O diretor do Instituto Nacional para a Reforma Agrária (INRA) de Beni, Ignacio Franco, confirmou à agência Efe que o Poder Executivo adotou a medida após reunião entre o ministro do Desenvolvimento Rural, Carlos Romero, dirigentes camponeses e representantes menonitas. A comunidade menonita é composta por 53 famílias que vivem no município de San Javier, na província de Cercado, ao nordeste de Beni.
A comunidade é foco do processo de “saneamento” impulsionado pelo governo, e que consiste na verificação por parte do INRA sobre a “função econômica e social” das propriedades rurais. As terras que, após vistoriadas, não cumprirem função econômica e social serão revertidas aos seus titulares e outorgadas às comunidades indígenas e camponesas da região.
Desde a sua chegada à Bolívia, os menonitas se dedicam à agricultura intensiva e ao comércio. A comunidade não terá direito à indenização, já que o governo aplicará a medida da reversão.
Essa comunidade religiosa teria comprado as terras que ocupam de donos que não querem identificar. No entanto, estas pessoas deverão ser apontadas, tendo em vista o fato de que venderam terrenos públicosd, disse o diretor nacional de Terras, Cliver Rocha.
Camponeses da região apóiam os menonitas. Ontem, cerca de 1 mil camponeses e indígenas que integram a Central Camponesa 16 de Julho, estabelecida no município de San Javier, exigiram do governo a renúncia do diretor nacional de terra, e a permanência dos menonitas assentados nessa jurisdição municipal.
Em 1957, mais de 40 menonitas instalaram a primeira colônia na Bolívia. Deixaram o Chaco paraguaio em busca de terras mais férteis e, também para se afastarem de irmãos na fé, que tinham decidido romper as rígidas regras menonitas ao instalar uma rede de eletricidade em sua comunidade.
O governo de Víctor Paz Estenssoro permitiu a essa comunidade trabalhar no município crucenho de Cotoca. Atualmente, pelo menos 50 mil menonitas – repartidos em mais de 50 colônias – habitam Santa Cruz, Beni e Tarija, segundo dados do Comitê Central Menonita (CCM). Eles constituem o grupo de estrangeiros com as maiores extensões de terra no país, apontam dados oficiais.