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Arquivo da tag: teologia contemporânea

Querendo ser Deus?

Por Leonardo Boff*

Rose Marie Muraro é uma mulher impossível. Com extrema limitação de vista e de saúde escreveu 35 livros e editou cerca de outros 1600. Foi pioneira do feminismo brasileiro. Seu estudo sobre a sexualidade da mulher brasileira, publicado pela Vozes de Petrópolis se transformou num clássico seja pela metodologia seja pelas categorias de análise.

Formada em física, sempre se preocupou com a tecnologia e sua incidência no destino humano. Agora, no avançado dos anos e após muitas pesquisas e manejando mole imensa de fontes, informações e autores nos entrega um livro-síntese com o titulo Os avanços tecnológicos e o futuro da humanidade: querendo ser Deus? É uma publicação da Editora Vozes de Petrópolis da qual foi por 17 anos diretora editorial.

O subtítulo ‘Querendo ser Deus?’ define a perspectiva de sua análise e ao mesmo tempo faz ecoar uma denúncia contra o tipo de ciência e de tecnologia dominantes na história. Na verdade, faz um soberano rastreamento histórico da tecnologia desde os alvores da humanidade quando há mais de dois milhões de anos surgiu o homo faber, aquele que, por primeiro, utilizou o instrumento para se impor à natureza, passando pelos vários períodos históricos com suas respectivas revoluções até chegar aos tempos contemporâneos da engenharia genética, da robótica, da nanotecnologia, da biologia sintética para culminar na fusão entre homem e máquina.

O que Rose nos mostra, ao longo de seu livro, é o calvário da Terra e a lenta e progressiva crucificação da vida e da natureza através do poder da tecnociência, posta a serviço da vontade de poder na sua concretização mais crua e cruel no capital/dinheiro.

Mas nem sempre foi assim. Primitivamente o saber e a técnica estavam a serviço da solidariedade e da partilha, atendendo as demandas humanas e aliviando o peso da vida. Mas do momento em que surgiu a moeda e ela se fez a mediação exclusiva para todas as trocas e se transformou ela mesma em mercadoria com preço (juros) se produz uma perversa revolução. Passa-se da cooperação para a competição, do cuidado para a agressividade. O que vige então é o ganha/perde e não o ganha/ganha. A sociedade é conflitiva com exércitos, muitas guerras e grandes mortandades.

Os senhores do dinheiro sujeitam a si as pessoas, controlam a sociedade e decidem que saber e que técnica cabe desenvolver para reforçar seu poder. Não se produz para a vida mas para o mercado. Não se inventa para a sociedade mas para o lucro.

O atual projeto da tecnociência acelerou enormemente a história. Em cem anos a humanidade caminhou mais do que nos dois milhões de anos anteriores. Esta velocidade estonteou a mente e está gerando uma verdadeira mutação humana, somente comparável àquela ocorrida na evolução biológica multimilenar. Cientistas projetam introduzir nanopartículas na corrente sanguínea do cérebro para gestar uma inteligência supra-humana.

Emergiria assim um híbrido de ser humano e máquina, bifurcando a humanidade entre os melhorados e os não melhorados.

É contra esse intento que se insurge Rose Marie Muraro, pois ele configura suprema arrogância e atualização da antiga tentação bíblica do sereis como Deus.

O ser humano, por mais que queira, jamais superará os limites de sua natureza. Só uma ciência com consciência, servirá à vida e garantirá o futuro da Terra. A autora propugna por moedas complementares, por um consumo compassivo e reciclável, por uma revolução radical de dentro para fora e de baixo para cima, no jogo do ganha/ganha, como forma de sair com êxito do cipoal em que nos enredamos. A frase final de seu brilhante livro é esperançadora: “Quando desistirmos de ser deuses poderemos ser plenamente humanos, o que ainda não sabemos o que é mas que intuímos desde sempre”.

[Autor, em parceria com Rose Marie Muraro, Feminino/Masculino: uma nova consciência para o encontro das diferenças, Sextante 2002].

* Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor.
(Envolverde/O autor)

Fonte: ENVOLVERDE

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Publicado por em 24/10/2009 em POIMENIA

 

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O pensar reflete no agir

Robinson Cavalcanti

Não é novidade a afirmativa que nós agimos como pensamos; que o pensar se reflete no agir. No campo religioso as ações individuais e sociais dos fiéis são, em muito, um reflexo da teologia por eles adotada, seja consciente ou não, sistematizada ou não. É a velha história que a melhor práxis é uma boa teologia.

Os pioneiros do protestantismo histórico no Brasil (a partir de 1855) possuíam uma missiologia de presença e influência, com uma ideologia de que eram portadores de uma fé superior, da democracia e do progresso. Esse pensar era vinculado a sua opção no campo da escatologia: o pós-milenismo, que tende a um otimismo histórico, e o amilenismo, que tende ao realismo.

Apenas com a chegada do pentecostalismo, da vertente “branca” do primeiro “racha” dos filhos da experiência da Rua Azuza (a partir de 1909) é que passamos a conhecer uma vertente protestante isolacionista. E aí entra a velha teoria: eles eram seguidores de uma escatologia pré-milenista e pré-tribulacionista, marcada pelo pessimismo histórico.

Mesmo com os pentecostais os ultrapassando numericamente, os históricos mantiveram a sua hegemonia no conjunto do protestantismo brasileiro até o Golpe Militar de 1964, quando além de uma compulsória “amnésia” histórica, fruto da repressão, o pré-milenismo pré-tribulacionista e o dispensacionalismo – via fundamentalismo – chegaram, também, às igrejas históricas de missão.

Sem história, sem uma teologia articulada para a ação e sem uma ética social, não adianta crescer numericamente, que não vamos ver nenhum impacto do cristianismo reformado, mas isolacionismo, dicotomia, ou o que é pior, cooptação. E o Secularismo agradece…

Tenho em minhas mãos uma das mais recentes publicações da Editora Ultimato, o livro Fé Cristã e Cultura Contemporânea – Cosmovisão Cristã, Igreja Local e Transformação Integral, organizada por Leonardo Ramos, Marcel Camargo e Rodolfo Amorim, reformacionistas, ou seja, neo-calvinistas sociais na linhagem deixada pelo pensador e político holandês Abraham Kuyper. Há uma preocupação com a cosmovisão predominante no Ocidente pós-moderno: individualismo, subjetivismo, consumismo, narcisismo, e com a necessidade de reafirmarmos a soberania de Cristo sobre toda a criação, inclusive as manifestações da cultura, tendo a Igreja e os seus membros como instrumentos históricos dessa soberania, o que passa por uma reapropriação profunda da doutrina do pecado original, bem como da encarnação e da redenção.

A obra nos chama a atenção para a íntima relação em como nós compreendemos a noção de natureza e graça, e como vemos a nossa missão e o nosso relacionamento com a ordem dita secular. Essas diferentes percepções se refletem, inclusive, no interior da corrente da missão integral da Igreja, cujo momento mais importante na história recente do Cristianismo foi o Congresso de Lausanne, de 1974.

Guilherme Vilela Ribeiro de Carvalho, em seu capítulo A Missão Integral na Encruzilhada – Reconsiderando a Tensão no Pensamento Teológico de Lausanne – destaca as diferenças de abordagem entre três correntes de pensamento decorrentes da Reforma Protestante: a anabatista, a luterana e a calvinista.

Mesmo reconhecendo experiências como o milenarismo de Muntzer e a crítica profética de figuras recentes como Yoder, Carvalho resume o dilema anabatista (cuja visão se tornou hegemônica na América Latina na segunda metade do século 20, segundo Samuel Escobar):

“A postura anabatista vê o reino como contrário ao domínio político e procura desenvolver a vida eclesial como uma espécie de sociedade separada. Portanto, a ruptura entre natureza e graça aqui deve ser entendida do ponto de vista sociopolítico. Para alguns anabatistas, o Estado político seria uma estrutura absolutamente antinatural… Como resultado dessa ruptura, há uma dificuldade recorrente em se recomendar aos cristãos devotados que se envolvam também em atividades culturais, já que isso provocaria um conflito de lealdades. Assim, experiência cristã seria sinônimo de separação cultural. A experiência histórica do anabatismo revela um impulso praticamente irresistível para o isolamento cultural ou para uma postura contracultural ao evitar o cruzamento com a sociedade não apenas no aspecto político, mas também nas artes e nas ciências.”

A abordagem luterana, por sua vez, assim é analisada por Carvalho:

“A postura dominante no luteranismo, conhecida como doutrina dos dois reinos, apresenta uma conexão interna com a compreensão de lei e graça como duas ordens separadas. Assim, a doutrina luterana sustenta que o domínio político, embora paralelo à igreja, é separado desta. Não há ruptura, mas uma justaposição entre natureza e graça, que passam a ter uma relação apenas exterior. O cristão é descrito como um cidadão de dois reinos, com a responsabilidade de viver duas lógicas completamente diferentes, na igreja e na sociedade, procurando, sempre que possível, acomodar o princípio do amor às limitações do reino da ‘espada’ – o mundo sociopolítico. A doutrina luterana, com sua maior abertura para a natureza, proporcionou um grande enriquecimento cultural, como se pode notar pelo desenvolvimento musical nos territórios luteranos, e promoveu o desenvolvimento econômico e educacional. Porém, infelizmente, a ausência de uma conexão firme entre natureza e graça permitiu que o luteranismo fosse atingindo rapidamente pelo liberalismo teológico e pela autonomia da razão, e ao mesmo tempo forneceu base teológica ao acordo entre os cristãos alemães e o nacional-socialismo – fato que levou muitos luteranos a reconsiderarem a teoria dos dois reinos.”

Por fim, Carvalho contrasta ao anabatismo e ao luteranismo, a perspectiva calvinista:

“A tradição calvinista acredita que há apenas um reino. Lei e graça se interpenetram, enquanto que o reino de Cristo se estende extra-ecclesiam. O domínio político deve ser redimido e submetido ao governo divino por meio da ação histórica da igreja. A vida social, em sua totalidade, é vista como divinamente ordenada, constituindo o próprio lugar para se viver uma vida cristã. Não há, portanto, nem ruptura, nem justaposição, mas penetração e transformação da natureza pela graça. Assim, o calvinismo demonstra um radical impulso intramundano, que reúne dialeticamente a rejeição crítica do mundo (devido a sua pecaminosidade) e a invasão redentiva do mundo (único lugar em que a graça ganha efetividade).”

O autor aponta para o desdobramento concreto da abordagem calvinista, particularmente, no século 20, do neocalvinismo social holandês.

Estamos convencidos de que tanto o conhecimento da história geral e nacional da Igreja (e do protestantismo em particular), notadamente do seu pensamento social, notadamente ético, é urgente para a recuperação de uma cidadania responsável por parte de milhões de homens e mulheres que encontraram a vida, garantiram a vida eterna, esperam a glória após a morte, mas que são carentes de projetos existenciais consequentes e relevantes.

Para os cidadãos protestantes brasileiros, em especial para os evangélicos que se candidatam a cargos eletivos – pressionados por um secularismo travestido de laicismo, desconfortável com o retorno do Sagrado – optar e aprofundar uma teologia de missão é preliminar para romper as camisas de força que nos querem vestir os isolacionistas dentro da Igreja e os isoladores dentro do mundo. Isso já demonstrou ser historicamente possível, e a única forma de sermos obedientes ao mandato cultural e à vocação recebida do nosso Senhor, e Senhor da história das nações.

• Dom Robinson Cavalcanti é bispo anglicano da Diocese do Recife e autor de, entre outros, Cristianismo e Política — teoria bíblica e prática histórica e A Igreja, o País e o Mundo — desafios a uma fé engajada.
www.dar.org.br

Fonte: ULTIMATO

 
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Publicado por em 16/10/2009 em POIMENIA

 

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Os notáveis

“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai e eu também O amarei e me manifestarei a ele.” João 14:21

A amizade acompanha a história de qualquer ser humano. Todos nós, experimentamos, em diferentes intensidades, a amizade e o companheirismo de outras pessoas. Olhando para minha experiência vejo que não existe uma tática para conseguirmos uma nova amizade, geralmente elas surgem inesperadamente. Pessoas que eu não tinha qualquer apreço tornaram-se minhas amigas e, por outro lado, tiveram pessoas que eu desejava ter amizade contudo não consegui cultivá-las. Também percebo que a amizade não surge pronta. Ela começa misturada com vários interesses pessoais. Geralmente iniciamos um relacionamento baseando-o em trocas: troca de atenção, benefícios, tempo, conselhos, etc. Se esse relacionamento amadurece a pessoa em si torna-se mais importante do que ela pode nos oferecer. Passa-se a ter sentimentos e compromisso que ultrapassam os interesses pessoais. A verdadeira amizade não se baseia mais em nós mesmos mas no valor que damos ao outro. Os laços que nos unem já não dependem de dinheiro, respeito, lugar ou freqüência. Tornam-se laços inquebráveis que perduram ao longo do tempo.

Quando penso em amizades concluo que a pessoa em que devo mais investir em relacionar-me é com o próprio Deus. Sei que soa estranho qualificar Deus como um amigo. Afinal de contas como posso ter a presunção de pensar que posso cultivar uma amizade com o ser mais espetacular e inacreditável do Universo? Um ser que justamente por ser Deus não precisa e não depende de absolutamente nada para auto-existir? A experiência de Abraão me ajuda a entender um pouco melhor essa questão. Está escrito: “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça; e: Foi chamado amigo de Deus.” (Tg 2:23) . Como que Deus pode chamar um homem de amigo? A resposta de Tiago é incrivelmente simples: Abraão acreditou em Deus. Ele creu nas promessas e no propósito do Todo Poderoso. Ao confiar em Deus, Abraão deu um passo decisivo para uma vida intima com o Senhor.

Também penso nas diferentes profundidades que podemos experimentar do amor de Deus. O Senhor Jesus menciona sobre o amor incondicional de Deus pelo mundo perdido no famoso versículo de João 3:16 “Deus amou o mundo e por isso deu o Seu único filho”. Porém, em João 14:21 o Senhor Jesus fala de um amor condicionado; um amor e uma revelação que é exclusiva para aqueles que obedecem aos seus mandamentos. Quando penso nesse tipo de amor especial, lembro-me de Daniel. Pelo menos três vezes nos é dito o quanto Daniel era amado por Deus (Dn 9:23, 10:11,19) : “No principio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado.” Aqui temos uma declaração de amor muito pessoal de Deus a um amigo. Também penso em Paulo e Pedro ambos conseguiram tamanha intimidade com Deus que eles foram avisados da sua morte (II Tm 4:6 e II Pe 1:14). Como todo bom amigo, Deus declara suas intenções e comunga com os seus mais próximos.

Faço então a pergunta. Porque não é fácil sermos amigos de Deus? Tiago também tem a resposta: “a amizade do mundo é inimiga de Deus. Quem quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” (Tg 4:4). Para sermos amigos de Deus temos que abrir mão de muita coisa. Quero muito ser chamado “amigo de Deus” mas será que estou disposto a abandonar parentela, cultura, hábitos e viver em tendas como Abraão fez? Também desejo experimentar as realidades espirituais que Daniel experimentou, mas será que desejo abrir mão das finas iguarias que a Babilônia me oferece? Que tristeza perceber que o conhecimento teórico não é o suficiente para me tornar amigo de Deus! Fico envergonhado por reconhecer que ainda insisto em encontrar um caminho neutro aonde posso ser amigo do mundo e de Deus.

Ao longo de toda historia da humanidade existiram muitos homens que, como Abraão e Daniel, romperam as barreiras da racionalidade e conseguiram experimentar na terra uma vida celestial. Tiveram em Deus seu maior companheiro e isso mudou suas perspectivas de vida. Enquanto para os demais as ordenanças de Deus soam como restritivas para eles são como uma fonte de comunhão. Enquanto todos temem a disciplina de Deus para eles a vara e o cajado servem de consolo. Não obedecem pelo medo mas pelo amor.

Os amigos de Deus são odiados pelo mundo e muitas vezes sofrem profunda rejeição por isso: “Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos ao fio da espada, andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados – homens dos quais o mundo não era digno –. Hebreus 11: 37-3a . Aos olhos do mundo são desprezíveis porém isso não os afeta porque sabem que são aprovados por Deus. Vivem com seus pés nesta terra mas com seus corações postos no céu. Por experimentarem um real convívio com Deus, suspiram diariamente pelo momento em que O verão face a face. Suas ambições terrenas cada dia diminuem mais e, por isso mesmo, passam a servir aos outros mais desimpedidamente. E por viverem para servir, não são notados pela maioria. Mas para eles isso também não importa porque sabem que são notados por Deus, seu maior amigo.

“Quanto aos santos que estão na terra, são eles os notáveis nos quais tenho todo o meu prazer.” Salmos 16:3

Fonte: PENSAMENTOS DE UM PEREGRINO

 
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Publicado por em 11/10/2009 em POIMENIA

 

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Servir a Deus é isso?

Servir a Deus é sacrificar o seu lazer semanal do domingo para durante uma ou duas horas discutir o sexo dos anjos e outros assuntos afins?

Servir a Deus é imbuir-se de um inflamável espírito de triunfalismo que não admite derrotas e desilusões, como se o viver fosse a própria negação do sofrimento?

Servir a Deus é não questionar nada que vá de encontro às “verdades espirituais” preconizadas pela sua instituição religiosa?

Servir a Deus é estar diuturnamente preocupado em ganhar o mundo para Cristo, esquecendo os cuidados básicos com os seus, em seu próprio lar?

Servir a Deus é construir templos suntuosos e colocar líderes impecavelmente vestidos em seus ornamentados púlpitos “cristãos”, para serem vistos como intocáveis e irrepreensíveis oráculos do reino dos céus?

Servir a Deus é mostrar cada vez mais ostentação e riqueza à medida que a igreja cresce numericamente?

Servir a Deus é ter muita cautela para não estabelecer com o seu Pastor uma relação espontânea de amizade e afeto, para que ele não o reprove nem o censure?

Servir a Deus é se martirizar dia a dia, mascarando a sua própria individualidade, numa tentativa inócua de exteriormente, identificar-se com o seu líder?

Servir a Deus é infundir medo nos corações das pessoas, para que elas se rendam e fiquem passivamente aprisionadas entre as quatro paredes “sagradas” do templo?

Servir a Deus é vender planos pessoais de salvação em prestações suaves e módicas com juros supostamente menores que os de mercado?

Servir a Deus é dizer para a criança que se ela não se comportar decentemente na igreja, Jesus fica triste e o Diabo alegre?

Servir a Deus é trocar a estrutura familiar opressiva por um sistema religioso que desumaniza em vez de humanizar?

Servir a Deus é torcer pela igreja como quem torce por um time de futebol, onde o que mais interessa é a vitória, mesmo com gol roubado pelo juiz da partida?

Servir a Deus é abdicar da liberdade de discordar, a fim de manter uma relação de amizade aparente com o seu líder?

Servir a Deus é nunca tentar fugir dos padrões convencionais do culto evangélico pasteurizado?

Servir a Deus é ter todo o seu tempo dedicado ao cumprimento das obrigações eclesiásticas?

Servir a Deus é se imiscuir no meio de multidões ruidosas em passeatas para Cristo, sem atentar que o que elas mais almejam é demonstrar o “poder político” de suas instituições eclesiásticas?

Servir a Deus é buscar apaixonadamente a hegemonia de sua igreja, mesmo que para atingir este objetivo, tenha que falar mal das outras denominações?

Servir a Deus é um investimento que fazemos com muito suor e sacrifício, no intuito de lá na frente, recebermos uma grandiosa recompensa?

Servir a Deus é fazer amigos com as riquezas adquiridas de maneira suja, para depois de lavá-las, serem trazidas ao altar, com o rótulo falso de “dinheiro purificado?

Servir a Deus é fazer parte de uma engrenagem que para manter a coesão do grupo se faz necessário adiar por tempo indeterminado o amadurecimento pessoal?

Servir a Deus é deixar de desfrutar as delícias que Ele nos deixou aqui na terra, em troca de uma castradora e violenta religiosidade?

Servir a Deus é combater compulsivamente os erros dos outros, e fechar os olhos para os demônios que habitam dentro de nós?

Ao responder com um SIM as perguntas acima, o leitor estará simplesmente concordando que, SERVIR A DEUS é prendê-Lo nos limites estreitos de uma instituição, instituição essa, que à maneira de um asilo, oferece guarida a nossa loucura de pensar que podemos definir o indefinível, de pensar que podemos reduzir ou conceituar o indecifrável, de pensar que podemos mensurar ou fixar conceitos e regras sobre um Deus que é indizível e que está em pleno e puro movimento.

E assim, como doentes mentais que perderam a maravilhosa capacidade de pensar, vamos perecendo pela vida afora. Vamos perecendo, ao permitir que outros pensem por nós, guiando-nos aleatoriamente nas densas trevas da ignorância.

Há um ditado popular que expressa uma cruel realidade, ao afirmar que a Bíblia do protestante cheira a “sovaco” por estar sempre debaixo da axila direita; ao passo que a do católico cheira a “mofo”, por estar sempre posta num oratório, eternamente aberta em um dos capítulos do livro de Salmos.

Uma interessante passagem do livro de Isaias (730 a.C.) reflete com todas as letras o estágio em que nos encontramos hoje, senão vejamos:

“…Dá-se o livro ao que não sabe ler dizendo: Por favor, lê isto; e ele dirá: Não sei ler. Diz o Senhor: Este povo se aproxima de mim com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim. O seu temor para Comigo consiste só em mandamentos de homens, em coisa aprendida por rotina”. – Isaias 29; 12 e 13

Que pena! Depois de decorridos tantos anos, se faz necessário evocar uma frase emblemática dita pelo profeta Oseias (700 AC) cujo eco, ainda hoje, continua a bater forte nas paredes resistentes de muitos corações: “O meu povo padece por falta de conhecimento”.

Por Levi Bronzeado. via Púlpito Cristão
No: BLOG DO ELI SANCHES

 
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Publicado por em 11/10/2009 em POIMENIA

 

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Filósofo ateu defende o Design Inteligente

Bradley Monton, é professor de Filosofia da Universidade do Colorado, em Boulder, e ateu.

Trabalhando na área da filosofia da ciência, epistemologia probabilística, filosofia do tempo, e filosofia da religião, ele escreveu um livro (ainda não publicado) sobre o Design Inteligente.

No livro ele defende, entre outras coisas, que “é legítimo ver o design inteligente como ciência”, e que “o design inteligente deveria ser ensinado nas aulas de ciência das escolas públicas”. Leia:

“A doutrina do design inteligente foi ostracizada pelos ateus, mas mesmo eu sendo um ateu, eu sou da opinião de que os argumentos a favor do design inteligente são mais fortes do que a maioria percebe. O objectivo deste livro é o de tentar fazer com que as pessoas levem a sério o design inteligente. Defendo que é legítimo ver o design inteligente como ciência, que há alguns argumentos plausíveis para a existência de um criador cósmico, e que o design inteligente deveria ser ensinado nas aulas de ciência das escolas públicas”

“O livro está escrito de uma forma que pode cativar tanto professores como não-acadêmicos. Prevejo que tanto os defensores como os opositores do design inteligente estarão interessados em lê-lo. Nele concordo com muito do que dizem os defensores do design inteligente -tentando ser intelectualmente honesto e dando crédito aos seus proponentes sempre que este é devido. Ao rejeitar os argumentos falaciosos contra o design inteligente, estou ajudando todos a compreender as questões e argumentos de forma mais clara. A longo prazo, isto é o que vai dar o maior apoio à causa da razão.”

“Tanto quanto sei, ninguém publicou um livro como este nem está no processo de escrever um. Existe uma quantidade razoável de literatura hoje sobre ateísmo vs teísmo, e sobre os méritos do design inteligente, mas essa literatura se tornou como uma guerra entre dois campos, e o objectivo do meu livro é transcender isso.”

fonte: Design Inteligente [Via: PAVABLOG]

 
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Publicado por em 08/10/2009 em POIMENIA

 

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Para que serve a educação cristã no século 21?

Suzel Tunes – Sepal

Ao celebrar os 120 anos de educação teológica metodista, os líderes da igreja refletiram sobre o tema “Para que serve a educação teológica?” na 58ª Semana Wesleyana da Faculdade de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo, que aconteceu no início da primeira quinzena do mês de maio.

O conferencista da noite de abertura do evento, Reverendo Zwinglio Motta Dias, pastor da Igreja Presbiteriana Unida e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, respondeu à pergunta: “Deus quer salvar sua criação, sua grande obra. O que o Senhor cheio de compaixão diria diante da destruição ambiental, violência, guerras, crise econômica…? É disso que trata a educação teológica”, disse o professor, que terminou sua preleção lembrando da ação social dos profetas e do provérbio que diz: “Não havendo profecia, a sociedade se corrompe”. (Provérbios 29.18).

Zwinglio questionou a posição dogmática das igrejas diante dos desafios da sociedade. Ele disse que as igrejas têm respondido tardia e timidamente aos desafios da sociedade. “Temos nos ocupado de problemas menores. Oferecemos respostas do passado a problemas presentes”, criticou. Reportando-se aos tempos de implantação do protestantismo no Brasil, o conferencista lembrou que as instituições eclesiásticas aqui implantadas reproduziram o modelo eclesial elaborado em outras latitudes sem se perguntarem se ele valia para nossa realidade. “A cultura gospel é um exemplo claro de religiosidade importada”.

“Temos que ler a Bíblia a partir de nossa vida, de nossas experiências concretas”, disse ele. “O pastor não pode ser um mero repetidor de rudimentos da mensagem cristã”, afirmou, ressaltando que a teologia se faz no encontro com o cotidiano: “Deus não tem endereço certo. Trabalha em todo lugar em que os seres humanos lhe dão oportunidade. Deus pode perfeitamente ser encontrado na Igreja. Mas nem sempre a Igreja quer sua companhia. Ele é muito exigente, quer tirar a Igreja de sua acomodação. Seu campo preferencial de trabalho é o mundo. Wesley já sabia disso ao afirmar que sua paróquia era o mundo”, disse Zwinglio.

Fonte: CREIO

 
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Publicado por em 06/10/2009 em POIMENIA

 

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Derribar para Construir

Imagina por un momento que un empresario de la construcción decide comprar un gran solar para iniciar una obra monumental. Contrata al mejor arquitecto, desarrolla el mejor diseño posible, realiza los planos con exactitud milimétrica y se asegura de tener suficientes recursos como para realizar la más hermosa edificación de todos los tiempos.
Debido a que viaja mucho, decide encomendar la construcción a una contrata “de buen nombre” y delega la construcción del edificio en ellos, para que las obras no se demoren por su ausencia.

Pasa el tiempo, y cuando el empresario viene con expectación a contemplar el desarrollo de su obra cumbre, se encuentra la desolación de que los encargados de la contrata han decidido hacer algunas “mejoras” a los planos por propia iniciativa, al punto de que el proyecto ya no se parece en nada al original.

¿Qué piensas que hará el empresario? Sin duda, mandar ante los tribunales a estos malos constructores por no haber cumplido el contrato, por no hacer lo que se les había encomendado ¿Verdad? Es más, luego, muy a su pesar, se verá obligado a demoler la construcción hasta los cimientos, hasta el punto en el que comenzó a desvirtuarse, para levantar nuevamente el proyecto que en principio tenía pensado… ¿Y quién crees que pagará los gastos de demolición, y reconstrucción?

Leamos ahora un pasaje de la Biblia, en el que vemos la manera en que Dios llamó a Jeremías para que hablara de su parte, es decir, para ser profeta:

Mira, hoy te doy autoridad sobre naciones y reinos, “para arrancar y derribar, para destruir y demoler, para construir y plantar.” (Jeremías 1:10)

Dios es como ese empresario, que dejó unos planos perfectos pero no encontró a los edificadores fieles. Eso no quiere decir que haya fracasado, solamente que buscará edificadores de confianza para construir lo que de veras quiere. En tiempos de Jeremías ya pasó, y lo expresó con claridad: Te he puesto para… Derribar… y para poder Construir después.

¿Crees que es posible construir algo admirable sobre cimientos erróneos y estructuras torcidas? NADIE en su sano juicio “aprovecharía” los materiales viciados de un edificio mal edificado, y menos aún Dios, quien desde luego, no tiene falta de “recursos financieros”. Por eso es que hoy día, como la historia es cíclica y se repite de continuo, y tanto más ahora que estamos a la espera de la manifestación de todas sus promesas en estos “últimos tiempos”, Sus Palabras cobran vida, y busca personas fieles que, como Jeremías, estén dispuestos a derribar y destruir todo lo torcido, para poder construir y plantar lo correcto. Justo ese es el propósito principal de este blog.

Pero ¿Qué hay que derribar? ¿Qué cosas hay que cambiar?

Muchas, desde luego. Un solo artículo no puede contenerlo todo, a lo largo del tiempo, y con la ayuda de Dios, iremos viendo diversos temas en los que hemos de ARREPENTIRNOS, cambiar de camino y retomar el correcto, demoler las edificaciones torcidas y edificar la que Dios tenía planificada desde el principio de los tiempos. Te dejo algunas ideas a modo de ejemplo:

Dios quiere construir un edificio llamado iglesia, con piedras vivas que son los creyentes sinceros (personas)… Pero a veces nos preocupamos más por construir “iglesitas” (de ladrillo) por doquier. 1ª Pedro 2:5 dice: “Vosotros también, como piedras vivas, sed edificados como casa espiritual y sacerdocio santo, para ofrecer sacrificios espirituales aceptables a Dios por medio de Jesucristo.”

Dios quiere sacrificios espirituales, pero nosotros nos empeñamos en hacer sacrificios materiales. Limpiamos lo de fuera del plato y nos preocupamos de lo externo, miramos la apariencia, olvidando lo que de verdad importa, que es invisible y espiritual. Dice Mat 23:25 ¡¡Ay de vosotros, escribas y fariseos, hipócritas! Porque limpiáis lo de fuera del vaso y del plato, pero por dentro estáis llenos de robo y de injusticia. Dios quiere un edificio limpio y hermoso, y nosotros lo ensuciamos por dentro, dejando que solo “la fachada” esté bien bonita. Decimos una cosa… Hacemos otra.

Dios quería convertir su casa en un lugar para la mutua edificación, donde todos cumplieran su labor… Pero nosotros hemos preferido idolatrar a personas que se ponen solitarias al frente, tomando la responsabilidad de todas las decisiones, y nosotros ni preguntamos, ni indagamos qué piensa Dios de todo esto… Preferimos lavarnos las manos como Pilato y decirle a Dios “No me culpes a mi de los errores del pastor. Si él se equivoca no es mi culpa, yo solo me someto y con eso cumplo”. ¿De verdad es así de simple? Pero entonces ¿Para qué puso Dios a los demás ministerios de la iglesia, los demás pilares: Apóstoles, profetas, evangelistas, maestros, administradores…? 1Cor 12:28 dice: “En la iglesia Dios ha puesto, en primer lugar, apóstoles; en segundo lugar, profetas; en tercer lugar, maestros; luego los que hacen milagros; después los que tienen dones para sanar enfermos, los que ayudan a otros, los que administran y los que hablan en diversas lenguas.”
Y en Efesios 4:11-12 “Él mismo constituyó a unos, apóstoles; a otros, profetas; a otros, evangelistas; y a otros, pastores y maestros, a fin de capacitar al pueblo de Dios para la obra de servicio, para edificar el cuerpo de Cristo.”

¿Y para qué te dio un cerebro inteligente? ¿Para guardarlo sin usar y tirar la llave al mar?

La lista sería extensa, y quedan temas vibrantes en el tintero, pero tiempo al tiempo. Lo importante en este punto, es tomar una actitud honesta. No se trata de descalificar a nadie, ni a personas, ni a grupos. Pero Dios quiere una iglesia santa, recta, sin arrugas, diferente y que sea luz verdadera. Es tiempo de orar a Dios que despierte nuestro entumecido discernimiento, para que empecemos a alumbrar a este mundo con la luz de la santidad…

Mateo 6:23b dice: … “Así que, si la luz que hay en ti es tinieblas, ¿Cuántas no serán las mismas tinieblas?”

Si tu luz no puede ser vista por otros con claridad, si no eres capaz de alumbrar, es porque lo que tú crees que es luz en ti no lo es realmente, porque estás haciendo las cosas según los rudimentos del mundo y no según la sana doctrina del Evangelio. Entonces, tanto más necesitas la ayuda de Dios, y quizás, cambiar de camino. Necesitamos TODOS escuchar personalmente, individualmente, y de forma clara, la voz del Espíritu Santo.

Piensa en esto: Dios es muy grande para encerrarlo entre las cuatro paredes de un templo, y demasiado sabio para encerrar su entendimiento en los credos denominacionales y las doctrinas humanas…
ÉL ES DIOS Y ESTÁ POR ENCIMA DE TODO ESO…

Fonte: NO MAS MITOS CRISTIANOS

 
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Publicado por em 27/09/2009 em POIMENIA

 

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