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Pastores Rancorosos

23 out

Nós temos uma natureza muito difícil. Desde Adão somos implicantes, raivosos, rancorosos, amargurados, maldosos, lamurientos, mal humorados… Como somos complicados a partir do Éden! É impressionante a nossa capacidade de reagir negativamente às ações negativas e até positivas das pessoas. Nunca estamos satisfeitos. Agimos com desdém. Desvalorizamos o trabalho dos companheiros de ministério. Temos uma tendência muito forte para construir nossos ministérios sobre os escombros dos outros que chegaram antes de nós. Perseguimos àqueles que não compartilham do nosso estilo ou da nossa filosofia de trabalho. Gostamos de dominar, de ter a primazia e alijar os que não gostam de nós, os que não desejam nos ajudar no ministério. Tratamos os inimigos na contramão de tudo o que Jesus ensinou (Mt 5.38-48). Temos mágoas não tratadas. Estamos adoecidos e adoecemos as pessoas que estão ao nosso redor. Somos sisudos pela influência danosa da velha natureza que herdamos dos nossos primeiros pais. Amargurados e ressentidos, produzimos o veneno que vai nos destruir.

Fico observando o número de pastores que gostam do pódio, dos confetes, elogios e bajulações. Homens que não conhecem a simplicidade de Cristo. Que não se aprofundam nos evangelhos. Causa-me tristeza ao ver tanto ciúme, disputas, maledicências e politicagens em nossas reuniões associacionais, convencionais e ministeriais. Somos um grupo dividido pela vaidade. Não nos unimos para projetos comuns e ajudar os que precisam. Aspiramos e lutamos pelos lugares altos. Temos dificuldade em servir. Gostamos e fincamos os pés em nossas ‘opiniões’ e não no que diz a Palavra de Deus. Estamos longe da mansidão e da humildade tão vividas e ensinadas por Jesus (Mt 11.29). Causa-me asco ao ver tanta carnalidade entre os chamados ‘ministros evangélicos’. Tantas disputas por cargos em vez de levarem as cargas uns dos outros. Podemos ser inescrupulosos nas indicações para a liderança das igrejas. Usamos a nossa ‘influência’ e não a do Espírito Santo. Queremos fazer as coisas acontecerem em vez de deixar Deus fazê-las.

Esquecemo-nos de que ser pastor é imitar o Senhor Jesus Cristo, nosso Pastor Supremo. É dedicar-se à oração e ao ministério da Palavra. Liderar um hospital para pecadores. Ter seriedade no trato das coisas de Deus. Considerar a Igreja uma comunidade da aceitação, do perdão e da festa. Precisamos ser obreiros simples, bondosos, graciosos, perdoadores, catalisadores, piedosos, amorosos e servidores. Fomos chamados como homens comuns, muito comuns, para um trabalho extraordinário, tão sublime. Precisamos entender que ministério não é mérito, mas graça. Você e eu não somos dignos e nem temos competência para o trato das coisas de Deus se Ele não for conosco (2 Co 3.5). O ministério não é para se exaltar, mas para exaltar o nosso Senhor que nos chamou com uma santa vocação. Se estamos exercendo o ministério é apenas por graça da parte de Deus Pai. O mérito não é de quem recebe o ministério, mas de quem o possui e o concede apenas por graça plena.

O ministério pastoral não é para tietagem. Não é para o pódio, o lugar mais alto, mas para o chão, para o húmus. Ministério não se exerce pelo método organizacional, mas pelo estilo de vida de Jesus, o estilo do organismo, pelos Seus princípios, quando somos membros uns dos outros em profundo amor. O pastor não é um executivo da fé ou eclesiástico, mas aquele que foi executado na cruz juntamente com Cristo Jesus (Gl 2.10; 2 Co 4.10). O ministério não é nosso, mas de Cristo Jesus. A Igreja é de Jesus, que a comprou com o Seu precioso sangue. Não é ‘ministério fulano de tal’, mas ministério do Senhor Jesus Cristo. Nós, pastores, somos servos de Jesus servindo o Seu povo. Quem deve aparecer sempre é o Senhor Jesus. Aprecio João Batista que preparou o caminho do Senhor. Ele era apenas coadjuvante. Ele disse em relação a Jesus: “Importa que Ele cresça e eu diminua”. Este é o nosso caso. Nada além. Ser João Batista é um caso de morte com Cristo na obra da cruz. Como disse Paulo: “Não mais eu, mas Cristo” (Gl 2.20) e “para mim o viver é Cristo” (Fil 1.21).

Pastores que vivem destilando rancor não são pastores. Elementos que vivem detonando os companheiros do exército de Cristo não são dignos de estar nele. Aqueles que vivem criticando, agindo com maledicência, sendo maliciosos, dissimulados, prejudicando o irmão, exigindo reconhecimento, buscando proeminência, se arrogando do que fazem, não são dignos do ministério tão sublime para o qual o Senhor nos chamou. Os elementos que vivem destilando críticas ferinas aos companheiros de jornada não são dignos do ministério de Jesus. Que nos arrependamos das nossas mazelas, incoerências, críticas, legalismo, magoas, rejeições, ressentimentos e tantos outros erros. Perdemos tempo em falar mal daqueles que lutam conosco a luta da fé, do evangelho. Há muitos que fazem parte da quinta coluna, daqueles que lutam contra o Reino de Deus, contra o seu próprio exército. Estes irão de mal a pior se não mudarem de vida. É uma incoerência pregar o evangelho de Cristo e vivê-lo muito mal. Os escribas e fariseus ensinavam muito bem, mas viviam muito mal. Que o Senhor nos livre de ser rancorosos. Sejamos amorosos. Vivamos a mensagem preciosa, incomparável e insubstituível do evangelho de Cristo, que é o poder de Deus para a salvação de todo o que crê (Rm 1.16), e que perdoa a ofensa. Que Deus, nosso Pai, tenha misericórdia de nós.

Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob
Pastor da Segunda Igreja Batista em Barra Mansa – RJ
Colunista deste Portal
pitzerjacob@gmail.com

FONTE: ADIBERJ

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Publicado por em 23/10/2013 em POIMENIA

 

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