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Ilhas Salomão – Evangelizando com futsal

06 out

MARIANA BASTOS
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Esporte e religião se misturam? Nas Ilhas Salomão, sim.

O desenvolvimento do futsal no país, que será o adversário de hoje do Brasil, confunde-se com o processo de evangelização promovido por pastores da Igreja Batista australiana a partir de 2002 no arquipélago situado no Pacífico Sul.

Devastado por uma guerra entre etnias, que ocorreu entre 1999 e 2002, o país retomou a paz com a ajuda militar da Austrália. Depois dos militares, desembarcaram alguns pastores, acompanhados de técnicos e árbitros, que divulgaram o futsal aliado à religião.

“A partir daí, o futsal cresceu muito e se tornou mais popular”, conta Victor Waiia, treinador da equipe Kurukuru, nome pelo qual a seleção das Ilhas Salomão é conhecida.

Kurukuru é um termo utilizado pelos salomônicos para designar pombo, a ave da paz.

“O objetivo de promover o futsal não era apenas para disseminar a prática esportiva, como também para desenvolver o lado espiritual dos atletas”, explica Simon Dyer, um dos quatro australianos que compõem a comissão técnica do país.

Como o esporte é praticado há só seis anos nas Ilhas Salomão, não é de se espantar que a seleção seja formada quase que exclusivamente por adolescentes. Com exceção do fixo Houtaru, 23, todos têm entre 17 e 19 anos. Para disputar o Mundial, cada um recebeu US$ 300.

“Os jogadores são jovens porque foram eles que passaram pelo programa de desenvolvimento do esporte”, diz Waiia.

Custeados pela Dural Sports and Leisure Centre, entidade ligada à Igreja, Elliot Ragomo –o principal jogador da seleção– e Jack Whetney passaram quatro meses treinando na Espanha em 2006.

O processo de evangelização no futsal foi tão profundo que todo dia, às 9h, a delegação se reúne para ler a Bíblia e fazer, antes dos treinos, as orações no hotel em que está em Brasília.

Quanto ao jogo contra a seleção brasileira, o treinador considera que uma surpresa é praticamente impossível.

“O Brasil é uma das grandes forças do futsal. Nós não esperamos vencer, mas jogaremos tudo o que pudermos e faremos o nosso melhor por Jesus”, afirma Waiia, talvez esperando uma força divina para evitar que sua seleção seja goleada novamente –na estréia, perdeu para Cuba por 10 a 2.

O Brasil realiza seu segundo jogo do Mundial hoje, às 10h30, confiante. Ontem, o técnico Paulo César de Oliveira, o PC, pôs o time para treinar o retorno do ataque para a defesa, visando evitar ameaças em contra-ataques.

O clima de descontração do elenco demonstrava que as Ilhas Salomão, seleção goleada por Cuba no primeiro jogo, não eram motivo de preocupação.

“Vi o jogo, e achei uma equipe inocente. Mas hoje em dia você não pode facilitar contra ninguém”, declarou PC.

FONTE: FOLHA

 
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Publicado por em 06/10/2008 em POIMENIA

 

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