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Igrejas protestantes históricas voltam a crescer

17 set

Robinson Cavalcanti

Tem sido destacado, por analistas religiosos e seculares, o resultado da última pesquisa com ampla amostra, de 2009, sobre Religião no Brasil, e já veiculada pela imprensa, com avaliação de especialistas, de que as Igrejas Protestantes Históricas voltaram a apresentar significativa taxa de crescimento, com uma redução da mesma taxa entre as igrejas pentecostais e uma evidente “migração” interna entre os neo(pseudo)pentecostais, em que a Igreja Mundial não surge do nada, mas de um deslocamento de 25% dos frequentadores-membros-clientes da Igreja Universal.

No passado recente, tivemos até alguns precipitados sociólogos da religião defendendo a extinção das Igrejas Protestantes Históricas em poucas décadas. Já outros, com maior conhecimento da História do Cristianismo, e do movimento inexorável seitas-seitas estabelecidas-igrejas, ao contrário, apontavam para um breve retorno do crescimento das Igrejas Históricas, inclusive atraindo a segunda e terceira gerações de pentecostais e neo(pseudo)pentecostais procurando algo mais sólido para suas vidas espirituais, pois, afinal, não é por nada que estamos há dois mil anos na praça…

Na segunda metade do século dezenove e primeira década do século vinte somente havia no Brasil as Igrejas Históricas, sob severa restrição legal e sob não menos severa perseguição e preconceito social, cujo estabelecimento e crescimento foram marcados pelo sacrifício, pelo heroísmo e, mesmo, pelo martírio, em condições tão adversas. As primeiras décadas da presença Pentecostal, a partir de 1909, foram marcadas por um modesto crescimento, e os históricos cresceram bastante nas décadas seguintes.

Apenas na segunda metade do século vinte, com a chegada de novos grupos e o surgimento do Movimento de Renovação Espiritual é que o Pentecostalismo de certa forma explodiu por 30 ou 40 anos, sendo, crescentemente, ultrapassado pelo volátil neo(pseudo)pentecostalismo no final do século vinte e início do século vinte e um.

Agora, no conjunto, há um forte crescimento do Protestantismo Nominal – desviados, afastados, ocasionais, sacramentais, bissextos, “crentes de IBGE”, descendentes de crentes, lato senso, etc. (algo entre 5 e 7 milhões), seitas exóticas ainda pipocam ali e acolá, e o extremo fundamentalismo e o extremo liberalismo se posicionam em bolsões nas margens.

Há tempo que tenho afirmado que, no meio de tanta zoeira, houve algo positivo no Protestantismo brasileiro recente – a redução da polarização em torno da pneumatologia, pois a maioria dos históricos admite a contemporaneidade dos dons espirituais e parcela expressiva dos pentecostais começa a revalorizar a história, a teologia e a liturgia dos históricos.

Se um ramo do Cristianismo tem séculos de sobrevivência, isso significa a sua capacidade de manter os seus postulados e a sua rica herança sempre enriquecidos pela capacidade de adequação a novos tempos, espaços e desafios, sem se descaracterizar (ecclesia reformada semper reformanda).

Houve muita gente nas Igrejas Históricas que entrou em crise, se deprimiu, se autodesvalorizou diante da ‘inexorável marcha’ em direção ao pentecostalismo ou ao neo(pseudo)pentecostalismo, seja por convicção, seja por pragmatismo, aderindo sofregamente às suas práticas (que encheriam igrejas e bolsos…).

Há, cada vez mais, filhos e netos de pentecostais e neo(pseudo)pentecostais que adquirem uma escolaridade de nível superior ou técnico e que ascendem à classe média, com novas exigências intelectuais e estéticas, rejeitando o sectarismo, o moralismo-legalismo e o antiintelectualismo dos seus antepassados, bem como a ausência de raízes e acumulação histórica.

As portas das Igrejas Históricas estão abertas para esses irmãos e irmãs, que, inclusive, nos colaboram como sopro renovador às vezes valorizando mais as marcas das Igrejas Históricas do que os seus antigos membros rotinizados, encabulados ou complexados.

Diante desse momento de maturidade, quando as “ondas” vão sendo vistas exatamente como elas são, ou seja, “ondas”, o Anglicanismo, em sua vertente evangélica e de missão integral, com humildade, mas sem falsa modéstia, tem algo para contribuir, e se constitui em um atraente lar espiritual e porto seguro para pessoas sérias e comprometidas com a verdade, a unidade, a moderação, o bom senso e a beleza na adoração. A Igreja Anglicana-Diocese do Recife, pede passagem…

Fonte: PAVABLOG

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Publicado por em 17/09/2011 em POIMENIA

 

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