RSS

Cientistas propõem nove “limites planetários” para preservar os sistemas do planeta

09 out
El País
Javier Sampedro

O mundo que conhecemos tem apenas 10 mil anos. Por volta dessa data acabou a pré-história e começou o holoceno, o raro período de bom tempo em que vivemos. Essa estabilidade poderia durar outros 7 mil anos, segundo prevê a geologia, mas a atividade humana alcançou um nível capaz de “prejudicar os sistemas que mantêm a Terra no estado de holoceno”.

Johan Rockström, da universidade de Estocolmo, e outros 28 cientistas de universidades e institutos europeus, norte-americanos e australianos propõem agora um novo e polêmico sistema. Estimaram nove “limites planetários” que a humanidade deve respeitar para não desestabilizar os sistemas terrestres essenciais, com mudanças climáticas bruscas e talvez catastróficas.

Três dos limites já foram transgredidos: os do aquecimento global, da extinção de espécies e do ciclo do nitrogênio. Outros quatro estão perto de cair: o uso da água doce, a conversão de florestas em plantações, a acidificação dos oceanos e o ciclo do fósforo. Os outros dois são a contaminação química e a carga de aerossóis na atmosfera.

  • Paulo Santos/ReutersVista aérea de protesto contra a devastação da Amazônia na abertura do Fórum Social Mundial em Belém, no Pará, em janeiro deste ano

Rockström e seus 28 colegas apresentaram sua proposta na revista “Nature”. A versão completa do trabalho está disponível em http://www.stockholmresilience.org/planetary-boundaries. O último número da revista “Nature Reports Climate Change” inclui as críticas de sete especialistas – incluindo o prêmio Nobel Mario Molina – e há um debate aberto sobre a proposta em http://tinyurl.com/boundariesblog.

A ideia que mais se discute para o novo acordo climático que será negociado em Copenhague em dezembro próximo é a “barreira dos 2 graus”: que a temperatura não suba mais que 2 graus acima do nível pré-industrial. Mas os cientistas não acreditam que essa meta seja suficiente nem adequada.

A barreira dos 2 graus se baseia nos modelos climáticos convencionais, que preveem um aumento de 3 graus cada vez que dobrar o nível de CO2 na atmosfera. “Mas esses modelos não incluem os processos de ‘feedback’ que aquecerão ainda mais o clima”, dizem os especialistas. Um exemplo de feedback: o aquecimento derrete os gelos e a perda da superfície de gelo causa maior aquecimento.

Quando esses feedback são incluídos, a duplicação do CO2 atmosférico não aumenta a temperatura em 3 graus, mas em 6 graus, um número que “ameaçaria os sistemas vitais do holoceno e questionaria gravemente a viabilidade das sociedades humanas atuais”, segundo os autores.

Sua proposta é outro tipo de barreira mais exigente. É composta de dois limites. Primeiro, que a contribuição humana ao CO2 atmosférico não passe de 350 partes por milhão (ppm). E segundo que a forçante radiativa (a mudança de energia na camada mais alta da atmosfera) não supere os níveis pré-industriais em mais de 1 watt por metro quadrado.

Os especialistas afirmam que “violar esses limites aumenta o risco de mudança climática irreversível, com a perda das principais camadas de gelo, o aumento acelerado do nível do mar e mudanças abruptas nos sistemas florestais e agrícolas”. Uma péssima notícia, porque ambos os limites já foram violados: o nível de CO2 está em 387 ppm e a forçante radioativa em 1,5 watt por m2.

De fato, “já começamos a ver evidências de que alguns subsistemas terrestres começaram a sair de seu estado holocênico estável”, dizem os especialistas. A rápida perda dos gelos árticos no verão, por exemplo. Também a massa minguante das camadas de gelo da Groenlândia e da Antártida ocidental. E o aumento acelerado do nível do mar nos últimos dez anos.

Oitenta por cento da atmosfera são nitrogênio – um componente básico de nossas células -, mas em uma forma gasosa que nem as plantas nem os animais podemos assimilar. São as bactérias que o transformam em nitratos e outras formas utilizáveis pelas plantas. Os animais o obtêm comendo as plantas. Outras bactérias o devolvem depois à atmosfera, fechando o ciclo do nitrogênio.

Mas a fabricação de nitratos como fertilizantes para a agricultura e os próprios cultivos de legumes – que podem assimilar o nitrogênio da atmosfera graças a uma bactéria simbiótica – já superaram todas as bactérias do planeta: fixam 140 milhões de toneladas de nitrogênio da atmosfera por ano. Leia + AQUI

Fonte: UOL

Anúncios
 
1 comentário

Publicado por em 09/10/2009 em POIMENIA

 

Tags: , , ,

Uma resposta para “Cientistas propõem nove “limites planetários” para preservar os sistemas do planeta

  1. Joel da Rocha Filho

    13/10/2009 at 13:10

    Prezado Pr. Chico. Peço por gentileza que altere meu endereço eletrônico para joelrocfi@hotmail.com. Grato e fique na paz de Deus.

    Aproveito a oportunidade para avisar que estaremos nos reunindo dia 17 de outubro com a UHBGC na IB Sião/Pr. José Soares.

     
 
%d blogueiros gostam disto: