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Papa: “Prefiro o pecador ao corrupto”

Bergoglio afirma que é um “pecado gravíssimo” usar Deus para acobertar a injustiça

O Papa, em reunião ‘ad limina’, com bispos ucranianos. / EFE

O Papa Francisco disse que, quem vai à missa todos os domingos, comunga, dá esmolas e inclusive envia um cheque para ajudar a Igreja, mas depois paga mal seus empregados ou o faz informalmente, sem depositar a contribuição para que tenham acesso à saúde e à aposentadoria, está usando “Deus para acobertar a injustiça: e isso é um pecado gravíssimo”. Durante sua homilia matutina na residência de Santa Marta, Jorge Mario Bergoglio alertou os presentes que a Quaresma — o tempo litúrgico no qual os cristãos se preparam para a Páscoa — não consiste em “não comer carne às sextas-feiras, fazer qualquer coisinha, e depois fomentar o egoísmo, a exploração do próximo, ignorar os pobres; não é bom cristão aquele que não faz justiça com as pessoas que dependem dele”.

Não é a primeira vez que Bergoglio avisa que tem marcados os fariseus do século XXI. No começo de novembro de 2013, Francisco utilizou duas intervenções sucessivas — uma na missa de Santa Marta e outra na praça de São Pedro — para destacar os corruptos que pretendem lavar sua alma dando dinheiro à Igreja. “Talvez comecem com um pequeno envelope, mas isso são como as drogas: o hábito do suborno se transforma em um vício”, disse durante a homilia. “Dão de comer aos seus filhos pão sujo! E seus filhos, talvez educados em colégios caros e ambientes cultos, terão recebido do pai a sujeira como comida, porque seu pai, levando o pão sujo para casa, terá perdido a dignidade! E isso é um pecado grave! Porque talvez comece com uma pequena mordida, mas é como a droga!”.

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Publicado por em 26/02/2015 em POIMENIA

 

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De luto pela extinção do processo envolvendo Edmundo

Ilustração: Torrada

O blog está de luto pela morte do processo em que Edmundo era acusado de homicídio culposo. Envolveu-se em  acidente com três mortos, em 1995.

Não se trata de querer ver o ex-jogador atrás das grades, onde ficou por pouco tempo. O que causa indignação é observar mais um crime prescrever e matar a punibilidade. Usando a linguagem das esquinas, é só outro caso empurrado com a barriga, legalmente, até livrar o pescoço de quem quer que seja.

Roberto Dinamite pode muito bem simbolizar o desrespeito com o sentimento dos parentes das vítimas fatais, impotentes para fazer alguém pagar pelo crime. O presidente do Vasco não esperou nem o caso esfriar para falar em homenagear o Animal. Não custaria deixar a poeira baixar.

Fonte: BLOG DO PERRONE

 
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Publicado por em 16/09/2011 em POIMENIA

 

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Mulher vai presa por R$ 120, mas políticos são absolvidos por muito mais

Antônio More/Gazeta do Povo

Antônio More/Gazeta do Povo / Requião: contas aprovadas pelo TC.Requião: contas aprovadas pelo TC.

Uma empregada doméstica gaúcha que passou a mão em R$ 120 do patrão levou um recurso ao STJ para tentar escapar da cadeia. Não funcionou. Os ministros do tribunal afirmaram que o comportamento dela apresentava “periculosidade social”. E o valor, afirmou o relator do caso, ministro Og Fernandes, à época era quase um terço do salário mínimo, de R$ 380. Diz o texto produzido pelo STJ que ela até pode ter a pena diminuída de “um a dois terços”. E só.

O leitor pode achar a decisão intolerante. Afinal, a Justiça brasileira prevê o uso do “princípio da insignificância” para furtos muito pequenos. Pode-se também achar que roubo, mesmo de R$ 120, merece mesmo cadeia. O que é difícil de entender é como alguns são punidos com toda a dureza da lei enquanto outros, acusados de dar fim errado a somas muito maiores de dinheiro, recebem toda a tolerância possível.

Na semana passada, por exemplo, o Tribunal Regional Eleitoral estendeu a insignificância a parâmetros nunca dantes imaginados. O valor em questão estava ligeiramente acima de R$ 120. O julgamento envolvia R$ 74 mil das contas de campanha de Valdir Rossoni, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná. O Ministério Público mostrou que ele não prestou contas adequadamente do dinheiro. Ou seja: qualquer coisa poderia ter ocorrido com aqueles R$ 74 mil.

No entanto, apesar das provas, o tribunal decidiu não usar com Rossoni o rigor da lei. Quatro dos seis magistrados acharam que o valor era insignificante perto dos R$ 580 mil que Rossoni havia coletado durante a campanha. Eram só 6% do total, disseram os juízes. Mas fica a pergunta: a insignificância é uma questão de porcentagem? Se Rossoni tivesse movimentado R$ 10 milhões na campanha, quanto poderia passar sem ser fiscalizado?

Ontem, novamente, as autoridades paranaenses mostraram sua face mais complacente. Dessa vez os julgados eram os ex-governadores Orlando Pessuti e Roberto Requião. O Ministério Público pedia a reprovação das contas do governo de ambos. Apontou uma série de problemas, conforme revelou ontem a reportagem de Heliberton Cesca nesta Gazeta. Mas alguém aí acha que o Tribunal de Contas condenou os dois? Curiosamente, pelos mesmos quatro votos contra dois, as contas de ambos foram aprovadas “com ressalvas”.

O conselheiro Artagão de Mattos Leão, que patrocinou a tolerância ao assinar o relatório, afirmou com todas as letras que “por baixo da nossa toga precisa haver um coração”. Claro que a lei precisa ser interpretada. E que ninguém espera que juízes sejam carrascos impiedosos condenando todos o tempo todo. O que se espera, apenas, é que todos sejam julgados pela mesma régua.

Um dos princípios básicos da Constituição brasileira (e de toda democracia que se preze) é que todos somos iguais perante a lei. Sem isso, caímos no antigo regime, em que uns tinham direito divino a certos privilégios, enquanto outros estavam condenados a nunca ter certos direitos. As autoridades precisam decidir se, afinal de contas, a “insignificância” do valor desviado serve só para quem tem amigos no Judiciário.

Do jeito que as coisas andam, a impressão que se tem é que às vezes o que se julga não é a insignificância do crime. E, sim, do acusado.  

Fonte: GAZETA DO POVO

 
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Publicado por em 31/08/2011 em POIMENIA

 

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