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O caminho da fraqueza

“A fraqueza de Deus é mais forte que todos os homens”.

I Cor 1.25

O poder é fascinante. Ele está no centro do projeto de vida da maior parte de nós. É difícil encontrar alguém que, não tendo poder, não o deseja ou que, tendo poder, o renuncia espontânea e desprendidamente. É muito difícil encontrarmos alguém que se desiludiu com próprio poder, a não ser quando se sentiu ameaçado. Por outro lado, é muito comum encontrarmos pessoas que se decepcionaram e se desiludiram com o poder alheio. E por que isso acontece? Porque o poder alheio raramente rende o benefício esperado. Só o autopoder nos satisfaz a contento.

A posse do poder expande nossa capacidade de controle sobre as pessoas e sobre as coisas. Por isso ele é tão desejado e tão buscado. Uma vez que adquirimos controle sobre pessoas e coisas, o caminho para autossatisfação fica bastante desembaraçado. A lógica é a seguinte: se o poder está com o outro, a autogratificação é amplamente dificultada e restringida, mas se ele estiver conosco, sempre há concessões. Daí o motivo por que o poder alheio quase sempre nos incomoda, nos decepciona e o nosso nos apraz. A questão parece bem simples; é só nos perguntarmos: quem está no centro da pessoa que detém o poder? Portanto se o poder não está comigo, certamente não sou o seu principal beneficiário. Por outro lado, se poder está comigo, certamente o outro também não é o seu principal beneficiário.

Não tenho dúvida de que uma das maiores ilusões e ciladas a que o ser humano está sujeito é acreditar no altruísmo do poder. O poder não é altruísta, não busca o bem do outro. Mais do que isso: o poder corrói o altruísmo. Não duvido da pureza de algumas pessoas quando dizem que precisam ascender ao poder para que tenham condições de expandir o bem que fazem a outras pessoas. Também não duvido da integridade de algumas pessoas que estabelecem um plano de conquista do poder como meio para expandir seu projeto de solidariedade e de autoentrega à causa do próximo. Enquanto o poder é apenas desejado, seu potencial de maldade é limitado. Acho até que a maior parte das pessoas é realmente íntegra enquanto deseja o poder. O grande problema é quando o poder se estabelece e finca raízes. A primeira coisa que ele faz é apontar para quem está no centro, e, ao fazer isso, de imediato apazigua, arrefece o ideal de altruísmo. O próximo passo é fazer com que o eu se esqueça do outro, o que não demora muito a acontecer.

Honestamente, eu também desejo o poder, mas preciso fugir tanto do desejo como do direito e da posse do poder e seguir a trilha da fraqueza. Sou constantemente advertido pelo evangelho a respeito dos males que o poder carrega. Preciso sempre suspeitar do poder, mesmo quando ele me oferece condições e recursos extraordinários para o exercício da solidariedade. Recusar o poder quando ele bate a porta é uma das disciplinas espirituais mais complexas e custosas, porque significa dizer não ao objeto que está na base de quase todos os nossos desejos. Contudo, devemos fazer isso, mesmo com grande dor. O evangelho nos diz para seguir o caminho daquele que, tendo todo o poder, abandonou-o para viver uma vida de fraqueza. E que fraqueza! Afinal, “a fraqueza de Deus é mais forte que todos os homens”.

Sostenes Lima

Fonte: SOSTENES LIMA

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Publicado por em 28/02/2012 em POIMENIA

 

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O poder submisso à opinião


desobediência civil.jpg

por Joel Pinheiro da Fonseca

Cento e cinquenta anos atrás não existia nem RG nem imposto de renda, que data, aliás, de 1922 (teto de 8% da renda e o governo não podia olhar os livros contábeis dos contribuintes, o que violaria sua privacidade).  Hoje em dia, viver sem essas instituições “essenciais” é impensável.  Livre do poder estatal, hoje, só o que se passa dentro de nós, no interior de nossas preciosas mentes (para as quaisainda não existem meios de regulamentar, inspecionar e taxar).  Então deixe-me apresentar uma tese controversa: é exatamente o que se passa dentro das nossas mentes que dá ao estado o poder que ele tem fora delas.  O insight vem de longe, de Etienne de la Boétie (1530-1563) em seuDiscurso Sobre a Servidão Voluntária, e já foi trabalhado por outros pensadores de peso, como David Hume e Ludwig Von Mises.  Poucos são, contudo, os que o levam até suas últimas consequências: é a opinião dos próprios governados, e não a força das armas, que confere poder aos governantes; e assim como ela dá, ela pode tirar.

Tomemos como exemplo o presidente Lula.  Não é ele quem fisicamente obriga os 190 milhões de brasileiros a seguir suas ordens.  Seu poder tem que vir de outra fonte. Imaginem que ele ordene algo a algum ministro, mas esse lhe responda “não”.  Ao tentar demiti-lo, o encarregado da demissão também lhe devolve um “não”.  Desesperado, Lula apela a um general, e recebe outro “não”.  O general, por sua vez, dá uma ordem aos capitães e… “não”; e em todo o exército os soldados dizem um sonoro “não!” a seus superiores.  A estrutura de poder acabou aí.  Nenhuma autoridade tem como fazer nada contra a opinião dos governados.  Dela depende todo poder, inclusive o das armas.  Foi, por exemplo, uma mudança de opinião que se materializou no fatídico 31 de abril de 1964.  João Goulart foi tirado do poder num ato sem dúvida ilegal, e descobriu que ninguém lhe obedecia; não o queriam como líder do país.  O que pode a legalidade contra isso?  O presidente fugiu, a resistência foi minúscula, e instaurou-se o regime militar.

O que vale para os governantes vale para as leis.  Muitos acham um absurdo que no Brasil certas leis “não peguem”.  Eu considero isso um dos nossos maiores patrimônios culturais; é a prova de que o bom senso e a justiça do homem comum às vezes superam o legalismo dos advogados.  Só porque a lei manda, não quer dizer que seja bom ou certo; ela é tinta num pedaço de papel.  Não digo que não devamos obedecer à lei, ou que todas as leis sejam arbitrárias.  O ponto é que, boas ou más, seu poder depende da nossa opinião de que devemos segui-las.  A nossa própria Constituição Cidadã se encarregou de imortalizar esse princípio, ao estabelecer o teto de 12% ao ano para taxas de juros.  O limite foi formalmente revogado em 2003, mas amplamente ignorado — com razão — desde o princípio.  A lei era ignorada e ninguém falava nada.  Tinta no papel.

A recusa moral de obedecer ao governante ou à lei injustos chama-se desobediência civil, tendo sido nomeada no ensaio “Sobre a Desobediência Civil” do americano Henry David Thoreau (1817-1862), figura singular que, segundo seu amigo, o filósofo Emerson, “não nasceu para profissão alguma, nunca casou; viveu sozinho; nunca foi à igreja; nunca votou; recusava-se a pagar imposto ao estado; não comia carne, não bebia vinho, nunca usou tabaco; e, embora naturalista, não usava armadilha nem arma.  Escolheu, o que para ele certamente foi sábio, ser o bacharel do pensamento e da natureza”.  Desse homem solitário, que se retirava por longos períodos para viver na floresta, na pequena Concord, Massachusetts, em um Estados Unidos ainda provinciano, brotaram idéias perigosas para qualquer império.

“Deve o cidadão, ainda que por um instante, ou no menor grau que seja, entregar sua consciência ao legislador?  Então por que todo homem tem uma consciência?  Penso que devemos ser, antes, homens, e só depois súditos.  Não é desejável cultivar o respeito pela lei, e sim pelo que é certo.  A única obrigação correta de se assumir é a de fazer a todo o momento aquilo que se considere correto.”  Thoreau não cooperaria com um governo que permitia a escravidão e que travava uma guerra injusta de dominação do México.  Liderou uma revolta de um homem só.  “Há pouca virtude na ação das massas humanas.  Quando a maioria finalmente votar pelo fim da escravidão, é porque serão indiferentes à escravidão, ou porque haverá muito pouca escravidão a ser abolida com seu voto.  Serão eles, então, os únicos escravos.”

A história conhece muitos exemplos de desobediência civil.  O primeiro que me vem à mente é a perseguição à Igreja primitiva.  Houve tempos em que o estado romano mandava, sob pena de morte, que os suspeitos de Cristianismo queimassem incenso aos ídolos.  Eram cidadãos exemplares, mas nesse ponto não cediam.  O estado podia dobrar e destruir seus corpos; não suas almas. No final das contas, quem venceu?  O poderio militar ou a fé que contava apenas com a adesão livre dos fiéis?  Estavam lançadas as bases da nossa civilização.

Thoreau foi para a cadeia por não pagar o imposto, sendo libertado por um amigo que acertou suas contas, e o governo contra o qual lutava não parou de crescer (hoje em dia, Concord discute proibir a venda de água engarrafada).  Mas seu exemplo durou, e a semente de suas idéias germinou no século XX.  Foi de Thoreau que Gandhi tirou a expressão “desobediência civil” para explicar no Ocidente o movimento popular que liderava, e que convenceu os indianos a não obedecer ao poder colonial.  Alguns capitães ingleses queriam matá-los todos, mas os próprios soldados da ocupação perceberam a injustiça que cometeriam.  Quando os soldados têm que escolher entre a missão e a consciência, o poder das armas já não existe mais.

Voltemos para a América: a segregação racial em muitos estados dos EUA (bem como a restrição de direitos aos negros) era definida na lei.  Muitos deviam esperar calmamente que uma maioria se formasse no Congresso para daí mudar a situação.  Felizmente, indivíduos corajosos, como Rosa Parks, não esperaram até que o assunto se resolvesse pelos meios previstos, e simplesmente pararam de obedecer; negros se sentaram nos lugares reservados aos brancos.  Houve uma repressão inicial, que só serviu para aumentar o repúdio à segregação.  Os cidadãos perceberam que a lei não é sacrossanta e, por isso mesmo, ela deixou de sê-lo.

Em nenhum dos casos citados, note-se, manifestou-se o subjetivismo moral ou a filosofia do “cada um vive como quer”.  Resistir à lei não é afirmar a inexistência de leis, e sim a existência de uma lei superior à do estado, que, como qualquer autoridade, pode usar o poder de forma injusta ou incompetente.  É direito, ou até dever, de todo indivíduo, combater o mal, ainda que legalmente instituído.  Há um princípio do direito natural que nunca será apagado do coração dos homens: “a lei injusta não é lei”.  Vivemos num país de leis injustas.  Leis que impedem um homem de trabalhar, de abrir seu negócio, de consumir aquilo que precisa para viver, de possuir o fruto do próprio trabalho; todas elas prejudicam, e muito, a sociedade como um todo, beneficiando apenas grupos de interesse que não precisam de, e nem merecem, benefício algum.  Imaginem se fôssemos seguir à risca nossas leis trabalhistas; dá para imaginar o tamanho do desemprego?  Podemos responder ao crescimento sem precedentes das leis injustas pelos caminhos previstos na lei; mas lembremos de Thoreau: “Quanto aos meios que o estado oferece para remediar os males, não quero saber.  Tomam muito tempo, e a vida de um homem terá acabado.  Tenho mais o que fazer.  Vim para este mundo não para torná-lo um bom lugar de se viver, e sim para viver nele.”

Aquilo de que um Thoreau sozinho foi incapaz, milhares deles organizados conseguem pelo mero não-fazer.  É um plano irreal?  Sem dúvida; ouso dizer que é o plano mais irrealista possível, pois propõe uma revolução sem que ninguém saia do lugar.  Ao mesmo tempo, é algo que já funcionou, e que sempre funcionará.  Enquanto concedermos ao estado a prerrogativa moral, ele será invencível; no momento em que a retirarmos, ele já estará derrotado.  Se os governantes arrogam-se cada vez mais poderes, é porque têm a permissão moral dos governados.  Outros não a deram; e nós?

Joel Pinheiro da Fonseca é membro do Instituto de Formação e Educação e um dos responsáveis pela publicacção da revista Dicta&Contradicta.
 
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Publicado por em 18/02/2012 em POIMENIA

 

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Átila: Rei dos Hunos, Flagelo de Deus

Um homem que mudou os rumos da História ao redirecionar o poder do Estado para a Igreja. Um homem que decidiu o futuro de um grande império. Um homem que teve glória e poder pela sua abissal determinação. Um homem que viveu e morreu como o que sempre foi: um bárbaro.

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Invasores, saqueadores, trapaceadores, desonestos, ilícitos: eis os bárbaros. No fim do século VI, eram eles que espalhavam o terror na Europa, invadindo cidades e vilarejos. Imprevisíveis, inspiravam pânico, causando caos e horror. Porém, os mais temidos dos bárbaros eram os hunos – povo nômade que marchou da Ásia Central até à Europa, composto por numerosas famílias com grandes rebanhos de gado. Eles não possuíam prática na lavoura nem no comércio; seu único talento era a arte da guerra e consideravam-na o caminho para a prosperidade. Seus costumes chocavam os modos de vida do homem civilizado e sedentário, e os hunos se distinguiam dos outros povos bárbaros pelas características particularmente selvagens.
Naquela época, ser atacado pelos hunos era visto como maldição, tal a crueldade e violência com que estes arqueiros a cavalo sitiavam o território inimigo.

À medida que os hunos avançavam em suas peregrinações, conquistaram um extenso território, e acabaram por fixar-se no local onde hoje é a Hungria. No ano de 443, com a morte do líder Rugila o trono passou para seu sobrinho Bleda que, segundo os principais historiadores, foi assassinado pelo próprio irmão em razão de uma irresistível ambição pelo poder. O nome desse irmão era Átila.

Átila ficou para a história por ser cruel. Como líder dos hunos, suas invasões não poupavam ninguém. Ele afirmava, orgulhoso, que “a grama onde pisa o meu cavalo jamais volta a crescer”. Mas o temido bárbaro era, também, um homem arguto. Tinha um plano diferente para os hunos. Não queria apenas saquear povos, queria influência política e poder. O poder que almejava era um poder legítimo equivalente ao de Roma – que, por sua vez, viu-se ameaçada pelos hunos quando Átila tratou de avançar rumo à cidade.

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No ano de 447, os hunos, comandados por Átila, já haviam alcançado os muros de cidades importantes do império romano e dominado toda a região dos Bálcãs – uma área gigantesca que se estendia do Mar Negro ao Mar Mediterrâneo – com um forte e preparado exército. Foi com este exército que Átila conseguiu invadir 60 cidades fortificadas, prostrando quase toda a Europa sobre a poeira, um feito admirável para a época.

A partir daí, mais precisamente no ano de 450, iniciou-se uma era terrível na Europa, uma das eras mais sangrentas do velho mundo. A Igreja, por sua vez, via Átila como a encarnação do mal e deu-lhe o apelido de “o flagelo de Deus”.

Sob o comando do general Aécio, Roma, então, recrutou povos aliados para defender-se contra os hunos. Em 451, ambas as forças se posicionaram para o que seria um dos mais importantes conflitos da história mundial. Foi a maior guerra vista, até então, pelo mundo antigo. O exército de Átila perdeu forças e se viu cercado pelos inimigos. Finalmente, após proclamar vitória no campo de batalha, o general romano Aécio permitiu que os hunos recuassem e voltassem para seu território.

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Os hunos haviam sofrido a primeira grande derrota sob o comando de Átila, mas suas vidas foram poupadas. Porém, insaciável, Átila continuou invadindo territórios, mesmo com um exército enfraquecido. Seu objetivo era Roma. Foi então que a Igreja interferiu nos assuntos do Estado. Cabia a ela solucionar o problema.

Aconteceu que o Papa Leão I confrontou Átila, o bárbaro, em uma conversa privativa. Até hoje não se sabe ao certo o que foi dito entre eles, nem o motivo que levou Átila a poupar Roma do infortúnio da invasão dos hunos, mas a ocasião foi tida como um milagre. Alguns acreditam que o Papa ameaçou-o com a ira de Deus.

No ano de 453, Átila morreu em conseqüência de uma hemorragia, numa circunstância misteriosa. Historiadores afirmam que o bárbaro estava embriagado e engasgou no próprio sangue. Mas há inúmeras teorias sobre sua morte.

Com o tempo, o povo huno perdeu força. Nos anos seguintes à morte de Átila, a Igreja Católica adquiriu extraordinário poder nas decisões do Estado, graças a seu papel em libertar o império romano do “flagelo de Deus”. A partir de então, reinou suprema por muitos séculos.

O mais temido de todos os bárbaros deixou sua marca na História. Mas as lendas e as variadas versões de detalhes de sua vida fazem dele uma das personalidades mais enigmáticas. O que se sabe é que Átila, o rei dos hunos, foi muito mais do que um simples bárbaro ambicioso. Ele foi um dos maiores estrategas de todos os tempos, um exímio político e diplomata, além de carregar o prestigioso peso de ter poupado da desventura – a pedido da Igreja – o maior império que o mundo já viu.

Sobre a autora: rejane borges gosta das cores de folhas secas ao chão. E das cores das folhas velhas dos livros.

Fonte: OBVIOUS

 

 
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Publicado por em 18/09/2011 em POIMENIA

 

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Vice-presidente afirma estar preparado para a morte

Alencar luta contra a doença há 12 anos

Alencar luta contra a doença há 12 anos
28 de agosto de 2009
Gustavo Rampini/Futura Press

A revista Veja que chega às bancas neste domingo traz uma entrevista com o vice-presidente da República, José Alencar, na qual ele afirma estar preparado para morrer. “Estou preparado para a morte como nunca estive nos últimos tempos. A morte para mim hoje seria um prêmio. Tornei-me uma pessoa muito melhor. Isso não significa que tenha desistido de lutar pela vida”, afirma.

Na entrevista, Alencar revela ter consciência de que sua doença é incurável. “Tenho consciência de que o quadro é, no mínimo, dificílimo – para não dizer impossível, sob o ponto de vista médico. Mas, como para Deus nada é impossível, estou entregue em Suas mãos”, diz o mineiro de 77 anos.

Apesar disso, o vice-presidente afirma se sentir bem. “Está tudo ótimo: pressão, temperatura, coração e memória. Tenho apetite, inclusive – só não como torresmo porque não me servem”, brinca. Ele diz que a doença o ensinou a ser mais humilde. “Pensando bem, o sofrimento é enriquecedor”, analisa.

Sobre uma declaração que fez no passado, quando utilizando uma metáfora do futebol, disse que estava ganhando por 1 a 0 a luta contra a doença, Alencar respondeu: “Olha, depois de todas as cirurgias pelas quais passei nos últimos anos, agora me sinto debilitado para viver o momento mais prazeroso de uma partida: vibrar quando faço um gol. Não tenho mais forças para subir no alambrado e festejar”.

O vice-presidente diz se sentir cansado o ultimamente. O tratamento que eu fiz nos Estados Unidos me deu essa canseira. “Ando um pouco e já me canso.”

Segundo ele a colostomia (desvio do intestino para uma saída aberta na lateral da barriga, onde são colocadas bolsas plásticas) mudou sua rotina. “Faço o máximo de esforço para trabalhar normalmente. O trabalho me dá a sensação de cumprir com meu dever. Mas, às vezes, preciso de ajuda”, conta Alencar. “Se estou em uma reunião, por exemplo, digo que vou ao banheiro, chamo um deles (enfermeiros) e o que tem de ser feito é feito e pronto. Sem drama nenhum.”

Alencar disse ser um privilegiado por receber apoio do povo brasileiro. “Você não imagina a quantidade de manifestações afetuosas que tenho recebido. Um dia desses me disseram que, ao morrer, iria encontrar meu pai, falecido há mais de 50 anos. Aquilo me emocionou profundamente. Se for para me encontrar com mamãe e papai, quero morrer agora. A esperança de encontrar pessoas queridas é um alento muito grande – e uma grande razão para não ter medo do momento da morte”, conclui.

Alencar luta contra a doença há 12 anos e já foi submetido a 15 cirurgias. Só no último mês de julho foram duas intervenções – a primeira no dia 9, quando foram retirados tumores para desobstrução do intestino, e a segunda no dia 24, uma colostomia (procedimento no qual se faz uma abertura no abdome para drenagem).

 
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Publicado por em 05/09/2009 em POIMENIA

 

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