RSS

O que Deus uniu…(?)

28 set
Fala-se muito no chamado meio “cristão” sobre a santidade do casamento, sua idissolubilidade em função da declaração de Deus na união de Adão e Eva ou por ser um arquétipo da união da igreja com Cristo. Na realidade entre os cristãos, especialmente os evangélicos, há uma ojeriza quase unânime ao divórcio, mas poucos sinceramente tem coragem de refletir sobre o que realmente significa “…o que Deus uniu não separe o homem”.

Proponho algumas questões para tentar refletir um pouco mais sobre esse tema, baseado na minha experiência em viver em ambientes eclesiais por minha vida toda:

O fato de um casal de enamorados terem se apresentado diante de um pastor ou padre para publicamente assumirem um compromisso de viverem juntos para toda a vida (ufa, quanto tempo! Kkkkk…), significa que Deus os uniu?

A igreja virou o validador terrestre do caminho incompreensível de um homem e uma mulher juntos sobre a face da terra, conforme afirma Salomão?

É notório o fato, embora empurrado para debaixo do tapete nas igrejas, de que a moçada “temente à Deus” casa para poder transar, aplacando assim “licitamente” a sede da libido, não explicaria em grande parte o fracasso não assumido de muitos casamentos no seio da igreja, inclusive entre os líderes?

Um casal de enamorados que apresentem-se assim, consumidos pelo fogo do tesão, diante do altar para casarem-se “diante de Deus” (nesse caso “representado” ou substituído pela igreja), estariam sendo realmente unidos por Deus? Estariam eles espiritualmente casados mesmo, uma vez que a motivação de casarem é para poderem transar livremente dentro do contexto da moral cristã? Ou a igreja por “chancelar” essa união pelo seu conceito do que seja moralmente aceitável obrigaria à Deus a anuí-la?

Se não for só pelo sexo, mas por outros motivos em idade mais madura como solidão, dependência psicológica, baixa auto-imagem (no caso para casar com um/uma déspota) , pressão social, escassez de pretendentes, entre vários outros motivos que podem levar um casal a se unir em matrimônio será que diante de Deus, na verdade, esses seres estariam realmente casados?

E se durante a vida conjugal descobrirem que se casaram pelos motivos errados, e mesmo diante de uma tentativa de “fazer surgir” o amor que deveria ser a amálgama de sua relação diante de Deus e que seria o motivo -em princípio correto- para ambos se unirem, condenar-se-ia ambos a viverem uma relação de aparências, sufocando a vida e furtando a dignidade de ambos, bem como negando-lhes a oportunidade de recomeçarem suas vidas conjugais de maneira correta?

É bom lembrar que antes de haver separação de corpos, já existe um divórcio de corações e sentimentos que ensejam -especialmente aos homens- uma autorização subjetiva e uma justificativa emocional para “pular a cerca”, aí sim tornando a vida insuportável para o traído/a!

Deus perdoa o ladrão, o assassino, o estelionatário, mas não pode perdoar uma burrada que um homem e uma mulher podem fazer a si mesmos em um casamento com as motivações erradas e nem ambos tem a liberdade de, em corrigindo o erro eventualmente pela via do divórcio e aprendendo com esse terrível sofrimento, partir para casarem-se com outras pessoas e assim serem felizes conjugalmente?

A “igreja” sequer admite essa possibilidade, pois seria admitir que tem feito um ineficiente trabalho em instruir seus membros a discernirem-se a si mesmos e submeterem suas consciências a luz da Palavra. Se fizessem isso, não precisariam se organizar em estruturas opressoras das liberdades individuais em Cristo, nem haveria o clero hierarquizado que depende da submissão irracional de seus seguidores para continuar existindo.

Decerto Deus abomina o divórcio, pois é um remédio extremamente amargo de sofrimento à seus filhos, a quem ama. Entretanto não podemos fugir à realidade que muitos casamentos que são celebrados diante do “deus-igreja”, são feitos sob os mais variados e equivocados motivos com grandes chances dos noivos quebrarem a cara para satisfazer a exigência da moral social .

Já é passada a hora de encarar esse problema e enfrentá-lo, pois um curso de casais não consegue por vezes mitigar algo que já começa errado. Cada casamento é um casamento diferente, pois são compostos de pessoas de diferentes vivências e experiências. Soluções-padrão tem a desvantagem de polir o exterior de quem não tem consciência própria mediante práticas ideais aprendidas, mantendo uma fachada de êxito mas por vezes não provocando a mudança interior, que é de onde surge toda mudança significativa na vida de alguém.

Questões a serem refletidas, especialmente se levarmos em consideração o papel do casamento nos contextos político e social no decorrer dos tempos no AT e NT.

Fonte: BLOG DO ELI SANCHES

Anúncios
 
Comentários desativados em O que Deus uniu…(?)

Publicado por em 28/09/2009 em POIMENIA

 

Os comentários estão desativados.

 
%d blogueiros gostam disto: