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O JESUS-POLITICAMENTE-CORRETO que Muitos Seguem

19 set

Isaías Medeiros

Se Jesus tivesse feito elegantes e comedidas criticas aos hipócritas fariseus, ou solicitado diplomaticamente aos vendedores e cambistas do templo que “por gentileza, fossem negociar em outro local”, Ele não demonstraria a autoridade que possuía, e seus ensinamentos não surtiriam o mesmo efeito. Não confunda as coisas: Jesus seguramente não era um revolucionário, mas também não era esse diplomata, cavalheiro, ou escritor de livros de auto-ajuda que muitos cristãos pintam. E isto não diminui em nada a sua santidade.

Por que tantos cristãos têm dificuldade de entender que os tão exaltados atributos de Jesus, a saber, sua submissão, e seu espírito pacifico referiam-se à sua atitude em relação ao Pai, e não aos homens?

O Jesus que eu sirvo é aquele que nasceu de Maria virgem, foi crucificado, ressurreto ao terceiro dia e que ascendeu aos céus. Entretanto, também é aquele que muitas vezes chamou os fariseus, os escribas e os doutores da lei de víboras [1], cegos [2] e filhos do inferno [3]. É o mesmo que violentamente expulsou os comerciantes do templo, derrubando-lhes suas bancas e espalhando todo o seu dinheiro pelo chão [4].

Todavia, não se engane: não há nada de revolucionário em Jesus. Qualquer um que tenha se dado ao trabalho de ler meu artigo “Rico ou Lázaro: O que a sua Igreja Está lhe ensinando a Ser?”, sabe muito bem que eu jamais concordaria com tal ilação.

Estando sob a mesma suspeita, eu diria que a maioria dos cristãos tem a tendência de tentar moldar a personalidade de Jesus àquela que eles mesmos acham que Ele deveria ter, ou que gostariam que tivesse tido. Jesus é o Príncipe da Paz [5], mas não se esqueça de que tipo de paz estamos falando. Ele disse que nos dá a sua paz, mas não como o mundo a dá [6]. Ou seja: a paz dele não é a mesma paz do mundo. Curioso notar que muitos cristãos, mesmo pessoas sérias, inteligentes e formadoras de opinião não entendam isso, interpretando qualquer critica que um cristão faça a outro como sendo “falta de paz”, “estar servindo a, ou colaborando com satanás” e etc.

Jesus era um crítico ferrenho da religiosidade vazia da sua época e de seus principais defensores. Tão crítico, que tornou a palavra “fariseu”, que possuía conotação extremamente positiva, em sinônimo de hipócrita.

Há de se observar que Ele elevou à condição de “maior profeta dos nascidos de mulher” um homem rude, que usava vestido de pelos de camelo e comia gafanhotos com mel silvestre [7]. Homem este que chamava os que iam até ele de “raça de víboras” [8]. É claro que conhecemos o plano que Deus tinha na vida de João Batista. Porém, olhando apenas com os olhos da carne – os únicos que os cristãos politicamente corretos usam para olhar os críticos – não veremos nada além de um sujeito grosseiro, mal educado e antipático. Por conseqüência, podemos dizer que o pensamento politicamente correto que abordamos aqui encontra raízes no “julgar pelas aparências”, que foi condenado por Cristo [9].

Também os outros profetas, tantas vezes mencionados por Jesus, não eram exatamente pessoas muito simpáticas, digamos assim. Pessoas simpáticas, bem-humoradas, e “pacificas” não costumam ser serradas ao meio, lançadas em calabouços para morrerem, e coisas do gênero. Isso lhes aconteceu por terem preferido dizer as verdades proféticas que o Espírito Santo lhes revelava, do que mentir para o povo de Israel e sustentar uma falsa sensação de paz. Vem totalmente ao caso, aliás, lembrarmos que os falsos profetas diziam justamente o contrário do que os profetas de Deus diziam, e eram preferidos àqueles, precisamente porque proferiam discursos agradáveis, que transmitiam um enganoso sentimento de paz ao povo, de que nada de mal iria lhe acontecer.

Se Jesus tivesse feito elegantes e comedidas criticas aos hipócritas fariseus, ou solicitado diplomaticamente aos vendedores e cambistas do templo que “por gentileza, fossem negociar em outro local”, Ele não demonstraria a autoridade que possuía e seus ensinamentos não surtiriam o mesmo efeito.
Não confunda as coisas: Jesus seguramente não era um revolucionário, mas também não era esse diplomata, cavalheiro, ou escritor de livros de auto-ajuda que muitos cristãos pintam. E isto não diminui em nada a sua santidade.

Jesus é sim, o Príncipe da Paz, mas também é aquele que veio trazer espada [10]. E por que esta aparente contradição? Porque, além disso, Jesus declarou que é o Caminho, a VERDADE e a Vida [11]. Lutero, há mais de 400 anos já concordava com o que estou querendo dizer, ao afirmar que “A paz, se for possível, mas a verdade a qualquer preço”. Estamos lidando aqui com um conflito entre dois “Princípios Fundamentais” do Cristianismo: a busca pela paz, e a defesa da Verdade. Qual dos princípios é mais importante, ou seja, deve ser preservado, mesmo que em detrimento do outro? Com a palavra, o Mestre: “enganam-se os que acham que vim trazer paz à terra; vim trazer espada, e não paz”. Jesus se referia justamente ao efeito que a Verdade causa onde haja a mentira: a desunião, a separação entre aqueles que a recebem, e os que a rejeitam. O próprio Jesus sabia que o seu Evangelho, mesmo tendo o inequívoco poder de transmitir paz, poderia ser causa de conflitos entre os que não o aceitariam. Vemos assim que “espada” está diretamente relacionada à defesa da Verdade.
O Apóstolo Paulo confirma esta afirmação ao dizer que devemos tomar a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus [12]. Veja, portanto, que “espada”, nos dois contextos bíblicos que analisamos, nos remete à idéia de “verdade”: a espada é a Palavra de Deus, e a Palavra de Deus é a Verdade. Logo, Jesus veio antes de tudo trazer espada, porque veio trazer a Verdade, representada por Ele mesmo; a paz, somente se a Verdade for aceita.

É necessário entendermos, repito, que a paz de Jesus não é igual à paz do mundo. Uma pessoa que não conhece a Deus só tem paz quando tudo ao seu redor está em paz; e olhe lá… Já a paz do cristão, ele a sente mesmo que o mundo esteja desabando ao seu redor. A sua paz, em síntese, não depende de fatores ou elementos externos: depende da sua comunhão intima com Deus, o Pai. É comum a confusão feita entre se estar em paz falando verdades duras, e se estar verdadeiramente irritado.
Se para defender a ortodoxia bíblica for necessário momentaneamente abrir mão da aparência de paz, então, amén, em prol da Verdade, que é a Palavra de Deus. O que não podemos é fazer o contrário: deixar a Palavra ser vilipendiada, adulterada, ou zombada em nome de uma falsa paz.

Constitui também um grande erro achar que devemos negar o que pensamos para não entrarmos em conflito com os outros, mesmo que sejam cristãos. “É bom e suave diante de Deus que os irmãos vivam em união” [13], mas é necessário que esta união seja alicerçada na defesa comum da Verdade, e não simplesmente na busca politicamente correta da paz-custe-o-que-custar.

O politicamente correto, ensinado e praticado implicitamente por muitos cristãos em nome da paz, não é um conceito bíblico. É, simplesmente, uma alternativa simplista para que todos saiam felizes no final, e que os mesmos erros continuem a ser praticados sem que ninguém lance um olhar crítico, à luz da Bíblia, sobre eles. O que teria ocorrido com o cristianismo se Jesus tivesse agido de uma forma politicamente correta?

Se cremos nas palavras de João de que “no princípio era o Verbo, e o Verbo era Deus, e o Verbo estava com Deus; que o Verbo estava no mundo e este foi feito por meio dele, mas o mundo não o reconheceu” [14], preferindo crucificá-lo e conceder a liberdade a um homicida [15], então concordamos que a maior violência que já se cometeu na história da humanidade foi o assassinato de Jesus Cristo na cruz do Calvário. A Verdade, Ele pagou um preço caríssimo para transmiti-la para nós. Não podemos nos omitir apenas para parecermos “simpáticos” perante o mundo, ou mesmo para outros irmãos.

Dane-se o politicamente correto e salve o biblicamente certo.

O Cristão Revoltado! www.ocristaorevoltado.blogspot.com

Notas:

[1] Mateus 23:33
[2] Mateus 23:16, 24
[3] Mateus 23:15b
[4] Mateus 21:12-13
[5] Isaias 9:6
[6] João 14:27
[7] Lucas 7:28
[8] Lucas 3:7
[9] João 7:24
[10] Mateus 10:34b
[11] João 14:6
[12] Aos Efésios 6:17
[13] Salmo 133:1
[14] João 1:1,10
[15] Lucas 23:18-25

Fonte: CRISTÃO REVOLTADO

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Publicado por em 19/09/2009 em POIMENIA

 

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