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Record bate recorde de audiência atacando pastor e inicia guerra religiosa na web

POR KEILA JIMENEZ

 

A Record arranjou mais um alvo para o “Domingo Espetacular”. A atração que foi ao ar no domingo (19), trouxe uma reportagem especial de quase 30 minutos sobre os “segredos do apóstolo Valdemiro Santiago”.

A reportagem, de Marcelo Rezende, prometia denunciar as irregularidades no que diz respeito ao uso das finanças da Igreja Mundial do Poder de Deus, na pessoa do seu gerenciador, o apóstolo Valdomiro Santiago.

Entre as acusações feitas a Valdemiro estão, principalmente, a de enriquecimento ilícito e de lavagem de dinheiro.

O “Domingo Espetacular” mostrou também que Valdemiro foi preso em 2003 por transportar ilegalmente armas e munição. Lembrou ainda do episódio em que três pastores da IMPD foram presos em 2010, acusados de tráfico internacional de armas.

Marcelo Rezende afirmou que a matéria demorou quatro meses para ser preparada.  A emissora diz ter procurado Valdemiro para falar, mais ele não atendeu a equipe da Record.

A reportagem também não fez questão de esconder a guerra entre os dois líderes religiosos, Valdemiro e Edir Macedo, da Igreja Universal, e proprietáriod da Record.

Valdemiro foi pastor da Igreja Universal e a deixou em 1998, para montar sua própria igreja, a Igreja Mundial do Poder de Deus.

Desde então vem arrebanhando pastores da Universal e querendo conquistar fiéis de sua ex-congregação.

No final da reportagem do “Domingo Espetacular”, Rezende disse que a Record continuará  investigando o caso. A matéria causou confusão nas redes sociais, com fiéis de ambos os lados se atacando.

A reportagem bateu recorde de audiência: registrou 20 pontos no horário, empatando com a Globo em primeiro lugar. Com ela, o “Domingo Espetacular” registrou a sua melhor média no ano: 16 pontos.

Cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande SP.

Vem mais por aí.

Fonte: FOLHA

 
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Publicado por em 19/03/2012 em POIMENIA

 

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Em artigo, blogueiro critica “doutrina do medo” da Universal e afirma que a igreja possui “demônios na folha de pagamento”

Em artigo, blogueiro critica “doutrina do medo” da Universal e afirma que a igreja possui “demônios na folha de pagamento” 

A Igreja Universal do Reino de Deus vem usando diversas mídias para levar a seus telespectadores sua doutrina e visão de mundo, e essa nova estratégia, foi alvo de críticas severas, em um artigo escrito pelo blogueiro Danilo Fernandes, do site Genizah.

Para Danilo, “a loucura completa se abateu sobre a liderança da Universal”, referindo-se aos recentes acontecimentos que a Igreja, em seus espaços na mídia, afirmou terem acontecido por desvio de seus membros da doutrina pregada pela denominação.

Fernandes opina dizendo que o líder da Universal tem demonstrado “nítido desespero” e tem usado a estratégia de atrair atenção para sua denominação, criando polêmicas, para diminuir a perda de fiéis para a Igreja Mundial do Poder de Deus: “Macedo não tem poupado esforços na criação de polêmicas de alto teor explosivo, mexendo, inclusive, em vespeiros evangélicos conhecidos, como foi no episódio em que atacou um dos ídolos mais vistosos no panteão de semideuses evangélicos: a cantora Ana Paula Valadão (…)Ninguém duvida que todo este esforço é uma resposta às perdas crescentes sofridas pelo império Universal que está sendo atacado em diversas frentes de seu negócio religioso. Seja na concorrência de novos participes do mercado gospel do entretenimento, seja por conta de tipos como Valdemiro Santiago que vem arrebatando fieis da Universal, já que os dois pescam no mesmíssimo barril o mesmo tipo de peixe burro”.

Em seu artigo, Danilo Fernandes afirma que o evangelho pregado pela Universal está carregado de ingredientes que são usados para tornar a mensagem mística e atraente para seu público: “Edir Macedo está carregando nas tintas e pincelando os últimos retoques de  teologia verdadeiramente arrepiante misturando altíssimas doses de capetologia, granalogia e macumbaria em quantidade jamais vista” e questiona o recente episódio em que durante um culto, uma mulher supostamente possuída por um demônio, afirmou que tinha derrubado os prédios no centro do Rio de Janeiro por conta de ex-membros da denominação que lá estavam, afirmando que “Macedo colocou na boca de um dos demônios de sua folha de pagamento a missão de revelar ao mundo a razão da catástrofe: matar um ex-pastor e três ex-obreiros que, tendo deixado a IURD iniciaram novo ministério”.

A emissora do bispo, TV Record, foi mencionada pelo blogueiro como “um negócio lucrativo, uma TV absolutamente secular” e que usando a internet, o líder da Universal criou uma emissora que transmite seus cultos sem nenhuma preocupação com regulamentações jurídicas: “A recentemente criada Web TV do bispo Macedo vem apresentando em sua programação um circo de horrores, livre dos freios morais impostos a uma TV aberta”.

Confira abaixo, a íntegra do artigo “Demônios à serviço da Universal assumem a autoria da destruição dos três prédios no centro do Rio de Janeiro”, escrito por Danilo Fernandes.

A loucura completa se abateu sobre a liderança da Universal. Estamos assistindo, nestes últimos meses, uma profusão de escândalos, sendo a maioria destes, fruto da evidente vontade e da própria criação do seu ditador em exercício, Edir Macedo.

Macedo não tem poupado esforços na criação de polêmicas de alto teor explosivo, mexendo, inclusive, em vespeiros evangélicos conhecidos, como foi no episódio em que atacou um dos ídolos mais vistosos no panteão de semideuses evangélicos: a cantora Ana Paula Valadão.

Macedo sentou a marreta no último pedaço do muro de decência a refrear a sanha comercial de seus pastores, de forma que as suas campanhas de prosperidade tem alcançado nuances impensáveis.

O negócio está tão bagunçado que tem estelionatário indo a IURD para fazer pós graduação.

Por outro lado, os shows de exorcismos e manifestações demoníacas nos templos da seita vivem um furor como não se via desse a década de 80, quando a Universal decolou como a grande denominação neopentecostal brasileira e arrebatou multidões de fieis.

A recentemente criada Web TV do bispo Macedo vem apresentando em sua programação um circo de horrores, livre dos freios morais impostos a uma TV aberta.

Tendo transformado a Record em um negócio lucrativo, uma TV absolutamente secular, Ali Edir e seus 400 bispos ladrões estão fazendo na WebTV coisa jamais vista.

Edir Macedo está carregando nas tintas e pincelando os últimos retoques de  teologia verdadeiramente arrepiante misturando altíssimas doses de capetologia, granalogia e macumbaria em quantidade jamais vista. Por vezes, o telespecatador já não sabe mais se está assistindo ao ensaio de alguma continuação bollywoodiana de sexta-feira 13 ou se é a exibição de um programa onde demônio tomou o lugar de Silvio Santos e os pobres dos fiéis participantes do jogo estão ali a arriscar vida ou morte, fortuna ou miséria no girar da roda da fortuna.

Ninguém duvida que todo este esforço é uma resposta às perdas crescentes sofridas pelo império Universal que está sendo atacado em diversas frente de seu negócio religioso. Seja na concorrência de novos participes do mercado gospel do entretenimento, seja por conta de tipos como Valdemiro Santiago que vem arrebatando fieis da Universal, já que os dois pescam no mesmíssimo barril o mesmo tipo de peixe burro.

A IURD sofreu enorme perda do fiéis como revela, inclusive a última pesquisa por amostra de domicílios do IBGE.
No esforço de reposicionar a sua religião, Macedo está mostrando nítido desespero. Um sintoma novo é a forma quase suicida com que vem construindo uma doutrina de castigo certo aos que deixam a sua religião.

Há pouco mais de 60 dias, Macedo horrorizou até mesmo a quem já não se surpreende mais com suas heresias quando divulgou um vídeo com a reportagem de um grave acidente automobilístico com diversas vítimas fatais, arrematando a notícia afirmando que uma das moças falecidas era uma antiga obreira que havia abandonado a IURD e, por esta razão, a sua vida teria sido ceifada por “seu” “deus”.

Esta semana, Macedo foi ainda mais audaz. Diante da terrível tragédia ocorrida no Rio de Janeiro, onde três prédios desabaram causando a morte de dezenas de pessoas, Macedo colocou na boca de um dos demónios de sua folha de pagamento a missão de revelar ao mundo a razão da catástrofe: Matar um ex-pastor e três ex-obreiros que, tendo deixado a IURD iniciaram novo ministério. Estes “traidores” tinham uma sala em um dos prédios destruídos.

Ou seja, o capiroto, pé redondo, coisa ruim carcará sanguinolento está a serviço de Macedo; É o novo leão-de-chácara da Universal proposto a matar, trucidar e fazer pó de todo aquele obreiro ou membro da IURD que ousar deixar a seita.

Imagino a dor das famílias que tiveram seus entres queridos vitimados na tragédia tendo de ouvir tais disparates. Macedo merece tomar diversos processos. A sociedade organizada precisa tomar uma providência e fechar esta sinagoga de satanás.

É o fim do mundo.

Fonte: Gospel+

 
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Publicado por em 08/02/2012 em POIMENIA

 

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“Pastores feiticeiros”

Pastor Ed René Kivitz critica “pastores feiticeiros” da Igreja Universal que prometem ungir canetas para fiéis passarem em concurso 

Comentando uma notícia apresentada pela colunista Sonia Racy, da “Agência Estado”, o pastor Ed René Kivitz, da Igreja Batista da Água Branca criticou abertamente os pastores da Igreja Universal do Reino de Deus que prometeram em um programa de TV da denominação, ungir e abençoar canetas e fichas de inscrições de concursos públicos, para que os fiéis fossem aprovados.

Kivitz afirma que a informação da jornalista possui “uma lógica danada”. Para o pastor, a estratégia usada no programa da IURD em Brasília “é dos quintos dos infernos… Faz todo o sentido dentro da cosmovisão religiosa popularmente identificada como cristã, isto é, da subcultura sociologicamente definida como segmento religioso que se pretende cristão”.

O pastor afirma que a oferta dos pastores que ungem caneta para “concurseiro” faz sentido “para quem crê em um Deus intervencionista, que se mete no cotidiano da vida humana”.

Sem deixar passar os casos em que líderes evangélicos ungem objetos sob o argumento de abençoá-los, o pastor diz que esse tipo de coisa torna-se uma espécie de “ritual litúrgico” e afirma que o inusitado convite para ungir canetas e fichas de inscrição não está errada dentro da lógica popular, mas questiona: “O desafio é responder se essa lógica expressa de fato o Evangelho de Jesus Cristo”.

Confira no vídeo abaixo os pastores da IURD oferecendo unção para canetas e fichas de inscrição de concursos públicos:

Confira abaixo o artigo “Os pastores feiticeiros e seu evangelho pagão”, publicado pelo pastor Ed René Kivitz:

Deus resolve

Pastores da Igreja Universal do Reino de Deus inovam. Pela TV, em Brasília, prometem bom desempenho em concursos públicos. O fiel só precisa levar caneta ou comprovante de inscrição ao templo para ser ungido.
O discurso? “Se Deus te iluminar, te der a direção, nada dá errado.”
[Fonte: http://blogs.estadao.com.br/sonia-racy%5D

O pior dessa notícia é que tem uma lógica danada. Literalmente, a lógica é danada. É dos quintos dos infernos. Mas faz todo o sentido dentro da cosmovisão religiosa popularmente identificada como cristã, isto é, da subcultura sociologicamente definida como segmento religioso que se pretende cristão. Senão, observe.

. Para quem crê em um Deus intervencionista, que se mete no cotidiano da vida humana vindo de fora (de outro mundo, da sala do trono, ou sei lá de onde), qual é o problema de pedir a Deus que favoreça um dos seus filhos em um concurso público?

. Para quem acredita em unção como ritual litúrgico, e sai por aí passando óleo e azeite em portas e janelas, carros, pessoas, animais de estimação, propriedades, galpões empresariais e escritórios, e outras coisas mais, qual é o problema de ungir ritualisticamente uma caneta ou uma ficha de inscrição para um concurso público?

. Para quem acredita que Deus revela segredos aos seus filhos, fala pela boca dos profetas e dá palpite na vida dos outros, qual é o problema em pedir uma iluminação ou uma direção, tipo informação privilegiada, como ajuda para o êxito num concurso público?

. Para quem acredita que o templo é a Casa do Senhor, e que os pastores, bispos, apóstolos e patriarcas são Servos do Senhor, pessoas especiais, com uma unção especial de Deus, qual é o problema de participar dessa unção ritualística no Templo Sede Internacional e receber a benção do homem de Deus antes de atravessar o desafio de um concurso público?

. Para quem faz promessas de subir escadas de joelhos, realiza peregrinações carregando cruz nas costas, amarra fitinhas de santos no pulso, pendura no pescoço colares benzidos nos terreiros, carrega santinhos na carteira, ou participa de correntes da fé em busca de bençãos materiais e soluções para problemas circunstanciais, qual é o problema de ungir a caneta ou a inscrição para o concurso público?

Em síntese, apesar de grotesca e de causar espanto, respeitada a lógica religiosa popular cristã, não há nada de errado nessa prática noticiada pela Agência Estado. O desafio é responder se essa lógica expressa de fato o Evangelho de Jesus Cristo.

Ed René Kivitz

Fonte: Gospel+

 
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Publicado por em 31/01/2012 em POIMENIA

 

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STJ mantém condenação da Igreja Universal por chamar mãe-de-santo de macumbeira

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) manteve decisão que condenou a Igreja Universal do Reino de Deus a indenizar em R$ 145,2 mil os filhos e o marido da mãe de santo baiana Gildásia dos Santos e Santos. A Igreja publicou uma foto da religiosa, falecida em 2000, de maneira ofensiva no jornal Folha Universal, veículo de divulgação da instituição.

A decisão da 4ª Turma do Tribunal ocorreu no julgamento de um embargo de declaração —recurso utilizado para questionar omissões em decisões judiciais— impetrado pela própria família da mãe de santo, que reclamava da redução do valor da indenização.

Em 1999, a Folha Universal publicou uma matéria com o título “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes” e utilizou uma foto da ialorixá como ilustração. A 17ª Vara Cível do TJ-BA (Tribunal de Justiça da Bahia) condenou a Igreja Universal ao pagamento de R$ 1,4 milhão como indenização, além de publicar retratação em duas edições do veículo.

Para os ministros do STJ, os recursos ods herdeiros tinham o objetivo de rediscutir o caso e de substituir a decisão anterior proferida pela 4ª Turma, o que não é permitido.

A decisão mantida foi proferida pela Turma em julgamento ocorrido no dia 16 de setembro do ano passado. Na ocasião, os integrantes do colegiado seguiram integralmente o voto do juiz convocado do Tribunal Regional Federal da 1ª Região Carlos Fernando Mathias, que reduziu o valor a ser pago aos herdeiros.

Defesa

No recurso da Universal ao STJ, alegou-se que a decisão da Justiça baiana ofenderia os artigos 3º e 6º do Código de Processo Civil por não haver interesse de agir dos herdeiros e que apenas a própria mãe de santo poderia ter movido a ação. A defesa argumentou que a “suposta” ofensa produziria efeitos sobre eles.

A Igreja Universal também não seria parte legítima, já que a Folha Universal é impressa pela Editora Gráfica Universal, que tem personalidade jurídica diferente daquela da Igreja.

Na mesma linha de raciocínio, alegou que o espólio não poderia entrar com a ação. Afirmou, ainda, que a sentença seria ultra petita (decisão teria ido além do pedido formulado no processo), já que condenou o periódico a publicar duas retratações, quando a ofensa teria ocorrido apenas uma vez, violando, com isso, os artigos 128 e 460 do Código de Processo Civil.

Por fim, afirmou ser exorbitante o valor da indenização e propiciar enriquecimento sem causa. Informou que o jornal não teria fins lucrativos, tornando o valor ainda mais desproporcional.

Na ocasião, o juiz convocado Carlos Fernando Mathias considerou em seu voto que, mesmo que a gráfica e a Igreja Universal tenham pessoas jurídicas diferentes, elas obviamente pertencem ao mesmo grupo, como atestam os estatutos de ambas e são corresponsáveis pelo artigo, logo a Universal pode ser processada pela família.

Quanto à questão do espólio, o juiz Fernando Mathias admitiu que a questão não pode ser transmitida por “herança”. O espólio, portanto, não seria legítimo para começar uma ação. Entretanto o magistrado considerou que a ofensa à mãe de santo foi uma clara causa de dor e embaraço aos herdeiros e que o pedido de indenização é um direito pessoal de cada um. Ele apontou que a jurisprudência do STJ é clara nesse sentido.

O relator considerou que a decisão de fazer publicar a retratação por duas vezes foi ultra petita (sentença além do pedido no processo), sendo necessária apenas uma publicação.

Quanto ao valor, ele entendeu que o fixado pela Justiça baiana era realmente alto, o equivalente a 400 salários mínimos para cada um dos herdeiros. Assim, pelas peculiaridades do caso, reduziu a indenização para um valor total de R$ 145.250,00 ficando R$ 20.750,00 para cada herdeiro.

Fonte: ULTIMA INSTÂNCIA

 
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Publicado por em 22/10/2009 em POIMENIA

 

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Que se cuidem os infiéis

Por Gilberto Nascimento
Um novo coronelismo eletrônico começa a tomar corpo no Brasil. Ele se espelha na velha estratégia de associar o controle dos meios de comunicação ao poder político, à moda de clãs como os Sarney, no Maranhão, e os Magalhães, na Bahia. Com uma diferença: os movimentos têm como pano de fundo a fé religiosa.

Nunca antes grupos – sejam evangélicos, sejam católicos – acumularam tanta influência na mídia. E nunca trabalharam tão claramente para eleger diretamente deputados, senadores e governadores ou apoiar candidatos identificados com suas ideias e projetos, que incluem a oposição ao aborto e à união homossexual, para citar dois casos no campo dos direitos civis.

“O deputado-pastor ou deputado-bispo tem a sua eleição garantida pela hierarquia religiosa que o escolhe, mas tem por função defender todo e qualquer interesse que envolva a sua agremiação religiosa. O seu mandato não é dos eleitores, mas daqueles que o colocam no Parlamento. Ele deve prestar contas somente a quem o indicou”, constata o presbiteriano Leonildo Silveira Campos, professor de pós-graduação em Ciências da Religião na Universidade Metodista.

“Na Câmara, os representantes das igrejas vão defender os valores considerados legítimos por elas, como o combate ao aborto, e os interesses das corporações religiosas no campo da comunicação”, acrescenta Campos, autor do estudo Evangélicos e Mídia no Brasil – Uma história de acertos e desacertos.

Igrejas evangélicas como a Universal do Reino de Deus, Internacional da Graça, Mundial do Poder de Deus e Assembleia de Deus e os movimentos ligados à Renovação Carismática (a versão católica do pentecostalismo) aumentam a cada dia a sua presença na mídia. Entre os carismáticos, o grupo que mais cresce é o da Canção Nova, fundada em 1978, em Cachoeira Paulista (SP), no Vale do Paraíba.

Com o controle dos meios de comunicação para expor suas ideias, os grupos religiosos se fortalecem politicamente. Fazem o seu proselitismo, combatem ideias contrárias aos seus interesses e expõem maciçamente a imagem dos religiosos que, no futuro, podem se tornar líderes políticos.

A tendência, avalia o pesquisador Antônio Flávio Pierucci, professor do Departamento de Sociologia da USP dedicado aos estudos da religião, é o Congresso tornar-se mais conservador, principalmente em temas ligados aos direitos civis. “Há um risco para a sociedade de termos cada vez mais, na Câmara dos Deputados, políticos defendendo teses conservadoras. Eles estão lá para impedir a modernização cultural. Vão barrar propostas sobre aborto, união civil de homossexuais e outros temas morais. Questões como os direitos reprodutivos da mulher são combatidos pela bancada evangélica, com a ajuda da católica. Haverá um grande atraso para o País”, acredita Pierucci.

Já o avanço de cultos no controle da mídia provoca reações do velho oligopólio dos meios de comunicação e não mais só da Rede Globo. Em sua estratégia de crescimento, as igrejas pentecostais elegeram como alvo as emissoras regionais e passaram a comprar canais afiliados às grandes redes. O SBT, a emissora que mais perdeu espaço para os evangélicos, decidiu agora declarar guerra a esses grupos.

Não se trata exatamente de um movimento para levar os fãs de Silvio Santos às ruas contra a liberdade religiosa. Mas o canal do homem-sorriso quer impedir que bispos e pastores continuem arrendando canais de tevê ou comprando espaços na programação. Em dificuldades para bancar o custo da transmissão dos programas das redes nacionais, as emissoras locais passaram a receber ofertas vantajosas das igrejas.

A tevê “mais feliz do Brasil” (esse é o slogan do SBT) tem motivos de sobra para ficar triste. De 1995 para cá, o canal de Silvio Santos perdeu treze de suas emissoras afiliadas apenas para a Record, controlada pela Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo.

Somente em 2009, outras cinco emissoras abandonaram o dono do Baú da Felicidade para passar a veicular os cultos e pregações do apóstolo Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus. De uma hora a outra, Silvio Santos ficou sem as tevês Alagoas, de Maceió, e Cidade Verde, de Cuiabá, Sapezal, Rondonópolis e Tangará da Serra, de Mato Grosso.

No ano passado, o SBT perdeu para a Record quatro emissoras da Rede Santa Catarina (a de Florianópolis, a de Blumenau, a de Chapecó e a de Joinville). A RedeTV! é outra vítima. No dia 29 de setembro, ficou sem a TV Piauí (canal 19), de Teresina, que migrou para o grupo do apóstolo Santiago.

Dissidente da Universal, o apóstolo da Mundial é um novo fenômeno do pentecostalismo. Como Macedo, promete curas milagrosas e atrai multidões em seus cultos. Sua igreja ocupa atualmente 22 horas da programação diária de emissoras como o Canal 21, da Rede Bandeirantes. Valdemiro desbancou a PlayTV, da Gamecorp, empresa de jogos para celular e tevê que tem como sócio Fábio Luís Lula da Silva, o filho do presidente Lula, e era a responsável pela grade do Canal 21 até 2008. Pelo espaço na programação, a Mundial paga 3 milhões de reais, segundo seus dirigentes. Mas há quem garanta que o valor é maior.
A Band produz apenas um telejornal de duas horas e o restante da programação é completada com os cultos da Mundial. Na TV Alagoas e na TV Piauí, essa prática deve se repetir. Santiago ainda arrenda ou compra horários em outras catorze emissoras, entre elas a RedeTV!, a CNT e a Boas Novas (da Assembleia de Deus).
Para tentar frear o ímpeto dos evangélicos, o diretor de rede do SBT, Guilherme Stoliar, foi a Brasília pedir apoio ao ministro das Comunicações, Hélio Costa. O executivo da emissora considera ilegal o arrendamento de canais. Ele se baseia no Decreto 8.806, de 1983, que determina que as tevês não podem vender mais do que 25% de seus espaços.

A Record aluga hoje cinco horas diárias – 21% do seu espaço – apenas para a Universal. A igreja compra por valores majorados o horário das madrugadas, de baixíssima audiência. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o valor teria chegado a 400 milhões de reais no ano passado. A Record diz que não divulga o total pago. Mas a própria Universal chegou a oferecer à TV Globo, em agosto, 545 milhões de reais por horários na grade da concorrente. A Globo nem sequer respondeu. Em 2007, já teria recusado proposta semelhante.

Ao controlar a programação quase completa de várias emissoras, a Mundial estaria em situação irregular. “Não é legal e traz prejuízos para a radiodifusão e para a sociedade o arrendamento de programação parcial ou integral. A empresa que recebe uma concessão, dada pelo Executivo e homologada pelo Legislativo, não tem o direito de arrendar a terceiros”, defende Stoliar. A Mundial rebate. Diz que as igrejas têm o direito de divulgar suas mensagens e o acordo feito com as emissoras resulta num “contrato de gestão de conteúdo”.
Segundo Stoliar, a prática do arrendamento nas tevês tem aumentado. Ele diz, porém, não saber se a perda de suas emissoras deve-se unicamente ao dinheiro. “Não podemos afirmar, pois não temos como provar. Existem informações de que algumas foram compradas e outras alugadas por valores expressivos. Em nenhum dos casos fomos procurados por nossas afiliadas para uma negociação. Simplesmente fomos informados”, protesta.

Em contrapartida, representantes da Mundial lembram que o próprio dirigente do SBT é dono da TV Alphaville, de São Paulo, e transmite nessa emissora programas de religiosos, inclusive do apóstolo Santiago. “Na televisão fechada não existe nenhum impedimento legal de se vender programação a terceiros. A tevê a cabo é essencialmente uma distribuidora de conteúdos de terceiros. As leis para a cabo e para a radiodifusão são distintas”, defende-se Stoliar.

O executivo não revelou o teor de sua conversa com Hélio Costa. O Ministério das Comunicações informou, por meio de sua assessoria, que só se posiciona nesse tipo de caso quando provocado por uma denúncia formal. O dirigente do SBT, entretanto, não teria feito uma representação. Por outro lado, o ministério abriu processo contra a Record por ter transformado sua retransmissora de Campinas em geradora.
O novo inimigo da rede de Silvio Santos, Santiago, repete hoje Edir Macedo. O apóstolo ergue diariamente novos templos no Brasil e no exterior. Seus seguidores dizem que o número de igrejas no País pulou de 487, em 2008, para 1.600 neste ano. O crescimento é de 328,5%.

Em Moçambique, a Mundial conta com 30 templos. Na Argentina, 12. A Igreja está instalada ainda nos Estados Unidos, no Japão, em Portugal, no Uruguai e em Angola. Sua programação religiosa vai para toda a África e Europa por meio de um satélite. Uma produtora se encarrega de fazer a tradução simultânea, ao estilo dos programas dos tele-evangelistas americanos, como Rex Humbard, Billy Graham e Jimmy Swaggart, famosos nos anos 1980.

A sede das igrejas pelo seu próprio veículo de comunicação, segundo Leo-nildo Campos, é resultado da competitividade no campo religioso do País, a partir dos anos 1980. “É preciso atrair mais fiéis. A mídia, numa sociedade urbana e de massas, é o único meio para anunciar a sua mensagem. Porém, como outros estão nessa competição acirrada, torna-se necessário vencer a concorrência por meio de uma decisão religiosa. Essa decisão pode ser estimulada por uma propaganda religiosa apropriada e daí vem a importância do veículo de comunicação”, detecta o professor. “O religioso, então, supera o seu púlpito e torna-se um pregador das multidões.”

Outra razão para o crescimento das novas igrejas na mídia é o fato de terem um caixa único, observa Campos. “Se alguém faz uma doação para a Universal no Acre, no dia seguinte está na conta. Isso possibilita à igreja ter uma quantidade de dinheiro suficiente para participar de um leilão ou de uma disputa em melhor condição”, avalia o estudioso. “A Universal pode ter 10 milhões de reais na conta. Não precisa dividir com paróquias ou bispos. Essa foi a grande sacada do Edir Macedo: ter dinheiro na mão para fazer negócio.”

As igrejas buscam os veículos de comunicação e o poder político também para tentar superar as concorrentes. “Eles vão se comer uns aos outros. Há ataques violentíssimos feitos por integrantes da Mundial à Universal. A igreja de Edir Macedo cresceu, ficou muito forte e a sua trajetória é imitável. O Valdemiro quer chegar aonde o Macedo chegou. Por isso, ele peita o Macedo”, diz Pierucci.

A Rede Record, que diz ter a Universal apenas como uma “cliente”, reúne hoje 30 emissoras no País (cinco próprias e 25 afiliadas) e 747 retransmissoras, segundo o Ministério das Comunicações. A Record afirma ter 105 emissoras (entre próprias e afiliadas). Conta ainda com a Record News, a Rede Família e a Record Internacional (Estados Unidos, Canadá, Japão, Europa e África). A Igreja Internacional da Graça, do missionário R.R. Soares – fundador da Universal, ao lado de Macedo – montou a Rede Internacional de Televisão (RIT), com oito emissoras próprias. Já chegou a Portugal e aos Estados Unidos.

Os católicos também continuam a construir o seu império de comunicação. Mas, por contarem com a simpatia dos meios de comunicação dominantes e de setores influentes da sociedade, raramente são criticados por isso. Em março, o Ministério das Comunicações concedeu quatro retransmissoras para a Rede Vida: em Joinville (SC), São Roque (SP), Oiapoque (AP) e Pedra Branca do Amapari (AP). A rede já contabiliza 472 transmissoras.

Reconhecida em 2008 como uma nova comunidade da Igreja Católica, a Canção Nova cresce a passos largos. Já possui duas emissoras de tevê e 272 retransmissoras, além de uma rede de rádio. Conta com tevê e rádio em Portugal e casas de formação em Israel, França, Itália, Portugal, Inglaterra, Estados Unidos e África. O site da Canção Nova é uma das páginas religiosas mais acessadas no mundo. Tem 7 milhões de acessos ao mês e reveza-se na liderança com o portal do Vaticano, segundo os dirigentes do movimento.

Para o pesquisador Pierucci, grupos católicos, como a Canção Nova, querem trilhar o mesmo caminho que os evangélicos, mas não conseguirão êxito. “A estrutura é muito diferente. Na Igreja Católica, sempre há alguém acima mandando mais que o padre. Entre os evangélicos, se há algum problema o pastor sai e funda outra igreja. Os católicos não têm como fazê-lo”, analisa.

Como acontece entre os laicos, a expansão do controle midiático implica imediatamente aumento do poder político. Católicos e evangélicos trabalham com uma intensidade inédita para aumentar sua representação política em 2010. A Canção Nova vai lançar candidatos à Câmara dos Deputados e às assembleias de todos os estados. Para o Senado, já tem ao menos três nomes de políticos ligados ao movimento: o vereador Gabriel Chalita (PSB), em São Paulo; o deputado estadual Eros Biondini (PTB), em Minas Gerais; e Marcio Pacheco (PSC), no Rio de Janeiro.

Integrante da Canção Nova, a atriz Myriam Rios vai atrás de votos dos cariocas. Concorrerá a uma vaga de deputada estadual pelo PDT. Outros políticos ligados à Renovação Carismática devem disputar a reeleição, como os deputados Alexandre Molon (PT), na Assembleia do Rio, e Miguel Martini (PHS-MG) e Odair Cunha (PT-MG), na Câmara. “Nós não podemos substituir o partido em relação ao movimento nem o movimento pode se tornar um partido”, ressalta, sem muita clareza, o mineiro Cunha.

A Mundial segue na mesma linha. Nas últimas eleições, a igreja elegeu um vereador em São Paulo, José Olímpio (PP). No ano que vem, pretende lançar candidatos a deputado federal em todas as capitais do País. Deve ainda dar apoio a políticos como Marconi Perillo (PSDB) e Jaques Vagner (PT), candidatos ao governo em Goiás e na Bahia, respectivamente, e ao senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que disputa a reeleição.
O candidato a deputado mais conhecido da Mundial é o pastor Ronaldo Didini (PSC), ex-Universal e ex-Internacional da Graça. Didini assume que sua principal bandeira é o combate ao casamento de gays. O pastor também promete propor na Câmara mecanismos para controlar o que “pode sair e entrar nas igrejas e o que deve ou não ser tributado”.

Para puxar votos, a Universal do Reino de Deus pensa em lançar a deputado federal em São Paulo o bispo e atual senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), segundo comentários nos meios religiosos. Procurada, a igreja não falou sobre o assunto. Outros deputados ligados à Universal devem concorrer à reeleição, entre eles o bispo Antonio Bulhões (PMDB-SP). A Internacional da Graça e a Renascer devem repetir as candidaturas de Jorge Tadeu Mudalen (PMDB-SP) e do Bispo Gê (DEM-SP), respectivamente.

Nesse emaranhado de siglas e crenças, pouca coisa une os grupos religiosos. Um partido, porém, reúne religiosos de grupos distintos. O Partido Social Cristão (PSC), vai lançar candidatos como o católico Márcio Pacheco, Ronaldo Didini, da Mundial, e o ex-deputado e pastor Gilberto Nascimento, da Assembleia de Deus.
Na eleição de 2006, as bancadas da Universal e da Assembleia de Deus tiveram significativa redução por causa do envolvimento de seus parlamentares com os escândalos dos sanguessugas e de caixa 2 (conhecido como mensalão). A bancada da Universal caiu de 18 para 6 deputados e a da Assembleia de Deus, de 22 para 9. Os candidatos da Assembleia receberam 200 mil votos a menos do que em 2002. E de uma eleição para a outra a Universal teve a votação de seus representantes reduzida de 1,6 milhão de votos para 573 mil. Sinal, aliás, de que a fé religiosa não gera políticos mais éticos. O objetivo de ambas é recuperar o terreno perdido. Para tanto, contam com os púlpitos midiáticos.

Fonte: ZUGNO

 
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Publicado por em 17/10/2009 em POIMENIA

 

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Os demônios da Igreja Universal

Daniel Lopes

Onde a minha rua começa, lá na avenida, há um templo da Igreja Universal do Reino de Deus. Foi aberto não faz muito. No local funcionava um lava-rápido, antes da igreja de Edir Macedo adquirir a área, erguer quatro imensos muros, um teto de metal em forma de A e buracos nas laterais para auxiliar os ventiladores no arejamento. Na verdade, não fosse o enorme letreiro da IURD na frente, você poderia tomar o estabelecimento como um grande depósito – de material de construção, por exemplo. Do outro lado das duas faixas da avenida, há uma igreja católica. Histórica. De fato, o meu bairro e os vizinhos nasceram em parte em função das atividades dessa paróquia.

Mais para dentro da rua há três bares, com mesas de sinuca e muitos cachorros vira-latas perambulando ao redor, à espera de algum resto de espetinho atirado ao chão, de preferência ainda com alguma carne. Quando, nos dias de meio de semana à noite, os fiéis da Universal começam a gritar para espantar seus males, espantam junto, talvez antes, os cachorros, que latem muito e alto, enervando os bêbados. Os cachorros também latem quando, nas noites de sábado, há briga e quebradeira de garrafas em algum dos bares e nos dias em que há procissão com foguetes em homenagem ao santo católico. Em sua ignorância, os cachorros não sabem diferenciar uma bagunça da outra.

O fato da Igreja Universal ter aberto uma franquia nessa avenida nos últimos anos com crescente movimento de carros e pedestres, desta franquia estar situada bem próxima a uma igreja católica e, por fim, ter a aparência de depósito que tem, está bem explicado em A Igreja Universal e seus demônios: Um estudo etnográfico, pesquisa de mestrado de Ronaldo de Almeira que a editora Terceiro Nome, em parceria com a FAPESP, lança agora em sua coleção Antropologia Hoje. Nos seus primórdios ocupando o espaço que cinemas e teatros iam deixando no rastro de falências, a Universal enfim passou, na segunda metade dos anos 90, a construir seus chamativos templos, como a Catedral do Brás, inaugurada em 2000 em São Paulo. Sem esquecer os templos-depósitos em vários locais do país, invariavelmente próximos a avenidas, pontos de ônibus e outras áreas com grande fluxo de pessoas (trabalhadores humildes, se bem que já há algum tempo a igreja vem partindo para a conquista de fatias das classes média e alta). As localizações próximas a estabelecimentos da igreja Católica, com sua “velha” teologia tão distante dos problemas do homem comum, também estão longe de serem obras do acaso. Nos últimos tempos, aquele que Ronaldo de Almeida considera o tripé que sustenta a Igreja Universal – cura, exorcismo e prosperidade financeira – tem se provado uma isca infalível para milhões de cristãos Brasil afora. Segundo o bispo Macedo, sua igreja é um “pronto-socorro espiritual”.

Roberto Augusto, Edir Macedo e Romildo Soares foram os três cavalheiros que fundaram a IURD. Todos pertenciam, antes, à Igreja Nova Vida, de onde abriram uma dissidência. Edir e Romildo, cunhados, já haviam tentado êxito com certo Salão da Fé (também conhecido, nos informa Ronaldo de Almeira, como Cruzada do Caminho Eterno). No início da década de 80, Romildo (o R. R. Soares) desgostou Edir e acabou se desligando da Igreja Universal do Reino de Deus, fundando a Igreja Internacional da Graça de Deus. No final da década de 80, foi a vez de Roberto Augusto voltar para a Nova Vida. Esse processo consolidou a hegemonia de Edir Macedo, que, ainda no final da década de 80, mudou a sede nacional de sua igreja do Rio de Janeiro (em cujas favelas ela havia nascido) para São Paulo. Baseada em um centralismo financeiro que, ironicamente, lembra mais o Vaticano que outras denominações protestantes e mesmo neopentecostais, a expansão da igreja ia começar pra valer.

*

Entre as curas prometidas pelos pastores da Universal, encontram-se as dos mais variados tipos de câncer. Se você achar pouco, saiba que um folheto da instituição analisado por Ronaldo de Almeida trazia o depoimento de uma fiel que dizia se ter curado da Aids só com o poder da fé. Enquanto os crentes da Universal não duvidam que Aids se pega, entre outros meios, através de relação sexual, esta relação, por sua vez, tenha sido voluntária ou por ofício (prostituição), só pode ter sido obra do demônio.

Obviamente, você não precisa ter câncer ou Aids para buscar cura no templo mais próximo; seria restringir demais o raio de ação.

Para a Igreja Universal não existe meio-termo: o mundo está dividido entre pessoas “libertas” e “não-libertas”, sendo que nestas há a constante atuação do diabo. É ele o causador de todos os males. Uma pessoa que sofre de alguma doença, por exemplo, está possivelmente sendo atingida por algo de outra ordem, um mal diferente daquele tratado pela medicina ou qualquer conhecimento humano – a saber, o diabo (…)

Com a finalidade de diagnosticar a possessão, a Igreja Universal elencou os sintomas mais frequentes que denunciam algum tipo de possessão demoníaca. São eles: insônia, medo, nervosismo, constantes dores de cabeça, desmaios frequentes, visão de vultos, audição de vozes estranhas, vontade de suicídio, vícios, perturbações, dores não diagnosticadas pela medicina e depressão. [págs. 81/2]

É verdade, as informações dessa citação dificilmente ainda serão novidades para alguém, mas o grande mérito de Ronaldo de Almeida está em fazer ligações e tirar conclusões que ainda passam batidas a muita gente (passavam a este resenhista, por exemplo). Ademais, às vezes o livro é muito útil ao desfazer mitos. Uma amostra, e ainda sobre doenças-possessões-curas:

(…) é no mínimo insuficiente o argumento de que as pessoas procuram a igreja simplesmente por não terem à sua disposição serviços de saúde oferecidos pelo Estado. A Igreja Universal promete mais do que o Estado e a medicina podem proporcionar. A cura milagrosa da aids, a cura do câncer sem sofrimento e a cura de outros males são respostas oferecidas à aflição do fiel diante da dor e da morte. Tudo isso é alardeado de forma espetacular nos jornais, templos, rádios e televisão. [p. 131]

Devido a própria natureza do livro, Ronaldo de Almeida não vai além, não passa da análise para a emissão de juízos. Nada impede, no entanto, que nós leitores paremos para pensar que esse tipo de desinformação em massa praticado pela IURD e inúmeras outras denominações é diariamente varrida para debaixo do tapete no discurso dos grupos “democráticos” e “pluralistas”. Tudo em nome da defesa da liberdade de crença religiosa. Nossos respeitáveis veículos de jornalismo raramente lembram o sofrimento causado pela desinformação travestida de salvação – seria descortesia. É impossível levantar a questão de crianças que sofrem por seus pais não permitirem transplantes ou transfusão sanguínea sem passar por “fundamentalista ateu”. Talvez, se seus pais objetassem baseados na crença de que em 2012 o mundo será atingido por um meteoro e apenas os, digamos, “puros de sangue”, vivos ou mortos, serão salvos, talvez então o Estado pudesse interceder para melhorar sua condição, e de quebra mandar os pais para alguma clínica de repouso. Mas, para infelicidade dos filhos, a crença de seus pais é de que a cura como a doença são mandatos divinos, nos quais não se pode interferir; assim, seu sofrimento geralmente é um não-assunto.

*

“ (…) a Igreja Universal”, escreve Ronaldo de Almeida, “constituiu-se em relação ao universo simbólico de seus adversários, ficando parecida com as religiões combatidas”. Estas são as religiões afro-brasileiras – que atraem grande número de pessoas de baixa renda, exatamente a fatia do mercado cobiçado pela IURD.

Como vimos, o exorcismo é um dos suportes da Igreja Universal. Uma obsessão. Ela “apresenta acentuada ênfase, mesmo para uma igreja pentecostal, no sobrenatural e nos malefícios resultantes da vivência equivocada em outros tipos de religiosidade, em particular nas religiões afro-brasileiras”. Nunca perdeu tempo tentando constituir uma doutrina religiosa – que é expressamente condenada por Edir Macedo em seu livro Libertação da teologia.

Ronaldo frequentou diversos cultos em várias cidades e notou um padrão no exorcismo: sempre que o pastor pergunta ao endemoniado “Qual é o teu nome?”, “tem sempre como respostas as entidades das religiões afro-brasileiras, em particular da Umbanda”. Se nos terreiros a possessão é o ponto alto da cerimônia, nos templos a expulsão ocupa lugar de destaque. Não a mera expulsão, entretanto. Antes de deixar o corpo do possuído, as entidades sofrem uma longa entrevista e são humilhadas pelo pastor-exorcista, que, supunha-se, deveria ter mais com o que gastar seu tempo.

As diretrizes foram traçadas, mais uma vez, por Edir Macedo, desta feita em Orixás, caboclos e guias: deuses ou demônios?

Claro que nossos ilustres colunistas não se meterão a dar uma opinião sobre essa infâmia. Desde que um pastor maluco não se meta a chutar uma imagem de Nossa Senhora, tudo bem. Eu não morro de amores por nenhuma religião, incluídas as afro-brasileiras (como diz um amigo meu, espere só até os umbandistas começarem a comprar rádios e tevês), mas não consigo evitar as perguntas: a “liberdade religiosa” exime até a detração de crenças? Uma eventual Guerra Santa – a liberdade religiosa gozada ao máximo? – estaria livre da interferência do poder público?

Mas, retornando, por que Ronaldo de Almeida julgou que a IURD, ao atacar os afro-brasileiros, ficou-lhes parecida? Ora, talvez tenha sido um processo inevitável. Três passagens de A Igreja Universal e seus demônios listam algumas semelhanças:

– Segundo um renomado pastor explica na tevê (e Ronaldo viu, gravou e reviu um sem número de programas de tevê veiculados pela Universal, para detectar melhor seus padrões), o “óleo ungido” que é passado nos pés, mãos e cabeças dos participantes das “sessões de descarrego” é para o “fechamento do corpo”, expressão de uso corrente em terreiros de Umbanda e Candomblé. [p. 70]

– Durante a entrevista com a entidade de posse do corpo: “Da mesma maneira como ocorre nos terreiros – onde há um estado de semiconsciência e é a entidade que fala –, no tempo o endemoninhado perde a consciência, dando voz ao demônios.” [p. 88]

– “A ideia de imanência do sagrado não é tão estranha ao pentecostalismo. (…) Mas a Igreja Universal vai além, pois, se o pentecostalismo reintroduziu a imanência somente nos corpos dos fiéis, a Universal estende esse fenômeno aos objetos [óleos, sais], tal qual o fazem as religiões mágicas, como as afro-brasileiras. Dessa forma, como na Umbanda, a Igreja Universal pode agora utilizar-se de qualquer coisa para a transmissão de suas bençãos ou contrafeitiços.” [p. 108]

*

Além de um exemplar trabalho de campo antropológico (e jornalístico! – vocês precisam ler as descrições de cultos de exorcismo, especificamente páginas 74 a 98), A Igreja Universal e seus demônios é, principalmente em seus primeiros capítulos, um ótimo trabalho histórico. Sim, tudo em apenas 140 páginas. (E, em tempo: a bibliografia consultada e citada por Ronaldo de Almeida vale ouro para quem quer aprofundar as leituras sobre o protestantismo, pentecostalismo e neopentecostalismo no Brasil. Pena que muitas obras sejam difíceis de achar mesmo em sebos.)

No capítulo “Expansão Pentecostal”, Ronaldo explica que o pentecostalismo no país teve início com a Assembleia de Deus e a Congregação Cristã do Brasil, em princípios do século 20. Os fundadores dessas duas denominações saíram, respectivamente, da Igreja Presbiteriana e da Igreja Batista, embora o autor esclareça que “foi no catolicismo popular que os pentecostais realizaram inicialmente com maior afinco seu proselitismo”. O “pai” da CCB foi o italiano Luigi Francescon, que já havia ajudado na criação, nos EUA, da Igreja Presbiteriana Italiana. Já a Assembleia tem sua gênese na Missão Pentecostal Sueca no estado do Pará, obra dos batistas Gunnar Vingren e Daniel Berg. A partir da década de 50 os pentecostais começaram se expandir, graças em grande parte à chegada do missionário estadunidense Harold Williams, que veio instalar sua Igreja do Evangelho Quadrangular.

Ronaldo de Almeida passa apenas muito rapidamente pelo começo do pentecostalismo no Brasil, mas seria interessante desfazer nesta resenha uma falsa associação por muitos feita: entre “(neo)pentecostalismo” e “fundamentalismo”. É verdade que nas últimas décadas as plataformas sociais (contra aborto, união de homossexuais etc.) de um pentecostal e de um batista são bastante semelhantes – e semelhantes mesmo a setores da igreja Católica, particularmente a Renovação Carismática, que Ronaldo vê como a pentecostalização do catolicismo. Mas a forte semelhança embaça uma diferença não desprezível do passado fundamentalista e pentecostal. Precisamos ir aos Estados Unidos do início do século passado, com um parágrafo do monumental livro de Karen Armstrong* sobre os começos do moderno radicalismo religioso no cristianismo, islamismo e judaísmo:

Ao mesmo tempo que os fundamentalistas desenvolviam sua fé moderna, os pentecostais criavam uma visão “pós-moderna” que representou uma rejeição de base à modernidade racional do Iluminismo. Onde os fundamentalistas retornavam ao que consideravam a base doutrinária do cristianismo, os pentecostais, que não tinham qualquer interesse no dogma, retornavam a um nível ainda mais fundamental: o centro de religiosidade pura que existe sob as formulações do credo de uma fé. Enquanto os fundamentalistas sustentavam sua fé na Palavra das escrituras, os pentecostais evitavam a linguagem escrita, que, como os místicos sempre haviam insistido, não poderia expressar adequadamente a Realidade que se situa além dos conceitos e da razão. (…) Os pentecostais falavam em “línguas”, convencidos de que o Espírito Santo descera sobre eles da mesma forma que havia descido sobre os apóstolos de Jesus durante a festa judaica de Pentecostes, quando a presença divina (…) dera aos apóstolos a habilidade de falar em línguas estranhas. [p. 179]

Isso é importante, inclusive, para situar a constatação de Ronaldo de Almeida sobre como a Igreja Universal – que em muitos sentidos está na ponta do processo analisado por Armstrong na passagem acima – esquece o estudo bíblico. Em “inúmeros sermões assistidos”, notou “a pouca preocupação com uma exegese mais profunda sobre o texto bíblico; o estudo da Bíblia parece não constituir um elemento tão central para a vida religiosa. O conhecimento dele por parte dos fiéis é muito limitado, e as pregações não contribuem para aprimorá-lo. (…) Por mais que os pastores afirmem a importância do texto sagrado, o fato é que, em todos os cultos presenciados, o tempo destinado ao sermão foi sempre muito curto.”

Segundo a crença sociológica das décadas 60 e 70, o pentecostalismo encontrou nos nordestinos em São Paulo, que haviam sofrido “desordenamento de valores”, um campo ideal para plantar sua palavra. Ronaldo de Almeida considera essa teoria, mas acredita que a explicação não pára aí. Baseado em teorias mais recentes, o autor vê como determinante para o grande impulso inicial do pentecostalismo a maneira como ele sobrepôs as esferas familiares e religiosas:

As redes evangélicas trabalham em favor da valorização da pessoa e das relações pessoais, gerando o aumento da autoestima e o impulso empreendedor, além de ajuda mútua como o estabelecimento de laços de confiança e fidelidade. (…) Não se trata de programas filantrópicos, como fazem católicos e kardecistas, mas de reciprocidade entre os próprios fiéis moradores da favela (entre os quais, os próprios pastores), simbolizada no princípio bíblico de ajudar primeiro os “irmãos de fé” (frequentadores do mesmo templo). [p. 45]

Assim, os evangélicos tendem a se fechar em si mesmos. Aqueles da favela de Paraisópolis, São Paulo, que o autor estudou, “pouco participam de outros níveis associativos, tais como partidos, sindicatos, união de moradores e lazer. Os cultos competem com outras atividades no uso do tempo livre, além de as próprias denominações suprirem seus fiéis com entretenimento como, por exemplo, a formação de grupos de música, teatro, esportes etc., sempre relacionados à religião.”

Esse fechamento em muitos momentos levou as igrejas evangélicas a uma postura de passividade política, de aceitação do status quo. Enquanto o incipiente pentecostalismo estadunidense contou com duas correntes bem distintas, ainda que em vários momentos unidas por causas “maiores” – os grupos majoritariamente negros, com ativismo político, e os de brancos, com foco na espiritualidade –, o pentecostalismo brasileiro é descendente direto desta corrente mais afastada da política – de onde saíram os suecos fundadores da Assembleia de Deus, por exemplo. “Maior expressão dessa postura política”, escreve Ronaldo, “foi a posição adotada pela quase totalidade dos pentecostais durante o regime militar pós-1964”:

Valendo-se do ensinamento paulino que exorta os fiéis a obedecer às autoridades constituídas, os pregadores pentecostais não fizeram nenhum tipo de oposição ao golpe, nem à ditadura militar. A omissão em relação ao regime, por vezes o apoio a este, caracterizou a posição política pentecostal. Como contrapartida, os pentecostais, e mesmo os protestantes históricos, acabaram recebendo o apoio explícito do regime militar. [p. 28]

Tal apolitismo não poderia estar ausente das pregações na Igreja Universal, hoje em dia. O desemprego e a miséria são sempre associados a trabalhos do demônio. Em Libertação da teologia, Edir Macedo (aliás, bastante querido por alguns setores da esquerda, por conta do enfrentamento com a Rede Globo) põe o desemprego expressamente na conta das entidades afro Traca-Rua e Sete-Encruzilhadas.

*

A esta altura, o leitor esperto já se empertigou na cadeira, franzindo os cenhos: Os evangélicos, apolíticos? E a bancada deles no Congresso? E as investidas nas telecomunicações? Não parecem ações de quem quer se manter fechado em seu círculo de fé.

A contradição é apenas aparente. Os evangélicos, com raras exceções (como a ex-governadora do Rio Benedita da Silva), não entram no jogo político para mudar as regras, mas para aprofundá-las – por meio de atitudes conservadoras nos campos social e moral – e lucrar em cima delas, expandindo seu rebanho – por meio das telecomunicações.

Nota-se com interesse que, enquanto em 1982 os evangélicos elegeram apenas 2 candidatos, em 1986 esse número subiu para 18. Junto a outros 16 deputados eleitos pelos protestantes históricos, o grupo formou uma bancada que conseguiu de José Sarney concessões de rádio e tevê para suas igrejas, em troca de apoio na votação que lhe garantiu um mandato de cinco anos.

Ronaldo lembra que em 1994, ao visitar um templo da Universal na cidade de São Paulo viu afixada na parede interna uma faixa com nome e número (sem indicação de partido) de um candidato a deputado estadual e uma a federal, adornada com a frase bíblica “Feliz a nação cujo Deus é o Senhor”. No mesmo ano, em Osasco, outro templo e outra faixa, com mais dois nomes e números de candidatos ao legislativo estadual e federal. “O que poderia parecer uma divisão interna nada mais era do que uma estratégia eleitoral para a eleição de um número maior de representantes. Segundo Freston*, a Igreja Universal distribui equitativamente entre seus candidatos os votos que cada templo é capaz de gerar.”

Em 2002, o bispo Marcelo Crivela, sobrinho de Edir Macedo, foi eleito com uma estrondosa votação e apoio da Universal. No mesmo ano, Anthony Garotinho concorreu à presidência; não teve êxito, mas em muitos momentos da corrida eleitoral ameaçou assumir a liderança das intenções de voto. Baseou seu discurso no populismo religioso, pregando contra o aborto, a descriminação das drogas e a união entre homossexuais. Ainda que nas eleições de 2006 os evangélicos tenham perdido cadeiras no Parlamento, ainda formam um grupo bastante significativo e renhido. Atualmente, uma de suas bandeiras é uma anti-bandeira: a oposição ao Projeto de Lei Complementar 122/06, que criminaliza a homofobia.

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* ARMSTRONG, Karen. The battle for God. New York: Alfred A. Knopf, 2000.
** FRESTON, Paul. Protestantes e política no Brasil: da Constituinte ao impeachment. Campinas: IFCH, Unicamp, 1993.

(Fonte: Amalgáma)

Via: RELIGIÃO MUNDO


 
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Publicado por em 17/10/2009 em POIMENIA

 

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