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Sul-coreanos resistem à psicoterapia ocidental para tratar depressão e estresse

17 set

Às vezes pode parecer que a Coreia do Sul, sobrecarregada, estressada e sempre ansiosa, está à beira de um colapso nervoso nacional, com uma taxa de divórcio em crescimento, estudantes que se sentem sufocados pelas pressões acadêmicas, uma taxa de suicídio entre as mais altas do mundo e uma cultura corporativa machista que ainda encoraja bebedeiras de apagar depois do trabalho.

Mais de 30 sul-coreanos se matam todos os dias, e os suicídios de artistas, políticos, atletas e líderes empresariais se tornaram quase lugar comum. Os suicídios recentes de quatro estudantes e de um professor da principal universidade da Coreia chocaram o país, e nas últimas semanas um anunciante de beisebol na TV, dois jogadores de futebol profissionais, um presidente universitário e o ex-cantor líder de uma popular banda de garotos se mataram.

E ainda assim os coreanos – embora abracem as inovações ocidentais quase obsessivamente, desde smartphones até a internet e cirurgia plástica – resistem amplamente à psicoterapia ocidental para suas tratar suas crescentes ansiedades, depressão e estresse. As modalidades de terapia falada com psiquiatras, psicólogos e outros tipos de conselheiros treinados estão apenas lentamente sendo aceitas, de acordo com especialistas em saúde mental daqui.

“Falar abertamente sobre problemas emocionais ainda é um tabu”, diz o Dr. Kim Hyong-soo, psicólogo e professor da Universidade Chosun em Kwangju.

“Com a depressão, a inclinação dos coreanos é apenas aguentar e superar”, diz ele. “Se alguém vai ao psicanalista, as pessoas sabem que ele será estigmatizado pelo resto da vida. Então elas não vão.”

Especialistas em saúde mental dizem que muitos sul-coreanos com problemas buscam ajuda em clínicas psiquiátricas privadas (e pagam suas contas em dinheiro) para que os registros de seguro saúde do governo não carreguem o estigma de um “Código F”, que significa alguém que recebeu reembolso por esse tipo de atendimento.

Mesmo quando os coreanos buscam aconselhamento, o progresso pode ser difícil.

Um psiquiatra proeminente com consultório em Seul, Jin-seng Park, disse que não é incomum para alguns novos pacientes chegarem a seu escritório, falarem sobre um problema por 40 minutos e depois ficarem chocados quando recebem a conta.

“Eles dizem: ‘eu tenho que pagar? Só para falar? Posso fazer isso de graça com meu amigo ou meu pastor”, diz o Dr. Park.

Os pacientes também hesitam, diz ele, diante de ideia de passar mais do que algumas sessões em terapia de fala. Em vez disso, a maioria dos pacientes pedem, e esperam, medicação, diz Park, cujo site aconselha que “quase todos os medicamentos usados nos EUA também estão disponíveis da Coreia. Então não se preocupe em conseguir esses medicamentos aqui.”

Cerca de um terço de seus pacientes o procuram pelo aconselhamento, diz Park, e o resto quer medicação.

“Os coreanos estão ficando mais confortáveis com a psicoterapia ocidental, mas isso é limitado aos altamente educados e àqueles familiarizados com o modo de vida ocidental”, diz o Dr. Oh Kyung-ja, professor de psicologia clínica treinado em Harvard que dá aulas na Universidade Yonsei em Seul.

Enquanto isso, a taxa de suicídio na Coreia do Sul não é nada menos que alarmante, quase três vezes maior do que nos Estados Unidos. A taxa aqui dobrou na década entre 1999 e 2009. Os pactos de suicídio entre estranhos que se conhecem online são um fenômeno em crescimento. As mortes por ingestão de pesticidas, enforcamento ou quedas de prédios altos são as mais comuns.

“Temos visto um aumento rápido da depressão, e eu diria que 80% a 90% dos suicídios são subprodutos da depressão”, disse o Dr. Kim. As clínicas de saúde mental do governo provaram ser eficientes para ajudar com problemas familiares ou conjugais básicos, diz ele, “mas não estão atingindo a depressão.”

“Essa questão ainda é muito fechada. Nós ainda a escondemos.”

A sociedade sul-coreana é tradicionalmente fundamentada em valores budistas e confucianos, que enfatizam a diligência, estoicismo e modéstia. Preocupações individuais são secundárias. Preservar a dignidade, ou a “cara”, especialmente para a família, é crucial.

Alguns especialistas atribuem o mal-estar emocional da Coreia do Sul ao declínio desses valores tradicionais e à ascensão do país como uma moderna potência industrial, começando nos anos 80. A Coreia do Sul, que já foi mais pobre do que a terrível Coreia do Norte, agora se vangloria de ser a 13º maior economia do mundo.

“À medida que a sociedade se tornou mais orientada para o materialismo, as pessoas começaram a se comparar”, disse o Dr. Park. “Há muita competitividade agora, começando até mesmo na infância, e os objetivos de vida mudaram. Temos um ditado: ‘se um primo compra terra, o outro primo fica com dor de estômago.”

Com os valores confucianos perdendo vigor, os coreanos usam uma variedade de formas – exceto medicamentos sob prescrição médica – para se livrar do estresse do ritmo frenético da vida urbana. Consultas a xamãs, exercícios ao ar livre como golfe e caminhada, álcool, religião organizada, a internet e viagens são válvulas de escape comuns agora.

O aconselhamento pastoral cristão pode oferecer apoio para alguns pacientes, disse o Dr. Park, que ensinou técnicas terapêuticas para ministros, embora ele alerte que este não é um substituto para a terapia profissional. “Os pastores tentam tratar os pacientes”, diz ele, “e isso pode ter complicações sérias e perigosas, até mortes.”  CONTINUA…

Fonte: UOL

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Publicado por em 17/09/2011 em POIMENIA

 

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