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Eles estão na rede! E você?

20 out

Ainda há poucos estudos definindo o comportamento de compra específico dos nativos digitais. O que podemos antecipar, segundo o autor de livros como “A Inovação Vencedora do Varejo” e idealizador da comunidade Redondo, que busca compreender a nova sociedade digital, Volney Faustini (São Paulo/SP), são seus gostos e tendências: são muito conscientes – daí a preocupação ecológica e da sustentabilidade -; honram empresas com posturas sociais; preferem produtos mais funcionais e confortáveis; estão antenados nas inovações e novidades; e acompanham o que seus pares recomendam ou rejeitam.

Os nativos digitais não costumam fazer compras em lojas virtuais (apenas 6% fazem compras on line), mas suas compras em lojas off line são fortemente influenciadas pela internet. “Eles sempre utilizam a internet para pesquisar sobre os produtos que desejam antes de irem a uma loja física: características, preços e críticas ao produto ou à empresa. 83% dos nativos digitais sabem exatamente o que desejam antes de partirem para a compra em loja física”, apura o especialista em Design Instrucional para Educação à Distância On Line, mestrando em Tecnologias da Inteligência e Design Digital e autor do blog http://www.nativosdigitais.org/blog, José Erigleidson da Silva (São Paulo/SP). Ele salienta que um estudo realizado nos Estados Unidos mostrou que 80% dos nativos digitais que fizeram compras em lojas físicas não foram motivados por campanhas de marketing off line. “Isso sugere claramente para onde devem ser direcionados os esforços de comunicação. Os nativos digitais estão literalmente na rede, e é para lá que as empresas devem apontar seus esforços de venda e comunicação”, enfatiza.

Esta nova realidade exige, portanto, novas posturas das organizações. “Sete em cada dez nativos digitais desejam trabalhar de mãos dadas com as empresas para construírem melhores produtos e serviços. As empresas devem criar campanhas de comunicação nas quais o novo consumidor não seja apenas um mero receptor, é preciso ter trocas, envolvimento e levá-los para dentro da campanha”, salienta Silva. Além disso, integridade é um dos aspectos mais importantes no relacionamento empresa-nativos digitais. Deve-se esquecer a comunicação de mão única, que é típica das mídias de massa. “O novo consumidor é bem diferente daquele que ficava em estado semi-paralisado em frente a uma TV, numa postura completamente passiva. Os nativos digitais são verdadeiros descobridores de informações sobre produtos”, diz. Silva explica que eles estão acostumados com a velocidade da internet, dos softwares de mensagem instantânea e dos videogames, por isso esperam respostas rápidas seja lá de quem for. É preciso ser verdadeiramente veloz com esse público, seja na entrega de um produto ou serviço ou na comunicação. “Longas esperas no atendimento telefônico ou e-mails que levam dias para serem respondidos com certeza terão efeito devastador na relação com esse público, por isso é extremamente aconselhável que as empresas se preparem para respondê-los instantaneamente”, assegura.

Dados de 2007 apontam que, na Europa e nos EUA, os adolescentes de até 17 anos já trocaram a televisão pelas muitas mídias que surgiram depois que eles nasceram. Um estudo realizado entre jovens de 6 a 18 anos em oito países iberoamericanos, entre eles o Brasil, mostrou que a televisão é o meio que mais sofre com a concorrência da internet. 43% desses jovens declaram que deixaram de dedicar seu tempo à televisão depois que começaram a utilizar a internet. Esse mesmo estudo aponta para a diminuição da TV como opção de divertimento, tendo sido essa a preferida de 37% dos nativos digitais, enquanto a internet alcançou 45%. “Isso não quer dizer que esse público perdeu o interesse pelo vídeo, só que agora eles podem baixar seus filmes e seriados preferidos pela internet e assisti-los pelo computador”, garante Silva.

É fundamental, segundo Silva, a tomada de consciência de que existe de fato um novo consumidor. “É preciso compreender que isso não é mais um discurso que chegou e irá passar. Não irá passar, não é mais um apelo da moda. As empresas precisam criar presença na cultura digital e isso não significa simplesmente ter um site institucional estático. Quando digo ter presença na internet eu quero dizer que elas precisam introjetar essa nova cultura em todos os seus processos, da produção ao relacionamento com o cliente”, conclui.

Entre o real e o virtual

Muitos se questionam se estas crianças, imersas na realidade virtual, estão preparadas para enfrentar a vida real. No entanto, a diferença entre mundo virtual e real não existe para esta geração. Para elas, tudo é real. Silva diz que pensar em um mundo virtual e outro real é coisa dos pais dos nativos digitais, de quem nasceu em uma cultura analógica. Para os nativos digitais essa separação de mundos não existe, o virtual e o real se misturam na única realidade que eles conhecem, já que a tecnologia é como o ar para eles.

A psicopedagoga Aline Aguiar de Carvalho salienta que fazer tudo ao mesmo tempo é uma característica dessas crianças, pois conseguem ver televisão, falar ao celular, escutar músicas pelo – já – MP15, baixar músicas pela internet, jogar em rede, tudo isso possibilitado pela tecnologia que tem o intuito de facilitar a vida das pessoas. Porém, mesmo com essas facilidades, ela diz que é preocupante ver que eles esquecem que existem outras formas de aproveitar a vida, de um subir em árvores a observar um pôr-de-sol e não simplesmente estar fechado entre quatro paredes, acompanhados por milhares de pessoas no mundo virtual e sozinhos no mundo real. Para ela, existe o lado positivo e o negativo desta nova realidade. “Estar vivendo nessa era tecnológica é positivo quando se usa para estar ciente dos acontecimentos diários de nosso mundo. Negativo quando deixamos que ela seja o nosso único caminho a seguir, entendido como uma verdade absoluta”, enfatiza. A escola, segundo ela, vem para contribuir com um novo olhar e não somente aquele onde o ‘ter’ é fundamental. “O educador precisa mostrar que o ser também é muito importante para que as crianças possam entender como e porque se desenvolvem desse jeito ou daquela maneira”, explica. Aline questiona se estas crianças, que já nascem com um controle na mão, com um palm e um computador de última geração, também sonham. “Viver apenas em um mundo virtual não possibilita que os sonhos façam parte de um desejo de ‘ser’ quando pertencentes ao mundo real”, salienta.

Embora reconheça que há muitas dúvidas e receios por parte de pais e educadores em relação às crianças e o virtual, para Faustini não tem como separá-las da conectividade e do relacionamento com instrumentos tecnológicos. Alguns estudos mostram, inclusive, que a tecnologia auxilia no desenvolvimento das crianças. Quando estão utilizando o computador, elas são obrigadas a exercitar a lógica e o raciocínio. Muitos games também levam o jogador a tomar decisões estratégicas e contêm histórias com legendas em inglês, por exemplo. Ele conclama: “De uma vez por todas – mesmo que sejam bits e bytes -, esse é um mundo de verdade. Experimente fazer uma transferência bancária pela internet, para ver se esse mundo é ou não é real!”.

Quem são os nativos digitais

– Honram empresas com posturas sociais;
– São muito conscientes;
– Preferem produtos funcionais e confortáveis;
– Estão antenados nas inovações e novidades;
– Acompanham o que seus pares recomendam ou rejeitam;
– 83% sabem exatamente o que desejam antes de partirem para a compra em loja física; – Possuem espírito explorador, aprendem por descoberta;
– Articulam-se socialmente por meio das diversas redes sociais.

Lia Nara Bau/Jornal Exclusivo

Fonte: EXCLUSIVO ON LINE

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Publicado por em 20/10/2009 em POIMENIA

 

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