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Pe John McCloskey: famoso por converter protestantes, diz que o legado conservador de João Paulo II vai perdurar por mais quatro décadas

16 set

por Jos Eduardo Barella

O padre americano, famoso por converter protestantes, diz que o legado conservador de João Paulo II vai perdurar por mais quatro décadas

O padre John McCloskey, de 48 anos, não canta, não dança nem arrasta multidões para suas missas, mas está virando uma versão americana do padre Marcelo Rossi. Membro da Opus Dei, organização ultraconservadora ligada à Igreja Católica que atua de forma quase secreta, McCloskey ganhou notoriedade por ter convertido ao catolicismo membros influentes da elite política americana, tradicional reduto de protestantes. Entre as novas aquisições para o rebanho católico estão um senador republicano e dois jornalistas muito conhecidos. Presença constante em programas de TV, McCloskey também chama a atenção por sua trajetória. Economista, ele abandonou um emprego promissor em Wall Street para se ordenar padre, em 1981. McCloskey é um conservador no que diz respeito à missão e aos dogmas da Igreja Católica. Condena a atuação política de padres, elogia o pontificado de João Paulo II e assegura que a Igreja Católica nunca vai abandonar a condenação do controle de natalidade, do divórcio e do homossexualismo. McCloskey falou a VEJA, por telefone, de Washington.

Veja – Por que um protestante abriria mão de sua religião para se converter ao catolicismo?
McCloskey – Porque é crescente o número de protestantes que compartilham os valores morais da Igreja Católica. São cristãos que acreditam na Bíblia, nos dez mandamentos e têm laços pessoais com Jesus Cristo. Se muitos protestantes e evangélicos simpatizam hoje com a Igreja Católica, isso se deve basicamente ao papa João Paulo II. Ao longo de seu pontificado, João Paulo II insistiu na defesa dos valores da Igreja Católica, o que inclui a condenação do aborto, do divórcio e do controle de natalidade.

Veja – As posições conservadoras da Igreja costumam ser citadas como fatores que afastam o fiel do catolicismo. Por que o senhor acredita que o fenômeno inverso ocorra nos Estados Unidos?
McCloskey – É um fenômeno interessante. Muitos católicos que não conheciam a própria fé deixaram a Igreja e se tornaram evangélicos. Ao mesmo tempo, evangélicos mais esclarecidos fizeram o caminho inverso, como um senador americano e centenas de pastores protestantes. Eles sentiram-se atraídos pela antiguidade da fé católica, com seus 2.000 anos de história. A Igreja Católica tem sacerdotes, o papa, a tradição dos grandes santos, a arte, a cultura, a literatura. Enfim, tem uma carga que não se vê em outras religiões. Os protestantes são cristãos. Mas compartilham apenas uma parte da verdade, de acordo com o ponto de vista dos católicos.

Veja – O senhor concorda que boa parte dos católicos discorda da posição oficial da Igreja em assuntos como controle de natalidade e divórcio?
McCloskey – A posição do papa sobre divórcio, aborto, controle de natalidade não pode mudar, pois está ligada ao que é a Igreja Católica. A Igreja propõe a verdade a seus fiéis, não impõe. Se alguém não quiser pertencer à Igreja, está livre para sair. Note que a Igreja Católica não é uma democracia. É uma instituição divina que não pode ser questionada. Ao ser criada, tinha apenas doze apóstolos. Hoje chega a 1 bilhão de fiéis – e isso sem que precisasse mudar suas opiniões, baseadas na ressurreição divina e na palavra de Jesus Cristo. Concordo com a tese de que é preferível ter um rebanho menor de católicos, mas fiéis aos princípios e às normas da Igreja, a mudar as regras apenas para arregimentar mais seguidores.

Veja – É mais difícil converter um ateu ou alguém que já tem uma religião?
McCloskey – Converter o ateu, sem dúvida. Mas cada um tem sua própria história e sobretudo uma graça que o impele a buscar o catolicismo. É o caso de um médico conhecido por praticar abortos, que era ateu e foi convertido. Há também casos de judeus que ajudei a converter. Mas todos eles sabem que a conversão exige sacrifícios em muitos sentidos. Alguns fizeram a opção em questão de meses. Outros levaram anos. Não há uma receita pronta, é uma questão de graça e de boa vontade da pessoa que está se convertendo à fé católica.

Veja – O senhor causou muita polêmica ao qualificar de “protestantes” as correntes dentro da Igreja Católica que discordam das determinações do Vaticano. O que o senhor quis dizer com isso?
McCloskey – Nos Estados Unidos, mais do que em outros países, há um grande número de pessoas que se dizem católicas, mas não concordam com os ensinamentos doutrinários e morais da Igreja. Isso me parece confuso. A definição de um protestante, desde a Reforma, tem sido a mesma: é aquele que é cristão, mas não está de acordo com certos ensinamentos da Igreja Católica. As principais divergências se dão em relação a temas como o divórcio, o aborto, a homossexualidade e a ordenação de mulheres. Não se trata de estar de acordo ou não com esses temas – trata-se de uma questão de fé. Se você acredita na Igreja Católica, tem de se entregar totalmente às causas defendidas pela Igreja. A tendência nos próximos anos é de que desapareçam essas pessoas que se dizem católicas, mas na prática não o são. CONTINUA…

Fonte: CATHOLICITY

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Publicado por em 16/09/2011 em POIMENIA

 

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