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Basilicas e Capelas

28 ago

Ainda há uma capelinha de Deus dentro das Basilicas dos homens.

Ainda há uma capelinha de Deus dentro das Basilicas dos homens.

Levi Araujo

“E é assim que, se vocês vão a Roma perdem a fé, e se vão a Assis recuperam a fé.”    Leonardo Boff

Ontem fui à Roma e encontrei-me com a Assis que há nela,e quem vai a Assis sabe que na Basílica de Santa Maria dos Anjos está uma capelinha construída por São Francisco chamada Porciúncula. Em cada “basílica” institucional há uma “capelinha” de discípulos de Jesus.

O que há de faraônico e ostentação nas riquezas da instituição fria e estética contrasta com o aconchego, simplicidade e profundidade da verdadeira Igreja de Cristo, onde as marcas dos santos construtores são o seu maior ornamento.

A burocracia piedosa das Instituições Religiosas não passa de uma pálida tentativa de religar fragmentos de vida. Dessa realidade não escapam nenhuma das grandes e pequenas religiões e a maioria dos seus respectivos movimentos “bem-sucedidos”. Já não é de hoje que ir a uma igreja evangélica pode levar-nos a perder a fé.

A história confirma que não foi só a fé que se perdeu. As intolerâncias e guerras “santas” do adorar institucional ceifaram mais do que fé. Alimentando guerras e atentados, continuamos perdendo vidas e humanidade.

No nosso caso, nós, os cristãos, sempre encontraremos capelinhas construídas por Jesus; elas sempre estarão lá entre as estruturas autofágicas e inquisitoriais construídas por homens e mulheres que usam suas benemerências, ofícios e liturgias para aliviar a consciência incapaz de entrar em capelas pequenas.

Entendo bem de “basílicas”, mas sempre desejei as capelinhas.

Graças ao Bispo de nossa alma, a espiritualidade de suas capelinhas sempre resistirá a religiosidade sem sentido das basílicas.

Nós, evangélicos, já temos até mega-basílicas, e o título de “bispo” não é mais suficiente; mas, dentro dessas grandes “gaiolas de loucos”, as capelinhas resistem superlotadas. É fácil encher tudo o que é “pequeno”. A Igreja de Jesus é formada por muitas pessoas que estão aprendendo a ser pequeninos sem estar inchados pelo fermento dos fariseus cínicos que se acotovelam nas “basílicas”.

A voz de Jesus resiste ao tempo: “Eu te louvo, Pai, Senhor dos céus e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e cultos, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, pois assim foi do teu agrado”.

Nas capelinhas todos são recebidos, amados e perdoados. Nela a pessoa está acima de estatutos e regras, e delas é que precisamos nesse mundo nocivo; lá todos podem esconder-se.

Nos últimos meses pudemos refugiar-nos com pessoas que nos carregaram nos braços para a capelinha e não tiveram nojo da minha chaga, limpando-a com paciência.

O poder da capelinha é tão grande e atraente que os Bispos das Basílicas Contemporâneas ficam sensibilizados de quando em vez e cedem à simplicidade do evangelho, e, como o Bispo de Assis cobriu o corpo nu de Francisco com seu manto clerical, eles também se deixam levar pelo Espírito, que enche as capelinhas profetizando que nenhuma nudez será castigada.

Antes de perdermos a fé, olhemos com muita atenção para as “basílicas”, pois certamente encontraremos as capelinhas das ressurreições.

As “basílicas” têm o poder de nos deixar nus e sem fé, mas as capelinhas cobrem nossas vergonhas porque “o amor cobre uma multidão de pecados. Na Instituição Religiosa o desnudar fere e ofende, mas na Igreja de Jesus se é possível ficar nu em total segurança, pois sempre haverá alguém para cobrir nossas vergonhas. Nas Catedrais da Performance há um canibalismo relacional cruel, mas na capelinha há uma comunhão do partir do pão e vida, e como diz Nouwen: ” Quando partimos o pão juntos, abandonamos nossas armas – sejam físicas, sejam emocionais – a porta se abre e entramos num lugar de vulnerabilidade e confiança mutuas.”

Para os legalistas hipócritas, cobrir vergonhas significa encobrir pecados, mas para os seguidores de Cristo, cobrir o que envergonha tem a ver com preservação e respeito à dignidade das pessoas.

Cedo ou tarde a maioria das capelinhas termina se transformando em basílicas – essa é a notícia ruim.

No entanto, sempre que isso acontecer, uma nova capelinha surgirá, trazendo esperança para todo aquele que estiver cansado e oprimido por tudo aquilo e aqueles que sustentam as “basílicas” do engano que usam seus “auto-de-fé”* para justificarem as suas fogueiras e “santidades institucionais”.

* AUTO-DE-FÉ – Proclamação solene de sentença do tribunal da inquisição seguida da execução dos condenados

Fonte: NA JORNADA

 
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Publicado por em 28/08/2009 em POIMENIA

 

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