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Terra pode ter oceanos em seu interior

Terra pode ter oceanos em seu interior

BBC Brasil – 21/08/2009

Terra pode ter oceanos em seu interior

Demonstração esquemática das zonas de subducção, que poderiam ser as responsáveis pelo acúmulo de água no interior da Terra.[Imagem: Humboldt Fundation]
Um estudo que mediu a eletrocondutividade no interior do planeta indica que talvez haja imensos oceanos sob a superfície da Terra, muito abaixo do leito dos oceanos superficiais.

Um estudo que mediu a eletrocondutividade no interior do planeta indica que talvez haja imensos oceanos sob a superfície da Terra, muito abaixo do leito dos oceanos superficiais.

Água nas profundezas

A água é um condutor extremamente eficiente de eletricidade. Por isso, cientistas da Universidade do Estado do Oregon, nos Estados Unidos, acreditam que altos níveis de condutividade elétrica em partes do manto terrestre – região espessa situada entre a crosta terrestre e o núcleo – poderiam ser um indício da presença de água.

Os pesquisadores criaram o primeiro mapa global tridimensional de condutividade elétrica do manto. Os resultados do estudo foram publicados nesta semana na revista científica Nature.

Zonas de subducção

As áreas de alta condutividade coincidem com zonas de subducção, regiões onde as placas tectônicas – blocos rígidos que compõem a superfície da Terra – entram em contato e uma, geralmente a mais densa, afunda sob a outra em direção ao manto.

Geólogos acreditam que as zonas de subducção sejam mais frias do que outras áreas do manto e, portanto, deveriam apresentar menor condutividade.

“Nosso estudo claramente mostra uma associação próxima entre zonas de subducção e alta condutividade. A explicação mais simples seria (a presença de) água”, disse o geólogo Adam Schultz, coautor do estudo.

Mistério geológico

“Se a água não estiver sendo empurrada para baixo pelas placas, seria ela primordial? (Estaria) lá embaixo há bilhões de anos? E se foi levada para baixo à medida que as placas lentamente afundam, seria isso um indício de que o planeta já foi muito mais cheio de água em tempos longínquos? Essas são questões fascinantes para as quais ainda não temos respostas,” diz o pesquisador.

Apesar dos avanços tecnológicos, os especialistas não sabem ao certo quanta água existe abaixo do leito oceânico e quanto dessa água chega ao manto.

“Na verdade, não sabemos realmente quanta água existe na Terra”, disse um outro especialista envolvido no estudo, o oceanógrafo Gary Egbert. “Existem alguns indícios de que haveria muitas vezes mais água sob o fundo do mar do que em todos os oceanos do mundo combinados.”

Segundo o pesquisador, o novo estudo pode ajudar a esclarecer essas questões.

Água primordial

A presença de água no interior da Terra teria muitas possíveis implicações.

A água interage com minerais de formas diferentes em profundidades diferentes. Pequenas quantidades de água podem mudar as propriedades físicas das rochas, alterar a viscosidade de materiais presentes no manto, auxiliar na formação de colunas de rocha quente e, finalmente, afetar o que acontece na superfície do planeta.

E se a condutividade revelada pelo estudo for mesmo resultado da presença de água, o próximo passo seria explicar como ela chegou lá.

“Se a água não estiver sendo empurrada para baixo pelas placas, seria ela primordial? (Estaria) lá embaixo há bilhões de anos?”, pergunta Schultz.

“E se foi levada para baixo à medida que as placas lentamente afundam, seria isso um indício de que o planeta já foi muito mais cheio de água em tempos longínquos? Essas são questões fascinantes para as quais ainda não temos respostas”.

Os cientistas esperam, no futuro, poder dizer quanta água estaria presente no manto, presa entre as rochas.

Bibliografia:

Global electromagnetic induction constraints on transition-zone water content variations
Anna Kelbert, Adam Schultz, Gary Egbert
Nature
20 August 2009
Vol.: 460, 1003-1006
DOI: 10.1038/nature08257

Fonte: INOVAÇÃO TECNOLOGICA

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Publicado por em 23/10/2009 em POIMENIA

 

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ENERGIAS – Pense novo!

 
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Publicado por em 22/10/2009 em POIMENIA

 

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“O capitalismo é um parêntese na história da humanidade”

O capitalismo não é uma “realização necessária de toda a história”, mas apenas um “parêntese” nela. A ideia é do ensaísta alemão Anselm Jappe, que, em entrevista especial, concedida pessoalmente à IHU On-Line, afirmou haver uma ontologização do capitalismo tanto por parte do pensamento burguês quanto por parte da dita esquerda. Esse valor “não tem um estatuto ontológico verdadeiro, mas pretende tê-lo”, como se o capitalismo fosse uma metafísica realizada. Segundo ele, inclusive os críticos do capitalismo não o fazem verdadeiramente, pois “se limitam a criticar o liberalismo, propondo como alternativa um capitalismo mais mitigado”. Jappe assegura que já observamos sinais de colapso desse sistema, e a crise econômico-financeira mundial é um deles: “O capitalismo vai terminar, e já estamos observando esse fim. Não é algo que irá acontecer de um dia para o outro, mas os sinais de esgotamento são visíveis”. Isso só vem a confirmar “o que a crítica do valor já havia dito há 20 anos”, acentua.

Jappe dá detalhes sobre a crítica que faz, junto com Robert Kurz, à teoria de multidão de Michael Hardt e Toni Negri. Em sua opinião, eles não pensam uma saída do capitalismo, e inclusive entendem o valor como algo positivo. O “negrismo”, dispara, é um marxismo tradicional com verniz pop, e uma “impostura intelectual”. Entretanto, a teoria faz sucesso porque tece “lisonjas a toda essa nova camada que trabalha no campo da informática”. Outro equívoco, assinala, é a equiparação errônea que esses autores fazem entre o conceito de trabalho abstrato e trabalho imaterial.

Momentos antes de proferir a conferência Crise, Crítica Radical e Emancipação Humana, proferida no IHU Ideias de 01-10-2009, Jappe conversou com a IHU On-Line. O grupo Crítica Radical, de Fortaleza, apoiou o evento.

Filósofo e ensaísta nascido na Alemanha, realizou seus estudos na Itália e França, onde vive atualmente. Além de inúmeros artigos já publicados na revista alemã Krisis, é autor de Guy Debord (Petrópolis: Vozes, 1999) e As Aventuras da Mercadoria (Lisboa: Antígona, 2006). Leciona na Academia de Belas-Artes de Frosinone (Latium, Itália). Após a cisão interna do Grupo Krisis, posicionou-se ao lado dos autores que fundaram a revista Exit!, cujos principais integrantes são Robert Kurz, Roswtiha Scholz e Claus Peter Ortlieb. Participa do Grupo Crítica Radical e da Revista “EXIT – Crítica do Capitalismo para o Século XXI – com Marx para além de Marx”.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Por que afirma que o capitalismo é apenas um parêntese na história humana?

Anselm Jappe – Trata-se de uma formulação polêmica, porque o capitalismo existe há, no mínimo, 200 anos nos países desenvolvidos como Inglaterra. Há antecedentes do capitalismo na época da Renascença, remontando ao século XIV. Disse que o capitalismo é um parêntese na história para fazer uma objeção à apologia atual que o vê como uma realização necessária de toda a história. Critico a ideia de que a humanidade e a evolução avançam para algo melhor, e que o capitalismo seria uma espécie de apogeu da humanidade, uma forma de sociedade e de economia que vai permanecer para sempre. Muitas vezes, as apologias do capitalismo são feitas apresentando a democracia como uma forma finalmente encontrada para o convívio dos seres humanos. Assistimos, então, a uma espécie de ontologização do capitalismo. Isso consiste em dizer que pode haver diferentes modelos de capitalismo, mas ele se mantém no mesmo enquadramento do valor, do dinheiro, da democracia e do Estado. Não é apenas o pensamento burguês, mas boa parte também do pensamento que se proclama ser de esquerda, que se converteu a essa ontologização do capitalismo, incapaz de imaginar algo diferente.

Com todas as mudanças propostas, pensam, mesmo assim, se permanecerá numa lógica capitalista ou se não volta a se cair na barbárie e no caos. Muitos daqueles que criticam o capitalismo hoje (como os altermundialistas e associações como a ATTAC e todas aquelas pessoas que se encontram na cúpula do Fórum de Porto Alegre) não o criticam verdadeiramente, porque se limitam a criticar o liberalismo, propondo, como alternativa, um capitalismo mais mitigado.

Em oposição a essa eternização do capitalismo é que falo de um parêntese, dizendo que esse sistema foi o rompimento absoluto com todas as sociedades pré-capitalistas. O capitalismo não é apenas uma sociedade entre outras, constitui-se a fratura mais fundamental da história da humanidade, principalmente porque introduziu um dinamismo e uma orientação que estavam ausentes nas sociedades precedentes, que eram mais estáticas.

O capitalismo não é um destino inevitável

A partir disso, uma das principais características do capitalismo é a resistência ao fato de que a atividade social se entenda como trabalho, e o trabalho como valor, e o valor como dinheiro. Então, tudo isso não é natural, histórico e eterno. Tudo isso veio ao mundo com o capitalismo. Aliás, essa não é uma afirmação de Marx, somente. Há estudos de Marcel Mauss e Karl Polanyi que mostraram o caráter radicalmente diferente das sociedades antes do capitalismo. Não estou falando apenas em sociedade etnológica, como Polanyi demonstrou que, no século XVII, havia lógicas sociais bem diferentes, ou como Thompson demonstrou em sua obra clássica, A formação da classe trabalhadora na Inglaterra.

Tudo isso permite demonstrar os diferentes pontos de vista, não somente marxistas, de que o traço fundamental do capitalismo não é algo natural do ser humano, mas pertence apenas a uma fase determinada da história humana. Deste ponto de vista, podemos dizer que o capitalismo é apenas uma fase da humanidade, e assim como veio ao mundo, pode, também, desaparecer. É claro que não quero dizer que o capitalismo seja um simples “incidente” depois do qual se podem mudar muitas coisas. Essa expressão mostra, simplesmente, que o capitalismo não é, necessariamente, um destino inevitável.
E quando falo em parêntese, não significa que havia uma espécie de sociedade feliz, e o capitalismo chegou como uma “erupção do mal”, e que esse parêntese vai se fechar para reencontrar uma espécie de felicidade. Isso seria muito bom, mas não é o que acontece. O capitalismo vai terminar, e já estamos observando esse fim. Não é algo que irá acontecer de um dia para o outro, mas os sinais de esgotamento são visíveis.

IHU On-Line – Quais são os principais impactos da crise econômico-financeira atual no capitalismo, na política, no trabalho? Esse sistema está ameaçado com tal cenário mundial?

Anselm Jappe – De fato, a crise do ano passado confirmou o que a crítica do valor já havia dito há 20 anos. É claro que a crise financeira não é a causa da crise do capitalismo, mas, bem pelo contrário, a financeirização foi apenas uma maneira do capitalismo continuar vivendo, principalmente, através do endividamento contínuo. A crise financeira não era, simplesmente, devida à cupidez dos bancos ou especulação que roubava dos trabalhadores, mas se deu, essencialmente, a emergência da verdadeira realidade de hoje, ou seja, o esgotamento do valor, a sua saturação. Graças ao desenvolvimento tecnológico, se usa cada vez menos a força de trabalho para a produção de mercadorias. E menos força de trabalho significa, também, menos valor e mais dificuldade para acumular capital na produção do real. É por isso que o capital vai se refugiar na especulação para ficar no capital fictício.

Retorno da financeirização

Com a crise, há uma espécie de retorno na financeirização. Essa financeirização é uma remissão da crise, e não a sua causa. Ao contrário, é um modo de esconder e ocultar essa crise. Muitas empresas ou estados que já deveriam ter decretado falência há muito tempo, simplesmente continuam existindo, acrescentando, a cada ano, mais um zero a seus números.

Com a verdadeira crise que começa a emergir em plena luz do dia, há um grande aumento do desemprego na Europa. Agora se diz que ela passou, e que a economia está sendo retomada. Contudo, fora alguns ciclos que continuam possíveis, há uma “retomada” pelo fato de que são queimadas reservas de um modo nunca visto antes.

Para compreender isso, devemos prestar atenção em determinados fatos precisos. Na França, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, o patrimônio acumulado dos franceses diminuiu de forma significativa. Até mesmo as classes médias, que podiam cobrir suas despesas, começam a vender seus bens imobiliários não apenas para investir, mas para saldar compromissos. Cada família está endividada em, pelo menos, 15 mil euros. Praticamente toda a Itália tem de trabalhar quase que gratuitamente para poder reembolsar essa dívida.

Nos EUA, a situação é ainda mais extrema. Quando falamos em bancos e que o governo intervenha, permanecemos, ainda, numa esfera larga das finanças. Entretanto, o que pode acontecer é uma reação em cadeia, porque sabemos que todas as dívidas irão criar uma espécie de corrente. Há um verdadeiro risco de que todas essas correntes se rompam e haja um grande pânico.

Até aqui, as instituições conseguiram evitar esse pânico. Muitas vezes, elas se vangloriam em ter aprendido a lição com o que houve em 1929 e que agora sabem administrar a crise, mas, na verdade, não há nenhuma solução estrutural, nenhum novo modelo de acumulação e nenhuma indústria que utilize de forma maciça a força de trabalho. Evita-se a crise, simplesmente, oferecendo cada vez mais crédito. No final das contas, é o mesmo que acontece com quem bebeu e acorda de ressaca, e soluciona o problema bebendo ainda mais. Isso pode funcionar por um período imediato, mas não pode ser uma solução a longo prazo.

IHU On-Line – O valor alcançou uma ontologização em nossa sociedade? Em caso positivo, como podemos falar em fim da metafísica se o valor atingiu esse status ontológico?

Anselm Jappe – O valor não tem um estatuto ontológico verdadeiro, mas pretende tê-lo. Pretende-se que toda estrutura tenha um valor que possa ser trocado no mercado, mas, na verdade, essa é uma ilusão coletiva. Ultimamente, existem análises do capitalismo não apenas como um sistema econômico, mas como uma espécie de metafísica realizada. A modernidade gosta muito de se apresentar como uma espécie de secularização, pensa ser muito superior às religiões antigas. A religião foi abandonada, e, em seu lugar, se adotou a “metafísica do real” ou, ainda, a “metafísica realizada”. Marx chamou a mercadoria de ser sensível e suprassensível. A mercadoria, o seu fetichismo, é uma forma de religião, não no sentido banal, de se dar importância demais à mercadoria, mas no sentido que as mercadorias e seus movimentos, o que chamamos de mercado, podem ter estabelecido uma dominação impessoal em nossas sociedades, porque esquecemos que fomos nós que criamos essas mercadorias e suas leis. Foi por isso que Marx falou do fetichismo da mercadoria já a partir de 1842, e tomou esse termo já na Crítica à religião. Ele se referia aos modernos, que se achavam tão modernos, e que, na verdade, não são muito diferentes daquilo que chamamos de selvagens. Há a projeção de um poder coletivo sobre um ser que é considerado como sendo independente desse poder humano. Por isso que podemos estabelecer uma relação entre a teoria do fetichismo de Marx com a teoria antropológica do fetichismo como encontramos em Émile Durkheim.

IHU On-Line – Você e Kurz contestam a teoria do Império e Multidão, de Hardt e Negri. Quais são os principais aspectos dessa crítica?

Anselm Jappe – A teoria da multidão, de Hardt e Negri nada mais é do que uma versão pós-moderna do marxismo mais tradicional, baseada na ideia de que a força de trabalho enquanto tal já está fora da relação capitalista, e que o capitalismo não é senão uma espécie de apropriação do que os operários criam. Na verdade, enquanto portadores de um metabolismo com a natureza, como diz Marx. Para o marxismo tradicional, foram os operários industriais que garantiram esse metabolismo. Negri simplesmente substituiu o operário industrial pelo operário imaterial, ou “informático”, ou aquele que trabalha na cultura.

Na verdade, ele e Hardt não conseguem nem mesmo pensar uma saída do capitalismo. Pelo contrário. Falam de autovalorização da multidão. Inclusive entendem o valor como um valor positivo. Eles querem simplesmente liberar a produção em relação a essa espécie de parasitismo de uma classe que não trabalha e controla os meios de produção.

Esse é o marxismo mais tradicional que temos, pintado com outras cores ou com outro verniz, um verniz mais pop. Negri e Hardt utilizam o conceito de trabalho abstrato mas não entendem absolutamente nada desse conceito em Marx, considerando-o que é igual ao trabalho imaterial. Então, todo o “negrismo” pode ser qualificado como uma impostura intelectual. Mas tem sucesso porque lisonjeia a toda essa nova camada que trabalha no campo da informática, por exemplo. Há relações totalmente acríticas com o conteúdo da vida capitalista. Eles dão um tom positivo a tudo que tem a ver com a “cultura capitalista”, com as formas de sujeito, da dissolução dos antigos vínculos.

(IHU On-Line)

Fonte: MERCADO ÉTICO

 
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Publicado por em 13/10/2009 em POIMENIA

 

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Crianças e jovens nas cidades

Alexandre Saconi, do Aprendiz

A urbanização impõe um comportamento sedentário a crianças e adolescentes. A conclusão é do doutorado do educador físico Aylton Figueira Junior, defendido na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O pesquisador comparou dados nutricionais e o nível de atividade física de 484 crianças e adolescentes entre 11 e 15 anos das cidades paulistas de Santo André – localizada na região metropolitana, com quase 700 mil habitantes – e de São Bento do Sapucaí – situada no interior, com nove mil habitantes, sendo que a maioria reside na área rural. A primeira coleta de dados ocorreu em 1997 e a segunda em 2007.

O impacto da urbanização pode ser observado no quesito resistência física. A piora dos voluntários que vivem na cidade nos dez anos chegou a 35% em comparação aos da área rural.

Segundo a pesquisa, o sedentarismo das crianças e adolescentes urbanos tem sido agravado nos últimos anos devido a fatores como: hábitos alimentares, jornada desenfreada de trabalho da família e falta de espaço para a prática de atividade física. “A verticalização, por exemplo, cria impedimentos para as pessoas serem naturalmente mais ativas. As casas, por exemplo, estão cada vez menores, com menos espaços livres. Ao mesmo tempo, os prédios oferecem um número maior de vagas na garagem, priorizando esse meio de transporte”, explica o pesquisador.

A verticalização também se mostra problemática mesmo com as áreas de lazer dos condomínios. Muitos possuem espaços de fitness, piscinas, academias e espaços para corrida. Mas possuí-los apenas não basta. “Se os pais não utilizam esses locais, os jovens dificilmente o farão. Mesmo com os parques e praças, quem os utiliza diariamente? Há uma falta de regularidade na utilização desses espaços de lazer”, diz Aylton.

Para tentar modificar essa situação, a família apresenta-se como importante agente, segundo o pesquisador. “A família é decisiva no hábito comportamental das pessoas”, diz. É preciso, por exemplo, incentivar a participação das crianças e adolescentes em atividades físicas, começando pelas aulas de educação física na escola, e passando por atividades recreativas e educativas em outros locais. Paralelamente, é imprescindível um maior investimento governamental no incentivo às atividades esportivas.

O educador planeja retomar sua pesquisa com o mesmo grupo após cinco anos da última pesquisa. “No período da pesquisa, muitos não fumavam ainda. “Acompanhando, poderemos analisar as mudanças dos hábitos de vida de cada um para saber os impactos e as mudanças ocorridas neste período”, finaliza Aylton.

alexandresaconi@aprendiz.org.br

(Cidade Escola Aprendiz)

Fonte: MERCADO ÉTICO

 
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Publicado por em 13/10/2009 em POIMENIA

 

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Números e relatos atestam sucesso do Braille Virtual

Olavo Soares, do USP Online

O professor de geografia Everton Vasconcelos teve a ideia de mostrar para seus alunos como funciona o sistema Braille. Para isso, utilizou um programa desenvolvido pela Faculdade de Educação (FE) da USP. A iniciativa foi bem recebida pelos estudantes, que assim puderam conhecer melhor a linguagem de escrita e leitura dos cegos.

Projeto da FE ensina de maneira rápida e simplificada a linguagem Braille

Vasconcelos, bem como seus alunos e a escola em que leciona, está em Santa Maria, município do interior do Rio Grande do Sul localizado a cerca de 300 quilômetros de Porto Alegre.

O meio que ele utilizou para aproximar seus estudantes do Braille – e também da USP – foi o projeto Braille Virtual, criado pela FE e que comemora cinco anos em 2009. O programa, que pode ser acessado pelo seu site ou ser “downloadeado” para utilização em ambientes offline, ensina de maneira rápida e simplificada a linguagem Braille.

Compreensão

O público-alvo do Braille Virtual são as pessoas não-cegas. Ou “videntes”, na terminologia mais adequada. O programa tem como objetivos maiores a universalização e a desmistificação do Braille – ou seja, fazer com que mais gente conheça a técnica e que a encare como algo mais acessível do que uma primeira impressão pode sugerir.

Essa meta, no caso do Braille, é essencial. Por mais que haja significativos avanços na inclusão e educação das crianças cegas, permanecem alguns “temores” de professores e colegas de classe no convívio. E entender o que significam as “bolinhas” manuseadas pelas crianças que não enxergam é um ótimo passo para que a inclusão seja mais plena.

A equipe responsável pelo projeto ressalta que lançar mão da internet como ferramenta para disseminação do curso é imperativo em um País com as características do Brasil – de grandes distâncias e também com baixos índices e ferramentas de acesso à cultura.

O Braille Virtual também ambiciona que pais dos jovens cegos conheçam melhor as ferramentas de comunicação dos filhos. Afinal, a criança cega, tal qual a vidente, também precisa da ajuda dos pais em tarefas cotidianas, como fazer um dever de casa. “Se o pai não consegue entender o que está escrito no caderno do filho, ele não consegue ajudar. E com o Braille Virtual, nós deixamos claro que o entender é um processo relativamente simples”, conta a professora Nely Garcia, uma das coordenadoras do projeto.
Simplicidade é realmente o tom do Braille Virtual. O que se vê em duas dimensões: a primeira, no sistema Braille propriamente dito. O Braille nada mais é do que a transposição do alfabeto convencional para um em que as letras, numerais e sinais de pontuação se formam numa combinação entre dois pontos na horizontal e três na vertical. Não há novas letras, novos sinais, nada de específico da linguagem.

E o outro elemento em que a simplicidade se faz presente é no manuseio e interface do Braille Virtual. O curso completo pode ser feito em 12 horas. O programa tem o alfabeto transcrito para o Braille, frases completas, exercícios e jogos, que colaboram para a fixação dos conceitos. Não exige recursos pesados e nem um computador dos mais potentes para ser rodado. Pode ser baixado, para reprodução em outros computadores – e vale ressaltar que ele é aberto e tem sua replicação autorizada e estimulada pelos criadores. E está disponível também nas versões inglês e espanhol.

Início

A motivação para criação do Braille Virtual nasceu quando a professora Nely Garcia realizou, no começo da década, uma consultoria para o Ministério da Educação. Na ocasião, a professora constatou que o desconhecimento do Braille era endêmico e que prejudicava sensivelmente o aprendizado das crianças cegas. “A linguagem Braille era ignorada pela maioria dos professores. Num exercício em sala de aula, por exemplo, jamais a redação de uma criança cega era avaliada”, conta.

As pesquisas da professora levaram à criação do software Vide Braille I, que ensinava a linguagem de maneira similar ao Braille Virtual. Mas a falta de boas estratégias para divulgação fez com que o programa acabasse por permanecer desconhecido.

Com o uso da internet, a criação do Braille Virtual possibilitou a disseminação do sistema. “E hoje ouvimos muitos professores dizendo que não dependem mais de ninguém pra fazer a transcrição”, diz.

Sucesso

O Braille Virtual foi lançado em 2004 e não contou com nenhuma estratégia formal de divulgação. A existência do site foi repassada entre os interessados via boca-a-boca. Ainda assim, logo nos primeiros meses se pôde perceber um boom nos acessos à página. Já em janeiro de 2005, quando o site do Braille Virtual contava pouco mais de quatro meses, o número de visitas era superior a 15 mil. Hoje, são mais de 320 mil visitantes e uma distribuição de cópias do software que supera o 1,2 milhão.

“O mundo todo está ampliando o acesso ao programa”, conta a professora Tizuko Morchida Kishimoto, também responsável pelo Braille Virtual. Há referências ao Braille Virtual em páginas de empresas e instituições governamentais de diferentes países, sem contar um posicionamento em todas as regiões do Brasil. A adaptação do programa aos idiomas inglês e espanhol levou o Braille Virtual a ser significativamente acessado nos continentes norte-americano e europeu.

Com isso, os depoimentos elogiosos e experiências positivas com o programa se criam em escala exponencial. Os relatos que chegam à equipe da FE trazem frases como “o curso veio de encontro à minha necessidade como educadora”, “nós que temos familiares com deficiência visual sabemos da importância desse trabalho”, e “sou cega e gostaria de parabenizar todos os envolvidos na realização do projeto. Iniciativas como esta são fundamentais se queremos uma sociedade mais inclusiva”.

A diversidade dos elogios reflete a variabilidade do público que chega ao site. Familiares de cegos, educadores, “curiosos”, militantes – embora de diferentes vertentes, pessoas que acreditam na inclusão dos cegos e que também apostam na tecnologia como uma ferramenta eficaz para superar as barreiras costumeiras. Barreiras como a da distância, posta abaixo pela união entre um sistema bem desenvolvido e a disposição de pessoas como o professor Everton Vasconcelos, do interior do Rio Grande do Sul. “Ainda que eu não tenha contato direto com pessoas cegas, acredito que diminuir preconceitos é tarefa de todo educador. Por isso utilizei o Braille Virtual com os meus alunos, e afirmo que todos os professores deviam adotar práticas semelhantes”.

Mais informações: (11) 3091-3099, email garcian@usp.br. Site http://www.braillevirtual.fe.usp.br

(Agência USP)

Fonte: MERCADO ÉTICO

 
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Publicado por em 13/10/2009 em POIMENIA

 

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Ecoclubes reúnem jovens e formam novas lideranças socioambientais

Marcela Valente, da IPS

A experiência nasceu na Argentina há pouco mais de 15 anos e já se espalhou para cerca de 30 países da América Latina, África e Europa. Trata-se dos ecoclubes, espaços de promoção de adolescentes e jovens que trabalham para melhorar a qualidade de vida de suas comunidades. Os ecoclubes, que estão integrados por sócios de 12 a 25 anos com voz e voto, têm por finalidade promover a formação de cidadãos responsáveis e comprometidos com as necessidades de seu entorno, segundo seus estatutos. Para isso trabalham em conjunto com outras organizações da sociedade civil.

“Buscamos inserir na comunidade ações de transformação e formar cidadãos conscientes da necessidade de cuidar do meio ambiente”, resumiu Liliana Freta, de 23 anos e presidente do Ecoclubes Argentina, em conversa com a IPS desde onde mora na província de Jujuy, limítrofe com a Bolívia. Para isso os jovens se capacitam, projetam e levam adiante programas de informação, pro exemplo, sobre mudança climática, reciclagem de lixo ou formas de propagação da dengue. A idéia é difundir os temas em escolas e também entre os moradores por meio do método “porta a porta”.

A história dos ecoclubes começou e 1992 quando o engenheiro agrônomo Ricardo Bertolino incentivou adolescentes de escolas médias de Firmat, ao sul da província de Santa Fé, a se organizarem que sua comunidade classificasse o lixo domiciliar. Os jovens formaram patrulhas que percorria as casas explicando a proposta. Em seguida a idéia se reproduziu em outras localidades da região e, com o tempo, derivou nos ecoclubes. Em cada localidade um grupo de jovens trabalha nos problemas ambientais e sociais prioritários da área.

“São espaços de formação para a liderança juvenil, inclusive, digo que fazemos política ambienta e, de fato, há atualmente jovens que foram nossos sócios participando como legisladores”, acentuou Freta, que estuda direito. A rede, que não exige uma estrutura complexa, se propagou rapidamente e hoje existem na Argentina mais de uma centena de ecoclubes, dos quais participam ativamente cerca de 1.500 adolescentes e jovens em cinco áreas que cobrem todas as regiões do país, noroeste, nordeste, Cuyo, centro e Patagônia.

Em menos de uma década o sistema se multiplicou no Brasil, Chile, Bolívia, Costa Rica, Espanha, Equador, Honduras, Guatemala, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e República Dominicana, além de países da Europa e da África, totalizando 33. Através de um conselho diretor, os diversos grupos estão vinculados à Rede Internacional de Ecoclubes (RIE), que tem Bertolino – criador da idéia – como membro ativo. Os representantes de cada país se reúnem uma vez por ano para troca de experiências.

“Na Argentina, os temas prioritários são água, lixo sólido urbano, vegetação, mudança climática e questões de saúde, como a dengue. Mas, estamos começando um novo programa que leva em conta uma preocupação maior dos jovens pelo social”, disse Freta. Um dos ecoclubes que trabalha em profundidade neste aspecto é o de Clorinda, 1.200 quilômetros ao norte de Buenos Aires, na província de Formosa, limítrofe com o Paraguai. “Trabalhamos com crianças e adolescentes de poucos recursos em restaurantes comunitários”, disse à IPS Juan Ortiz, do Ecoclube.

A organização tem cerca de 30 membros ativos e recebe voluntários de diversos países do mundo que se instalam nessa cidade para participar da experiência de trabalho comunitário durante alguns meses. “Organizamos jogos e tratamos de ensinar as crianças como cuidar do ambiente”, ressaltou Ortiz. Este estudante de Administração explicou que trabalham junto a outras organizações sociais nos restaurantes e também gestionam projetos como o “Expresarte”, uma iniciativa financiada pela Secretaria de Cultura da Nação para crianças e adolescentes de Clorinda. Por meio do projeto, o Ecoclube dessa cidade convoca professores de teatro, canto coral e de violão para darem aulas gratuitas às crianças da comunidade.

(Envolverde/IPS)

Fonte: MERCADO ÉTICO

 
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Publicado por em 12/10/2009 em POIMENIA

 

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Quase metade dos jovens brasileiros vive na pobreza

Estudo do IBGE mostra que o combate à pobreza no Brasil teve resultados, mas que a situação de grande parte da população, em especial os jovens, ainda é precária
REDAÇÃO ÉPOCA

Valter Campanato/ABr

DRAMA Imagem mostra residência em Carnaúbas do Piauí, uma das cidades mais pobres do Brasil. Segundo o IBGE, quase metade dos jovens vivem com renda familiar per capita menor que meio salário mínimo

A pesquisa Síntese de Indicadores Sociais, divulgada nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), detalhou alguns progressos feitos pelo Brasil nos últimos anos em relação à pobreza e à miséria, mas mostrou que ainda há um longo caminho a percorrer para resolver este problema.

De acordo com os dados do levantamento, quase metade (44,7%) dos jovens brasileiros com menos de 17 anos – que representam 30% da população – vivia em 2008 em famílias com renda per capita menor que meio salário mínimo, a faixa que, segundo os critérios da pesquisa, define a pobreza.

A situação mais precária é da região Nordeste, onde 66,7% dos jovens viviam com esta renda. A outra região onde mais da metade dos menores de 17 anos é pobre é a Norte, com 53,7%. No Centro-Oeste são 35%, no Sudeste, 31,5% e, no Sul, 28,7%.

Um dado positivo revelado pelo IBGE é a diminuição do número de jovens que vivem na extrema pobreza, classe delimitada por ganho familiar per capita inferior a um quarto de salário mínimo. Esta porcentagem estava, em 2008, em 18,5% dos jovens, mas em 1998 chegou a ser de 27,3%.

Novamente, a pior situação é do Nordeste, onde 34,4% dos jovens vivem na miséria. Alagoas lidera este ranking, com 43,1% dos menores de 17 anos na pobreza extrema. A região Sul (7,9%) e o Estado de Santa Catarina (4,5%) estão na outra ponta da lista.

Fonte: EPOCA

 
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