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Vou andar na contramão!

02 set

Gosto da contramão. A sensação do vento acariciando meu rosto só é possível porque o vento sopra no sentido contrário. Quando o assunto é a igreja evangélica no Brasil, não é fácil andar na contramão. Estou num ambiente onde é proibido discordar. Ainda predomina a ideia de que para discordar é fundamental que se proponha soluções. Acontece que as soluções que tenho, ninguém quer, e as que quero, poucos ousam ter.

Na arena dessa mentalidade, confunde-se o discordar com julgamentos ácidos. Confunde-se a ideologia com a pessoa. Tudo fica sob suspeita. Tudo ganha duplo sentido. O reinado da confusão adora quando o herege está no banco dos réus. Preciso deixar bem claro: gosto dos hereges! Sempre fui apaixonado pela clandestinidade que desafia o status quo.

Vou andar na contramão porque não me escondo sob o manto perigoso do poder. Não quero bajulação. Não quero estar no mesmo espaço dos seres “angelicais” que assumem para si prerrogativas divinas para tudo. Sou humano. Parafraseando Nietzsche: “Demasiado humano”. Com todas as implicações e delícias. Humano com todas as maravilhosas contradições.

Vou andar na contramão porque não coloco a máscara da piedade. Assumo: sou falho, pecador, carente da graça, crítico em busca de mudanças, mirando esperançoso o horizonte utópico, sobrevivendo na terra encantada dos alienados.

Vou andar na contramão porque não falo a língua dos profetas, não tenho a grana dos apóstolos da prosperidade, muito menos a lábia dos vendedores de ilusão. Como canta o sumido: “sou apenas um rapaz latino americano sem dinheiro…”

Vou andar na contramão porque não estou na mira dos fotógrafos de celebridades, nem sob as luzes ofuscantes dos palcos da badalada mídia. O barulho dos aplausos ainda não ecoou para mim. Ainda sou acompanhado pela interrogação: “quem é ele?”.

Vou andar na contramão… feliz por continuar andando. Na via de mão única da igreja (antigamente chamavam isso de “porta larga” – Mt. 7.13) há espaço para muita esquisitice. Nesse “samba de uma nota só” que se canta hoje, todo mundo é santo. Não é por acaso que o exército dos des-via-dos cresce tanto. Tem muita gente buscando outra via.

Indo na contramão dá para enxergar alguns semblantes. Dá para notar alguns rostos que desaprovam esse ritmo acelerado da pluralidade caótica do evangelicalismo tupiniquim. Pelo menos dá para ver Jesus em alguns irmãos.
Por isso ainda ando. Ainda escrevo. Ainda…

Até mais…

Alan Brizotti

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Publicado por em 02/09/2009 em POIMENIA

 

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