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Uma só fé e vários achocolatados

20 set

Minha mãe disse que quando eu era criança eu adorava mingaus. Mas eu não gostava de mingau. Eu gostava de mingaus. Plural.

Segundo ela, eu era altamente enjoado e não comia o mesmo mingau por mais de uma semana. Assim, era comum que houvesse Cremogema, Neston, Arrozina, Farinha Láctea e o que você puder imaginar que existia de mingau nos anos 80. E eu ainda inventava: tinha vezes que eu pedia pra pôr leite condensado e creme de leite para ficar mais gostoso. (Ok, eu era uma criança gordona.)

Hoje em dia, eu diminuí os mingaus, por motivos óbvios. A gordura corporal também. Mas manias velhas são difíceis de mudar, e agora é a vez dos achocolatados.

Eu não sou fiel a uma marca de achocolatado especificamente, embora tenha as minhas favoritas (as que são menos açucaradas e mais saborosas). E sempre que vejo uma marca nova na prateleira, eu levo para experimentar. Daí eu digo que nem todo achocolatado de marca famosa é bom, como nem todo de marca pouco conhecida é ruim.

É comum que eu tenha dois achocolatados abertos no armário, porque tem dias que eu penso: “Toddy é muito ralo e doce, então eu vou pôr Nescau Power no leite… E um pouco de café solúvel”. Tem dias que eu acordo e digo: “Que vontade de tomar Ovomaltine!” Mais tem uma regra: um dos achocolatados tem que ter um sabor bem diferente do outro.

Enfim, é uma mania maluca, como muitas outras que tenho, como a de limpar o açúcar salpicado nos docinhos – mania de ex-obeso – e outras que não vêm ao caso. Um hábito que ocupa lugar demais no armário da cozinha, junto aos mingaus. Frescura mesmo.

Mas, ideologicamente, uma vez eu fui acusado de “viver mudando de religião” por uma amiga. Logo eu?! Eu só “mudei de religião” uma vez, porque religião não é coisa pra pôr no leite. Na verdade, eu não mudei de religião. Eu prefiro dizer que encontrei Jesus Cristo e que ele me encontrou por aí. Qual é a diferença? Toda. Religião não salva, Jesus sim – isso não muda.

Cresci na religião de meus pais até a adolescência. A velha ideologia herdada de todo brasileiro: você cumpre alguns ritos, não conhece as doutrinas oficiais e nem sabe justificá-las biblicamente (“e precisa?”), jura que ela é a única certa porque é “deixada por Jesus Cristo”, confunde-a com uma igreja, nunca questiona sua validade diante de Deus (porque afinal seus pais e milhões de pessoas não podem estar errados, não é?) e segue sua vida tentando se justificar diante de Deus por meio de caridade e boas obras, ignorando um relacionamento sério com ele e/ou confiando na imagem de Papai Noel e vovozão que você pode ter de Deus, porque, com certeza, santidade e compromisso com Deus é “coisa para beatos e não para você”.

Mas há um problema: quando você olha mais de perto, comparando sua fé e a Bíblia, vê que a coisa não era como você pensava. Como você se vê após a morte? (Lamento informar: você vai morrer um dia.) Como será seu relacionamento com Deus quando deixar esta vida? (Novamente: esse encontro é inevitável.) Você já pensou nisso ou está confiando que os outros pensaram nisso e decidiram tudo por você com as melhores das intenções? O que você sabe sobre Deus, sobre a pessoa de Deus, sobre o que ele faz, fez ou quer para você? Isso já aconteceu comigo, pensar no assunto seriamente.


Quando eu era adolescente, eu estive em contato com muitos ensinos religiosos. Mas apenas os ouvia, não me comprometi com nenhum. Havia deixado uma religião e passei 3 anos procurando por outra. Achava que uma religião era o de quê eu precisava, ou uma igreja; e considerei muito do que você pode imaginar: espiritismo, denominações protestantes, renovação carismática, judaísmo… Delas eu extraí muita coisa, mas a melhor delas foi a confusão.

Sempre cri que a Bíblia é a palavra de Deus. E, um dia, alguém me entregou um curso bíblico por correspondência, o Curso Bíblico da Escola Fonte de Luz – sem compromisso. Eu resolvi tentar. Afinal, de graça e falando sobre Deus, eu estava pegando qualquer coisa.

Através dele, conheci umas verdades básicas extraídas das Escrituras:

1) eu pequei e sou pecador [Romanos 3.10, 11, Tiago 2.10];

2) a pena para isso é a morte: a eterna separação da presença de Deus (não meramente a morte física) [Romanos 3.23];

3) eu ser uma pessoa “boa” era impossível, porque o padrão de Deus é a perfeição, e, por haver pecado, não poderia jamais chegar a Deus, porque bem algum que eu fizesse poderia anular a pena de morte que eu merecia por pecar contra ele [Romanos 3.23, 6.23];

4) Por causa dessa impossibilidade e porque Deus me amou muito, ele mandou seu Filho, Jesus Cristo, o qual com sua vida perfeita e sua morte na cruz pagou o preço do meu pecado [1 Pedro 2.24, João 3.16-17, Romanos 5.8];

5) o que eu precisava fazer para ser salvo era apenas me arrepender dos meus pecados e confiar em Jesus Cristo para que ele seja o meu salvador [João 1.12; 3.16; Atos 3.19; 4.12].

6) as boas obras não salvam – elas vêm em decorrência da transformação que Deus faz em todos os que recebem como Salvador Jesus Cristo, seu Filho amado [Efésios 2.8-10].

Isso foi impactante para mim, mas eu só me converti a Cristo um ano depois, sozinho em casa. Vi que era a coisa correta a fazer. Não há nenhum outro tipo de salvação a não ser em Jesus Cristo [Jo 5.24; 6.37; 14.6; Atos 4.12; Romanos 10.9-10, 13]: se houvesse, ele não precisaria ter morrido numa cruz. Depois foi que eu busquei uma igreja, e aí já é outra história.

Apenas arrepender-me e crer poderia me salvar? Sim, é isso que a Bíblia deixa bem claro. Minha dificuldade foi achar que isso era “fácil demais”, e que talvez não pudesse ser verdade. Mas depois eu pensei: se Deus promete algo, ele cumpre. E se foi fácil para mim, não foi fácil para Jesus, que pagou por isso morrendo na cruz em meu lugar. Ele morreu para me dar a salvação de presente – algo que nenhuma igreja, organização, profeta ou religião (coisas tipicamente humanas) podem fazer por alguém. Pois ninguém que seja imperfeito pode satisfazer a perfeição exigida por Deus, que apenas Jesus pôde alcançar. Presentes devem ser recebidos, e foi isso que alegremente fiz.

Sabedor desses fatos, e vendo que ser bom ou uma religião não são suficientes diante de Deus – porque não podem atingir a perfeição – eu encontrei o único caminho válido para a salvação diante de Deus, o único elo de ligação e conciliação entre o homem e Deus: Jesus Cristo – inigualável, indispensável, imutável e insubstituível.

Espero que você possa encontrá-lo como eu o encontrei, e que ele faça parte de sua vida para sempre. Desejo que você conheça e ame mais e mais a Deus e sua palavra a cada dia. E que a sua fé neles seja sólida e eterna… não como eu com meus achocolatados em esquema de revezamento.

Fonte: NÃO, OBRIGADO

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Publicado por em 20/09/2009 em POIMENIA

 

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