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Mulher no mercado de trabalho muda famílias e empresas

Mulheres voltam ao mercado de trabalho
Com informações da Agência USP


Dupla carreira

A entrada da mulher no mercado de trabalho teve repercussões mais amplas do que o mero preenchimento de vagas nas empresas.

O movimento repercute na esfera familiar, tendo desdobramentos não só na carreira da mulher, mas também na do marido – fenômeno conhecido como famílias de dupla carreira.

Segundo Heliani Berlato dos Santos, da USP, a migração da mulher do ambiente doméstico para espaços públicos de trabalho alterou estruturas e impactou conceitos arraigados no cotidiano das pessoas.

Família e trabalho

O chamado “modelo familiar tradicional”, assim como a identidade de homens e mulheres em relação ao desempenho das funções que culturalmente se espera deles, são duas estruturas dinâmicas, ou seja, que vão se transmutando com o tempo.

Tais mudanças, que acabaram favorecendo uma relação mais íntima entre família e trabalho, levaram a mulher a assumir responsabilidades e atividades antes consideradas somente dos homens, como o desenvolvimento e comprometimento com sua própria carreira.

Os pesquisadores identificaram cinco tipos de dupla carreira: familista coordenada, familista convencional, carreirista coordenada, carreirista convencional e acrobata.

Os familistas são aqueles que priorizam a família, os carreiristas priorizam a carreira e os acrobatas atribuem importância similar a ambas as esferas.

Verificou-se na amostra que há uma maior adesão ao tipo acrobata, ou seja, os casais estão dispostos a atuar simultaneamente nas esferas família e carreira.

Mais benefícios que conflitos

Considerando-se essas tipologias, foram identificadas as percepções que os participantes desenvolvem sobre os benefícios e conflitos que a prática da dupla carreira pode originar.

Observou-se uma predominância dos benefícios sobre os conflitos, ou seja, os participantes dão mais relevância aos benefícios do que os conflitos que surgem por conta da dupla carreira.

Segundo os pesquisadores, além de esclarecer melhor a perspectiva individual, o estudo traz informações importantes do ponto de vista organizacional, com informações sobre a tipologia do colaborador que a empresa possui, possibilitando a esta definir estratégias direcionadas a adequar as políticas de trabalho ao perfil no qual o seu funcionário de dupla carreira se adequa.

Fonte: Diário da Saúde 

 

 
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Publicado por em 20/03/2012 em POIMENIA

 

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Pesquisa mostra como mediar conflitos domésticos

Fábio de Castro – Agência Fapesp


Conflito homem/mulher

Quando o assunto é conflito de gênero, advogados, psicólogos e assistentes sociais precisam intervir em conjunto. Essa é a proposta de uma inovadora metodologia para mediação de conflitos familiares apresentada no livro Mediação familiar transdisciplinar, que acaba de ser lançado.

A obra foi o produto de um estudo realizado pelo Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que, durante três anos, estudou a experiência de trabalho de uma instituição paulista dedicada, há três décadas, à questão da violência doméstica.

Mediação de conflitos

Segundo a coordenadora da pesquisa, Maria Coleta Oliveira, teorias de mediação de conflitos desenvolvidas em várias partes do mundo têm sido aplicadas em instituições voltadas para a violência no contexto familiar.

“Muitas mulheres, ao sofrer agressão, vão à delegacia. Mas, posteriormente, retiram a queixa, pois não querem atrapalhar a vida dos maridos. Elas querem que eles mudem, que não bebam, não batam, não quebrem as coisas, mas não querem que sejam presos. Mediar uma situação dessas não é algo trivial”, afirmou.

Violência de gênero

A pesquisa teve, inicialmente, o objetivo de fazer uma avaliação qualitativa sobre o trabalho da organização não-governamental PróMulher, Família e Cidadania (PMFC). A instituição tem sua origem ligada ao nascimento do movimento feminista em São Paulo e, historicamente, tinha atuação voltada para a assistência jurídica às vítimas de violência de gênero.

“Com o tempo, a instituição cresceu e começou a atender não apenas as mulheres, mas também homens e crianças. Seu corpo de técnicos passou a integrar psicólogos, além de assistentes sociais”, disse Maria Coleta.

História da violência

Influenciada por teorias de mediação de conflitos desenvolvidas em diversos países, a entidade começou a desenvolver uma metodologia própria de atendimento para essas situações.

“Há cerca de dez anos, a entidade firmou convênio com a Procuradoria-Geral do Estado, no segmento de assistência judiciária. Pelo convênio, ela assumiu a defensoria em São Paulo, atuando diretamente em cada comarca”, contou.

O livro agora lançado conta a história da instituição, relata sua metodologia, discute os ideais de justiça e promoção dos direitos humanos, define o que é conflito de gênero e analisa os tipos de respostas que normalmente aparecem nesses casos. Mas, acima de tudo, de acordo com a coordenadora da pesquisa, a obra é um manual prático para aplicação.

Estudos de caso

Foram feitos três estudos de caso. O primeiro tratou do trabalho de assistência feito na sede da PMFC – onde eram atendidos os casos mais dramáticos, que não podiam ser resolvidos na procuradoria -, que utilizava uma metodologia desenvolvida por eles.

O segundo estudo acompanhou o grupo de técnicos – psicólogos e assistentes sociais – que atuava nas dependências da procuradoria. O terceiro foi voltado para a população-alvo. “Estudamos uma população que não fazia parte da clientela atendida, mas que era equivalente do ponto de vista social. Essa população serviu como grupo de controle”, disse a pesquisadora do Nepo.

Avaliação formativa

Os autores do estudo contaram com a consultoria de uma especialista em avaliação de projetos sociais, a socióloga Regina Faria. “Ela nos ajudou a delinear o projeto utilizando um modelo que chamamos de avaliação formativa: à medida que os resultados vão sendo produzidos, são introduzidas alterações no atendimento. Com isso não era necessário esperar que o projeto acabasse para que melhorias pudessem ser feitas”, disse Maria Coleta.

Esse modelo, segundo a professora do Departamento de Demografia da Unicamp, é coerente com a linha de pesquisa do Projeto de Políticas Públicas da FAPESP, uma vez que a tecnologia social gerada pode ser transferida para aplicação na sociedade.

“A cada momento, a pesquisa era discutida com as equipes, para que elas aprimorassem as ações. A própria característica da PróMulher, Família e Cidadania, cujos técnicos tinham abertura para a constante reelaboração dos procedimentos, facilitou essa tarefa. Eles puderam se expressar, o tempo todo, sobre pontos positivos e dificuldades encontradas”, contou.

Treinamento de técnicos

Foram realizados, então, workshops de treinamento com os técnicos que estavam trabalhando e, no fim do processo, com os defensores públicos que passaram a atuar depois. “Nos workshops utilizamos a estrutura do que seria um programa de treinamento para mediadores”, disse.

Na segunda parte, segundo Maria Coleta, o livro expõe detalhadamente o método transdisciplinar resultante de toda a pesquisa. “Basicamente, demos instrumentos para que advogados, psicólogos e assistentes sociais possam agir em seus respectivos setores de forma coordenada”, afirmou.

Recomendações práticas

O livro dá recomendações práticas para uma efetiva transdisciplinaridade, recomenda procedimentos técnicos para o estabelecimento de acordos e apresenta dicas de linguagem e atitude, além de sugerir uma bibliografia para aprofundamento na metodologia.

Um anexo traz ainda remissões a casos paradigmáticos, em que alguns relatos de mediação de conflitos foram editados e narrados. “O resultado é um verdadeiro instrumental de trabalho, na forma de um manual bastante prático”, disse a coordenadora do estudo.

A equipe de pesquisa teve cerca de dez profissionais fixos e inúmeras contribuições. Além da coordenadora, a organização do livro coube à socióloga Sandra Unbehaum e às psicanalistas Malvina Muszkat e Susana Muszkat.

Fonte:

Diário da Saúde – http://www.diariodasaude.com.br

URL:http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=pesquisa-mostra-como-mediar-conflitos-domesticos&id=3275

 
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Publicado por em 07/02/2012 em POIMENIA

 

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