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Pregue para os Ignorantes, para os Céticos, e para os Pecadores

19 set

Mark Dever

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–> <!– Aqui começa o texto propriamente dito

md001church.jpg (18K) - Uma igreja antiga

–>Freqüentemente me perguntam: “Como você aplica o texto em um sermão expositivo?”

Por trás dessa pergunta podem existir muitas suposições questionáveis. O inquiridor pode estar se lembrando de sermões “expositivos” que ele ouviu (ou talvez pregou) que não eram muito diferentes de algumas preleções bíblicas do seminário – bem estruturadas e precisas, mas demonstrando pouca urgência santificada ou sabedoria pastoral. Estes sermões expositivos podem ter tido pouca ou nenhuma aplicação. Por outro lado, o questionador pode simplesmente não ser capaz de reconhecer a aplicação quando ele a ouve.

William Perkins, o grande teólogo puritano de século XVI em Cambridge, instruía os pregadores a imaginarem os vários tipos de ouvintes e refletir em aplicações para cada um deles – pecadores endurecidos, céticos argumentativos, santos cansados, jovens entusiasmados, e assim por diante.

“William Perkins, o grande teólogo puritano do século XVI em Cambridge, instruía os pregadores a imaginarem os vários tipos de ouvintes e refletir em aplicações para cada um deles.”

O conselho de Perkins é muito útil, mas eu tenho esperança de que nós já estejamos fazendo isso. Eu gostaria de abordar o tópico da aplicação de uma maneira ligeiramente diferente: não só há diferentes tipos de ouvintes, mas também há diferentes tipos de aplicação. Ao tomarmos uma passagem da Palavra de Deus e a explicarmos com clareza, de modo convincente, até mesmo com urgência, há pelo menos três tipos diferentes de aplicação que refletem três tipos diferentes de problemas encontrados na peregrinação cristã. Primeiro, nós lutamos sob a aflição da ignorância. Segundo, nós brigamos com a dúvida, freqüentemente muito mais de que percebemos a princípio. Terceiro, nós ainda lutamos contra o pecado – tanto por atos de desobediência direta quanto por negligência pecaminosa. Como pregadores, desejamos ver transformações nessas três áreas, tanto em nós mesmos como em nossos ouvintes, toda vez que pregamos a Palavra de Deus. E cada um dos três problemas dá origem a um tipo diferente de aplicação legítima.

Ignorância

A ignorância é um problema fundamental em um mundo decaído. Nós afastamos Deus de nós. Nós nos excluímos do companheirismo direto com o nosso Criador. Não surpreende, então, que informar as pessoas da verdade sobre Deus é, em si mesmo, um tipo poderoso de aplicação – e nós precisamos desesperadamente dele.

Isso não é desculpa para sermões frios e desapaixonados. Eu posso estar tão excitado (e até mais) em declarações indicativas quanto em ordens imperativas. As ordens do evangelho de arrepender-se e crer não significam nada à parte das declarações indicativas relativas a Deus, nós mesmos, e Cristo. Informação é vital. Nós somos chamados a ensinar a verdade e proclamar uma grande mensagem sobre Deus. Nós desejamos que as pessoas que ouvem nossas mensagens deixem de ser ignorantes e tornem-se conhecedoras da verdade. Tal informação cheia de sentimento é aplicação.

Dúvida

Dúvida é diferente de ignorância. Quando há dúvida, nós tomamos idéias ou verdades com as quais estamos familiarizados e as questionamos. Esse tipo de questionamento não é raro entre os cristãos. Na verdade, a dúvida pode ser um dos assuntos mais importantes a ser exaustivamente explorado e desafiado na nossa pregação. Tocar no assunto “dúvida” não é algo que um pregador usa para se aproximar de não-crentes em um pequeno exercício apologético pré-conversão. Algumas pessoas que sentam para ouvir sermões semana após semana podem conhecer muito bem todos os fatos que o pregador menciona sobre Cristo, ou Deus, ou Onésimo; mas eles podem ter lutado muito com dúvidas sobre se eles realmente acreditam que esses fatos são verdades. Às vezes as pessoas podem nem mesmo estar atentas às suas próprias dúvidas, muito menos são capazes de articulá-las como sendo dúvidas.

“Esteja certo de que as pessoas que escutam seus sermões estiveram lutando com a desobediência a Deus durante a semana que passou, e que eles quase certamente lutarão com a desobediência na semana que está apenas começando. Os pecados serão vários.”

Mas quando começamos a considerar a Bíblia com um olhar mais criterioso, acabamos encontrando, arrastando-se nas sombras, incertezas e hesitações as quais nos deixam tristemente alertas daquela sacudida gravitacional de dúvida que nos conduz para fora do caminho do peregrino fiel. Para essas pessoas – e talvez para boa parte dos nossos próprios corações – nós queremos proclamar e encorajar a veracidade da Palavra de Deus e a urgência de crer nela. Nós somos chamados a incitar os ouvintes quanto à veracidade da Palavra de Deus. Nós queremos que as pessoas que ouvem nossas mensagens sejam transformadas da dúvida para a plena convicção na verdade. Tal pregação da verdade, urgente e perscrutadora, é aplicação.

Pecado

O pecado também é um problema neste mundo caído. Ignorância e dúvida podem ser, eles mesmos, pecados específicos ou o resultado de pecados específicos ou nem uma coisa nem outra. Mas o pecado é certamente mais do que negligência ou dúvida.

Esteja certo de que as pessoas que escutam seus sermões estiveram lutando com a desobediência a Deus durante a semana que passou, e que eles quase certamente lutarão com a desobediência na semana que está apenas começando. Os pecados serão vários. Alguns serão desobediência de ação; outros serão desobediência de inação. Mas, independentemente de ser por comissão ou omissão, pecados são desobediência a Deus.

Parte da pregação é desafiar o povo de Deus a uma santidade de vida que refletirá a santidade do próprio Deus. Assim, parte importante de aplicar a passagem das Escrituras é extrair as implicações daquela passagem para nossas ações nesta semana. Nós, como pregadores, somos chamados a exortar o povo de Deus para a obediência à Sua Palavra. Nós queremos que nossos ouvintes mudem da desobediência pecaminosa à obediência alegre e vibrante de acordo com a vontade de Deus revelada em Sua Palavra. Tal exortação à obediência certamente é aplicação.

O Evangelho

A principal mensagem que precisamos aplicar todas as vezes em que pregamos é o Evangelho. Algumas pessoas ainda não conhecem as boas novas de Jesus Cristo. E alguns deles podem até mesmo ter sentado sob a sua pregação por algum tempo – distraídos ou adormecidos ou sonhando acordados ou simplesmente não prestando atenção. Eles precisam ser informados do Evangelho. Eles precisam ouvir.

Outros podem ter ouvido, compreendido, e talvez até mesmo aceito a verdade, mas agora podem estar passando por lutas com dúvidas sobre os próprios temas que você está abordando (ou assumindo) em sua mensagem. Tais pessoas precisam ser encorajadas a acreditar na verdade das boas novas de Cristo.

“Em todos os nossos sermões, nós deveríamos buscar aplicar o Evangelho informando, encorajando e exortando.”

E, também, as pessoas podem ter ouvido e podem ter entendido, mas permanecem vagarosas em arrepender-se dos seus pecados. Elas podem até mesmo aceitar a verdade da mensagem do Evangelho, mas não querem renunciar aos seus pecados e confiar em Cristo. Para tais ouvintes, a aplicação mais poderosa que se pode fazer é exortá-los a odiar os seus pecados e correr para Cristo. Em todos os nossos sermões, nós deveríamos buscar aplicar o Evangelho informando, encorajando e exortando.

Um desafio muito comum que nós pregadores enfrentamos ao aplicar a Palavra de Deus em nossos sermões é que indivíduos que experimentam problemas em alguma área específica pensarão que você não está aplicando as Escrituras em sua pregação porque você não está tratando do problema particular deles. Eles têm razão? Não necessariamente. Enquanto sua pregação poderia melhorar se você começasse a abordar mais freqüentemente ou mais completamente toda categoria, não é errado você pregar aos que precisam ser informados ou que precisam ser exortados a abandonar o pecado, mesmo que a pessoa que fala com você não esteja tão atenta a essa necessidade.

Uma nota final. Provérbios 23:12 diz, “Aplica o coração ao ensino e os ouvidos às palavras do conhecimento”. Em traduções inglesas*, parece que as palavras traduzidas “aplica” na Bíblia quase sempre (talvez sempre?) não tenha referência ao trabalho do pregador (como a homilética nos ensina) nem até mesmo ao do Espírito santo (como a teologia sistemática corretamente nos ensina) mas ao trabalho daquele que ouve a Palavra. Nós somos chamados a aplicar a Palavra aos nossos próprios corações, e aplicar-nos a esse trabalho.

Essa, talvez, é a aplicação mais importante que nós poderíamos fazer no próximo domingo para o benefício de todo o povo de Deus.


* Nas brasileiras também – Nota do Tradutor

Fonte: Extraído do site 9Marks


Tradução: centurio

Fonte: BOM CAMINHO

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Publicado por em 19/09/2009 em POIMENIA

 

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