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Livro conta divórcio de menina de 10 anos no Iêmen

02 nov

Nujood Ali (esq.) e Shada Nasser (dir.), advogada da menina, recebem o prêmio Glamour Women of the Year de 2008, em Nova York

A jornalista e escritora franco-iraniana Delphine Minoui conta em um livro a história de Nojoud Ali, uma menina iemenita de 10 anos que foi a um tribunal e obteve o divórcio do marido, mais de 20 anos mais velho que ela, com a ajuda e determinação do juiz.

Em entrevista, a autora explica que a história contada no livro Moi Nojoud 10 Ans Divorcee (Eu Sou Nojoud, 10 Anos e Divorciada, em tradução livre) é a prova de que, apesar da permanência destas práticas, que atentam contra os direitos mais elementares da infância e das mulheres, “há esperança” para as meninas que são obrigadas a se casar.

“Apesar de seu caso ser trágico, assim como, infelizmente, da metade das meninas do Iêmen, a coragem da pequena” foi o que incentivou Minoui a escrever o livro, conta.

A menina “quebrou um tabu e foi se refugiar em um tribunal para pedir o divórcio, depois que a casaram com um homem 30 anos mais velho, que abusava sexualmente dela”.

“Teve a sorte de encontrar um juiz que aceitou ouvi-la, que se comoveu com sua história e prometeu ajudá-la, advertindo, no entanto, que a vitória não era certa”, conta a escritora, cujo pai é iraniano e que vive no Líbano.

Cumprindo o prometido, “o juiz se mobilizou, contratou uma advogada especialista em direitos das mulheres, que divulgou o caso à imprensa e pressionou para que Nojoud recebesse o divórcio”.

“Segundo estatísticas que encontrei na Universidade de Sana (capital do Iêmen), mais da metade das meninas no Iêmen se casa antes dos 18 anos e é comum ver menores de 11, 12 ou 13 anos carregando os filhos nos braços”, narra.

De acordo com a jornalista, “isso faz parte da normalidade, não só no Iêmen, mas também em países como Afeganistão, Egito e outros da região”, onde muitas vezes se impõe a lei do silêncio e transforma o tema em tabu.

No entanto, afirma que “o fabuloso por trás da tragédia de Nojoud é que há esperança, porque ela ousou fazer o que nunca ninguém tinha feito antes”, como conta o livro, já traduzido para mais de 20 idiomas.

Para a jornalista, as dificuldades da vida das mulheres nesta região do mundo são devido a vários fatores, “entre eles, o religioso, já que, em muitos países, as leis são inspiradas na lei islâmica, ou sharia”.

“Mas é um clichê atribuir a situação da mulher apenas à religião, já que existe também o fator tribal, onde prevalece a questão da honra, principalmente nas aldeias, onde e mal visto que uma menina cresça sem se casar”, explica. Leia +

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Publicado por em 02/11/2009 em POIMENIA

 

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