunto do protestantismo brasileiro até o Golpe Militar de 1964, quando além de uma compulsória “amnésia” histórica, fruto da repressão, o pré-milenismo pré-tribulacionista e o dispensacionalismo – via fundamentalismo – chegaram, também, às igrejas históricas de missão.

Sem história, sem uma teologia articulada para a ação e sem uma ética social, não adianta crescer numericamente, que não vamos ver nenhum impacto do cristianismo reformado, mas isolacionismo, dicotomia, ou o que é pior, cooptação. E o Secularismo agradece…

Tenho em minhas mãos uma das mais recentes publicações da Editora Ultimato, o livro Fé Cristã e Cultura Contemporânea – Cosmovisão Cristã, Igreja Local e Transformação Integral, organizada por Leonardo Ramos, Marcel Camargo e Rodolfo Amorim, reformacionistas, ou seja, neo-calvinistas sociais na linhagem deixada pelo pensador e político holandês Abraham Kuyper. Há uma preocupação com a cosmovisão predominante no Ocidente pós-moderno: individualismo, subjetivismo, consumismo, narcisismo, e com a necessidade de reafirmarmos a soberania de Cristo sobre toda a criação, inclusive as manifestações da cultura, tendo a Igreja e os seus membros como instrumentos históricos dessa soberania, o que passa por uma reapropriação profunda da doutrina do pecado original, bem como da encarnação e da redenção.

A obra nos chama a atenção para a íntima relação em como nós compreendemos a noção de natureza e graça, e como vemos a nossa missão e o nosso relacionamento com a ordem dita secular. Essas diferentes percepções se refletem, inclusive, no interior da corrente da missão integral da Igreja, cujo momento mais importante na história recente do Cristianismo foi o Congresso de Lausanne, de 1974.

Guilherme Vilela Ribeiro de Carvalho, em seu capítulo A Missão Integral na Encruzilhada – Reconsiderando a Tensão no Pensamento Teológico de Lausanne – destaca as diferenças de abordagem entre três correntes de pensamento decorrentes da Reforma Protestante: a anabatista, a luterana e a calvinista.

Mesmo reconhecendo experiências como o milenarismo de Muntzer e a crítica profética de figuras recentes como Yoder, Carvalho resume o dilema anabatista (cuja visão se tornou hegemônica na América Latina na segunda metade do século 20, segundo Samuel Escobar):

“A postura anabatista vê o reino como contrário ao domínio político e procura desenvolver a vida eclesial como uma espécie de sociedade separada. Portanto, a ruptura entre natureza e graça aqui deve ser entendida do ponto de vista sociopolítico. Para alguns anabatistas, o Estado político seria uma estrutura absolutamente antinatural… Como resultado dessa ruptura, há uma dificuldade recorrente em se recomendar aos cristãos devotados que se envolvam também em atividades culturais, já que isso provocaria um conflito de lealdades. Assim, experiência cristã seria sinônimo de separação cultural. A experiência histórica do anabatismo revela um impulso praticamente irresistível para o isolamento cultural ou para uma postura contracultural ao evitar o cruzamento com a sociedade não apenas no aspecto político, mas também nas artes e nas ciências.”

A abordagem luterana, por sua vez, assim é analisada por Carvalho:

“A postura dominante no luteranismo, conhecida como doutrina dos dois reinos, apresenta uma conexão interna com a compreensão de lei e graça como duas ordens separadas. Assim, a doutrina luterana sustenta que o domínio político, embora paralelo à igreja, é separado desta. Não há ruptura, mas uma justaposição entre natureza e graça, que passam a ter uma relação apenas exterior. O cristão é descrito como um cidadão de dois reinos, com a responsabilidade de viver duas lógicas completamente diferentes, na igreja e na sociedade, procurando, sempre que possível, acomodar o princípio do amor às limitações do reino da ‘espada’ – o mundo sociopolítico. A doutrina luterana, com sua maior abertura para a natureza, proporcionou um grande enriquecimento cultural, como se pode notar pelo desenvolvimento musical nos territórios luteranos, e promoveu o desenvolvimento econômico e educacional. Porém, infelizmente, a ausência de uma conexão firme entre natureza e graça permitiu que o luteranismo fosse atingindo rapidamente pelo liberalismo teológico e pela autonomia da razão, e ao mesmo tempo forneceu base teológica ao acordo entre os cristãos alemães e o nacional-socialismo – fato que levou muitos luteranos a reconsiderarem a teoria dos dois reinos.”

Por fim, Carvalho contrasta ao anabatismo e ao luteranismo, a perspectiva calvinista:

“A tradição calvinista acredita que há apenas um reino. Lei e graça se interpenetram, enquanto que o reino de Cristo se estende extra-ecclesiam. O domínio político deve ser redimido e submetido ao governo divino por meio da ação histórica da igreja. A vida social, em sua totalidade, é vista como divinamente ordenada, constituindo o próprio lugar para se viver uma vida cristã. Não há, portanto, nem ruptura, nem justaposição, mas penetração e transformação da natureza pela graça. Assim, o calvinismo demonstra um radical impulso intramundano, que reúne dialeticamente a rejeição crítica do mundo (devido a sua pecaminosidade) e a invasão redentiva do mundo (único lugar em que a graça ganha efetividade).”

O autor aponta para o desdobramento concreto da abordagem calvinista, particularmente, no século 20, do neocalvinismo social holandês.

Estamos convencidos de que tanto o conhecimento da história geral e nacional da Igreja (e do protestantismo em particular), notadamente do seu pensamento social, notadamente ético, é urgente para a recuperação de uma cidadania responsável por parte de milhões de homens e mulheres que encontraram a vida, garantiram a vida eterna, esperam a glória após a morte, mas que são carentes de projetos existenciais consequentes e relevantes.

Para os cidadãos protestantes brasileiros, em especial para os evangélicos que se candidatam a cargos eletivos – pressionados por um secularismo travestido de laicismo, desconfortável com o retorno do Sagrado – optar e aprofundar uma teologia de missão é preliminar para romper as camisas de força que nos querem vestir os isolacionistas dentro da Igreja e os isoladores dentro do mundo. Isso já demonstrou ser historicamente possível, e a única forma de sermos obedientes ao mandato cultural e à vocação recebida do nosso Senhor, e Senhor da história das nações.

• Dom Robinson Cavalcanti é bispo anglicano da Diocese do Recife e autor de, entre outros, Cristianismo e Política — teoria bíblica e prática histórica e A Igreja, o País e o Mundo — desafios a uma fé engajada.
www.dar.org.br

Fonte: ULTIMATO

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Publicado por em 16/10/2009 em POIMENIA

 

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Convido Dilma para uma entrevista para falar só de cristianismo

Por Pedro Dias Leite, na Folha. Volto depois:

A ministra Dilma Rousseff fez propaganda do governo ontem à noite em visita à sede da Assembleia de Deus em São Paulo, a maior denominação evangélica pentecostal do país -o Censo de 2000 apontou 8,7 milhões de fiéis, mas a igreja calcula que sejam cerca de 20 milhões.

Era noite de festa na igreja, para comemorar os 75 anos de seu presidente, o pastor José Wellington da Costa. O convidado oficial era o presidente Lula, mas Dilma foi representá-lo, disse o pastor José Wellington da Costa Júnior.
“Os irmãos querem recebê-la com um amém bem forte?”, perguntou o pastor. “Amém”, responderam os cerca de 4.000 fiéis que lotavam o templo, na zona leste de São Paulo.

O ex-governador do Rio Antonhy Garotinho (PR) discursou no evento.

Uma das últimas a falar, Dilma citou o Evangelho, elencou realizações do governo e afirmou que “o governo do presidente Lula é um governo que defende valores cristãos”. Foi aplaudida no final do discurso de dez minutos, lido.

O presidente da Assembleia elogiou Dilma e, principalmente, Lula. “Queria agradecer nosso presidente, que tem superado todas as expectativas”, afirmou Wellington da Costa, que em 2006 apoiou a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB).

A ida de Dilma ao culto é mais uma tentativa da ministra de se aproximar do eleitorado evangélico.

A senadora Marina Silva (PV-AC), provável adversária de Dilma em 2010, é evangélica.

Comento
Bacana! Gosto de ver uma candidata cristã em ação. Dilma concedeu uma entrevista recente para demonstrar seus conhecimentos em literatura, MPB e novelas. Se ela topar, quero fazer uma entrevista sobre religião. Fica o convite. Como sei que ela não é do tipo que vai a culto religioso só para pegar votos de fiéis, intuo que há ali uma alma genuinamente cristã – ou, o que seria ainda mais interessante, convertidamente cristã. Podemos, então, falar sobre cristianismo. E não é para fazer pegadinha, não, verificando se ela decorou isso ou aquilo. É sobre ética cristã mesmo!

Fonte: VEJA

 
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Publicado por em 06/10/2009 em POIMENIA

 

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Dilma ganha Bíblia e discursa em evento da Assembleia de Deus, igreja de Marina Silva

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Possível candidata do PT à Presidência da República, a ministra-chefe Dilma Rousseff (Casa Civil) participou na noite desta segunda-feira (5) de um evento na Assembleia de Deus, maior denominação evangélica do país. A igreja, da qual a senadora e possível candidata do PV ao Palácio do Planalto, Marina Silva (AC), é fiel, defendeu em 2002 a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O evento celebrou os 75 anos do pastor e presidente da Assembleia de Deus no bairro do Belenzinho, zona leste de SP, José Wellington Bezerra da Costa.
  • Rogério Cassimiro/UOL
  • Dilma discursa durante evento no Belenzinho, zona leste de SP
  • Rogério Cassimiro/UOL
  • Na Assembleia de Deus, a ministra ganhou uma Bíblia
  • Rogério Cassimiro/UOL
  • Pré-candidato ao governo do Rio pelo PR, Garotinho esteve no evento e se sentou longe de Dilma

Durante o evento, Dilma, que tem formação católica e militou em grupos de extrema esquerda no combate ao regime militar (1964-1985), ganhou uma Bíblia de presente, repetiu dados sobre o governo Lula e foi constrangida pelo deputado Takayama (PSC-PR), que pediu que a petista “coloque Deus na sua vida”. “Esse é o pedido que está entalado na garganta de cada uma dessas pessoas”, afirmou.

Em seu discurso, Dilma agradeceu as “palavras gentis” de Takayama e afirmou que o governo Lula promove a fé e valores morais que ajudaram 30 milhões de brasileiros a ascender socialmente nos últimos anos. “Precisamos de exemplos como o pastor e sua família”, disse Dilma. A ministra pediu orações porque considera que até agora as melhorias são poucas e ainda há muito por fazer no país.

Proximidade com evangélicos
Nas eleições presidenciais de 2002, a Assembleia de Deus – que diz ter entre 20 milhões e 23 milhões de fiéis – apoiou a candidatura de Anthony Garotinho, então no PSB, ao Palácio do Planalto. No segundo turno, depois de o ex-governador fluminense aderir à campanha de Lula, a igreja se aproximou do petista.

Em 2006, quando Garotinho e Lula estavam rompidos, o ex-governador pediu aos fiéis que votassem em Geraldo Alckmin (PSDB) no segundo turno.

Pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PR, Garotinho esteve no evento e se sentou longe de Dilma, que estava acompanhada do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e do presidente do PT de SP, Edinho Silva.

Fonte: UOL

 
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Publicado por em 06/10/2009 em POIMENIA

 

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Setembro 11 – Raiva e coragem

 
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Publicado por em 11/09/2009 em POIMENIA

 

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Mãe gentil

ÉTICA E TRANSPARÊNCIA NA POLÍTICA BRASILEIRA!

 
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Publicado por em 07/09/2009 em POIMENIA

 

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Pentecostais manifestam-se contra bases militares na Colômbia

A União Evangélica Pentecostal de Venezuela (UEPV) pronunciou-se contra a instalação de sete bases militares estadunidenses na Colômbia, porque elas constituem uma ameaça à paz na América Latina.

ALC
Barquisimeto, segunda-feira, 31 de agosto de 2009

“Nós rechaçamos a ingerência e a hegemonia que o imperialismo  pretende impor na América Latina”, disse o presidente da UEPV, reverendo Gamaliel Lugo.

Na verdade, agregou, o imperialismo quer “apoderar-se dos hidrocarbonetos e dos recursos hídricos que se encontram no continente sul-americano. Com as bases militares, eles pretendem vigiar mais de perto os processos transformadores que avançam em nossos países e ver uma forma de estancá-los.”

Ao se pronunciar para 400 líderes de igrejas pentecostais da Venezuela, reunidos no final de semana em Vila Bolivariana, em Barquisimetro, no encontro de Militantes por um Mundo de Paz, a presidente do movimento nacional de mulheres da UEPV, Élida Quevedo, expressou apoio à Lei Orgânica de Educação (LOUVE), aprovada recentemente pela Assembléia Nacional (AN) e promulgada pelo presidente da República, Hugo Chávez Frias.

“Essa é uma lei magnífica”, avaliou, assinalando total concordância a uma educação laica e gratuita, centrada em valores e contextualizada, garantida pelo Estado.

Quanto à educação religiosa, disse que esta deve, efetivamente, ocorrer a partir do lar, das igrejas e outros âmbitos públicos ou privados. “Não se deve utilizar a escola para reproduzir as igrejas”, declarou Quevedo. Esta lei evita que uma maioria religiosa se imponha sobre as minorias religiosas, arrolou.

Os pentecostais reunidos em Barquisimeto refletiram sobre diversos temas, entre os quais se destacam os processos de transformação social na América Latina, a paz e o reaquecimento global.

Fonte: ALC

Corolário do Pr. Osmar – “acho que os pentecostais deles são melhores que os nossos…”

 
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Publicado por em 05/09/2009 em POIMENIA

 

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Former Rwandan Baptist pastor on trial for genocide

Bob Allen
Wednesday, September 02, 2009
PORVOO, Finland (ABP) — A former Rwandan Baptist pastor accused of genocide in the African country’s 1994 massacres is standing trial in Finland.

Francois Bazaramba, 58, is accused of planning, leading and carrying out killings of 5,000 members of the Tutsi ethnic group in the municipality of Nyakizu in April and May of 1994. His trial — Finland’s first for genocide — began Sept. 1 and is expected to last several months. If convicted he could receive life in prison, which in Finland means a minimum 12 years in jail.

Bazaramba, who sought asylum in Finland in 2003, has been in detention since 2007. Finnish authorities refused to extradite him to Rwanda, fearing he would not receive a fair trial and because Rwanda has the death penalty.

The former pastor who led a youth center at Maranba Baptist Church claims he is innocent. His lawyer says Bazaramba was not in a position to have carried out the killings and claimed to have evidence that witnesses in Rwanda were tortured. Family and church friends in Finland disbelieve the charges, describing him as a good man who helped other refugees fleeing Rwanda’s civil war.

The outcome of Bazaramba’s trial, which is before four judges and no jury, will depend largely on the believability of eyewitnesses.

Matias Hellman, a liaison official of the International Criminal Court for the Former Yugoslavia, told Helsingin Sanomat, Finland’s leading newspaper, that genocide cases are always difficult.

Hellman said the eyewitness testimony of surviving victims is extremely important in genocide trials but that statements by victims are not always reliable. Memories get distorted over the years, traumas change mental images and there are cases in which people have made up false accusations of war crimes. Still, Hellman said, eyewitness testimony carries weight, especially if backed up by hard evidence like written documents, video material and crime-scene investigations.

The charges against Bazaramba were brought by the International Criminal Tribunal for Rwanda, READ MORE

Source: ABP

 
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Publicado por em 04/09/2009 em POIMENIA

 

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