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Verdadeiro Filho na Fé

30 set

Vincent Cheung

“A Timóteo, meu verdadeiro filho na fé … (1 Timóteo 1.2)

Deus disse ao primeiro homem, Adão: “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra!”. Embora isso seja frequentemente chamado de “Mandato Cultural”, e seja de fato um mandato, isso não sugere o escopo de “fazer cultura” que alguns cristãos tentam inferir a partir dele. O mandamento para povoar a Terra encoraja a reprodução humana, e para fazer o empreendimento mais confiável, poderia também implicar o estabelecimento de famílias e Estados. E o mandamento para subjugar a Terra poderia fornecer justificação para o desenvolvimento de todas as técnicas e tecnologias relevantes, e tudo o que utilize a natureza para os nossos benefícios a curto e longo prazo, e para a glória e honra de Deus, o que poderia incluir uma preservação da própria natureza. Muitas outras implicações menos óbvias que estão em harmonia com o espírito e o propósito do mandato poderiam também ser permitidas.

O mandato de fato requer que a humanidade “faça cultura” nesse sentido. Mas parece forçado demais fazer com que isso justifique tudo desde pintura a capitalismo, e desde poesia a alpinismo. Isso não equivale a dizer que essas coisas, e muitas outras que as pessoas tentam justificar pelo Mandato Cultural, sejam ilegítimas (embora algumas possam ser bem ilegítimas, ou pelo menos uma perda de tempo), mas que elas não podem ser justificadas sobre a base do Mandato Cultural. Algumas pessoas são entusiásticas sobre coisas que desejavam perseguir se não tivessem se tornado cristãs, e após sua conversão, elas querem encontrar justificação bíblica para perseguir essas mesmas coisas, como se até fossem ordenadas a fazê-lo.

Reprodução é sem dúvida uma parte do mandato. Deus ordenou que o homem reproduzisse e enchesse a Terra. Todavia, como se dá com alguns dos outros mandamentos que têm a intenção de serem cumpridos por comunidades inteiras, não espera-se que algum indivíduo cumpra esse mandamento em todas as formas possíveis. Por exemplo, o próprio fato que uma pessoa não pode ser macho e fêmea ao mesmo tempo, ou se reproduzir utilizando apenas os seus esforços e recursos, demonstra que é impossível que uma pessoa cumpra sequer a exigência mais básica do mandato. A humanidade como um todo cumpre o mandato.

Em adição, há diferentes formas de contribuir para o cumprimento do mandato. Certamente, não deveríamos dizer que uma pessoa que adota e cria órfãos, mas que não tenha filhos próprios, falha em cumprir o Mandato Cultural. Ele de fato contribui para o crescimento da humanidade. É um equívoco pensar que todo indivíduo deve ter seus próprios filhos biológicos para cumprir o Mandato Cultural. A Bíblia diz que cada pessoa tem seu próprio dom da parte de Deus, de forma que alguém poderia manter-se solteiro, e outro poderia casar-se. Cada um deve contribuir para o Mandato Cultural da sua forma.

Cristo adiciona outra dimensão, uma dimensão espiritual, ao cumprimento do Mandato Cultural. Após a Queda, Deus dividiu a humanidade em duas linhagens – a linhagem de Cristo e a linhagem de Satanás – e prometeu que um Salvador nasceria e esmagaria a cabeça da serpente. Todos nascem como pecadores, mas alguns são transformados e transladados para a linhagem de Cristo. É essencial entender que as duas linhagens da humanidade não são distinguidas pelo sangue, mas pela escolha soberana de indivíduos por Deus, isto é, por sua bondade para com esses indivíduos e pela obra do seu Espírito neles. Muitos erros têm se originado devido a uma falha em aplicar consistentemente esse princípio. Essa permanece uma das causas raízes para a perversão do evangelho.

Deus prometeu a Abraão que os seus descendentes encheriam a Terra, mas ele nunca pretendeu que isso significasse seus descendentes naturais, ou seus descendentes segundo a carne. Antes, Deus referia-se aos seus descendentes segundo o espírito, ou descendentes que viriam da promessa, inclusive pelos atos de seu poder ressuscitador. Isso foi demonstrado em Ismael e Isaque. Ambos eram descendentes naturais de Abraão, mas somente Isaque era o filho da promessa, um filho que Deus produziu pelo seu poder, e que Abraão recebeu simbolicamente dentre os mortos quando o ofereceu a Deus sobre o altar, sendo impedido pelo Anjo do Senhor apenas no último momento. Assim, os filhos que Deus prometeu seriam descendentes de Abraão, relacionados a ele, não pelo laço comum de sangue, mas pelo laço comum da fé. E eles cresceriam, se multiplicariam e encheriam a Terra.

Esse ensino continuaria a receber ênfase por toda a Bíblia. João o Batista repreendeu os judeus por pensarem que poderiam apelar a Abraão como seu ancestral natural. Ele disse que Deus poderia fazer surgir filhos a Abraão mesmo das pedras. Jesus negou que os judeus fossem os descendentes de Abraão, visto que os judeus estavam conspirando assassinar Jesus, algo que Abraão nunca teria feito. De fato, Abraão viu o dia de Cristo e se regozijou. Isso é clara indicação que a promessa concernente aos descendentes de Abraão referia-se àqueles que herdariam a fé de Abraão, e não o sangue de Abraão. Ele reverenciou a Cristo, e qualquer que não faça isso não é seu filho. Em outro contexto, Jesus declarou que qualquer um que faça a vontade do Pai é seu irmão, irmã e mãe. E em sua carta aos gálatas, Paulo escreve que aqueles que são da fé são os filhos de Abraão, e herdeiros da promessa.

Como cristãos, nosso mandato não é apenas fazer filhos, nem mesmo fazer cultura, mas “fazer discípulos de todas as nações”. Não devemos cumprir apenas o Mandato Cultural, mas também a Grande Comissão. E assim como os filhos verdadeiros de Abraão são filhos de sua fé, nossos filhos verdadeiros são aqueles que seguem nossa doutrina e exemplo cristãos, e não aqueles que herdam nosso material genético. Eu consideraria como um filho muito mais prontamente alguém que compartilhasse minha crença e visões, e que pudesse promover e continuar minha obra, do que alguém que fosse minha descendência biológica, mas que não herdasse minhas características espirituais, e que não compartilhasse de minha devoção a Cristo.

Timóteo não era descendente biológico de Paulo, mas o apóstolo o chamou de um “verdadeiro filho”, isto é, um filho na fé. Você é um verdadeiro filho na fé? Está fazendo filhos na fé? Vendo que a carne não é de nenhum proveito, mas é o espírito que conta para Deus, comprometemo-nos a produzir não um legado carnal e natural, mas um legado espiritual para a glória e honra de Deus.

Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto – Julho/2009

Fonte: MONERGISMO

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Publicado por em 30/09/2009 em POIMENIA

 

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