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Sobre o ministério pastoral

16 ago

Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue (Atos 20.28).

Quem é o pastor, quais são as suas atribuições e como a resposta a estas perguntas auxilia no atendimento das necessidades reais de uma igreja local? Neste estudo eu tento responder a estas questões a partir das Escrituras, da Teologia e da história.

Dados teológicos

Charles Spurgeon disse: “Os ministros são para as igrejas, e não as igrejas para os ministros” (The all around ministry, apud STITZINGER, James F., O ministério pastoral na história. In: MACARTHUR, JR, 2004, p. 75). A partir desta afirmação, proponho que a formulação de uma teologia de ministério consistente exige três coisas:

  1. A teologia de ministério deve ser fiel à revelação bíblica acerca da vocação, pastoreio e serviço cristão.
  2. A teologia de ministério deve ainda trabalhar cuidadosamente as informações advindas das sistematizações teológicas anteriores, especialmente da eclesiologia.
  3. A teologia de ministério deve procurar na história as várias maneiras como o pastorado tomou forma entre o povo de Deus.

Essa tríplice observação nos ajuda a compreender melhor tanto a identidade quanto a função ou atribuições do pastor.

O Pastor nas Escrituras

No ambiente do Antigo Testamento, o termo pastor é usado para identificar líderes religiosos e políticos, nem sempre íntegros (Sl 78.70-72; Is 44.28, 56.11; Jr 2.8, 10.21, 23.1-2; Ez 34.1-5; Na 3.18). Isso, de certo modo, reflete o contexto maior no qual estava inserida a cultura de Israel.

No oriente antigo, já em data recuada “pastor” era um título de honra que se aplicava a soberanos e divindades de igual modo. Este uso da palavra se acha em forma estereotipada nas listas dos reis sumerianos, nos registros da corte da Babilônia, e nos textos das pirâmides (os livros dos mortos). O costume era seguido no decurso de toda a antigüidade. (BEYREUTHER, E. Pastor. In: COENEN & BROWN, 2000, p. 1587).

Quanto aos pastores que eram guardadores de ovelhas propriamente ditos, exerciam função que exigia grande responsabilidade:

Esperava-se da parte dos pastores (…) que demonstrassem cautela, paciência e honestidade. No verão seco, em terra fraca, não era fácil achar novas pastagens na época certa, enquanto os rebanhos passavam por regiões desabitadas, nem atingir o equilíbrio correto entre o pastoreio, o abastecimento de água, o descanso e a viagem. O pastor devia cuidar incansavelmente dos animais indefesos (cf. Ez 34.1 e segs.). A devoção ao dever era posta à prova ao montar-se guarda sobre o rebanho, noite após noite, contra as feras e os salteadores. (BEYREUTHER, op. cit., p. 1587, 1588).

No uso bíblico do termo, destacam-se duas novidades, já no Antigo Testamento: Primeiramente, diversas funções pastorais são realizadas pelo próprio Deus, que é chamado de “pastor de Israel” (Sl 80.1). Sua vinda é apregoada com regozijo, pois ele “como pastor, apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos e os levará no seio; as que amamentam ele guiará mansamente” (Is 40.10-11; compare com o Sl 23.1). Na profecia de Ezequiel, Yahweh mesmo recolherá suas ovelhas, garantindo-lhes o seu bem-estar:

Tirá-las-ei dos povos, e as congregarei dos diversos países, e as introduzirei na sua terra; apascentá-las-ei nos montes de Israel, junto às correntes e em todos os lugares habitados da terra. Apascentá-las-ei de bons pastos, e nos altos montes de Israel será a sua pastagem; deitar-se-ão ali em boa pastagem e terão pastos bons nos montes de Israel. Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas e as farei repousar, diz o SENHOR Deus. A perdida buscarei, a desgarrada tornarei a trazer, a quebrada ligarei e a enferma fortalecerei; mas a gorda e a forte destruirei; apascentá-las-ei com justiça (Ez 34.13-16).

Após julgar “entre ovelhas gordas e ovelhas magras” (Ez 34.20), Deus suscitará “um só pastor, e ele as apascentará”. Tal figura aponta para o Messias, descendente de Davi (Ez 34.23).

A segunda novidade é que, além de dignificar espiritualmente o pastoreio, Deus promete conceder ao seu povo pastores segundo o seu coração, que lhes “apascentem com conhecimento e com inteligência” (Jr 3.15). É sob esta referência que o profeta Jeremias identifica, a si mesmo, como aquele que não se recusou “a ser pastor”, apesar de todos sofrimentos decorrentes desta vocação (Jr 17.15-17).

No Novo Testamento, o Senhor Jesus utiliza a mesma figura da profecia de Ezequiel 34.23 para referir-se ao ajuntamento final dos remidos, por ocasião da consumação, em um contexto em que ele mesmo afirma ser o “bom pastor”, que “dá a vida pelas ovelhas” (Jo 10.11, 16).

Os desenvolvimentos posteriores, registrados em Atos, nas epístolas e no Apocalipse, demonstram que a comunidade cristã foi desde cedo pastoreada, primeiramente pelos apóstolos e, concomitantemente e em seguida, pelos presbíteros ou bispos, que eram, primeiramente, vocacionados por Deus, e depois, confirmados pela igreja (At 14.23, 20.17, 28; 1Tm 4.14; Tt 1.5-9). Os poimenes kay didaskaloi, pastores e mestres, já são citados na lista de ofícios de Ef 4.11, dados por Deus à igreja para seu governo e edificação.

Louis Berkhof (2002, p. 539) explica o surgimento do ofício pastoral nos seguintes termos:

É evidente que, originalmente, os presbíteros não eram mestres. A princípio, não havia necessidade de mestres, separadamente, uma vez que havia apóstolos, profetas e evangelistas. Gradativamente, porém, a didaskalia (o ensino, a docência) ligou-se mais e mais estreitamente ao ofício episcopal; mas, mesmo então, os mestres não constituíram uma classe separada de oficiais. (…) Com o transcorrer do tempo, duas circunstâncias levaram a uma distinção entre os presbíteros ou superintendentes encarregados somente do governo da Igreja, e os que também eram chamados para ensinar: (1) quando os apóstolos faleceram e as heresias surgiam e aumentavam, a tarefa dos que eram chamados a ensinar tornou-se mais exigente, requerendo preparação especial, 2Tm 2.2; Tt 1.9; e (2) em vista do fato de que o trabalhador é digno do seu salário, os que estão engajados no ministério da Palavra, tarefa amplamente abrangente que requer todo o seu tempo, foram liberados doutros trabalhos para poderem devotar-se mais exclusivamente ao trabalho de ensinar.

Outros termos bíblicos são relevantes para a compreensão da função ou ofício pastoral (CURRY, 2003):

  • ebed, aquele que se submete a um soberano (Sl 143.12);
  • abad, o trabalho realizado como culto a Deus (Gn 2.15);
  • diakonia, ministério ou serviço (Ef 3.7);
  • doulos, escravo (Mt 24.45; Rm 1.1);
  • raah, aquele que alimenta (2Sm 5.2; Ez 34);
  • kohen, sacerdote (Ed 10.18);
  • melek, rei (1Rs 2.15);
  • nabi, profeta (Dt 18.15);
  • zaqen, ancião (Nm 11.16-25);
  • oikonomia, administração ou mordomia (1Pe 4.10);
  • marturia, martírio ou testemunho (Jo 1.34);
  • pater, pai (1Co 4.14-15);
  • lamad, ensinar, aprender (Dt 4.10 e 5.1);
  • noutheteo, nouthesia, admoestar, orientar, aconselhar (1Ts 5.12) e
  • palal, diálogo com o Senhor, oração (Sl 102.17; Ez 9.8; Am 7.1-5).

Stitzinger (ibid., p. 54-58) destaca, dentre outros termos:

  • kerux, proclamação pública do Evangelho (Rm 10.14; 1Tm 2.7; 2Tm 1.11);
  • didaskalos, responsabilidade pelo ensino, tanto instrutivo (1Tm 2.7) quanto corretivo (1Co 12.28-29);
  • governante (1Ts 5.12), embaixador (2Co 5.20) e
  • exemplo (1Tm 4.12 e 1Pe 5.3).

As atribuições dos pastores

A partir destas informações, é possível esboçar uma lista de atribuições do ministro (STITZINGER, op. cit., p. 57):

  • Pregar (2Tm 4.2);
  • pastorear, alimentar (1Pe 5.2);
  • aperfeiçoar, capacitar (Ef 4.12); edificar com autoridade (2Co 13.10);
  • orar pelo rebanho (1Sm 7.5, 8, 12.7, 23; Jo 17.9; At 6.4; Rm 1.9-10; 1Co 1.4-5; Ef 1.15-23);
  • velar pelas almas (At 20.28-31; Hb 13.17);
  • lutar pelo evangelho (1Tm 1.18); exortar e convencer (Tt 1.9); repreender (Tt 1.13);
  • alertar (At 20.31) e advertir (2Ts 3.15).

Isso exige, indubitavelmente, contato pessoal amoroso e visitação (Mc 2.15; Lc 10.38-39, 19.5-6; At 20.19-21). Além disso, ele deve supervisionar e administrar, efetivando o significado dos termos episcopado, presbítero e bispo (At 15.1-6; 1Tm 3.1-7, 14-15).

O Pastor nos Símbolos de Fé e na Teologia

Na Confissão de Fé de Westminster (CFW) e no Catecismo Maior (CMW), há poucas referências ao ministério pastoral. Destacam-se a singularidade da vocação, as funções ministeriais de distribuição dos sacramentos e pregação (CFW, XXVII.IV, XXVIII.II, XXIX.III; CMW, perguntas 158-159). Nesse sentido, tais símbolos não diferem de outro importante documento confessional, a Confissão Escocesa:

Duas coisas são necessárias para a reta administração dos sacramentos. A primeira é que eles devem ser ministrados por ministros legítimos; e declaramos que tais são apenas os que são designados para a pregação da Palavra, em cujos lábios pôs Deus a Palavra de exortação e que são para isso legitimamente escolhidos por alguma igreja. A segunda é que devem ser ministrados com os elementos e da maneira que Deus estabeleceu; de outra forma, afirmamos que deixam de ser os sacramentos corretos de Jesus Cristo. (XXII.3.22).

A Segunda Confissão Helvética (2CH), por sua vez, aprofunda as considerações sobre o ministério, não apenas referindo-se ao pastor como pregador e administrador dos sacramentos, mas dedicando todo o seu décimo oitavo capítulo ao tema “Dos ministros da Igreja, sua instituição e deveres do pastoreio”. Os ministros são usados por Deus para a edificação da igreja, foram instituídos pelo próprio Senhor e não devem, nem ser depreciados, nem idolatrados. É através deles que Deus move os corações dos homens: “Então, creiamos que Deus nos ensina pela sua palavra, externamente por meio dos seus ministros e internamente move os corações dos seus eleitos à fé pelo seu Espírito Santo; e que, portanto, devemos atribuir a Deus toda a glória de todo este benefício”.

No que diz respeito à sua natureza, os ministros são hyperetas, remadores, cujos olhos estão fixos no timoneiro, portanto, são “homens que não vivem para si mesmos ou segundo sua própria vontade, mas para os outros” (2CH, XVIII). Eles são “despenseiros dos mistérios de Deus”, quais sejam, o Evangelho e os sacramentos e exercem o poder de Cristo, no uso correto das chaves do reino dos céus (Ibid., loc. cit.). Seus deveres são “o ensino evangélico de Cristo e a legítima administração dos sacramentos”, desdobrados em diversas tarefas, desde a ação pública, na liderança dos cultos e pregação, até as ações particulares, descritas pelos verbos ensinar, exortar, estimular, consolar, confirmar, corrigir, reconduzir, levantar, convencer, expulsar, repreender, visitar e instruir, além dos deveres gerais de conservar a igreja unida, catequizar, e cuidar dos necessitados, cuidando “o mais diligentemente possível de tudo o que diz respeito à tranqüilidade, à paz e à salvação das igrejas” (Ibid., loc. cit.). Para isso, é mister que o ministro seja piedoso:

Requer-se especialmente que tema a Deus, seja constante na oração, entregue-se à leitura sagrada e, em todas as coisas e em todas as ocasiões, seja vigilante, e pela pureza de vida deixe sua luz brilhar diante de todos os homens. (Ibid., loc. cit.).

O Pastor na história

Policarpo (c. 70-55 d.C), fala no pastor nos seguintes termos:

E os presbíteros também devem ter compaixão, ser misericordiosos para com todos os homens, trazendo de volta as ovelhas que estão se perdendo, visitando todos os enfermos, não negligenciando uma viúva ou um órfão ou pobre: mas sempre cuidando do que seja honrado aos olhos de Deus e dos homens… Que o sirvamos, portanto, com temor e toda reverência, como ele mesmo ordenou, bem como os apóstolos que pregaram o evangelho e os profetas que proclamaram de antemão a vinda do Senhor. (POLICARPO, Epistle of Polycarp to the Philippians, apud STITZINGER, op. cit., p. 59).

Clemente de Alexandria (c. 155-220 d.C.), Orígenes (c. 185-254 d.C.) e Agostinho de Hipona (354-430 d.C.) dedicaram-se pessoalmente ao pastoreio e deixaram importantes contribuições escritas sobre o assunto, apesar de observar-se, em seus estudos e procedimentos, influências da institucionalização da igreja, iniciada no século II (Ibid., p. 58-62).

Na Idade Média é possível listar John Wycliffe (1324-1384), John Huss (1373-1415) e William Tyndale (1494-1536) como servos de Deus comprometidos com um ministério bíblico, voltado para a simplicidade do Novo Testamento (Ibid., p. 62-65).

No período da Reforma, apesar das diferenças doutrinárias, tanto os reformadores magisteriais, Martinho Lutero (1483-1546), Martinho Bucer (1491-1551), João Calvino (1509-1564) e John Knox (1514-1572), quanto os reformadores anabatistas, tais como Conrad Grebel (1495-1526), Michael Sattler (1490-1527), Balthasar Hubmaier (1480-1528) e Menno Simons (1496-1561), lutaram por implementar ministérios pastorais profundamente enraizados nas Escrituras, comprometidos com a santidade e voltados para a glória de Deus (Ibid., p. 65-72). Uma leitura das biografias desses homens confirma que eles pagaram um alto preço por tais convicções.

Um rico legado histórico foi deixado pelos puritanos. Para Richard Baxter (1615-1691), o cuidado das almas era fundamental, a fim de que Deus pudesse atender as orações por avivamento (BAXTER, 1989, p. 29). Juntamente com dois assistentes, ele pastoreou, durante 19 anos, a igreja de Kidderminister, Inglaterra, visitando, ano após ano, cada uma de suas 800 famílias (STITZINGER, ibid, p. 72; BAXTER, op. cit., p. 28).

De modo simples e direto, Baxter (Ibid., p. 107-112) lista oito deveres dos ministros:

  1. Pregação pública da Palavra;
  2. administração das ordenanças;
  3. condução do povo nas orações públicas e louvores;
  4. cuidado de cada membro do rebanho;
  5. dedicação às famílias;
  6. atenção aos cristãos modestos, retos e obedientes;
  7. reprovação e admoestação dos transgressores e
  8. uso da disciplina eclesiástica.

O perfil do pregador, traçado por John Bunyan, em sua obra O peregrino (1999, p. 34-35), retrata de forma excelente a idéia puritana acerca do ministério:

Então disse o Intérprete: Entre. Vou mostrar-lhe algo que lhe será proveitoso… Levou-me a um aposento e mandou o servo abrir a porta. Feito isso, Cristão viu pendurado na parede o quadro de uma pessoa bastante séria. Esta era a sua aparência: os olhos estavam erguidos aos céus; nas mãos trazia o melhor dos livros; a lei da verdade lhe estava escrita nos lábios; o mundo estava às suas costas; pela postura parecia apelar aos homens, e da cabeça lhe pendia uma coroa de ouro.

Cristão: — O que significa isso?

Intérprete: — O homem cuja figura você está vendo é um entre mil. Pode gerar filhos, dá-los à luz e ainda amamentá-los ele mesmo, depois. E se você o vê de olhos erguidos aos céus, com o melhor dos livros nas mãos e a lei da verdade gravada nos lábios, é para mostrar-lhe que o trabalho dele é conhecer e revelar coisas sombrias aos pecadores, como também apelar aos homens.

— Se você vê o mundo às suas costas – continuou Intérprete – e uma coroa pendendo da cabeça dele, isso é para mostrar-lhe que, desprezando e desdenhando as coisas presentes pelo amor com que serve ao seu Mestre, certamente terá por recompensa a glória, no mundo que há de vir.

— Ora – disse ele ainda – , mostrei-lhe primeiro este quadro porque o homem cuja figura você está vendo é o único homem a quem o Senhor do lugar para onde você está indo autorizou para guiá-lo em todos os lugares difíceis que você talvez encontre pelo caminho.

Tal visão de ministério foi compartilhada por Charles Spurgeon (1834-1892), G. Campbell Morgan (1863-1945), Roland Allen (1868-1947), Benjamin B. Warfield (1851-1921), D. Martyn Lloyd-Jones (1939-1981) e, mais recentemente, Richard C. Halverson, Jay Adams, John MacArthur, Jr., David Hansen e Eugene Peterson. Este último, cujos escritos começam a ser publicados no Brasil, escreve que “a orientação espiritual é a tarefa de ajudar uma pessoa a levar a sério o que é deixado de lado pela mente tomada pela publicidade e farta de crises”. Tal tarefa, segundo ele, cabe ao pastor, aquele que precisa “lidar com o óbvio, com o pecado e o Espírito” (PETERSON, 2000, p. 138, 141.).

O pastor e sua denominação

O rito de entrada no ministério pastoral é a ordenação do presbitério, que é um conselho formado de presbíteros docentes e regentes (1Tm 4.14 — CALVINO, Institutas, IV.III.XVI; CI/IPB, Art. 28). A partir de então, o ministro administra diversos relacionamentos eclesiásticos:

  • Pelo menos da Igreja Presbiteriana do Brasil, ainda que “para atender às leis civis” (Arts. 27 e 38 da CI/IPB) o ministro seja considerado membro na igreja em que é pastor, ele está sob a jurisdição, de fato, de seu presbitério. É nesse âmbito conciliar que o pastor presta contas de seu serviço.
  • Civil e criminalmente o ministro é o responsável pela administração geral da igreja, representando-a “ativa, passiva, judicial e extra-judicialmente” (Art. 3, parágrafo único do Estatuto da Igreja Local).
  • Isso confere ao pastor responsabilidades tanto locais quanto extra-locais, exigindo sua dedicação em atividades de ensino, gestão de concílios (presbitério, sínodo e supremo concílio) e autarquias e comissões.

Tais relacionamentos, exemplificados no ministério presbiteriano, são reproduzidos em outros sistemas de governo. A prática pastoral é forçosamente multidisciplinar. O pastoreio exige, simultaneamente, o cultivo de vida devocional, estudo sistemático das Escrituras e da teologia, liderança estratégica, administração dos negócios temporais da igreja e contato pessoal com o rebanho.

Sumário da Teologia de Ministério

De acordo com as Escrituras, os símbolos de fé e a boa tradição reformada, o ministro é um cristão regenerado, piedoso, humilde, vocacionado e capacitado pelo Espírito Santo, ordenado e dedicado para amar, guiar, alimentar, consolar, estimular, aconselhar, corrigir, cuidar, treinar, fortalecer e proteger o povo de Deus.

Ele não encontra estímulo nem é atendido pelos valores ou ferramentas seculares, e sim na comunhão pessoal com o Senhor, nos meios de graça e nas estratégias determinadas em sua Palavra. Seu sucesso não é avaliado utilizando critérios humanistas ou comerciais, mas em termos do recebimento do galardão eterno, como selo de sua fidelidade ao chamado recebido (At 20.24; 2Tm 4.7-8; 1Pe 5.1-4).

Conclusão

A Igreja é a comunidade comissionada, responsável pela proclamação do evangelho e edificação dos crentes. Ela é guiada, consolada e suprida pela presença e poder do Espírito Santo, que distribui dons e vocaciona os ministros.

Deus concede à igreja os meios de graça, através dos quais esta supre não apenas as necessidades espirituais de sua membresia, mas também obtém provisão, iluminação, forças e direção para o serviço. Sempre que a Igreja ou seus pastores desviam-se da simplicidade e eficácia de tais meios, substituindo-os por outras novidades e ferramentas, ocorrem desqualificação e enfraquecimento.

Nesse sentido, a Igreja deve compreender sua identidade bíblica e histórica, aprofundar-se na devoção e integração e mobilizar-se para o serviço, liderança e vida de testemunho. Nesse ínterim, ela pode reavaliar a administração de seu tempo e recursos, focalizando em compromissos que glorifiquem a Deus e produzam a edificação dos crentes e o fortalecimento das famílias.

O ministro deve implementar, além as estratégias de liderança e administração, ações de pastoreio cuidadoso, atentando para cada membro em particular, cumprindo fielmente suas atribuições. Alem disso, deve cumprir, com zelo, suas responsabilidades conciliares e denominacionais, o que exigirá, certamente:

  • Aprofundar e expandir a vida devocional, através da oração e leitura das Escrituras e outros livros piedosos.
  • Administração cuidadosa da agenda pastoral, priorizando os itens que contribuem para o exercício do ministério bíblico.

Deus é quem estabelece pastores para a sua Igreja (Jr 3.15). Tais pastores devem amar e velar pelas almas dos fiéis. A Igreja, como corpo de Cristo, precisa considerar e obedecer aos seus guias, enxergando-os como irmãos, sujeitos às mesmas fraquezas, no entanto, chamados para um serviço de grande responsabilidade (Hb 13.7, 17).

Deve-se notar (…) que nem todos estão qualificados para o ministério da Palavra. Este requer uma vocação especial. Aqueles que acreditam que estão bem qualificados devem revestir-se de especial cuidado para não assumirem o ofício sem a vocação (CALVINO, 2001, p. 36).

Referências bibliográficas

ASSEMBLÉIA DE WESTMINSTER. Símbolos de Fé, contendo a Confissão de Fé, Catecismo Maior/Breve. São Paulo: Cultura Cristã, 2005.

BAXTER, Richard. O pastor aprovado. São Paulo: Publicações Evangélica Selecionadas, 1989.

BERKHOF, Louis. Teologia sistemática. 2ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2001.

BEYREUTHER, E. Pastor. In: COENEN, Lothar; BROWN, Colin. (Ed.). Dicionário internacional de teologia do Novo Testamento. 2ed. São Paulo: Vida Nova, 2000. v. 2. p. 1587-1592.

BUNYAN, John. O peregrino. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.

CALVINO, João. Comentário à Sagrada Escritura: Romanos. São Paulo: Paracletos, 2001.

__________. As institutas: Edição clássica. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. v.4.

CURRY, Allan. Apostila da disciplina Teologia de Ministério. São Paulo: Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, 2003.

IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL. Manual presbiteriano com jurisprudência. São Paulo: Cultura Cristã, 2006.

PETERSON, Eugene. Um pastor segundo o coração de Deus. Rio de Janeiro: Textus, 2000.

STITZINGER, James F. O ministério pastoral na história. In: MACARTHUR JR., John. Ministério pastoral: Alcançando a excelência no ministério cristão. 4ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, p. 51-77.

Fonte: MISAEL NASCIMENTO

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2 Comentários

Publicado por em 16/08/2009 em POIMENIA

 

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2 Respostas para “Sobre o ministério pastoral

  1. DangellisLamartinne Rodrigues

    13/04/2012 at 23:22

    excelente

     
  2. Chicco Sal

    13/04/2012 at 16:45

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