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Telecentros ajudam jovens a entrar no mercado de trabalho em São Paulo

10 out

Flávia Albuquerque, da Agência Brasil

Depois de participar de um curso básico de informática em um dos telecentros mantidos pela prefeitura de São Paulo, Maurício Expedito de Jesus, 20 anos, morador do Jardim Aeroporto, Zona Sul, conseguiu um emprego e há sete meses é auxiliar administrativo. Para ele, participar do curso foi essencial para conseguir entrar no mercado de trabalho. “Sem conhecimento não teria como ter entrado onde estou agora, porque aqui usamos muito o computador. Se eu não soubesse nada estaria apanhando até agora, provavelmente nem tivesse conseguido a vaga”, afirmou.

Segundo ele, depois de participar dos cursos oferecidos nos telecentros, começou a pensar mais em seu futuro profissional.

“Antes tinha o pensamento de terminar a escola e depois de começar a fazer as aulas comecei a ter vários conhecimentos sobre mundo do trabalho. Estou pensando em me especializar nessa área fazendo mais cursos na área de rede e no futuro uma faculdade.”

A montadora de jóias, Carina Mota da Silva, 23 anos, fez seis cursos no telecentro em São Miguel Paulista, bairro onde reside na Zona Leste. Ela afirma que sabia pouco sobre informática e que os cursos serviram para aprimorar o conhecimento. “Ajudou não só o lado profissional, mas o pessoal também. Eu gosto de usar o computador para aprender as coisas. O que aprendi principalmente foi a usar o computador. Aprendi também marketing pessoal que me ensinou a ter paciência, a conversar com as pessoas, vender produtos, me relacionar melhor no trabalho.”

Desde junho de 2001, os moradores de áreas de maior vulnerabilidade social podem ter acesso à informática por meio das unidades do Programa Telecentros. As estruturas são montadas para permitir que o cidadão que nunca se aproximou de um computador aprenda como usar a máquina. A rede tem 320 unidades espalhadas por todas as regiões da capital paulista e atende 1,7 milhão de paulistanos, uma média de 740 pessoas por mês. O acesso é gratuito e o cidadão conta com o auxílio de orientadores em cada uma das unidades.

Aqueles que já conhecem o computador podem usá-lo livremente para acessar a internet, fazer trabalhos escolares e profissionais, enviar e receber e-mails. Cada telecentro tem cerca de 20 máquinas conectadas à internet com banda larga e velocidade de conexão alta. Além disso estão disponíveis impressoras, aplicativos e ferramentas, como processadores de texto e planilhas de cálculo, todas software livre.

Segundo o coordenador geral do Programa Telecentros, da Coordenadoria de Inclusão Digital, órgão vinculado à Secretaria Municipal de Participação e Parceria, Frederico Guidone Scaranello, a meta é aumentar o número de unidades para 410 até o final do ano. Em cada unidade o usuário tem a oportunidade de realizar cursos não só na área da informática. “Em termos de evolução os telecentros se tornaram escolas digitais. Toda unidade está voltada a fazer com que o leigo chegue a ser um programador se quiser.”

Scaranello explicou que o foco dos telecentros é a empregabilidade, ou seja, dar ao cidadão a formação necessária para que ele consiga se colocar no mercado de trabalho. “É difícil que hoje haja um jovem que consiga um emprego no mercado de trabalho sem ser capacitado, certificado digitalmente, ou seja, se não souber usar computador ele está praticamente fora de qualquer profissão”, disse.

Segundo ele, os cursos e as oficinas funcionam com o intuito de melhorar a qualidade de vida do cidadão dando acesso à internet, cultura e lazer e dessa forma incluindo também socialmente esses usuários. “Todo o trabalho que é desenvolvido dentro das unidades está voltado para incluir digitalmente como ferramenta para incluir socialmente, trazendo para a formalidade essas pessoas.”

O coordenador dos telecentros enfatizou que a inserção no mundo da informática muda a vida das pessoas que passam pelas unidades dos telecentros e que no ano passado foram certificados 192 mil usuários. “Para nós é até difícil de raciocinar porque já temos o uso do computador e da internet como uma forma corriqueira de trabalho. Imagine aquela pessoa que nunca teve contato com a máquina, que não sabe nem ligar e desligar. De repente elas fazem um curso básico, vão para um curso médio, depois avançado”.

A coordenadora institucional do Núcleo de Pesquisas Estudos e Formação (Nupef) da Rede de Informações para o Terceiro Setor (Rits), Graciela Selaimen, ressaltou que no atual modelo de sociedade ter acesso ao conhecimento significa também ter acesso a direitos, oportunidades e desenvolvimento. “Se formos pensar na quantidade de inovações e nas portas que se abrem pelo uso das tecnologias, principalmente por aqueles mais necessitados ou excluídos socialmente, percebemos que esse é um direito que o Estado deve atender.”

Graciela disse que acompanhou o início da implantação dos telecentros em São Paulo e que considera o projeto inovador, pioneiro e transformador das comunidades. “Vimos experiências fantásticas de gente tomando para si aquela oportunidade e dominando a tecnologia para o atendimento de suas necessidades específicas”, afirmou.

(Agência Brasil)

Fonte: MERCADO ÉTICO

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Publicado por em 10/10/2009 em POIMENIA

 

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