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Quintais curitibanos

Marleth Silva

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Noite sim, noite não, cai um temporal em Curi­­tiba. Conversando com vizinhas, duas delas me contam que acordaram por volta das quatro da manhã com o barulho da chuva e lembraram que tinham roupas no varal. Já que, com o clima úmido da cidade, roupa seca é um bem precioso, as duas pularam da cama e foram para o quintal recolher o que estava por lá. (Eu também acordei na mesma hora que elas e lembrei que havia deixado uma rede no quintal, mas tive preguiça de le­­vantar e a rede amanheceu ensopada.) A operação resgate só foi possível porque os quintais encolheram. Na realidade, o que eu e minhas vizinhas chamamos de quintal é um retângulo de poucos metros quadrados, de chão coberto por lajota e muros altos sobre os quais se apoia uma cerca elétrica. Qual­­quer semelhança com a descrição do pátio de uma prisão não é coincidência. É assim mesmo que vivemos hoje. Para nós, é uma realidade tão banal que nem pensamos mais nela. Uma vez fui visitada por uma senhora fran­­cesa e, ao sairmos para o quintal, notei seu olhar voltado para o alto, espantada que ela estava com a cerca elétrica sobre o muro. A inocência dos olhos da francesa me contaminou e agora, toda vez que olho para cima, percebo que os fundos da minha casa parecem os fundos de um presídio.

Se nossos quintais fossem como os de tempos atrás (ou de cidades do interior ou de alguns sortudos moradores de casas antigas), as vizinhas teriam de caminhar muito mais para chegar ao varal, que talvez estivesse em um canto do terreno, perto daquele puxadinho onde se cuida da roupa. Teriam de passar pelo canteirinho de tempero verde, desviar a casinha do Bidu, prestar atenção para não pisar nas roseiras e, finalmente, chegariam àquele varal onde roupas tremulam ao vento que enlouquece os curitibanos.

// Quando rodei a cidade procurando uma casa para morar, percebi que os quintais se resumem hoje a uma areazinha cimentada que só é usada para alojar o varal dobrável ou um daqueles que parece um guarda-sol. Por me­­nor que eles sejam, me parece que está se desperdiçando di­­nhei­­ro sem se dar conta. Afinal, ao comprar ou alugar a casa, pa­­ga-se por cada metro quadrado, mesmo por aqueles que servirão apenas para secar a roupa – não é mais barato comprar uma secadora de roupas? Mesmo pequenas, as áreas externas deveriam ser tratadas como espaço nobre, com um pouquinho de grama, um jardinzinho ou pelo menos uma cadeira para o sortudo mo­­rador tirar uma soneca depois do almoço de domingo.

Nesse aspecto, o imóvel mais humilde e o mais sofisticado andam se igualando. Em condomínios e casas novos, o imóvel é construído para aproveitar o má­­ximo do terreno. Deixam descoberto apenas o mínimo exigido pela lei (há casos em que a lei vai para as cucuias e o imóvel novo encosta no muro do vizinho). A desproporcionalidade entre o tamanho do imóvel e a área do terreno cria um desequilíbrio visual desagradável. É feio.

Quintais já foram o paraíso das crianças, o universo da imaginação onde se travava batalhas e duelos usando os galhos das árvores como abrigo, onde se brincava de casinha sentando nos degraus da porta da cozinha enquanto a mãe, lá dentro, preparava o almoço. Hoje há quem desdenhe das crianças que passam horas jogando videogame ou vendo televisão. Mas onde está o quintal desta geração? Cada um constrói sua casinha e trava suas batalhas no terreno de que dispõe.

Fonte: GAZETA DO POVO

 
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Publicado por em 17/10/2009 em POIMENIA

 

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Os conhecedores da época

“Proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei…” Daniel 9: 25a

Lendo sobre a II Segunda Guerra Mundial uma atitude do Hitler chamou-me a atenção; no início da guerra ele ordenou adiantar em uma hora os relógios em toda a Alemanha. Dizem que ele alterou o tempo porque queria que o exército alemão estivesse sempre à frente em relação aos seus inimigos. O mesmo principio também acontece no horário de verão. O Estado adianta em uma hora o horário oficial com o objetivo de aumentar a economia de energia elétrica. Então toda a sociedade se vê obrigada em respeitar os novos tempos. Mesmo que alguém não aceite tal determinação ele será afetado diretamente. O banco fechará às 16:00 horas do novo horário e não do horário antigo, e assim também acontece com o comércio, emprego ou cinema. Ou você se adapta ou está fora do sistema.

A Bíblia também nos adverte que os tempos e a lei serão alterados para e pela presença do anti-cristo. Se não consigo compreender completamente como ele mudará o tempo, consigo entender as conseqüências: ele magoará (ou em outras versões: esgotará) os santos do Altíssimo. O mundo está passando por uma altíssima transformação e que ninguém tenha dúvida, essa mudança é para pior “nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis” (II Tm3:1). Os tempos estão sendo alterados e nosso ritmo de vida também. As exigências do mercado de trabalho impõem cada vez mais especialização e dedicação. Não é de se estranhar que o esforço para um pai de família sustentar sua casa hoje é muito mais árduo se compararmos um pai de 30 anos atrás. O sistema tem mudado. Ou você se adapta ou está fora.

Quando em Crônicas menciona-se a coroação de Davi como rei em Israel, existe uma expressão que sempre fala muito ao meu coração. Ali, quando o escritor lista as tribos que compareceram em Hebrom para “transferirem o reino de Saul segundo a palavra do Senhor” nos é dito: “Dos filhos de Issacar, conhecedores da época, para saberem o que Israel devia fazer, duzentos chefes, e todos os seus irmãos sob suas ordens” (I Cr 12:32). Aqui existe um registro diferenciado para os da tribo de Issacar. Eles não estavam ali de qualquer maneira ou simplesmente porque todas as outras tribos também estavam o fazendo. Mas eles estavam ali porque conheciam a época e sabiam o que Israel deveria fazer. Eles estavam fazendo exatamente aquilo que aquela época exigia na perspectiva de Deus e não da dos homens.

Assim como aconteceu em Israel na época de Davi hoje, entre o povo de Deus, também existem aqueles que são capazes de discernir os tempos. Não são seduzidos pelos apelos e insinuações deste mundo. Apesar de toda mudança nos tempos, não andam segundo o relógio do mundo mas andam segundo o tempo de Deus, o verdadeiro Senhor do tempo. Enxergam o que o mundo natural não pode ver. Investem no que é eterno e não no que é passageiro. Possuem uma viva esperança que, a cada profecia que se cumpre, se fortalece mais e mais.

Fico pensando em meu cotidiano. Tenho percebido as mudanças nos tempos ou simplesmente tenho sido atropelado pelo dia a dia? Como me relaciono com meu tempo: eu o governo ou sou governado por ele? Como tenho reagido com as pressões e imposições da nossa época? Será que tenho aceitado o ritmo e o padrão de vida sugerido pelos filhos da perdição? Mesmo conhecendo o tempo, será que tenho preferido viver sob a negridão das trevas?

“E digo a vós outros que conheceis o tempo, que já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto do que quando no princípio cremos. Vai a alta noite e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos com as armas da luz.” Romanos 13: 11-12

Fonte: PENSAMENTOS DE UM PEREGRINO

 
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Publicado por em 07/10/2009 em POIMENIA

 

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