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Vendendo a alma: cérebro processa valores sagrados por outras vias

Baseado em texto de Carol Clark


Vendendo a alma: cérebro processa valores sagrados por outras vias
Os valores sagrados ativam uma área do cérebro que não está relacionada com os processos de pensamento que envolvem ganhos e benefícios.[Imagem: Emory University]

Reino do sagrado

Os valores pessoais que as pessoas se recusam a renegar, mesmo quando lhes é oferecido dinheiro para fazê-lo, são processados de forma diferente no cérebro em relação aos “valores mais frágeis”, que podem ser de bom grado vendidos pela quantia adequada.

Um estudo baseado em neuro-imagens mostra que a tomada de decisões sobre esses “valores sagrados” utiliza um processo cognitivo distinto.

“Nosso experimento revelou que o reino do sagrado – quer se trate de uma forte crença religiosa, uma identidade nacional ou um código de ética – é um processo cognitivo distinto,” diz Gregory Berns, da Universidade Emory (EUA) e principal autor do estudo.

Valores sagrados

Valores sagrados ativam mais fortemente uma área do cérebro associada com processos de pensamento baseados em regras e em questões do tipo certo ou errado.

Já os “valores não tão sagrados” ativam regiões relacionadas com o processamento de questões que envolvem custosversus benefícios.

“Nós desenvolvemos um método para começar a responder questões científicas sobre como as pessoas tomam decisões que envolvem valores sagrados, o que tem implicações importantes se você quiser entender melhor o que influencia o comportamento humano nos diferentes países e culturas,” diz Berns.

“Estamos vendo como valores culturais fundamentais são representados no cérebro,” completa ele.

Vendendo a alma

Na primeira fase, os participantes viam afirmações desde um mundano “Você é um bebedor de chá”, até questões polêmicas, como “Você apoia o casamento gay” e “Você é contra o aborto”.

Cada uma das 62 afirmações tinha um par contraditório, como “Você é a favor do aborto”.

Os participantes tiveram que escolher uma afirmação de cada par.

No final do experimento, os participantes tinham a opção de leiloar suas declarações pessoais: a negação das suas escolhas anteriores em troca de dinheiro real.

Os participantes podiam ganhar até US$100 por declaração simplesmente concordando em assinar um documento afirmando o oposto do que eles acreditavam.

Eles podiam optar por sair do leilão em declarações que valorizavam muito.

“Nós usamos o leilão como uma medida de integridade para cada declaração,” explica Berns.

Oferta de incentivos

As imagens cerebrais mostraram uma forte correlação entre os valores sagrados e a ativação dos sistemas neurais associados com a avaliação de certo e errado (a junção temporoparietal esquerda) e com a recuperação de regras semânticas (o córtex pré-frontal ventrolateral esquerdo), mas não com sistemas associados com a recompensa.

“A maioria das políticas públicas é baseada no oferecimento de incentivos e desincentivos às pessoas,” diz Berns. “Nossas descobertas indicam que não é razoável pensar que uma política baseada em custos e benefícios vá influenciar o comportamento das pessoas quando se trata de seus valores pessoais sagrados, pois eles são processados em um sistema cerebral totalmente diferente do que aqueles que envolvem incentivos.”

Neurociência cultural

“Conforme a cultura muda, ela afeta nossos cérebros, e conforme nosso cérebro muda, isto afeta a nossa cultura. Você não pode separar os dois,” diz Berns. “Nós agora temos os meios para começar a entender essa relação, o que está ajudando a estabelecer o campo relativamente novo da neurociência cultural.”

Os resultados foram publicados na revista científica Philosophical Transactions, da Real Sociedade Britânica.

Fonte: Diário da Saúde

 

 
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Publicado por em 24/03/2012 em POIMENIA

 

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Somos Brasileiros ou Brasilianos?

por Stephen Kanitz

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Por 500 anos mentiram para nós.

Esconderam um dado muito importante sobre o Brasil.

Disseram-nos que éramos brasileiros.

Que éramos cidadãos brasileiros, que deveríamos ajudar os outros, pagando impostos sem reclamar nem esperar muito em troca.

Esconderam todo esse tempo o fato de que o termo brasileiro não é sinônimo de cidadania, e sim o nome de uma profissão.

Brasileiro rima com padeiro, pedreiro, ferreiro.

Brasileiro era a profissão daqueles portugueses que viajavam para o Brasil, ficavam alguns meses e voltavam com ouro, prata e pau-brasil, tiravam tudo o que podiam, sem nada deixar em troca.

Brasileiros não vêem o Brasil como uma nação, mas uma terra a ser explorada, o mais rápido possível. Investir no país é considerado uma burrice.

Constituir uma família e mantê-la saudável, um atraso de vida.

São esses brasileiros que viraram os bandidos e salafrários de hoje, que sonham com uma boquinha pública ou privada, que só querem tirar vantagem em tudo.

Só que você, caro leitor, é um brasiliano.

Brasiliano rima com italiano, indiano, australiano.

Brasiliano não é profissão, mas uma declaração de cidadania.

Rima com americano, puritano, aqueles abnegados que cruzaram o Atlântico para criar um mundo melhor, uma família, uma nova nação.

Que vieram plantar e tentar colher os frutos de seu trabalho, sempre dando algo em troca pelo que receberam dos outros.

Gente que veio para ficar, criar uma comunidade, um lar.

Que investiu em escolas e educação para os filhos e produziu para consumo interno.

Foram os brasilianos que fizeram esta nação, em que se incluem índios, negros e milhões de imigrantes italianos, espanhóis, japoneses, portugueses, poloneses e alemães que criaram raízes neste país.

Brasilianos
 investem na Bolsa de Valores de São Paulo.

Brasileiros investem em offshores nas Ilhas Cayman ou vivem seis meses por ano na Inglaterra para não pagar impostos no Brasil.

Brasileiros adoram o livro O Ócio Criativo, de Domenico de Masi, enquanto os brasilianos não encontram livro algum com o título O Trabalho Produtivo, algo preocupante.

Como dizia o ministro Delfim Netto, o sonho de todo brasileiro é mamar nas tetas de alguém.

Quem está destruindo lentamente este país são os brasileiros, algo que você, leitor, havia muito tempo já desconfiava.

Infelizmente, o IBGE não pesquisa a atual proporção entre brasileiros e brasilianos neste país.

São as duas classes verdadeiramente importantes para entender o Brasil.

Mais importante seria saber qual delas está aumentando e qual está diminuindo rapidamente, uma informação anual e estratégica para prevermos o futuro crescimento do país.

Não vou fazer estimativa, deixarei o leitor fazê-la com base nas próprias observações, para sabermos se haverá crescimento ou somente a continuação do “conflito distributivo” deste país.

O eterno conflito entre aqueles que se preocupam com a geração de empregos e aqueles que só pensam na distribuição da renda.

Os brasilianos desta terra não têm uma Constituição, que ainda é negada a uma parte importante da população.

Uma Constituição feita pelos verdadeiros cidadãos, que estimule o trabalho, o investimento, a família, a responsabilidade social, a geração de renda, e não somente sua distribuição.

Uma Constituição de obrigações, como a de construir um futuro, e não somente de direitos, de quem quer apenas garantir o seu.

Precisamos escrever e reescrever nossos livros de história.

Em vez de retratarmos o que os brasileiros(não) fizeram, precisamos retratar os belos exemplos e contribuições do povo brasiliano para esta terra.

Um livro sobre a História Brasiliana, da qual teríamos muito que nos orgulhar. Vamos começar 2008 tentando ser mais brasilianos e menos brasileiros.

São 500 anos de cultura brasileira que precisamos mudar, a começar pela nossa própria identidade, pelo nosso próprio nome, pela nossa própria definição.

Stephen Kanitz é administrador (www.kanitz.com.br)

Revista Veja, Editora Abril, edição 2040, ano 40, nº 51, 26 de dezembro de 2007, página 22

 
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Publicado por em 19/09/2011 em POIMENIA

 

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