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Pastores: ótimos referenciais, péssimos deuses.

08 out

Todo esse questionamento dentro de mim, essa necessidade de me ver inteira, esse grito de alma para ter o direito de ser “gente”, junto com o privilégio de ser Pastora, começou a uns 2 anos.

Antes dessa época eu não pensava que um dia precisaria “explicar” através de atitudes – nem sempre equilibradas – que sou uma pessoa como qualquer outra: que chora, que ri, que tem sentimentos, dúvidas, medos, fraquezas…

De quem foi a culpa por não terem entendido isso antes? Não houve apenas 1 culpado, mas circunstâncias diversas que contribuiram para consolidar o conceito velado de que Pastor é de ferro, e de que o infeliz não tem o direito de NÃO SER a quarta pessoa da Trindade.

“Não…Pastores não podem ser iguais a qualquer um – pensam muitos – essa raça tem que ser mais perfeita, tem que estar acima da média, ser o que nenhum crente consegue ser, andar de capa e botas de super-herói e voar de vez em quando! “

Não pretendo fazer apologia a respeito da minha visão, mas quer saber? Se você não concordar crie um blog pra você, “vossa santidade”, e coloque lá as suas ideinhas, “pris”.

Te digo só uma coisa: só quem sentiu na pele a ardência dessa queimadura é que sabe o valor do velho e bom Caladryl.

Bem, voltemos aos culpados! Foram tantos, mas acho melhor me colocar no topo dessa lista negra.

Culpado 1: EU

É…”mon ami”, euzinha mesmo. Passei pela fase de olhar só para fora, buscar canibalmente um culpado, qualquer um, contanto que não fosse eu. Contudo, tive que parar de correr para admitir que também fiz parte da montagem dessa mentalidade esquizofrênica nos crentes.

Eu e mais ninguém tinha permitido que uma porção de gente fosse carcereiro da masmorra gelada da “perfeição”.

Investi muitos anos na construção daquilo que eu achava que devia ser uma Pastora de verdade, uma boa Pastora. Sempre quis dar o meu máximo…sempre.

Não poder, não conseguir, não querer eram palavras inaceitáveis para mim. Não, eu nunca faria dessa forma…todos os outros sim, mas eu não.

Minhas madrugadas, meus dias, meus feriados? Nunca eram realmente meus, eram de todo mundo e mais um tanto.

Minha saúde? Um luxo desnecessário, frescura de dondoca que não quer servir o próximo (pensava eu).

Cansaço? Hahahahaaaaaaa….nem se comente aqui um sacrilégio destes.

Privacidade? Quequéisso, meu filho?

Pra resumir: Me propor a ser mãe de todo órfão, filha de todo pai decepcionado, irmã de todo mundo, marido de toda a mulher abandonada, amiga de toda a chata, mulher do meu marido, mãe das minhas filhas, irmã das minhas irmãs, filha da minha mãe, excelente dona de casa, funcionária pública incansável ha 24 anos, mulher de oração/adoração/Palavra, conselheira paciente, visitadora pontual, apartadora de encrencas (desculpe, quis dizer pacificadora), líder do ministério de Louvor/Coral/Teatro, líder de uma porção de outras líderes (que tinham outras necessidades), ter cabelos impecáveis, conseguir ir 1 vez por mês fazer manutenção no aparelho dentário etc…etc…etc…

…TODAS ESSAS E MUITAS OUTRAS COISAS FIZERAM DE MIM UM SACRIFÍCIO LITERALMENTE VIVO,

…A DEUSA QUEBRA-GALHO QUE TODO IDÓLATRA DE SERPENTE LEVANTADA NO DESERTO GOSTARIA DE TER,

…A SUPER HEROÍNA DE MEIA TIGELA, SAÍDA DA IMAGINAÇÃO DE UMA IDIOTA: EU!!!

Mas, sabe o que me fez cair das nuvens de verdade? Saber que o meu máximo não foi suficiente para as pessoas a quem mais me dei, ouvir que eu precisava ter sido mais e melhor, ver os olhos vermelhos e a respiração ofegante dos vampiros sedentos de um pouco mais do meu sangue. Isso doeu. Doeu muito.

Você que lê pode pensar que desenvolver esse comportamento é para tolos e que permitir tanto abuso é incompreensível, mas quem sabe, se for honesto consigo mesmo e olhar-se no espelho, você não descubra que está numa destas 2 posições:

1-De ser parte dessa gente que vê no Pastor um profissional obrigado a ser competente. Da corja que o chama de “amigo e irmão”, mas que despeja nele toda a expectativa de possuir um deus particular.

2-De ser esse homem/mulher de Deus que, no anseio de ser bom naquilo que faz, acaba ocupando um lugar que nunca foi e nunca será seu: o lugar de Deus.

Fonte: PASTORAGENTE

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Publicado por em 08/10/2009 em POIMENIA

 

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