RSS

Arquivo da tag:

Libertas quae sera tamem – Liberdade ainda que tardia

Não transfiro, nem projeto em ninguém e em nada os meus movimentos passados. Arco com as consequências de minha ingenuidade, de minha imaturidade, de minha simplicidade juvenil. Assumo: confundi fé com credulidade. Dediquei-me cegamente a processos de manipulação. Repeti frases de efeito sem a devida crítica. Embarquei em empreendedorismos ideologicamente contaminados. Não culpo ninguém e não cobro. Não guardo ressentimentos. Eu vivi intensamente cada momento e, repito, assumo a minha história.

Eu acreditei nos projetos missionários, que hoje vejo como meras panacéias para levantar dinheiro nos Estados Unidos. Vários esforços de ganhar almas visavam tão somente fortalecer com testemunhos e fotografias, estrategicamente bem batidas, a sede expansionista das denominações.

Eu acreditei que os enclaves missionários eram necessários. Não percebia o enorme preconceito que eles tinham conosco, com a nossa cultura, com a nossa espiritualidade. Enfronhei-me em “cruzadas” evangelísticas e nunca critiquei a instrumentalização dos pobres para que riquíssimas instituições se tornassem ainda mais poderosas. Participei de reuniões com Morris Cerullo, Jimmy Swaggart achando realmente que eram homens de Deus sem ver que eram soberbos e vaidosos.

Ceguei os meus olhos para a politicagem mais infame que percebia na denominação que nossa igreja fez parte. Nunca distingui o Movimento Evangélico do compromisso evangélico com a mensagem de Jesus. Trabalhei à exaustão para que a doutrina do Movimento fosse compreendida pelo maior número de pessoas, acreditando que assim povoaria o céu e saquearia o inferno.

Meus amigos se reduziram aos que comungavam com os meus conceitos. Em nome dessas amizades relevei escândalos éticos. Engoli seco conversas cretinas e conspirações para conquistar mais poder – hoje vejo que fui mais cretino que muitos.

De repente muitas coisas foram pesando em minha alma. Alquebrado e triste com o meu passado, procuro mudar de pele. Preciso da misericórdia divina para lavar as nódoas que mancham o meu caráter. Luto para ser irmão de homens e mulheres de boa-vontade. Tenho que me despedir de mim mesmo, dos ambientes que ajudei a criar e de ex-amigos, que só agora reconheço como meros aliados.

O passado irredutível pode ser reconstruído com decisões que eu tomar no presente. Meu presente não precisa ser mera consequência do que vivi; sequer o futuro, um desdobramento inexorável do presente.

Soli Deo Gloria.

Ricardo Gondim
foto: Alex Fajardo

Fonte: PAVABLOG

 
Comentários desativados em Libertas quae sera tamem – Liberdade ainda que tardia

Publicado por em 07/09/2009 em POIMENIA

 

Tags: , , , , ,

Oração da noite – João Alexandre

 
Comentários desativados em Oração da noite – João Alexandre

Publicado por em 06/09/2009 em POIMENIA

 

Tags: , , , ,

Tudo o que tens

Ananias acordou revigorado em um domingo preguiçoso, o que não era difícil, dada sua cama ampla e confortável, suficiente para quatro seres humanos. Tomou um café respeitável, digno de três seres humanos, e se sentou à frente de seu computador, com capacidade de processamento suficiente para vinte e dois seres humanos normais.

Tinha trocado todas as assinaturas de jornais por seu leitor de feeds. As enormes edições de domingo não enchiam mais sua caixa de correio, e ele não tinha que buscá-las em manhãs frias antes que algum sem escrúpulos as tomasse para si. A principal razão que apontava em conversas informais e em seu blog, contudo, é que estava contribuindo para a permanência das florestas, já que estava fazendo sua parte na redução do uso do papel.

Fez campanha contra o corte das árvores do canteiro central de uma avenida de seu bairro. A campanha até fez sentido, já que aquelas são as únicas árvores que ele conhece. E, considerando que são árvores próximas e em sequência, lar de pequenos animais e outras plantas, formando um reduzido mas completo ecossistema, são a única floresta real com a qual Ananias já teve contato.

De volta aos feeds, antes que os feitos desse homem tomem toda a história. Ananias já tinha lido sites de notícias relevantes e de piadas sem sentido. Informado e divertido, partiu para as leituras profundas, como chamava. Passou os olhos sobre algumas críticas a modelos e sistemas vigentes, colhendo argumentos para suas próximas postagens no blog e no Twitter. Viu uma indicação de um vídeo que parecia interessante e clicou no play para ver se realmente o era.

Assistiu emocionado a cada segundo, e foi às lágrimas na parte final. Pelo início já se sabia o final, mas mesmo assim chorou. Ver crianças tendo como sustento principal aquilo que gente despreocupada descartou foi impactante para ele. Copiou o endereço do vídeo e indicou várias vezes no Twitter, acompanhado de comentários como “lembre-se disso ao reclamar do pão de ontem no fast food” ou “o que os cristãos estão fazendo diante dessa realidade diária?” e ainda “Deus dá dinheiro aos seus servos mas esquece dessas pessoas?”.

Reclinou-se em sua confortável cadeira de trabalho e começou a pensar na postagem do blog sobre o assunto. Foi quando ouviu, ou pensou ter ouvido, como um ruído quase imperceptível, mais baixo que o som que o condicionador de ar fazia, dizendo algo que já conhecia, mas raramente lembrava: “vende tudo que tens e dá aos pobres”.

Após se recuperar dos arrepios e sensações fantasmagóricas que sentia, arrumou-se na cadeira e pensou. “Uma traquinagem da minha mente”, considerou. Deu um leve sorriso, como costumam fazer aqueles que subestimam e zombam do poder do próprio terror de momentos antes. Começou a ponderar a frase que imaginou sussurrada em seu ouvido.

“É impossível vender tudo. É necessário o básico pra viver. E se eu não tivesse nada, como ajudaria as pessoas?”. Racionalizada esta parte, abriu um conhecido site de ação social e fez uma contribuição com o cartão de crédito através do PayPal. “E como eu saberia de toda a situação dessas pessoas se eu vendesse o computador? Eu não teria visto os vídeos que vi, não seria informado como sou do mundo à minha volta. É uma ferramenta para o bem. É verdade, a coisa não é tão absoluta assim. Temos que vender aquilo que vai realmente ajudar os outros, e não me atrapalhar a ajudar os outros”.

Satisfeito com essa racionalização final, pôs na agenda vender o velho videocassete a uma loja de eletrônicos usados, alguns livros técnicos antigos ao sebo e em um ferro velho as rodas recém trocadas por outras aro 19. “O dinheiro deve ser usado em assistência aos desfavorecidos”, sublinhou enfaticamente em suas anotações. Tirada a caneta do papel, novamente sentiu a sensação de momentos antes. “Como é difícil um rico entrar no Reino dos Céus”, ouviu, ou pensou ter ouvido.

Mais uma vez, pôs-se a racionalizar. “Não sou rico. Pago um terço da minha renda em impostos e ainda plano de saúde. Falta dois anos ainda para quitar o débito do meu carro, e comprei esse computador em doze vezes no cartão. Não, não sou rico!”. Mais uma vez, a cogitação o deixou satisfeito. “Não há absolutos, amigos. Pensem antes e verá que as coisas são mais relativas do que imaginam”, escreveu em seu Twitter pouco antes de ligar seu home theater para assistir algo. Chovia, e o sinal de satélite estava ruim. “Nada funciona. Porcaria”, reclamou antes de colocar um DVD para assistir um filme. Dormiu o resto da tarde, enquanto suas mensagens causavam discussões no Twitter, e seus colegas louvavam no íntimo o seu engajamento.

Fonte: BICHO DE RONDONIA

 
Comentários desativados em Tudo o que tens

Publicado por em 06/09/2009 em POIMENIA

 

Tags: , , ,

O Paradoxo da Grandeza

Fernando Pessoa no seu inesquecível “Poema em Linha Reta” confessa estar cansado de semideuses, porque não encontrou alguém grande o suficiente para, com dignidade, assumir-se humano e por isso mesmo sempre contraditório, muitas vezes fraco e outras tantas, vil. O caso é que todos gastamos a vida buscando grandeza. Jamais admitimos que somos um paradoxo, mortais e imortais ao mesmo tempo, santos e ao mesmo tempo pecadores. Luzes que muitas vezes enchemos a sala com nossas sombras. Tão magníficos e tão pequenos.

Paradoxalmente, o único ser realmente grande fez-se humilde e viveu por trinta e três anos em um dos lugares mais pobres de sua região. Mesmo sendo o Criador, uma vez humanizado, aprendeu o ofício de carpinteiro para se sustentar. Mesmo sendo adorado por anjos, recebeu humilde o escárniodos homens e jamais se defendeu – ainda que tivesse todo o potencial destrutivo em suas mãos.

Ele é onipotente, mas não tem a empáfia do poder, que leva à prepotência.

Sua onipotência – o poder máximo que se pode imaginar – levou-O a ter misericórdia dos impotentes. Sua perfeição tão somente O aproximou dos imperfeitos. Sua santidade O apaixonou pelos pecadores. Sua grandeza encheu seu coração de compaixão pelos pequeninos. Sua justiça O encheu de misericórdia pelos injustiçados. Eis a verdadeira grandeza. Aliás, o poder ganha um sentido maior e mais bonito quando, capazes de destruir, dominar, aniquilar, escolhemos restaurar, construir, abrir mão, simplesmente, por amor.

Esse é Deus e assim deveríamos ser, uma vez que somos sua imagem. Todavia, nossa busca pessoal pela grandeza afasta-nos definitivamente dela.

Faço coro com o questionamento do Poeta em sua “Teologia em linha reta”

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana

Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;

Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!

Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.

Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!

Onde é que há gente no mundo?

O grande torna-se ainda maior quando se apequena por amor aos humildes. O pequeno, torna-se insignificante quando arroga-se da grandeza que não tem.

Domingos Rodrigues Alves

Fonte: DOMINGOS ALVES

 
Comentários desativados em O Paradoxo da Grandeza

Publicado por em 02/09/2009 em POIMENIA

 

Tags: , , , , , , , ,

Era uma Igreja muito engraçada …

Fonte da imagem: Blog Bonito Isso
…não tinha teto, não tinha nada.
Essa noite, eu tive um sonho de sonhador, sonhei com uma igreja esquisita. Ela não tinha muros, piso, púlpito, bancos ou aparelhagem de som. A igreja era só as pessoas. E as pessoas não tinham títulos ou cargos, ninguém era chamado de líder, pois a igreja tinha só um líder, o Messias. Ninguém era chamado de mestre, pois todos eram membros da mesma família e tinham só um Mestre. Tampouco alguém era chamado de pastor, apóstolo, bispo, diácono ou Irmão. Todos eram conhecidos pelos nomes, Maria, Pedro, Afonso, Julia, Ricardo…
Todos os que criam pensavam e sentiam do mesmo modo. Não que não houvesse ênfases diferentes, pois Paulo dizia: “Vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem das obras, para que ninguém se glorie”, enquanto Tiago dizia: “A pessoa é aceita por Deus por meio das suas obras e não somente pela fé”. Mas, mesmo assim, havia amor, entendimento e compreensão entre as pessoas e suas muitas ênfases.

Não havia teólogos nem cursos bíblicos, nem era necessário que ninguém ensinasse, pois o Espírito ensinava a todos e cada um compartilhava o que aprendia com o restante. E foi dessa forma que o Agenor, advogado, aprendeu mais sobre amor e perdão com Dinorá, faxineira.

Não havia gente rica em meio a igreja, pois ninguém possuía nada. Todos repartiam uns com os outros as coisas que estavam em seu poder de acordo com os recursos e necessidades de cada um. Assim, César que era empresário, não gastava consigo e com sua família mais do que Coutinho, ajudante de pedreiro. Assim todos viviam, trabalhavam e cresciam, estando constantemente ligados pelo vínculo do amor, que era o maior valor que tinham entre eles.
Quando eu perguntei sobre o horário de culto, Marcelo não soube me responder e disse que o culto não começava nem acabava. Deus era constantemente cultuado nas vidas de cada membro da igreja. Mas ele me disse que a igreja normalmente se reunia esporadicamente, pelo menos uma vez por semana em que a maioria podia estar presente. Normalmente era um churrasco feito no sítio do Horácio e da Paula, mas no sábado em que eu participei, foi uma macarronada com frango na casa da Filomena. As pessoas iam chegando e todos comiam e bebiam o suficiente.
Depois de todos satisfeitos, Paulo, bem desafinado, começou a cantar uma canção. Era um samba que falava de sua alegria de estar vivo e de sua gratidão a Deus. Maurício acompanhou no cavaquinho e todos cantaram juntos. Afonso quis orar agradecendo a Deus e orou. Patrícia e Bela compartilharam suas interpretações sobre um trecho do evangelho que estavam lendo juntas. Depois foi a vez de Sueli puxar uma canção. Era um bolero triste, falando das saudades que sentia do marido que havia falecido há pouco tempo. Todos cantaram e choraram com ela. Dessa vez foi Tiago que orou. Outras canções, orações, hinos e palavras foram ditas e todas para edificação da igreja.
Quando o sol estava se pondo, Filomena trouxe um enorme pão italiano e um tonelzinho com um vinho que a família dela produzia. O ápice da reunião havia chegado, pela primeira vez o silêncio tomou conta do lugar. Todos partiram o pão, encheram os copos de vinho e os olhos de lágrimas. Alguns abraçados, outros encurvados, todos beberam e comeram em memória de Cristo.

Acordei com um padre da Inquisição batendo à minha porta. Junto dele estavam pastores, bispos, policiais, presidentes, ditadores, homens ricos e um mandado de busca. Disseram que houvera uma denúncia e que havia indícios de que eu era parte de um complô anarquista para acabar com a religião. Acusaram-me de freqüentar uma igreja sem líderes, doutrina ou hierarquia; me ameaçaram e falaram: “Ninguém vai nos derrubar!”. Expliquei: “Vocês estão enganados, não fui a lugar nenhum, não encontrei ninguém ou participei de nada… aquela é apenas a igreja dos meus sonhos”.

por: Tonho [foi coordenador do UG -Min. Jovem do Portas Abertas]

Fonte Underground, Via PAVABLOG

 
Comentários desativados em Era uma Igreja muito engraçada …

Publicado por em 02/09/2009 em POIMENIA

 

Tags: , , , , , , ,

Jesus apagou.

jesus apagaou meus pecados não minha inteligência

Fonte: Sobre fé e mais um pouco

 
Comentários desativados em Jesus apagou.

Publicado por em 02/09/2009 em POIMENIA

 

Tags: , , , , , , ,

Benção Franciscana

Que Deus te abençoe com um desconforto inquietante sobre as respostas fáceis, as meias verdades e as relações superficiais, para que possas buscar a verdade corajosa e viver profundamente em teu coração.

Que Deus te abençoe com sagrada raiva à injustiça, à opressão e à exploração de pessoas para que possas trabalhar incansavelmente pela justiça, liberdade e paz entre todas as pessoas.

Que Deus te abençoe com o Dom de lágrimas para derramá-las com aqueles que sofrem de dor, rejeição, fome ou a perda de tudo aquilo que eles amam, para que possas estender a mão para lhes dar conforto e transformar a sua dor em alegria.

Que Deus te abençoe com a tolice suficiente para que creias que realmente podes fazer diferença neste mundo, para que possas com a graça de Deus, fazer aquilo que os demais insistem ser impossível.

E que a benção de Deus, Suprema Majestade e nosso Criador, Jesus Cristo a Palavra encarnada que é o nosso irmão e Redentor, e o Espírito Santo, o nosso Advogado e Guia, seja contigo e permaneça contigo e com todos, hoje e para sempre. Amém.

Fonte: RENAS

 
Comentários desativados em Benção Franciscana

Publicado por em 31/08/2009 em POIMENIA

 

Tags: ,