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SMARTPHONE RETRO, OU NOSSA INCAPACIDADE PARA O DESAPEGO

19 set

Nada mais difícil — ou árduo — que a arte do desapego. E é no nosso apego ao passado — ou nostalgia — que aposta o criador do Rotary Mechanical, um smartphone conceitual com uma tela digital sensível ao toque na frente e um disco rotativo old-fashioned atrás. O smartphone retrô é a tentativa de “incorporar mais sentimentos e mais vida cotidiana aos objetos digitais”.

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© Richard Clarkson, “Rotary Mechanical”.

Vivemos a era do efêmero e das constantes mudanças. Junto a toda nova tecnologia, surge também a dificuldade do ser humano de se desapegar daquilo que é seu passado — ou vivência passada — e que compõe, não raro, parte de sua personalidade e de sua percepção de si e do mundo ao seu redor. Essa desvinculação, ou ruptura abrupta causada pelas novas tecnologias, parece ser uma das origens da sensação de desamparo que a modernidade muitas vezes surte nas pessoas.

“Nos tempos modernos, esses objetos têm nos definido, mas quem e o que define esses objetos? Estamos felizes com o retângulo padrão dos touchscreen ou queremos mais tangibilidade, algo com mais vida, algo com mais aura?”. Essa é a proposta do designer inconformado com os padrões retangulares, Richard Clarkson, ao criar o protótipo de smartphone conceitual de discagem mecânica que chamou de Rotary Mechanical.

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Em busca de mais vida, mais aura, o protótipo vem com dois discos metálicos, um de girar, para ligações, e outro de teclas, para acessar os menus do telefone — ou para ligações que exijam rapidez na discagem. Os discos podem ser trocados seguindo a mesma lógica da troca de lentes das máquinas fotográficas. O aparelho tem toques minimalistas e é feito de metal em cores escurecidas para compôr o ar retrô — charmoso — do protótipo.

Richard Clarkson traz também a reflexão sobre tudo o que perdemos com o crescimento do digital em nossas vidas: a discagem mecânica, entre outras coisas, é óbvia. Essa não é a primeira vez que se tenta trazer mais sentimento e vida aos objetos digitais (é só lembrar do tamagochi).

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Todo apego tem sua origem no medo, uma vez que só nos apegamos àquilo que tememos perder. No caso da nostalgia, é a dificuldade em superar tudo aquilo a que nos acostumamos. Não há justificativa para o Rotary Mechanical em nossa vida moderna, exceto pelo conforto sentimental da identificação e da sensação de que “antigamente é que éramos felizes”. O retrô talvez seja nossa dificuldade em aceitar que estamos envelhecendo e a consequente limitação em se adaptar ao novo.

Há que se lembrar que a sensação de desamparo acompanha o ser humano por toda a sua existência, com a nostalgia fazendo nos acreditar que era diferente no passado. É parte da natureza humana — ou seria destino — o medo e o apego, o que nos torna assim tão visceralmente humanos.

Ainda como protótipo, há a possibilidade de que se torne comercial, para alegria dos adeptos do retrô e dos que cultivam o gosto por artigos de personalidade. De qualquer forma, parece mais confortável — ou elegante — caminhar rumo ao futuro incerto com mais sentimento, vida e, ao menos, algum estilo.

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SOBRE A AUTORA: Michelli Lorenzi fica pensativa em dias chuvosos, faz aulas de violino aos sábados e tem o péssimo hábito de deixar livros e sapatos espalhados pela casa.

Fonte: OBVIOUS

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Publicado por em 19/09/2011 em POIMENIA

 

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