Crentes na política: você sabia disso?

Robinson Cavalcanti, bispo anglicano

Chegando ao Brasil, depois da expulsão da Ilha da Madeira, o Dr. Robert R. Kalley, pioneiro do congregacionalismo, teve diálogos religiosos com o Imperador Pedro II e membros da Corte, vindo a converter algumas damas.

Ashbell G. Simonton, o pioneiro do presbiterianismo, ao fundar o jornal “Imprensa Evangélica”, não o via como um órgão de circulação interna entre os protestantes, mas o queria à venda nas livrarias seculares, como uma visão cristã para o mundo.

Quando o primeiro “Clube Republicano” (embrião do futuro Partido Republicano) foi fundado por Quintino Bocaiúva e Rangel Pestrana, dos oito membros dois eram protestantes, os irmãos maranhenses Vieira Ferreira.

A primeira Igreja protestante de fala portuguesa em nosso País, a Igreja Evangélica Fluminense, no Rio de Janeiro, por seus estatutos, somente permitia a filiação de senhores de escravos, se os mesmos os libertassem.

O Colégio Gammon, de Lavras, MG, tem no pórtico de sua Capela o dístico: “Dedicado à glória de Deus e ao Progresso Humano”. Esses colégios que introduziram a educação mista, a educação física, a educação tecnológica e esportes como voleibol e basquetebol, estavam movidos pela mesma visão de uma missão civilizatória que marcou as primeiras décadas do protestantismo de missão no Brasil, em um tempo em que o pós-milenismo e o a-milenismo eram as correntes escatológicas hegemônicas.

Essa visão de um protestantismo participante e procurando influenciar também estava na fundação da Liga Eleitoral Evangélica, para as constituintes de 1934 e 1946. Se antes fora a Abolição e a República, o Estado Laico, agora entravam temas como a defesa do divórcio e da reforma agrária.

Quem se lembra do primeiro Governador de Estado (interino) do Brasil, o líder operário tecelão e pentecostal da Assembléia de Deus, o deputado estadual Torres Galvão, no Pernambuco dos anos 1950, ou o primeiro assessor evangélico (com status de subsecretário de Estado), o pastor batista Viana de Paiva, na primeira gestão de Miguel Arraes, nos anos 1960?

Quem se lembra da militância de batistas e pentecostais no nascente sindicalismo rural no Nordeste, no final dos anos 1950, ou do documento final da “Conferência do Nordeste”, promovido pela Confederação Evangélica Brasileira (CEB) no Colégio Presbiteriano Agnes Erskine, no Recife, sob o lema “Cristo e o Processo Revolucionário Brasileiro”, ou o manifesto da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil, de Vitória, ES, de 1963?

Em um tempo em que não havia a heresia “crente não se mete em política”, nem o corporativismo maroto do “irmão vota em irmão”, os crentes davam certo….

FONTE: PAVABLOG

2 Respostas

  1. Olá!!
    sou evangelico (assembleano)…sou funcinário publico ha 15 anos, destes, pelo menos 10 anos tenho envolvimento politico partidário. Creio particularmente que o crente precisa tomar espaço na politica partidária. Quase concorri na ultima eleição municipal. O grande problema é que o povo se tornou corrupto, ou o politico se tornou corrupto por causa do povo?. Não sabemos ao certo, o que sabemos é que a corrupção de fato existe, e mancha a política. O povo tem sua parcela de culpa. No meu entendimento maior que a do político, o povo se vende por uma coca-cola, e com isso instiga o mau politico que toma proveito.

    Já tenho pensado muito no proximo pleito eleitoral. Estou buscando de Deus o que ele pensa sobre isso.

    Achei esta frase fantástica. Retrata o meu pensamento sobre este tema. “Nada pode ser mais coerente do que “crente na política” , anseio pelo dia em que tenhamos um presidente da república que seja temente a Deus e O sirva de todo coração, com toda sua força, e com todo seu entendimento.”

  2. Nada pode ser mais coerente do que “crente na política” , anseio pelo dia em que tenhamos um presidente da república que seja temente a Deus e O sirva de todo coração, com toda sua força, e com todo seu entendimento.

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