Igreja Católica ignorou riqueza da Reforma, diz sacerdote

Antonio Otzoy

A Igreja Católica não soube aproveitar a oportunidade de mudança nos tempos da Reforma protestante, quando numerosos pensadores religiosos propuseram modificações fundamentais na vida do catolicismo. “Toda essa riqueza foi ignorada pela Contrareforma”, anotou o sacerdote marista e historiador Santiago Otero, secretário adjunto da Conferência Episcopal da Guatemala.

O religioso disse que são muitas as “culpas” que a Igreja Católica carrega sobre os ombros a partir de sua chegada ao continente e instauração. No entanto, afirmou que não se pode culpá-la de tudo, porque ela não tinha o aparato institucional que se acreditava ter. Na realidade, era uma instituição raquítica por dentro.

Otero afirmou que em meados do século XIX havia somente 60 sacerdotes católicos em todo o país, quantidade insuficiente para atender todas as paróquias, o que gerou uma diferenciação entre os católicos que tinham um vínculo com os seus pastores e “os que estavam desamparados pela Igreja, e que eram a grande maioria”.

O sacerdote marista abordou o tema “O que todo evangélico guatemalteco deve saber sobre a Igreja Católica e os católicos” durante a Primeira Conferência da Sociedade Evangélica para o Estudo Sócio-Religioso, organizada por evangélicos acadêmicos e instituições teológicas, realizada nesta capital, no dia 16 de junho.

No passado, disse o palestrante, a prática sacerdotal restringia-se às festas patronais. “Em alguns lugares as festas patronais duravam até dez dias e o pastor chegava a oficiar missa todos os dias durante as festividades”. Quando se tratou de ampliar a participação sacerdotal, os fiéis não consideraram necessário “porque as dez missas celebradas a cada ano eram suficientes”.

Otero anotou que na época liberal, em 1870, durante o governo de Justo Rufino Barrios, foi implantado o “evangelicalismo” e foram confiscaram muitas propriedades da Igreja Católica, em sua maioria doadas ao clero por seus proprietários “para ir ao céu”

Esse fato, segundo Otero, “foi uma bênção” porque permitiu uma aproximação legítima a Deus. “Muitas vezes se tinha a idéia de que quanto maior fossem os obséquios à igreja, mas fácil seria de ser recebido no céu”, disse.

O sacerdote católico espanhol, que há 20 anos vive na Guatemala, frisou que a sua primeira experiência com a realidade religiosa guatemalteca foi descobrir que enquanto na Europa os fiéis se mostram mais interessados na doutrina, aqui há maior inclinação pelo texto da Bíblia e pouca ênfase nos aspectos doutrinários.

Mencionou que aos católicos guatemaltecos foi imposto uma maior aproximação ao catecismo e menos à Palavra. Já as igreja evangélicas preferiram a leitura da palavra, infundindo grande força à fé.

O sacerdote disse que valoriza a chegada dos movimentos carismáticos, pois eles “trouxeram novos desafios à igreja”, despertando-a.

Por fim, assinalou que todo líder católico deve ter como ponto de referência o Concílio Vaticano II. “No entanto, muitos sacerdotes jovens não o consideram importante ou não o levam em conta”, lamentou.

Fonte: ALC

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