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Ser ignorado dói, mesmo por um estranho

Redação do Diário da Saúde


Ser ignorado dói, mesmo por um estranho
O cumprimento “Eu vejo você” parece ser muito forte também entre humanos.[Imagem: Cortesia de 20th Century Fox]

Inclusão pelo olhar

Sentir-se como parte do grupo é algo crucial para a experiência humana.

Todas as pessoas sentem-se estressadas quando são deixadas de lado.

Por outro lado, essa “inclusão social” parece ser algo extremamente sutil.

Pesquisadores descobriram que a sensação de inclusão pode vir de algo tão simples quanto um olhar, mesmo vindo de um estranho.

Poder do olhar

Os psicólogos documentaram há tempos que as pessoas que se sentem conectadas a outras sentem-se mais felizes.

O que o Dr. Eric Wesselmann, da Universidade Purdue (EUA) queria saber era o que é minimamente necessário para que uma pessoa sinta-se conectado a um grupo.

Os experimentos mostraram que não é necessário nem mesmo sorrir para que o outro sinta-se incluído no grupo: basta um olhar.

O oposto também é verdadeiro: para fazer uma pessoa sentir-se ignorada, basta “passar os olhos” em sua direção como se ela não estivesse lá.

Conexão humana

O que mais impressionou nos experimentos é que as pessoas relataram estar se sentindo deixadas de lado mesmo por grupos com os quais elas não queriam nenhum contato – na simulação, a Ku Klux Klan.

“Essas pessoas que você não conhece, mas que passam por você e olham como se você fosse puro ar, têm pelo menos um efeito momentâneo,” diz o pesquisador.

“O que nós achamos mais interessante sobre isso é que agora podemos realmente falar do ‘poder da conexão humana’. Ele parece ser um fenômeno muito forte,” conclui Wesselmann.

Fonte: Diário da Saúde

 

 
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Publicado por em 22/03/2012 em POIMENIA

 

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Eles não são diferentes. Nós é que somos demasiadamente iguais.

Domingos Rodrigues Alves

diferencas

Perfeição: um conceito grego dos mais cruéis, gerador deste mundo ocidental, onde todos buscamos ser titãs. Com todo o respeito que tenho à filosofia e estética grega, preciso dizer que perfeição é uma fantasia neurótica. Ansiamos por um mundo perfeito e deixamos de celebrar a imperfeição – única tábua de salvação capaz de levar à completude. Eis o paradoxo. A imperfeição nos torna completos, adrenalizados e desafiados pelo diferente, pelo desalinho, pela desorganização e pelo improviso. Os “gregamente” perfeitos, coitados! São condenados à solidão, porque pretendem de nada ou de ninguém necessitar.

Há rara beleza na imperfeição.

Vinha eu na calçada. Um rapaz de andar trôpego olhou para mim e acertou seu passo em minha direção. Como qualquer habitante das cidades brasileiras, acostumados ao assédio de pedintes e, muito frequentemente, de golpistas, preparei-me emocionalmente para o encontro.  Ele, educadamente, cumprimentou-me e disse com muita dificuldade:

– Não vou lhe pedir nada. Eu trabalho! Fabrico estas camisas. Por favor, dê uma olhada. Se gostar de alguma, custa…

Em uma fração de segundos, aquilo que era desconfiança converteu-se em profunda admiração, numa dessas viradas que somente a imperfeição da vida pode nos dar.

Fascinou-me a ideia de um rapazinho, com as limitações da paralisia cerebral, não se esconder em seus problemas; antes, enfrentar a vida de peito aberto.

Senti-me humilhado; constrangido por ser eu mesmo. Mas com muito prazer comprei a tal camiseta.

Algum tempo depois, conheci outro paralisado cerebral e fiquei mais uma vez surpreso. Pela primeira vez, tive a oportunidade não apenas de conhecer a atitude, mas a alma de uma pessoa com paralisia cerebral.  Kylber Alves é uma pessoa encantadora que testemunhou o que significa viver com a paralisia cerebral, com o olhar de quem tem experiência no mundo dos “perfeitos”. É um texto rico, que transcrevo abaixo:

“A diferença dentro da diferença

Assim é como defino a paralisia cerebral, pela qual fui afetado no parto por falta de médicos. A realidade é que este fato tem me obrigado a viver fora de uma normatização da sociedade, ou pelo menos a me adaptar para melhor buscar meus objetivos, mais precisamente a minha felicidade. Na sociedade em que vivemos o que vale é a perfeição. Incorporamos a cultura do belo, fruto de uma herança que acompanha a própria evolução da humanidade. Posso citar o grande filósofo Platão, para o qual as pessoas portadoras de deficiência, as PPDs não possuíam alma. O PC (PARALISADO CEREBRAL) é um caso interessante e instigante, pois consegue ver o mundo como ele é, mas o mundo não consegue vê-lo em sua essência; o PC é como um caso de diferença dentro da diferença, talvez o mais estigmatizado entre os PPDs. Muitas vezes somos confundidos, pela dificuldade motora e problema de dicção, com um deficiente mental ou um bêbado. Isso acarreta inúmeras consequências para a vida pessoal de um PC; a sexualidade e a afetividade ficam comprometidas não por falta de capacidade, mas por falta de sensibilidade e compreensão do companheiro ou companheira. As dificuldades são ainda maiores quando se trata do campo profissional, pois o PC se tornou quase não empregável, salvo raras e louváveis exceções.

Mudar uma mentalidade de séculos é, na verdade, uma tarefa bastante difícil e complexa, mas não esqueçamos que grandes saltos da humanidade partiram das situações de diferenças e da busca de suas superações, hoje, nosso grande desafio.”

Com todas as suas limitações físicas e, contra todas as limitações impostas pela arquitetura, pelos meios de transporte, imposições sociais do mundo dos perfeitos, ele graduou-se em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará. Gente assim é uma denúncia viva e lúcida no mundo dos “perfeitos”, a dizer que imperfeitos somos nós, os que temos paralisia de alma.

Fonte: DOMINGOS ALVES

 
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Publicado por em 31/08/2009 em POIMENIA

 

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